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Estimativa da Incidência de Câncer para 2008 no Brasil e nas cinco Regiões
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País terá mais de 460 mil novos casos no próximo ano

A Estimativa 2008 de Incidência do Câncer no Brasil revela que aproximadamente 470 mil novos casos da doença deverão ocorrer no país em 2008 e 2009. O tipo mais incidente será o câncer de pele não melanoma, com 115.010 casos a cada ano. Em seguida, vêm: câncer de próstata (49.530 novos casos), mama (49.400), pulmão (27.270), cólon e reto (26.990), estômago (21.800) e colo de útero (18.680). O anúncio foi feito pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Rio de Janeiro, durante o 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer (ICCC 2007/INCA), realizado de 25 a 28 de novembro, marcando o Dia Nacional de Combate ao Câncer (27 de novembro).

“O INCA elabora as estimativas de câncer no Brasil desde 1995 com o objetivo de orientar os gestores públicos nas ações de controle e prevenção do câncer”, afirma o diretor do INCA, Luiz Antonio Santini. “A dimensão da incidência da doença no país, que é projetada nas Estimativas, evidencia como o câncer precisa ser encarado, definitivamente, como um problema de saúde pública. É justamente este esforço internacional que estamos fazendo no ICCC 2007.” Desde 2005, a divulgação das estimativas passou a ser bienal. Segundo Santini, a prevenção e a detecção precoce ainda são as formas mais importantes de controle do câncer. “Pelo menos um terço dos novos casos de câncer que ocorrem no mundo todos os anos poderiam ser evitados”, diz.

Números acompanham tendência mundial da doença

“Sem contar os casos de câncer de pele não melanoma, os tipos de câncer com maior número de novos casos no sexo masculino serão os de próstata e pulmão, enquanto em mulheres a incidência será maior nos cânceres de mama e colo de útero. O perfil da doença é semelhante ao observado em outros países”, resume a epidemiologista Marceli Santos, coordenadora da equipe que desenvolveu as estimativas. Entre homens, estima-se que haverá 231.860 novos casos de câncer, sendo os tipos mais incidentes o câncer de pele não melanoma (59 novos casos a cada 100 mil homens), próstata (52/100.000), pulmão (19/100.000), estômago (15/100.000) e cólon e reto (13/100.000). Apesar do número absoluto de casos entre mulheres ser similar à incidência esperada entre homens – 234.870, o que representa 50,3% do total de casos em 2008 –, o perfil é bastante diferente. Esperam-se 51 novos casos de câncer de pele não melanoma a cada 100 mil mulheres, seguidos pela incidência de câncer de mama (51/100.000), colo de útero (19/100.000), cólon e reto (15/100.000) e pulmão (10/100.000).

Sul e Sudeste apresentam as maiores taxas esperadas de casos novos de câncer, refletindo as heterogeneidades regionais, enquanto a região Centro-Oeste apresenta padrão intermediário. A região Norte apresenta as menores taxas.

Dependendo da localização geográfica, o perfil do câncer se assemelha ora a países desenvolvidos, ora a países em desenvolvimento. Em 2008, a região Norte será a única em que o câncer de colo de útero aparecerá no primeiro lugar em incidência entre mulheres, superando o câncer de mama. Já o Sudeste é a região em que o câncer de cólon e reto aparece como o segundo mais incidente entre mulheres, antes do câncer de colo de útero. No Norte e Nordeste, o câncer de estômago é o segundo com maior incidência entre homens.

Regiões apresentam diferentes perfis da doença

O crescimento da incidência do câncer está relacionado ao envelhecimento da população. O perfil do câncer no Brasil vem acompanhando o perfil observado em países desenvolvidos. As mudanças refletem o processo de urbanização e a ampliação do acesso à informação. “O câncer está presente em todas as sociedades, mas em cada uma delas a doença apresenta um perfil específico. Num país com as dimensões e diferenças que o Brasil apresenta, as especificidades se revelam também entre as regiões e entre as capitais”, avalia a médica e epidemiologista Marise Rebelo, que compõe a equipe do INCA dedicada a elaborar as estimativas.

São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina serão os Estados com o maior número absoluto de casos de câncer previstos para 2008. O Estado de São Paulo e a capital liderarão as estimativas para todos os tipos de câncer. Entretanto, em termos de risco estimado (taxa bruta, ou seja, número de casos dividido pela população sob risco), percebe-se que os estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Paraná apresentarão as maiores taxas para homens, enquanto que as mulheres com maior risco estarão nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

As maiores taxas de incidência de câncer de próstata serão observadas nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná. O câncer de mama terá sua maior taxa no Rio de Janeiro, seguido pelos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. O câncer de pulmão em homens apresentará maior risco de incidência nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Nas mulheres a distribuição é semelhante: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná.

Em destaque, as altas taxas observadas no Rio Grande do Sul: tanto para homens quanto para mulheres, as taxas apresentadas pelo Estado são quase o dobro do segundo colocado. Os tumores de cólon e reto já se colocam como o quarto mais incidente no quadro geral e as maiores taxas, tanto para homens quanto para mulheres, serão observadas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Os tumores de estômago em homens são mais incidentes nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, enquanto que nas mulheres as maiores taxas ocorrem no Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Quanto aos tumores de colo do útero, as maiores taxas serão encontradas no Rio Grande do Sul, Tocantins e Amazonas.

Os especialistas recomendam cautela no uso das estimativas para a análise de tendências temporais, já que foram feitas mudanças na metodologia e melhoria na qualidade das informações ao longo do tempo. “Apesar das limitações, as estimativas permitem descrever os padrões atuais de incidência do câncer, permitindo dimensionar a magnitude da doença no Brasil”, Marceli afirma.

Metodologia

O cálculo das estimativas do número de casos novos de câncer é feito para cada Unidade da Federação e respectivas capitais, multiplicando-se a taxa de mortalidade de cada local pela razão entre os valores de incidência e mortalidade, segundo o método proposto por Black e colaboradores (1997). Foram utilizadas as informações sobre mortalidade disponibilizadas pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e as informações sobre incidência obtidas nos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), que possui dados disponíveis para o período compreendido entre 1998 e 2002. Estes RCBP localizam-se principalmente nas capitais.

“Quanto melhor a qualidade das informações sobre mortalidade e incidência, melhores serão as projeções para os casos novos de câncer”, explica Marceli Santos. “A qualidade das informações sobre mortalidade tem melhorado, mas ainda existe subnotificação e, em alguns estados, ainda há muitos casos registrados como causas não definidas”, pondera. “Como existem variações importantes na letalidade, na sobrevida e nas possibilidades de tratamento dos diferentes tipos de câncer, as informações sobre mortalidade não são capazes de traduzir a real situação da doença no país. Por isso, as estimativas de incidência se tornam essenciais para o planejamento das ações de saúde em câncer”, completa.

Câncer Geral

Localização primária

Estimativa de casos novos

Masculino

Feminino

Total

Próstata

49.530

-

49.530

Mama Feminina

-

49.400

49.400

Traquéia, Brônquio e Pulmão

17.810

9.460

27.270

Cólon e Reto

12.490

14.500

26.990

Estômago

14.080

7.720

21.800

Colo do Útero

-

18.680

18.680

Cavidade Oral

10.380

3.780

14.160

Esôfago

7.900

2.650

10.550

Leucemias

5.220

4.320

9.540

Pele Melanoma

2.950

2.970

5.920

Outras Localizações

55.610

62.270

117.880

Subtotal

175.970

175.750

351.720

Pele Não-Melanoma

55.890

59.120

115.010

Todas as neoplasias

231.860

234.870

466.730

Ordenação dos cinco principais tipos de câncer nas regiões brasileiras (por 100 mil) - HOMENS

Sul

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

Sudeste

1

próstata

68,7

próstata

46,7

próstata

38,0

próstata

22,0

próstata

63,2

2

pulmão

35,6

Pulmão

15,7

estômago

9,2

estômago

9,9

pulmão

22,5

3

estômago

20,9

estômago

12,2

pulmão

8,6

pulmão

8,0

cólon e reto

19,00

4

cólon e reto

20,6

cólon e reto

10,0

cavidade oral

5,9

leucemias

3,7

estômago

18,0

5

esôfago

16,6

cavidade oral

7,7

cólon e reto

4,4

cavidade oral

3,2

cavidade oral

15,2

Ordenação dos cinco principais tipos de câncer nas regiões brasileiras (por 100 mil) - MULHERES

Sul

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

Sudeste

1

mama

67,1

mama

38,2

mama

28,4

colo do útero

22,2

mama

68,1

2

colo do útero

24,4

colo do útero

19,4

colo do útero

17,6

mama

15,6

cólon e reto

21,1

3

cólon e reto

21,9

cólon e reto

10,9

cólon e reto

5,8

estômago

5,4

colo do útero

17,8

4

pulmão

16,2

pulmão

8,8

estômago

5,5

pulmão

5,0

pulmão

11,4

5

estômago

10,4

estômago

6,0

pulmão

5,3

cólon e reto

3,8

estômago

9,5


Ranking do câncer por estado, segundo a taxa bruta – HOMENS


Ranking do câncer por estado, segundo a taxa bruta – MULHERES

** Menor que 15 casos.

Consulte a publicação Estimativa 2008 Incidência de Câncer no Brasil

Confira a apresentação sobre a Estimativa 2008.

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