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Formol ou Formaldeído

Sinônimos: formaldeído, formalina, metil aldeído, metileno glicol, oxido de metileno, metanal, formalida 40, morbicida, BFV, formalite, aldeído fórmico, Yde, Ivalon, Karsan, Lysoform, Oxometano, Oximetileno.

CAS 50-00-0

O formaldeído é um gás produzido mundialmente, em grande escala, a partir do metanol. Em sua forma líquida (misturado à água e álcool) é chamado de formalina ou formol – solução aquosa: 37 a 50% de formaldeído e 6-15% de álcool que tem função de estabilizante (IARC, 2004, OSHA, 2002).
O nível de formol na atmosfera é geralmente abaixo de 0,001 mg/m3 em áreas rurais e abaixo de 0,02 mg/m3 em áreas urbanas (IARC, 2004 – vol.88).

Conversão: 1 ppm = 1,25 mg/ m3
1mg/m3 = 0,8 ppm (em 20 ºC)

A produção anual de formol é de aproximadamente 21 milhões de toneladas. É muito utilizado em resinas sintéticas, fenólicas, uréicas e melamínicas nas indústrias de madeiras, papel e celulose; em abrasivos, plásticos, esmaltes sintéticos, tintas e vernizes; na indústria têxtil e de fundição; em adesivos, isolantes elétricos, lonas de freio, etc. Fontes comuns de exposição inclui ainda o que é liberado pelos veículos, a fumaça do cigarro, o uso de desinfetantes, conservantes e produção e uso de fungicidas e germicidas (IARC, 2004).

Comparado a outros países, o Brasil é um médio produtor de formaldeído, mas essa produção tem experimentado um grande incremento, principalmente a partir da década de 90. Chama atenção a produção dos Estados Unidos que excedeu a 2000 toneladas nos quatro períodos analisados (Quadro 1) e a do Japão, que excedeu a 1.000 toneladas a partir de 1986. No Canadá, em 1996, a produção de formaldeído foi de aproximadamente 222.000 toneladas (Environment Canadá, 1997b), tendo aumentado em mais de duas vezes em um período curto de 6 anos.


Quadro 1 - Produção de formaldeído em países selecionados

País ou região

Produção/mil toneladas

1982

1986

1990

2000

Brasil

152

226

322 a

862b

Canadá

70

117

106

675

China

286

426

467

N/D

Dinamarca

N/D

3

0,3

N/D

França

79

80

100

N/D

Alemanha

630

714

680

N/D

Japão

N/A

1188

1460

1396

México

83

93

N/D

136

Suécia

N/D

223

244

N/D

Tchecoslováquia

254

274

N/D

N/D

USA

2185

2517

3048

4650

Europa Ocidental

N/D

N/D

N/D

6846c

Adaptado de IARC (1995)
a
= Dados da Abraf (Associação Brasileira dos Produtores de Formol e Derivados ) para 1994
b= Dados da Abraf (Associação Brasileira dos Produtores de Formol e Derivados ). Valores estimados para 2005
c = Inclui Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia,
Alemanha, Suíça, Noruega e Reino Unido.
N/D = Não disponível

Atualmente existe uma política de redução dos níveis de formol pela utilização de resinas que liberam menos formaldeído acoplado a sistemas de ventilação eficientes (IARC – vol88, 2004 - annoucements). No passado, a exposição era muito maior, principalmente durante processos de trabalho como o envernizamento de móveis e pisos de madeiras, acabamentos têxteis e tratamento de peles. Nessas circunstâncias, as medidas dos níveis de formol chegavam a ser de 2-5 ppm. Há relatos que embalsamadores, patologistas, trabalhadores da indústria de papel, eram expostos a 3 ppm ou mais em curtos períodos. Da mesma forma, quem trabalhava com produção de resinas e produtos plásticos (IARC – monographs/vol.88 in preparation).

Um outro grupo bastante exposto é o de professores e estudantes da área de saúde que manipulam espécimes biológicas conservadas com formol ou formalina (OSHA, 2002).
O Departamento de Segurança Ocupacional e Administração de Saúde dos Estados Unidos (OSHA, 2002), estabeleceu normas com o objetivo de proteger os trabalhadores expostos ao formol. O limite máximo permitido para o formol nos locais de trabalho é de 0,75 ppm em 8h. Um segundo limite é de 2 ppm para exposições curtas de 15 minutos. No Brasil, o patamar de exposição ocupacional é de 1,6 ppm (2g/m3) até 48h/semana (NR – 15, 1978- Portaria 3214; IARC, vol. 88, 2002).Exposições Ocupacionais

Uso como alisante de cabelos

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classifica as ocupações de cabeleireiro e barbeiro no grupo 2A, ou seja, os agentes químicos a que são expostos no exercício de suas funções foram classificados como prováveis cancerígenos (IARC, 1993). A exposição é diária e abrange uma grande quantidade de produtos, incluindo tinturas e descolorantes, shampoos e condicionadores, loções para cabelos, unhas e pele. Sabe-se também que não há utilização de equipamentos de proteção individual ou coletiva.

Nos últimos anos, no Brasil, os salões de beleza têm utilizado extensivamente o formol como alisante capilar nas denominadas escovas progressivas – método de alisamento que para alcançar o efeito desejado deve ser feito múltiplas vezes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa proibiu o seu uso com essa função, mas a técnica continuou sendo utilizada por muito tempo, por profissionais de beleza, pois como não há produtos com formol autorizados com a função de alisar os cabelos, supõe-se que o mesmo vem sendo adicionado aos cabelos a critério de cada especialista.

A Anvisa estabeleceu que o uso do formol é permitido apenas como conservante na concentração de 0,2% e como endurecedor de unhas na concentração de 5% (RDC nº 162 de 11 de setembro de 2001). A Anvisa proibiu também o uso do formol em produtos de limpeza (detergentes, desinfetantes, alvejantes e demais materiais saneantes – RDC nº 35, de 03 de junho de 2008), baseados no artigo 5º da Resolução nº 184 de 22 de outubro de 2001, que proíbe o uso de substâncias carcinogênicas, terotogênicas e mutagênicas nas formulações de produtos saneantes. Em 17 de julho de 2009, outra Resolução foi publicada no Diário Oficial da União - RDC No- 36. Proíbe a exposição, a venda e a entrega ao consumo de formol ou de formaldeído (solução a 37%) em drogaria, farmácia, supermercado, armazém e empório, loja de conveniência e drugstore. Discorre ainda sobre a adição de formol: “Art. 2º A adição de formol ou de formaldeído a produto cosmético acabado em salões de beleza ou qualquer outro estabelecimento acarreta riscos à saúde da população, contraria o disposto na regulamentação de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes e configura infração sanitária nos termos da Lei no- 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.”

A finalidade dessa Resolução foi de restringir o acesso da população ao formol, coibindo o desvio de uso do formol como alisante capilar, protegendo a saúde de profissionais cabeleireiros e consumidores. Dados recebidos pela Anvisa mostram que as notificações de danos causados por produtos para alisamento capilar triplicaram no 1º semestre de 2009 em comparação com todo o ano de 2008, sendo que na maioria dos casos há suspeita do uso indevido de formol (e também de glutaraldeído) como substâncias alisantes.

No Estado do Rio de Janeiro, no dia 18 de março de 2009, o governador Sérgio Cabral sancionou uma lei (5.409/09) que obriga os salões de beleza do Estado do Rio de Janeiro a informar em cartaz afixado em local de fácil visualização, o seguinte texto: “O uso de formol nos tratamentos capilares é proibido e causa males à saúde. Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa do Rio – telefone 0800 282 7060”.

Existem substâncias ativas específicas com propriedades alisantes como o ácido tioglicólico, hidróxido de sódio, hidróxido de potássio, hidróxido de cálcio, hidróxido de lítio e hidróxido de guanidina alumínio que são permitidos pela legislação brasileira. Devido a semelhança química com o formol, o glutaraldeído vem sendo utilizado sem permissão da Anvisa com a finalidade de alisante, mas que apresenta os mesmos riscos e restrições (Anvisa, 2009).  

Uso em hospitais - histopatologistas

O formol (solução aquosa do formaldeído) é comumente utilizado para preservar amostras de tecidos em laboratórios que fazem histopatologia. As concentrações de formaldeído algumas vezes são elevadas, como durante a deposição do tecido e preparação da formalina. A concentração média durante a exposição é 0,5 ppm. O formaldeido também tem sido usado extensivamente em hospitais para desinfecção (IARC, 1995). Técnicos de laboratório e profissionais de saúde e de limpeza são os mais expostos.
 No Brasil, a Anvisa publicou uma resolução (RDC 37/2008) que proíbe ouso de pastilhas contendo formol ou paraformaldeído (substância sólida feita com formol) nos processos de desinfecção e esterilização de artigos, superfícies e equipamentos, em ambientes domiciliares ou coletivos e em serviços submetidos ao controle e fiscalização sanitária de equipamentos médico-hospitalares. Existem hoje no mercado produtos com a mesma finalidade que oferecem maiores vantagens e um processamento mais seguro, considera também o uso inadequado das pastilhas nos serviços de saúde que não garante a segurança no processo e ainda expõe os usuários aos efeitos tóxicos do produto. 
 

Uso por laboratórios de anatomia e preservação de cadáveres
O formaldeído tem sido utilizado como conservante de tecido humano. Algumas partes do corpo que são preservadas são também cauterizadas e seladas com compostos que contém formaldeído em pó. A concentração de formol no ar durante o processo depende do conteúdo do fluido, o tipo de corpo, ventilação e processo de trabalho. Estudos têm medido os níveis nas áreas em torno das mesas de dissecação e tem encontrado concentrações > 1,2 mg/m3. A concentração média é de aproximadamente 1 ppm (1,2 mg/m3). (IARC, vol88 completo, 2006). Estudantes, técnicos e mestres são as categorias mais expostas.


Uso de formol na indústria de produtos de madeira e papel
A exposição ao formol pode ocorrer em alguns setores da indústria madeireira pelo seu uso como resina. A exposição é tipicamente monitorada pela medida de formol em sua forma gasosa. Exposição adicional pode ocorrer através da inalação do formol acoplado ao pó da madeira, embora não seja comum (IARC, vol88 completo, 2006). Grupo ocupacional mais exposto: operários da indústria madeireira e de papel.

Alguns processos de moagem de papel produzem produtos especiais que são cobertos com fenol, uréia ou resinas melamínicas tendo como base o formaldeído. Agentes de revestimentos e outros químicos utilizados na moagem do papel podem conter também formaldeído como bactericida (IARC, vol88 completo, 2006).


Uso na indústria de móveis
Os vernizes utilizados em móveis podem conter resinas de uréia-formaldeído dissolvidos em solventes orgânicos. Na Finlândia, trabalhadores foram expostos a um nível médio de aproximadamente 1ppm (1,23 mg/m3) de formaldeído em muitas instalações (Priha et al, 1986; Heikkilä et al., 1991).


Uso na construção civil
Trabalhadores especializados: que envernizam madeiras e pisos podem ter exposições elevadas. Os níveis médios de formaldeído no ar durante o envernizamento com formaldeído-uréia fica entre 2 e 5 ppm (2,5-6,2 mg/m3).   


Uso na fábrica de tecidos e artigos de vestuário
O uso de resinas tendo como base o formol na produção de tecidos resistentes teve início na década de 50. Inicialmente as resinas continham quantidades substanciais de formaldeído: acima de 0,4% por quilo de tecido. A introdução de novos compostos na década de 70 reduziu os níveis de formaldeído livre nas fábricas em 0,15-0,2%. Desde então os níveis de formaldeído têm sido gradualmente reduzidos. O uso de resinas baseadas em formaldeído na finalização de tecidos e artigos de vestuário pode expor trabalhadores do setor varejista (IARC, vol88 completo, 2006).

Outros exemplos de exposição ocupacional:

A exposição ao formol pode ocorrer por profissionais que trabalham em fundições, na indústria de fibra vítrea sintética, na produção de plásticos. Pode ainda ocorrer por profissionais que trabalham nas ruas devido às emissões veiculares, por bombeiros, por trabalhadores de prédios públicos (museus, casas geriátricas, etc) (IARC, vol88 completo, 2006).

O formaldeído é também utilizado nas seguintes condições/ocupações:
- na agricultura como um conservante para forragem e como um desinfetante.
- em gás é utilizado 5-10 vezes por ano para desinfetar ovos em aviários.
- durante processos industriais, como tratamento de peles e couros, preservação de cevada e açúcar de beterraba, carvão e processamento de borrachas e abrasivos.


Outras fontes de exposição ao formaldeído - não ocupacionais

No ambiente
Embora o formaldeído seja um componente natural presente no ar, fontes antropogênicas usualmente contribuem para o aumento desses níveis. Concentrações de formaldeído em áreas urbanas são mais variáveis e dependem das condições locais. Geralmente variam de 1-20 g/m3. Em condições de tráfico pesado ou durante inversões severas podem se estender para acima de 100 g/m3, como o que foi registrado no Brasil, em Salvador-Bahia (de Andrade et al, 1998).

No interior das residências
As concentrações de formol no interior das residências dependem das fontes de formaldeído existentes, o tempo de permanência dessas fontes, da ventilação, da temperatura e da umidade. Como exemplo pode-se citar materiais isolantes, compensados e tábuas finas, carpetes, tintas e vernizes, roupas e tecidos, fumaça do tabaco e o uso de formol como desinfetante (Dingle et al, 2000; Jurvelin 2003).

Cosméticos
A população pode entrar diretamente em contato com produtos que contém formol, formalina e/ou paraformaldeído pelo uso de shampoos e outros cremes para o cabelo; desodorantes, produtos de banho, cremes e loções para a pele. O contato pode se dar nos olhos (máscara e maquiagem), na mucosa oral (refrescantes bucais), na mucosa vaginal (desodorantes vaginais) e nas unhas (removedores de cutícula, cremes e loções de unhas). O uso de aerossóis pode resultar numa potente fonte de inalação do formol (Cosmetic Ingredient Review Expert Panel, 1984).

Alimentos
O formaldeído ocorre naturalmente nos alimentos, e esses também podem estar contaminados por fumigantes (ex. grãos), durante o cozimento (como produto da combustão) e pela liberação de resinas de formaldeído a partir da louça. Tem sido também utilizado como agente bacteriostático em alguns alimentos como queijos (na Itália é permitido o uso controlado como agente bacteriostático) (Restani et al, 1992). Frutas e vegetais tipicamente contém de 3-60 mg/kg, leites e produtos lácteos contém cerca de 1mg/kg. Carnes e peixes contêm 6-20mg/kg e moluscos contém 1-100mg/kg. A água para consumo geralmente contém menos de 0,1mg/kg (WHO, 1989). É utilizado na indústria para inibir o crescimento bacteriano durante a produção de sucos (ATSDR, 1999).
 
Tabagismo
Concentrações de 60-130 mg/m3 tem sido medido na corrente principal da fumaça do cigarro. Uma pessoa que fuma 20 cigarros/dia, expõe-se ao equivalente de 1 mg/dia (WHO, 2001). 

Interação com outros agentes químicos

O formaldeído, a acroleína, o acetaldeído e o crotoaldeído são os maiores contaminantes do ar e podem estar simultaneamente em muitos ambientes internos e externos. Esses agentes químicos são todos irritantes do tato respiratório e, em concentrações elevadas, danificar o epitélio nasal em animais experimentais. Dependendo da duração e concentração da exposição, as interações variam do antagonismo para potencialização e um evidente sinergismo  (WHO, 2001).

Toxicidade
 
Devido a sua solubilidade em água, o formol é rapidamente absorvido no trato respiratório e gastrointestinal e metabolizado. Embora o formol ou metabólitos sejam capazes de penetrar na pele humana, a absorção dérmica é mais leve, porém podem induzir a dermatites de contato. Desta forma, o formol é tóxico se ingerido, inalado ou tiver contato com a pele, por via intravenosa, intraperitoneal ou subcutânea.

Efeitos do formol em humanos após exposições de curta duração

Média de concentração Tempo médio

Efeitos à saúde população geral

0,8 - 1 ppm

Exposições repetidas

percepção olfativa

até 2 ppm

Única ou repetida exposição

irritante aos olhos, nariz e garganta

3 – 5 ppm

30 minutos

lacrimação e intolerância por algumas pessoas

10 – 20 ppm

Tempo não especificado

dificuldade na respiração e forte lacrimação

25 – 50 ppm

Tempo não especificado

edema pulmonar, pneumonia, perigo de vida

50 – 100 ppm

Tempo não especificado

pode causar a morte

Fonte: Adaptado World Health Organization (1989); IARC (1995); WHO Regional Office for Europe (1987).

 

Sintomas frequentes em caso de intoxicação:

Inalação: fortes dores de cabeça, tosse, falta de ar, vertigem, dificuldade para respirar e edema pulmonar.  Pode causar ainda irritação nos olhos, nariz, mucosas e trato respiratório superior. Em altas concentrações pode causar bronquite, pneumonia ou laringite. 


Ingestão: causa imediata e intensa dor na boca e faringe; dores abdominais com náuseas, vômito e possível perda de consciência.  Também podem ser observados sintomas como proteinúria, acidose, hematemesis, hematúria, anúria, vertigem, coma e morte por falência respiratória.

Ocasionalmente pode ocorrer diarréia (com possibilidade de sangue nas fezes), pele pálida, fria e úmida além de sinais de choque como dificuldade de micção, convulsões, e estupor. A ingestão também pode ocasionar inflamação e ulceração /coagulação com necrose na mucosa gastrintestinal, colapso circulatório e nos rins. Podem ocorrer danos degenerativos no fígado, rins, coração e cérebro.

Pele: O contato com o vapor ou com a solução pode deixar a pele esbranquiçada, áspera e causar forte sensação de anestesia e necrose na pele superficial. Longos períodos de exposição podem causar dermatite e hipersensibilidade, rachaduras na pele (ressecamento), ulcerações, principalmente entre os dedos.

Olhos: Pode causar conjuntivite.

Revisão da Literatura sobre carcinogênese do formol:

Algumas avaliações feitas pela IARC - International Agency for Research on Cancer da Organização Mundial da Saúde sobre o formaldeído foram concluídas em 1987 (Suplemento 7) que classificou o formaldeído no grupo 2A - provável cancerígeno em humanos - e manteve essa classificação também em 1995 (Volume 62). Em 2003, foi montado um grupo de trabalho com cientistas da mesma Agência, que reavaliaram os resultados de estudos existentes e optaram pela reclassificação do formaldeído quanto ao seu potencial cancerígeno. Desta forma a partir de julho de 2004, a IARC classificou este composto como carcinogênico (Grupo 1), tumorogênico e teratogênico por produzir efeitos na reprodução para humanos e em estudos experimentais demonstraram ser também, para algumas espécies de animais.


O formaldeído é um agente reconhecidamente cancerígeno em humanos
Em relação ao câncer - não há níveis seguros de exposição

Tipos de câncer associados a exposição do formaldeído

 

De nasofaringe
A mortalidade por câncer de nasofaringe apresentou um aumento estatisticamente significativo em um estudo de coorte dos Estados Unidos (EUA) em trabalhadores de industrias expostos ao formaldeído, e em dois outros estudos de coorte dos EUA e Dinamarca. Cinco de sete estudos caso-controle estudados, também acharam o risco elevado para exposição de formaldeído. O Grupo de trabalho considerou que era "inverossímil que todos os casos positivos poderiam ser explicado por viés ou por fatores de confundimento desconhecidos" e concluiu que existe evidência suficiente em humanos que o formaldeído causa câncer de nasofaringe.

A neoplasia maligna de nasofaringe é um evento raro, porém apresenta um dos piores prognósticos dentre os tumores malignos de cabeça e pescoço, pela proximidade da base de crânio e de outras estruturas vitais, pela natureza invasiva do tumor e por causar sintomas tardios e a dificuldade no exame da nasofaringe.

Além do formol, os fatores ambientais/ocupacionais associados ao câncer de nasofaringe são as nitrosaminas (presentes no peixe salgado seco), os hidrocarbonetos policíclicos, o níquel, a madeira, os produtos têxteis, os produtos derivados do refinamento do petróleo, os pigmentos de cromo, a exposição à fumaça industrial, o gás mostarda, o gás hidrocarbônico e a fuligem de madeira. Pode-se ainda associar fatores como o uso crônico de álcool e tabaco, condições precárias de vida, infecções nasossinusais de repetição, e a associação com a infecção pelo vírus Epstein-Barr, principalmente em pacientes do sudeste asiático, onde a população afetada geralmente é mais jovem quando comparada à população caucasiana (Mukerji et al. 2003).

Leucemia
Existe "forte, mas não suficiente evidência para uma associação causal entre leucemia e exposição profissionais a formaldeído".
Adenocarcinoma nasal
Existe evidência limitada em humanos de câncer nasal causado por formaldeído.
Genotoxicidade e citotoxicidade do formol
O formaldeído é genotóxico em modelos in-vitro, animais e humanos. A genotoxicidade e citotoxicidade têm papéis importantes na carcinogênese do formaldeído em tecidos nasais

Considerações:

- Existe uma legislação no país que estabelece limites de exposição ao formaldeído em ambientes de trabalho. O patamar de exposição ocupacional permitido no Brasil é de 1,6 ppm (2mg/m3) até 48h/semana e o dos Estados Unidos, por exemplo, que é de 0,75 ppm em 8h ( 1mg/m3) em 1 dia de trabalho. Embora os níveis permitidos aqui são inferiores a norma americana (OSHA, 2002), há de se questionar o cumprimento da mesma pelos órgãos de fiscalização, a informação e compreensão por parte dos trabalhadores de que se trata de agente cancerígeno. O estabelecimento e cumprimento dos limites de exposição são importantes para evitar/reduzir o quadro de intoxicação aguda por formol.

Em relação ao câncer, ressalta-se que não há limites seguros de exposição a agentes cancerígenos.

- Apesar das leis que proíbem o uso de formol como alisante de cabelos, essa prática continua sendo utilizada amplamente por salões de beleza no Brasil, mesmo porque a procura pelos efeitos do uso de formol nos cabelos continua crescente.
-  Os cabeleireiros fazem parte de uma força de trabalho que por si só, constituem uma circunstância de risco para o desenvolvimento de câncer, por trabalharem com inúmeras tintas, misturas e produtos já classificados como cancerígenos. Adicionando-se a manipulação do formol, que para essa finalidade, parece ser uma particularidade do nosso país, o risco tende a crescer.
- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vem aos poucos, elaborando leis cada vez mais restritivas ao uso do formol e propondo substituição desse agente em vários produtos. No entanto, empenhos devem ser feitos em relação a fiscalização dos ambientes de trabalho.
- Embora no Rio de Janeiro, haja uma lei específica, sobre a obrigatoriedade de informar ao cliente que freqüenta salões de beleza de que o uso do formol está proibido por lei, essa prática não tem sido observada na prática.
- Embora no Brasil, o uso do formol tem ganhado mais atenção pela mídia, dado o uso como alisante de cabelos, não deve ser esquecido o seu uso em outras categorias profissionais como em técnicos de laboratório e patologistas, que geralmente trabalham em locais fechados.

Links:
Agency for Toxic Substances and Disease Registry
Divison of Toxicology / e-mail: atsdric@cdc.gov

Veja: Perguntas mais frequentes sobre formol.pdf


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