O estudo de custo-efetividade comparou a citologia convencional (exame de Papanicolaou) com cinco estratégias de rastreamento (citologia em meio líquido, exame de DNA do HPV colhido por profissional de saúde, exame de DNA do HPV colhido pela própria paciente, citologia convencional em conjunto com exame de DNA do HPV, e citologia em meio líquido em conjunto com exame de DNA do HPV). O estudo teve como base pesquisa anterior realizada pelo INCA, do qual participaram 1777 mulheres residentes em comunidades carentes dos Municípios de Caxias e Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro.
O estudo de custo-efetividade restringiu-se à estimativa de casos detectados no período de um ano e adotou a perspectiva do sistema de saúde, contabilizando-se apenas os custos médicos diretos de rastreamento dos casos detectados e utilizando os valores propostos pela tabela da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos – AMB, 2004.
O teste de Papanicolaou combinado com o teste de HPV colhido por profissional de saúde mostrou ser a estratégia mais efetiva (maior número de casos detectados), seguida pelo teste de HPV colhido por profissional de saúde e pelo teste de Papanicolaou. Entretanto, os custos por caso detectado foram mais baixos para o teste de Papanicolaou (R$ 14.586,45), seguidos por aqueles relacionados ao teste de HPV colhido por profissional de saúde (18.254,57) e pela combinação de ambos (R$ 19.005,57).
A análise econômica mostrou que o teste de Papanicolaou foi o que apresentou a melhor razão custo-efetividade entre as estratégias analisadas. As razões incrementais de custo-efetividade (CEI), tomando o teste de Papanicolaou como base, mostrou que, para detectar um caso a mais é necessário investir R$ 14.586,86 para o teste de Papanicolaou, R$ 47.805,30 para a combinação do teste de Papanicolaou com teste de captura híbrida para HPV com coleta por profissional de saúde e R$ 146.638,86 para o teste de HPV com coleta por profissional aplicado de forma isolada.
Cabe destacar que essa pesquisa contou com financiamento da DIGENE do Brasil LTDA, Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer (FAF), tendo os autores total liberdade para execução de todas as suas etapas e publicação dos resultados, independentemente dos achados.
Veja o relatório na íntegra aqui.