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Publicidade da indústria do tabaco associa o ato de fumar às imagens de rebeldia, aventura, bom desempenho sexual e esportivo, sucesso e beleza, independência e liberdade


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Uma das questões que merece atenção especial dos países em desenvolvimento é a tática de marketing utilizada pela indústria do tabaco.

No Brasil, como em outros países, a publicidade dos derivados do tabaco associa o fumar a imagens de rebeldia, aventura, bom desempenho sexual e esportivo, sucesso, beleza, independência e liberdade, com o intuito de fazer com que o público, sobretudo o jovem, identifique-se com tais mensagens.

Sob a alegação de estarem desenvolvendo campanhas para apoiar a legislação que proíbe a venda do cigarro para menores de 18 anos, as indústrias lançam campanhas publicitárias, associadas à cidadania, com mensagens de duplo sentido, para despertar na população jovem o desejo de fumar.

Esse tipo de estratégia foi implementada no Brasil, em 1998, junto às escolas do Paraná e do Distrito Federal, onde foram distribuídos folhetos explicativos, cartazes e adesivos com os dizeres: Para comprar cigarros, tem que ter 18 anos - Isso é legal / Fumar é uma decisão adulta. / Carteira de cigarro só com carteira de identidade. / Cigarros: Adultos podem escolher. Jovens devem esperar.

Decisão Adulta

A ambigüidade destas frases é clara, pois a mesma mensagem que diz ser proibida a venda de cigarros para adolescentes com menos de 18 anos, também quer dizer que poder comprar um maço de cigarros a partir desta idade é um ato de independência, uma decisão adulta. Isto incentiva o consumo de cigarros, na medida que provoca no jovem o desejo de auto-afirmação.

Outra estratégia da indústria do fumo é o patrocínio de eventos culturais (sobretudo os de música), esportivos e de programas escolares, como Hortas Escolares e Clube da Árvore, desenvolvidos na Região Sul, onde ocorrem 96% do plantio do tabaco no Brasil. Somente o programa Hortas Escolares, no ano de 1999, envolveu 3.700 escolas no meio rural, com 120 mil alunos, 5 mil professores, abrangendo 269 municípios1.

Para enfrentar as ações da indústria do tabaco, os valores socioculturais e de comportamento de nossa sociedade devem ser revistos. Isto só será possível se estimularmos o senso crítico da população em geral, sobretudo dos jovens para que, desse modo, as estratégias de marketing das companhias de tabaco possam ser neutralizadas.

1 Revista "O Produtor de Fumo da Souza Cruz", julho/ago./set. 1999, p.5.M


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