A industrialização e a urbanização são
acompanhadas de modificações nos hábitos de vida das pessoas. Os aspectos
concernentes ao estilo de vida das populações devem receber atenção
quanto à gênese dos tumores, pois a persistência, a acentuação ou a
introdução de novos hábitos pode induzir ou propiciar o desenvolvimento
das neoplasias malignas.
Entre esses hábitos, o tabagismo aparece como um dos mais importantes,
estando diretamente relacionado com os cânceres de pulmão, boca, laringe
e bexiga. Em escala mundial, a expansão do tabagismo data da Primeira
Guerra Mundial, e a maior generalização do vício foi notada após a Segunda
Guerra Mundial.
Nos Estados Unidos, o consumo anual
médio de cigarros por adulto, em 1920, era de 750 e elevou-se
a 3.900 em 1960. Uma tendência oposta vem se desenvolvendo nas
últimas duas décadas, na maioria dos países desenvolvidos,
onde a proporção de fumantes e a quantidade do produto
consumido vêm declinando substancialmente. No Brasil, a epidemia
tabagística se acelerou a partir de 1970. No período entre
1970 e 1980, o consumo de cigarros cresceu 132%, enquanto a população
adulta cresceu 69% e a população geral 49%. Na segunda
metade de 1970, havia 25 milhões de fumantes; em 1987, contava-se
nas capitais brasileiras, com cerca de 33 milhões, o que implica
um crescimento da ordem de 32% em dez anos. Em 1989, uma pesquisa realizada
em 363 municípios brasileiros possibilitou a estimativa de que
existem no Brasil, 30,6 milhões de fumantes, ou seja, 23,9% dos
maiores de 5 anos de idade (fonte: Ministério da Saúde,
1992).
Fonte: Texto retirado da publicação "O Problema do Câncer no Brasil".