ESTIMATIVA | 2016Incidência de Câncer no Brasil
Síntese de Resultados e Comentários

Apresenta-se uma síntese das estimativas de incidência para o ano de 2016, no Brasil, assim como breves comentários sobre os tipos de câncer de maior magnitude que são passíveis de prevenção primária (prevenção da ocorrência) ou secundária (detecção precoce).

Câncer de próstata

Estimam-se 61.200 casos novos de câncer de próstata para o Brasil em 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 61,82 casos novos a cada 100 mil homens (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as Regiões do país, com 95,63/100 mil na Sul, 67,59/100 mil na Centro-Oeste, 62,36/ 100 mil na Sudeste, 51,84/100 mil na Nordeste e 29,50/100 mil na Norte (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de próstata é considerado o segundo mais comum na população masculina em todo o mundo. Foram esperados, para 2012, de acordo com a última estimativa mundial, cerca de 1 milhão de casos novos para essa neoplasia. Aproximadamente 70% dos casos diagnosticados ocorrem em regiões mais desenvolvidas. As mais altas taxas de incidência são observadas na Austrália/Nova Zelândia, Europa Ocidental e América do Norte. Esse aumento pode ser reflexo, em grande parte, das práticas de rastreamento por meio do teste do antígeno prostático específico (PSA). Entretanto, algumas regiões menos desenvolvidas, como o Caribe, países da América do Sul e países do Sul da África apresentam altas taxas de incidência. O câncer de próstata ocupa a 15ª posição em mortes por câncer, em homens, representando cerca de 6% do total de mortes por câncer no mundo.

O Brasil vem passando, nas últimas décadas, por alterações de contexto social, econômico e, consequentemente, de saúde. O aumento da expectativa de vida, a melhoria e a evolução dos métodos diagnósticos podem explicar o crescimento das taxas de incidência ao longo dos anos no país. Além disso, a melhoria da qualidade dos sistemas de informação do país e a ocorrência de sobrediagnóstico, em função da disseminação do rastreamento do câncer de próstata com PSA e toque retal, também influenciam na magnitude da doença.

Os maiores fatores de risco identificados para o câncer de próstata são: idade, história familiar de câncer e etnia/cor da pele. Entretanto, a idade é o único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer de próstata. A maioria dos cânceres de próstata é diagnosticada em homens acima dos 65 anos, sendo que somente menos de 1% é diagnosticado em homens abaixo dos 50 anos. Com o aumento da expectativa de vida mundial, é esperado que o número de casos novos de câncer de próstata aumente cerca de 60%. Com relação à história familiar, aproximadamente 25% dos casos diagnosticados apresentam história familiar de câncer de próstata. Homens que tiveram pai ou irmão diagnosticados previamente com a doença apresentam um aumento de duas a três vezes no risco de desenvolver essa neoplasia. Esse risco aumenta ainda mais (aproximadamente 11 vezes) se o diagnóstico do pai ou do irmão tiver ocorrido antes dos 40 anos.

Além desses, a etnia/cor da pele também apresenta associação com o câncer de próstata. Aproximadamente, o câncer de próstata é 1,6 vezes mais comum em homens negros quando comparados aos homens brancos. Apesar disso, é possível que essa diferença entre negros e brancos se dê em função do estilo de vida ou dos fatores associados à detecção da doença.

Dieta e nutrição também são fatores importantes na etiologia do câncer de próstata. O excesso de peso corporal, assim como uma dieta com carne vermelha em demasia, apresenta aumento no risco de desenvolver esse tipo de câncer.

A mortalidade desse tipo de neoplasia apresenta um perfil ascendente semelhante ao da incidência no Brasil, embora sua magnitude seja mais baixa. Pode ser considerado um câncer de bom prognóstico se diagnosticado e tratado oportunamente. No Brasil, em 2013, ocorreram quase 14 mil mortes por câncer de próstata. O Ministério da Saúde do Brasil, assim como ocorre em outros países (Austrália, Canadá e Reino Unido), não recomenda a organização de programas de rastreamento de câncer de próstata. Tal prática não está indicada, pois ainda existe considerável incerteza sobre a existência de benefícios associados. Portanto, ações de controle da doença devem focar em outras estratégias, como a prevenção primária e o diagnóstico precoce.

A sobrevida em cinco anos para o câncer de próstata é considerada boa, entretanto existe uma ampla variação no mundo. Alguns países da América do Sul, Ásia e Europa tiveram um aumento de 10% a 20% na sobrevida ao longo da última década. Por outro lado, países como a Bulgária e a Tailândia ainda apresentam sobrevida baixa, em torno de 60%. O Brasil apresenta sobrevida de próstata em cinco anos acima de 95% para o período de 2005 a 2009.

Câncer da mama

Para o Brasil, em 2016, são esperados 57.960 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul (74,30/100 mil), Sudeste (68,08/100 mil), Centro- -Oeste (55,87/100 mil) e Nordeste (38,74/100 mil). Na região Norte, é o segundo tumor mais incidente (22,26/100 mil) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de mama é o tipo que possui a maior incidência e a maior mortalidade na população feminina em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Foram esperados, para o ano de 2012, aproximadamente 1,67 milhões de casos novos dessa neoplasia em todo o mundo, representando aproximadamente 25% de todos os tipos de câncer diagnosticados nas mulheres. As mais altas taxas de incidência encontram-se na Europa Ocidental e as menores taxas na Ásia Oriental. Aproximadamente 43% dos novos casos estimados ocorreram na Europa e na América do Norte. Foram estimados, em 2012, 500 mil óbitos por câncer de mama em mulheres em todo mundo. Essas mortes correspondem a 15% de todos os óbitos por câncer em mulheres, sendo que 34% também incidem em países desenvolvidos na Europa e América do Norte. Em geral, as taxas de mortalidade são mais elevadas em regiões mais desenvolvidas socioeconomicamente. Entretanto, configura como a principal causa de morte (324 mil óbitos) nas regiões menos favorecidas e ocupa agora a segunda posição (198 mil óbitos) nas regiões mais desenvolvidas ficando atrás apenas do câncer de pulmão.

O câncer de mama é considerado uma doença heterogênea com relação à clínica e à morfologia. Em 2012, a OMS publicou a Classificação para Tumores de Mama – 4ª edição, na qual reconhece mais de 20 subtipos diferentes da doença. A maioria dos tumores de mama origina-se no epitélio ductal (cerca de 80%) e são conhecidos como carcinoma ductal invasivo. Entretanto, como o câncer de mama se caracteriza por ser um grupo heterogêneo de doença, existem ainda outros subtipos de carcinomas que podem ser diagnosticados, como o lobular, o tubular, o mucinoso, o medular, o micropapilar e o papilar.

É um tipo de câncer considerado multifatorial, envolvendo fatores biológico- -endócrinos, vida reprodutiva, comportamento e estilo de vida. Envelhecimento, fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, história familiar de câncer de mama, alta densidade do tecido mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido adiposo da mama) são os mais bem conhecidos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Além desses, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo e exposição à radiação ionizante também são considerados agentes potenciais para o desenvolvimento desse câncer.

A idade continua sendo um dos mais importantes fatores de risco. As taxas de incidência aumentam rapidamente até os 50 anos. Após essa idade, o aumento ocorre de forma mais lenta, o que reforça a participação dos hormônios femininos na etiologia da doença. Entretanto, o câncer de mama observado em mulheres jovens apresenta características clínicas e epidemiológicas bem diferentes das observadas em mulheres mais velhas. Geralmente são mais agressivos, apresentam uma alta taxa de presença da mutação dos genes BRCA1 e BRCA2, além de superexpressarem o gene do fator de crescimento epidérmico humano receptor 2 (HER2).

A história familiar de câncer de mama também é um importante fator de risco para o surgimento da doença. Alterações em genes, como os da família BRCA, aumentam o risco de desenvolver câncer de mama. Ressalta-se, entretanto, que cerca de nove em cada dez casos de câncer de mama ocorrem em mulheres sem história familiar. Fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher também estão ligados ao risco de desenvolver esse tipo de neoplasia. A nuliparidade e ter o primeiro filho após os 30 anos de idade contribuem para aumento no risco do câncer de mama. Por outro lado, a amamentação está associada a um menor risco de desenvolver esse tipo de câncer.

A prática de atividade física e a alimentação saudável com a manutenção do peso corporal estão associadas a uma diminuição de aproximadamente 30% do risco de desenvolver câncer de mama. A obesidade pós-menopausa também é considerada como fator de risco, entretanto esse risco diminui com a prática de atividade física regular. Mecanismos biológicos ligados a alterações nos genes da família IGF, como o IGF-1, assim como alterações nos níveis séricos de hormônios como insulina e leptina, mediam essa associação.

A prevenção primária dessa neoplasia tem como medidas uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal, podendo evitar cerca de 30% dos casos de câncer de mama.

A mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos é a estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde no Brasil para o rastreamento do câncer de mama.

Para as mulheres consideradas de risco elevado (alto risco) para câncer de mama (aquelas com história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau), recomenda-se o acompanhamento clínico individualizado.

Nos últimos anos, o INCA vem ampliando a estratégia de comunicação para que todas as mulheres conheçam os principais fatores de risco para o câncer de mama e os mais frequentes sinais e sintomas da doença. Também recomenda que as mulheres, ao identificarem esses sinais e sintomas, procurem imediatamente um serviço de saúde para esclarecimento diagnóstico.

O câncer de mama é a maior causa de morte por câncer nas mulheres em todo o mundo, com aproximadamente 522 mil mortes estimadas para o ano de 2012. O câncer de mama é a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos (atrás do câncer de pulmão) e a maior causa de morte por câncer nos países em desenvolvimento. Apesar de ser considerado um câncer relativamente de bom prognóstico, se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil (14 óbitos a cada 100 mil mulheres em 2013).

A sobrevida em cinco anos está aumentando na maioria dos países desenvolvidos, aproximadamente 85% durante o período de 2005 a 2009. Por outro lado, a sobrevida em cinco anos é menos de 70% em países como Malásia (68%), Índia (60%), Mongólia (57%) e África do Sul (53%). Na América do Sul, particularmente no Brasil, a sobrevida em cinco anos aumentou entre os períodos de 1995 a 1999 e 2005 a 2009 (de 78% para 87%).

Câncer de cólon e reto

Estimam-se, para 2016, no Brasil, 16.660 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e de 17.620 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 16,84 casos novos a cada 100 mil homens e 17,10 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de cólon e reto em homens é o segundo mais frequente na Região Sudeste (24,27/100 mil) e terceiro nas Regiões Sul (22,35/100 mil) e Centro-Oeste (14,16/100 mil). Nas Regiões Nordeste (7,05/100 mil) e Norte (5,34/100 mil), ocupa a quarta posição. Para as mulheres, é o segundo mais frequente nas Regiões Sudeste (22,66/100 mil) e Sul (23,27/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (16,93/ 100 mil), Nordeste (8,77/100 mil) e Norte (5,89/100 mil), é o terceiro mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

Em 2012, a estimativa mundial apontou o câncer de cólon e reto como o terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens, com 746 mil casos novos (10% do total dos cânceres), e o segundo nas mulheres, com 614 mil casos novos (9,2% do total dos cânceres). Ressalta-se que 55% desses casos são provenientes de países com índice de desenvolvimento humano (IDH) elevado (Europa, América do Norte e Austrália).

Para a mortalidade, foram estimados 694 mil casos em ambos os sexos (8,5% do total de óbitos), a maioria em países com IDH baixo, onde o prognóstico da doença é ruim.

Apesar de o padrão da incidência ser semelhante entre os sexos, as maiores taxas foram do sexo masculino na maioria das regiões geográficas. Assemelhando-se à incidência, as taxas de mortalidade foram mais baixas em mulheres do que nos homens, exceto no continente africano.

Em alguns países desenvolvidos, observa-se um padrão estável ou de diminuição da incidência (Estados Unidos) nos últimos anos, reflexo, em grande parte, da detecção e remoção de lesões pré-cancerosas. Em contrapartida, nos países em desenvolvimento, esse comportamento é de crescimento (América Central e do Sul e Leste Europeu).

O câncer de cólon e reto é considerado uma doença do “estilo de vida”, em que a incidência é maior em países com hábito alimentar rico em consumo de carnes vermelhas e carnes processadas, pouca ingestão de frutas, legumes e verduras, alta prevalência de obesidade e sobrepeso, inatividade física, consumo de álcool e tabagismo. Estudos apontam que o consumo de alimentos ricos em fibras, como frutas, hortaliças, cereais integrais, feijões e sementes, assim como a prática regular de atividade física são considerados fatores protetores contra a doença.

A história familiar do câncer de colón e reto, a predisposição genética ao desenvolvimento de doenças crônicas do intestino e a idade são outros fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Tanto na incidência quanto na mortalidade, observa-se aumento nas taxas com o avanço da idade. Apesar disso, a maioria dos cânceres de cólon e reto se dá de forma esporádica, surgindo de mutações somáticas e evolução do clone celular tumoral.

A história natural do câncer de cólon e reto propicia condições ideais para prevenção e detecção precoce da doença. Métodos endoscópicos (colonoscopia) e pesquisa de sangue oculto nas fezes são meios de detecção precoce para essa neoplasia, pois são capazes de detectar pólipos adenomatosos e diagnosticar o câncer em estágio inicial.

A sobrevida do câncer de colón e reto é altamente dependente do estágio da doença. Em geral, quanto mais cedo diagnosticada a doença, maior a sobrevida. Países com alta expectativa de vida e com bom acesso aos serviços de saúde apresentam melhores taxas de sobrevida. A sobrevida média global em cinco anos aumentou em 22 países, e ficou em torno de 60% na maioria dos países desenvolvidos durante o período de 2005 a 2009.

Câncer do pulmão

No Brasil, para 2016, estimam-se 17.330 de casos novos de câncer de traqueia, bronquios e pulmões entre homens e 10.890 entre mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 17,49 casos novos a cada 100 mil homens e 10,54 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de traqueia, bronquios e pulmões em homens é o segundo mais frequente nas Regiões Sul (35,17/100 mil) e Centro-Oeste (14,53/100 mil), sendo, nas Regiões Sudeste (19,02/100 mil), Nordeste (9,75/100 mil) e Norte (8,07/100 mil), o terceiro mais frequente. Para as mulheres, é o terceiro mais frequente na Região Sul (20,61/100 mil). Nas Regiões Sudeste (10,56/100 mil), Centro-Oeste (9,37/100 mil) e Nordeste (7,24/100 mil), ocupa a quarta posição. Já na Região Norte (5,07/100 mil), é o quinto mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão é o tabagismo, que é responsável por, aproximadamente, 6 milhões de mortes anuais no mundo, e aproximadamente 147 mil mortes no Brasil, incluindo o câncer. O processo da epidemia tabágica ocorreu primeiro em regiões mais desenvolvidas, como o Reino Unido e os Estados Unidos, especialmente entre os homens. A distribuição gratuita de cigarros para os soldados durante a Segunda Guerra Mundial fez com que houvesse uma disseminação do tabagismo. A história de tabagismo entre as mulheres começou um pouco mais tarde do que entre os homens. Com isso, o que era tido como uma doença rara até o início do século XX – câncer de pulmão – passou a ser considerada a causa mais importante de morte por câncer no mundo. Geralmente, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão, quando comparados a pessoas que nunca fumaram.

A última estimativa mundial mostrou uma incidência de 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão, representando 12,9% de todos os novos casos de câncer, e 1,6 milhões de óbitos (19,4%) para o ano de 2012. O padrão da ocorrência desse tipo de neoplasia, em geral, reflete o consumo de cigarros da sua região. Na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão tabaco-relacionados representam mais de 80% dos casos de câncer de pulmão. As mais altas taxas de incidência são observadas na Europa e na Ásia Oriental.

Apesar de o tabagismo ser responsável pela maioria dos casos de câncer de pulmão, existem outros fatores de risco importantes para o desenvolvimento da doença: exposição a carcinógenos ocupacionais e ambientais, como aos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, ao radônio, ao asbesto, à sílica cristalina, a alguns metais e à poluição do ar relacionada principalmente à exaustão de motor a diesel. O tabagismo passivo e a emissão da combustão derivada do carvão também são considerados fatores de risco para o câncer de pulmão. Além desses, repetidas infecções pulmonares, história de tuberculose, deficiência e excesso de vitamina A são considerados fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de neoplasia.

Geralmente, o câncer de pulmão é classificado em dois grupos: os carcinomas de células pequenas (carcinomas oat-cell) e os carcinomas de células não pequenas. Dentro desse segundo grupo, estão incluídos o adenocarcinoma, o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de grandes células. Nos últimos anos, o diagnóstico tem sido realizado cada vez mais com base molecular. Os adenocarcinomas têm apresentado mutações envolvendo genes da família EGFR e KRAS, bem como fusões gênicas envolvendo o gene ALK. Os carcinomas de células escamosas geralmente possuem alterações moleculares envolvendo SOX2, TP63, FGFR1 e DDR2. Já a maioria dos carcinomas de células pequenas expressa marcadores neuroendócrinos, além de possuir mutações em TP53 e RB1.

Para tanto, o Brasil desenvolve, desde a década de 1980, importantes ações de controle do Tabaco, inicialmente por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que tem como principal objetivo reduzir as doenças e mortes relacionadas ao tabaco. Em 2005, o Brasil ratificou a Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT), primeiro tratado de saúde pública mundial, proposto e construído pelos Estados membros da OMS. Com sua ratificação, a implementação nacional ganhou o status de Política de Estado, por meio da Política Nacional de Controle do Tabaco. O PNCT tem, nesse cenário, o papel de articulação da implementação dessa política no âmbito da saúde. O Brasil vem implementando importantes medidas dessa Política, tais como ações educativas abrangentes, inserção do tratamento do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS), proibição do fumo em ambientes fechados, proibição da propaganda nos meios de comunicação, inclusão de advertências sanitárias com imagens nas embalagens dos produtos de tabaco, estabelecimento de política de preços e impostos, entre outras. Tais medidas vêm contribuindo para importante redução na prevalência do tabagismo no país (de 34,8%, em 1989, para 14,7%, em 2013 – população de 18 anos ou mais). A redução de doenças como o câncer só pode ser observada após décadas da retirada da exposição ao fator de risco, como o tabaco. Entretanto, já é possível observar no Brasil, em homens, uma tendência à redução da incidência e da mortalidade por câncer relacionado ao tabaco, principalmente o câncer de pulmão.

O câncer de pulmão é um dos tipos de câncer mais agressivos, possuindo uma razão mortalidade/incidência (M/I) de, aproximadamente, 90%. Em função de sua alta letalidade, o perfil geográfico da incidência pode ser observado pela mortalidade, principalmente em lugares onde não existe informação de casos novos. A sobrevida em cinco anos é baixa na maioria das populações do mundo, cerca de 10% a 15%. Isso porque, em geral, esse tipo de câncer é detectado em estágios avançados, uma vez que não são observados sintomas em seus estágios iniciais. Somente três países possuíram sobrevida acima de 20% para pacientes diagnosticados entre o período de 2005 a 2009, são eles: Japão (30%), Israel (24%) e República de Maurício (37%).

O controle do tabaco permanece sendo a principal forma de redução da ocorrência desse tipo de neoplasia.

Câncer do estômago

Esperam-se 12.920 casos novos de câncer de estômago em homens e 7.600 em mulheres para o Brasil, no ano de 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13,04 casos novos a cada 100 mil homens e 7,37 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago em homens é o segundo mais frequente nas Regiões Norte (11,62/100 mil) e Nordeste (10,67/100 mil). Nas Regiões Sul (17,13/100 mil) e Centro-Oeste (11,50/ 100 mil), é o quarto mais frequente. Já na Região Sudeste (13,79/100 mil), ocupa a quinta posição. Para as mulheres, é o quarto mais frequente na Região Norte (5,82/100 mil). Nas Regiões Sul (8,71/100 mil) e Nordeste (6,73/100 mil), ocupa a quinta posição. Nas demais Regiões, Sudeste (7,82/100 mil) e Centro- -Oeste (6,35/100 mil), ocupa a sexta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

A estimativa mundial apontou a ocorrência de cerca de 1 milhão de casos novos de câncer de estômago (6,8% do total) para o ano de 2012, configurando-se como a quinta causa mais comum de câncer. A maioria dos casos ocorre em países em desenvolvimento, com médio ou baixo IDH, e alta prevalência de infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori). Além disso, a taxa de incidência é mais alta no sexo masculino do que no feminino.

Apesar de ter sido a segunda causa de morte por câncer no mundo em ambos os sexos em 2012, a série histórica das taxas de mortalidade apresentou declínio ao longo do tempo em vários países. Essa tendência repete-se na série temporal das taxas de incidência.

Três explicações podem ter contribuído para esse declínio: a melhor conservação dos alimentos, o consumo de alimentos frescos e a redução de alimentos conservados no sal.

Além da associação da infecção ao longo do tempo pela bactéria H. pylori – o maior fator de risco da doença –, outros fatores, como o consumo de alimentos conservados no sal e de defumados, a obesidade, o álcool (consumo em grande quantidade) e o tabagismo contribuem para o aumento do risco.

Estudos encontraram possível associação da radiação com o aumento da incidência do câncer de estômago. Em contrapartida, o consumo de frutas, legumes, cereais, nozes e frutos do mar apresentou evidências de proteção contra a neoplasia.

A redução da prevalência do H. pylori, uma alimentação saudável da população e a melhoria do saneamento urbano são estratégias importantes para prevenção do câncer de estômago. Em geral, o câncer gástrico apresenta o fator ambiental/comportamental como a principal causa para o seu desenvolvimento. Entretanto, alguns estudos apontam que fatores genéticos poderiam influenciar no desenvolvimento dessa neoplasia.

Na maioria dos casos, esse tumor não possui um bom prognóstico. A sobrevida média global em cinco anos, durante o período de 2005 a 2009, foi alta na Coreia do Sul (58%) e no Japão (54%). Por outro lado, a sobrevida em cinco anos é em torno de 40% em países como República de Maurício (41%), Áustria e Bélgica (33%) e China (31%). No Brasil, a sobrevida em cinco anos diminuiu entre os períodos de 1995 a 1999 e 2005 a 2009 (de 33% para 25%).

Câncer do colo do útero

Para o ano de 2016, no Brasil, são esperados 16.340 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 15,85 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o primeiro mais incidente na Região Norte (23,97/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (20,72/100 mil) e Nordeste (19,49/100 mil), ocupa a segunda posição; na Região Sudeste (11,30/100 mil), a terceira; e, na Região Sul (15,17 /100 mil), a quarta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer do colo do útero é considerado um importante problema de saúde pública. Foi estimada a ocorrência de 527 mil casos novos em mulheres, no mundo, em 2012, configurando, assim, o quarto tipo de câncer mais comum nessa população. Cerca de 70% dos casos diagnosticados de câncer do colo do útero ocorrem em regiões menos desenvolvidas e, quase um quinto ocorre na Índia. A taxa de incidência do câncer do colo do útero vem diminuindo, ao longo das últimas três décadas, na maioria dos países em processo de transição socioeconômica. Tal fato reflete, principalmente, as implementações de programas de prevenção. Geralmente a doença começa a partir dos 30 anos e aumenta seu risco rapidamente até atingir as faixas etárias acima de 50 anos.

O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Infecções persistentes por HPV podem levar a transformações intraepiteliais progressivas que podem evoluir para lesões intraepiteliais precursoras do câncer do colo do útero, as quais, se não diagnosticadas e tratadas oportunamente, evoluem para o câncer do colo do útero. A infecção por HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum em todo o mundo e a maioria das pessoas sexualmente ativas, homens e mulheres, terá contato com o vírus durante algum momento da vida. Aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo apresentam infecção por HPV em algum período da vida, correspondendo a uma prevalência de 10,4%. Entretanto, mais de 90% dessas novas infecções por HPV regridem espontaneamente em seis a 18 meses. Existem hoje 13 tipos de HPV reconhecidos como oncogênicos pela Iarc. Desses, os mais comuns são o HPV16 e o HPV18.

Contudo, a infecção pelo HPV, por si só, não representa uma causa suficiente para o surgimento dessa neoplasia, sendo necessária a persistência da infecção. A associação com outros fatores de risco, como o tabagismo e a imunossupressão (pelo vírus da imunodeficiência humana - HIV ou outras causas), influencia no surgimento desse câncer. A vacina contra o HPV é uma das ferramentas para o combate ao câncer do colo do útero. No Brasil, o Ministério da Saúde implementou, no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. Essa vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Vale ressaltar que, mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada, deverão realizar o exame preventivo, pois a vacina não protege contra todos os subtipos oncogênicos do HPV.

O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil, recomendado pelo Ministério da Saúde, é o exame citopatológico em mulheres de 25 a 64 anos. A rotina é a repetição do exame Papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. A efetividade do programa de controle do câncer do colo do útero é alcançada com a garantia da organização, da integralidade e da qualidade dos serviços, bem como do tratamento e do seguimento das pacientes.

Esse tumor apresenta alto potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente, ficando atrás somente do câncer de pele não melanoma.

De acordo com a última estimativa mundial, essa neoplasia foi responsável por de 265 mil óbitos em mulheres em 2012, sendo que 87% desses óbitos ocorreram em países em desenvolvimento. A última informação para mortalidade no Brasil aponta que ocorreram, em 2013, 5.430 mortes por câncer do colo do útero em mulheres. A sobrevida em cinco anos para esse tipo de câncer obteve melhora ao longo dos anos, variando de menos de 50% para mais de 70% em todo o mundo, de uma forma geral. No Brasil, para o período de 2005 a 2009, a sobrevida ficou em torno de 61%.

Câncer da cavidade oral

Estimam-se, para o Brasil, no ano de 2016, 11.140 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 4.350 em mulheres. Tais valores correspondem a um risco estimado de 11,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,21 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na Região Sudeste (14,58/100 mil). Nas Regiões Nordeste (6,86/100 mil) e Centro-Oeste, ocupa a quinta posição (9,15/100 mil). Na Região Sul (15,91/100 mil), ocupa a sexta posição, e na Região Norte (3,46/100 mil) é o sétimo mais frequente. Para as mulheres, é o nono mais frequente na Região Nordeste (4,11/100 mil). Na Região Sudeste (5,29/100 mil), ocupa a décima posição. Nas Regiões Norte (1,76/100 mil) e Centro-Oeste (2,79/100 mil), é o 12º mais frequente, e, na Região Sul (3,32/100 mil), ocupa a 15ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de cavidade oral faz parte do conjunto de tumores que afetam a cabeça e o pescoço. Foram estimados cerca de 300 mil casos novos no mundo, em 2012, sendo que, desses, aproximadamente dois terços são no sexo masculino. Para a mortalidade, foram estimados 145 mil óbitos por câncer no mundo, em 2012, com cerca de 80% ocorrendo em regiões menos favorecidas.

O etilismo, o tabagismo e as infecções pelo HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, são os principais fatores de risco para esse grupo de tumores. O risco de desenvolver câncer de cavidade oral atribuído ao tabagismo e etilismo é de aproximadamente 65%. Quando esses dois fatores estão juntos, é observada a existência de um sinergismo entre eles, fazendo com que esse risco aumente ainda mais. A exposição à radiação ultravioleta solar também é um importante fator de risco para o câncer de lábio. Além desses, também são observadas algumas alterações genéticas no desenvolvimento desse câncer. As alterações incluem desde a ativação de proto-oncogenes (por exemplo, o CDKN2A, o MYC, o RAS, o PIK3CA, e o EGFR), até a inativação de genes supressores tumorais (por exemplo, o p16INK4A, o TP53, e o PTEN); entretanto, essas alterações são complexas e, na maioria das vezes, estão inter-relacionadas.

A infecção pelo HPV está associada ao desenvolvimento, principalmente, dos cânceres de orofaringe, amígdala e base da língua. Em razão das mudanças no comportamento sexual, é observado um aumento nas taxas de incidência desses tipos de tumores entre a população de adultos jovens. A frequência de presença de ácido desoxirribonucleico (DNA) do HPV em tumores de orofaringe pode chegar a 70%.

O tipo mais comum de câncer de cavidade oral é o carcinoma de células escamosas. Em geral, ele se desenvolve a partir da progressão de uma hiperplasia epitelial, passando para um carcinoma in situ e depois para a forma invasora. Entretanto, nem todos os carcinomas passam por esses estágios.

Ações para controlar os fatores de risco, bem como o exame clínico feito por profissional de saúde capacitado, são consideradas as melhores formas de diminuir a incidência e a mortalidade da doença. A identificação de lesões precursoras ou do câncer em estágios iniciais possibilita um melhor tratamento, com menos agressividade e, consequentemente, uma melhor sobrevida.

Câncer do esôfago

Para o Brasil, no ano de 2016, esperam-se 7.950 casos novos de câncer de esôfago em homens e 2.860 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 8,04 casos novos a cada 100 mil homens e 2,76 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de esôfago em homens é o quinto mais frequente na Região Sul (16,86/100 mil). Na Região Centro-Oeste (7,43/ 100 mil), ocupa a sexta posição. Nas Regiões Sudeste (8,40/ 100 mil) e Nordeste (4,91/100 mil), ocupa a sétima posição. E, na Região Norte (2,20/100 mil), é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o 11º mais frequente na Região Sul (5,34/100 mil) e ocupa a 13ª posição nas Regiões Sudeste (2,99/100 mil) e Nordeste (1,84/100 mil). Na Região Norte (0,73/100 mil), ocupa a 14ª posição. Já na Região Centro-Oeste (2,08/100 mil), a 15ª (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de esôfago é o oitavo mais incidente no mundo, com uma estimativa de 456 mil casos novos (correspondendo a 3,2% do total de casos novos de câncer) para o ano de 2012. Para a mortalidade, foram estimados cerca de 400 mil óbitos por essa neoplasia em 2012 (correspondendo a quase 5% das mortes por câncer no mundo). Em termos de incidência, o câncer de esôfago é de três a quatro vezes mais comum entre homens do que entre mulheres. No Brasil, o câncer de esôfago é o sexto mais incidente, para ambos os sexos. A sobrevida em cinco anos é baixa, por volta de 15% a 25%. Por se tratar de um câncer de prognóstico ruim, as taxas de mortalidade aproximam-se das taxas de incidência em razão da alta letalidade dessa neoplasia. Segundo as informações do último volume da publicação Cancer Incidence in Five Continents, é alta incidência encontrada entre as populações negras dos Estados Unidos, assim como na América do Sul, Ásia, França e África.

O câncer de esôfago apresenta dois subtipos histológicos: carcinomas de células escamosas e adenocarcinomas. O primeiro tipo é o mais comum, aproximadamente 90% dos casos, e ocorre mais frequentemente em homens a partir dos 50 anos, acometendo mais os terços médio e inferior do esôfago. Já o adenocarcinoma surge na parte distal do esôfago, na presença de refluxo gástrico e metaplasia gástrica do epitélio (esôfago de Barret), que apresenta maiores riscos.

Recentes mudanças foram observadas no curso da doença. A incidência de adenocarcinoma de esôfago tem sido crescente em vários países ocidentais, em parte devido ao aumento na prevalência de fatores de risco conhecidos, tais como: excesso de peso e obesidade, além de uma mudança da localização primária, saindo do terço inferior e indo para a junção esofagiana e gastroesofagiana. Em contrapartida, o carcinoma de células escamosas está em constante declínio nesses mesmos países em função da redução do consumo de tabaco e álcool ao longo do tempo.

Os fatores de risco relacionados ao carcinoma de células escamosas são: idade, história familiar e fatores extrínsecos como álcool, fumo (fumado, mascado ou aspirado), infecções orais por fungos, agentes infecciosos (HPV), deficiência de riboflavina e vitamina A, contaminação de produtos alimentícios por micotoxinas fumonisinas e o modo de consumo da bebida erva-mate, por meio de um tubo metálico e em elevada temperatura, muito comum no Sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai.

Já para o adenocarcinoma, diferentemente do carcinoma de células escamosas, o consumo de álcool parece não ter ligação com o aumento do risco de desenvolvimento desse câncer e o fumo não exerce um risco potencial para o aumento dessa neoplasia. Contudo, a doença do refluxo gastroesofágico predispõe ao esôfago de Barret, um importante precursor do adenocarcinoma.

Ultimamente, tem-se relacionado o índice de massa corporal (IMC) com alguns tipos de câncer, sendo o de esôfago um dos mais associados. A obesidade é um fator de risco importante e consistente para o desenvolvimento de adenocarcinoma do esôfago. Tornou-se uma doença pública grave relacionada a países desenvolvidos. A chance de desenvolver esse tipo de câncer em obesos (IMC > 25) é duas vezes maior do que em pessoas com IMC normal. Dois principais mecanismos têm sido propostos para o desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago em pacientes obesos. Primeiro, um mecanismo físico que envolve um aumento na incidência de refluxo gástrico, e um segundo mecanismo hormonal-dependente, mediado principalmente por marcadores inflamatórios que são secretados por adipócitos.

Quanto aos fatores hormonais, estudos sugerem que a menopausa é um fator de risco independente para o câncer de esôfago, enquanto a terapia de reposição hormonal e a história de amamentação desempenham um papel protetor. Todos os resultados são consistentes com a hipótese de que os efeitos do estrogênio podem reduzir o risco de câncer de esôfago em mulheres.

Outros fatores, como o uso de aspirina e de outros anti-inflamatórios não esteroidais e a alta ingestão de frutas frescas e hortaliças, estão associados com uma diminuição do risco de câncer de esôfago.

Câncer do Sistema Nervoso Central

Para o Brasil, no ano de 2016, estimam-se 5.440 casos novos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) em homens e 4.830 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,50 casos novos a cada 100 mil homens e 4,68 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do SNC em homens é o oitavo mais frequente nas Regiões Sul (10,44/ 100 mil) e Nordeste (4,57/100 mil). Ocupa a décima posição nas Regiões Centro-Oeste (4,43/100 mil) e Norte (2,62/100 mil). Na Região Sudeste (5,20/100 mil), é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o sexto mais frequente na Região Sul (8,45/100 mil), e oitavo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,85/100 mil). Na Região Norte (2,21/100 mil), ocupa a décima posição. Enquanto, nas Regiões Sudeste (4,74/100 mil) e Nordeste (3,31/100 mil), é o 11º (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

De todos os tumores malignos no mundo, cerca de 2% correspondem ao câncer do SNC. Em termos de incidência, o câncer do SNC é o 14º tipo mais frequente em homens com o risco estimado de 3,9/100 mil e o 15º entre as mulheres, com o risco estimado de 3,0/100 mil. As maiores taxas de incidência encontram-se nos países europeus. Apesar de esse tipo de tumor ser relativamente raro, contribui, de forma significativa, para a mortalidade no mundo inteiro. A incidência e a mortalidade de câncer do SNC têm aumentado durante os últimos anos, e parte desse aumento se deve à melhoria da tecnologia, principalmente no que tange aos exames menos invasivos. Alguns exemplos são a tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan). Estudo recente indica que a expressão da proteína CD 150 em tumores do SNC pode ser considerada um novo marcador de diagnóstico. Com esse fato, surge mais um elemento com potencial para novas abordagens terapêuticas e aumento do diagnóstico dessa neoplasia.

Grande parte dos tumores do SNC origina-se no cérebro, nervos cranianos e meninges. Os gliomas são o tipo histológico mais frequente e representam cerca de 40% a 60% de todos os tumores primários do SNC, sendo mais comum na faixa etária adulta. Os tipos histológicos de câncer do SNC são os meningiomas, representando entre 20% e 35% dos casos; e os neurilemomas (de 5% a 10%). Existem ainda tipos histológicos mais raros, como os adenomas pituitários, meduloblastomas e tumores da medula espinhal e nervos periféricos.

A incidência dos tumores do SNC é ligeiramente mais alta no sexo masculino em comparação ao sexo feminino. Quanto maior o nível socioeconômico, maiores são as taxas de incidência desse tipo de tumor. Uma boa parcela desse fenômeno deve-se à melhora do acesso às tecnologias diagnósticas e, como consequência, observam- -se diferenças entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. As causas do aparecimento de tumores do SNC ainda são pouco conhecidas, tendo apenas alguns fatores reconhecidos, como a irradiação terapêutica. Traumas físicos na região da cabeça e traumas acústicos (casos de trabalhadores expostos a alto nível de som) também são possíveis fatores de risco. Algumas ocupações também são consideradas como possíveis fatores de risco, como trabalhadores do setor de radiologia, da indústria nuclear, de minas subterrâneas, entre outros, por estarem mais expostos às radiações ionizantes. Alguns estudos sugerem que radiação gerada por radiofrequência, telefonia móvel e telecomunicação possa estar associada à etiologia dos gliomas; porém esse assunto permanece inconclusivo. A herança genética também é citada como risco para alguns tipos de câncer do SNC.

Linfoma não Hodgkin

Estimam-se 5.210 casos novos de linfoma não Hodgkin (LNH) em homens e 5.030 em mulheres para o Brasil, no ano de 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,88 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,47/100 mil) e Norte (2,66/100 mil). Nas Regiões Sudeste (5,74/100 mil) e Nordeste (3,67/100 mil), ocupa a décima posição; na Região Sul (7,71/100 mil) é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (6,42/100 mil) e o nono na Região Sul (6,61/100 mil). O décimo mais frequente na Região Centro-Oeste (4,44/100 mil). Na Região Norte (1,87 /100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (2,64/100 mil), é o 12º mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O LNH é composto de uma variedade de doenças com comportamento de incidência bastante variado no mundo.

Foram estimados cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo para o ano de 2012. Desses, cerca de 50% dos casos de incidência e 67% dos óbitos ocorrem em regiões menos desenvolvidas, refletindo assim uma sobrevida baixa da doença.

As maiores taxas de incidência encontram-se na América do Norte, Austrália, Nova Zelândia e em algumas partes de Europa. No continente africano, as taxas de incidência de LNH são baixas, exceto na região da África subsaariana, onde as crianças são mais propensas a desenvolver LNH, principalmente o linfoma de Burkitt (um subtipo de LNH) que é causado pela infecção do vírus Epstein-Barr (EBV). Além do EBV, outras infecções, como por HIV, H. pylori, vírus da hepatite C e vírus linfotrópico para células T do tipo 1, estão associadas a um maior risco no desenvolvimento dos LNH. A infecção por H. pylori aumenta o risco de linfoma gástrico, aproximadamente 5% de todos os LNH encontram-se no estômago.

O comportamento da tendência da série histórica das taxas de incidência e da mortalidade do LNH foi de crescimento a partir do ano de 1990, em ambos os sexos, no mundo. Esse cenário mudou depois da melhoria terapêutica da doença, tornando estável a tendência das taxas de incidência e a queda nas taxas de mortalidade nos países desenvolvidos.

Apesar do desconhecimento parcial da etiologia da doença, existe evidência de associação ao desenvolvimento do LNH e a função imune alterada. Pacientes transplantados que se trataram com agentes imunossupressores, como a azatioprina e a ciclosporina (também conhecida como ciclosporina A), pacientes com condições autoimunes severas, e aqueles infectados pelo HIV possuem um maior potencial de desenvolver LNH.

Além desses, existem estudos que apontam que a obesidade pode ser um fator de risco para o desenvolvimento do LNH. Apesar de serem em menor escala no desenvolvimento da doença, fatores ocupacionais e ambientais, como a fabricação da borracha, a exposição ao benzeno e solventes como o diclorometano, também apresentam aumento do risco.

Leucemia

Para o Brasil, no ano de 2016, estimam-se 5.540 casos novos de leucemia em homens e 4.530 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,63 casos novos a cada 100 mil homens e 4,38 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia em homens é o sexto mais frequente na Região Norte (3,81/100 mil). Nas Regiões Sudeste (6,03/100 mil) e Nordeste (4,41/100 mil), ocupa a nona posição. Na Região Sul (8,55/100 mil), ocupa a décima posição. Na Região Centro-Oeste (4,38/100 mil), ocupa a 11ª posição. Para as mulheres, é o sétimo mais frequente na Região Norte (3,01/100 mil) e o oitavo na Região Sul (6,62/100 mil). Na Região Nordeste (3,71/100 mil), ocupa a décima posição. É o 11º mais frequente na Região Centro-Oeste (3,62/100 mil), e, na Região Sudeste (4,45/100 mil), ocupa a 12ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

A leucemia é um tipo de doença que se origina na medula óssea. O tipo de leucemia depende do tipo celular de origem, como a leucemia linfoblástica que se origina da mesma diferenciação celular que origina os linfoblastos. Foram estimados 352 mil casos novos de leucemia no mundo em 2012, correspondendo a 2,5% de todos os casos novos de câncer. Já para a mortalidade, foram estimados 265 mil óbitos no mundo nesse mesmo ano. A alta mortalidade para esse tipo de câncer reflete um pior prognóstico, particularmente em populações de menor nível socioeconômico. As baixas taxas de incidência e de mortalidade em partes da África subsaariana podem ser explicadas, em parte, devido a falhas no diagnóstico da doença, principalmente em pessoas muito idosas ou muito jovens.

Tanto do ponto de vista clínico quanto do patológico, a leucemia é dividida em grandes grupos. Uma primeira divisão é com relação ao tempo de desenvolvimento, que pode se dar de forma aguda ou crônica. A forma aguda é caracterizada pelo aumento rápido de células imaturas do sangue, fazendo com que a medula óssea seja incapaz de produzir células sanguíneas saudáveis. Na forma crônica, esse aumento excessivo é formado por células maduras anormais, levando meses ou até anos para progredir. A segunda grande divisão das leucemias é com relação ao tipo celular afetado pelas desordens, e pode ser do tipo linfoide ou mieloide.

Em geral, a leucemia linfoblástica aguda é mais comum em crianças, sendo, inclusive, o tipo de câncer mais comum nessa faixa etária. Já a leucemia linfocítica crônica é mais comum em adultos, principalmente em países mais industrializados. Apesar de ainda existir uma lacuna sobre a etiologia e as causas para o desenvolvimento da leucemia, existem evidências para alguns fatores de risco, como exposição à radiação ionizante e à medicamentos utilizados em quimioterapia e exposição ocupacional ao benzeno.

O diagnóstico e o tratamento das leucemias apresentaram uma considerável progressão nas últimas décadas. A aplicação de métodos genômicos tem sido responsável por essa melhoria, principalmente para as leucemias mieloides agudas, em que a classificação desse tipo é baseada no conhecimento de anormalidades genéticas (como a fusão BCR-ABL), que influenciam diretamente no prognóstico e no tratamento. Essas novas metodologias permitem o reconhecimento de novas entidades morfológicas e proporcionam uma melhor compreensão da doença. Além disso, o conhecimento das vias das transformações moleculares é um caminho promissor para novas terapias.

Para os adultos, as maiores sobrevidas relativas em cinco anos (cerca de 60%) são observadas em países da América do Norte, Oeste da Ásia, Europa e Oceania. Já para as leucemias infantis, a sobrevida é bem maior, chegando a mais de 90% em lugares como Áustria, Bélgica, Canadá, Alemanha e Noruega. No Brasil, para o período de 2000 a 2005, a sobrevida relativa em cinco anos de leucemia em adultos foi de 20%. Para as leucemias infantis, a sobrevida, no mesmo período, chega a 70%.

Câncer de bexiga

Esperam-se 7.200 casos novos de câncer de bexiga em homens e de 2.470 em mulheres no Brasil, em 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 7,26 casos novos a cada 100 mil homens e 2,39 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga em homens ocupa a quinta posição na Região Norte (4,32/100 mil) e sexta posição na Região Sudeste (10,05/100 mil). Na Região Centro-Oeste (5,63/100 mil), é o sétimo mais frequente. Na Região Sul (9,36/100 mil), ocupa a nona posição. Na Região Nordeste (3,33/100 mil), ocupa a 11ª posição. Para as mulheres, é 13º mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (2,53/ 100 mil) e Norte (0,76/ 100 mil). Nas Regiões Sul (3,63/100 mil), Sudeste (2,95/100 mil) e Nordeste (1,36/100 mil), ocupa a 14ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

As últimas estimativas mundiais apontam que, em 2012, 429 mil pessoas foram diagnosticadas com câncer de bexiga. Esse tipo de câncer é o nono mais comum em todo o mundo. Cerca de 60% de todos os casos incidentes ocorrem em regiões mais desenvolvidas. As taxas de incidência são mais altas em homens do que em mulheres, geralmente de três a quatro vezes. Tal diferença pode ser observada especialmente em alguns países da Europa Ocidental, Ásia Ocidental, e no Norte da África, onde esse tipo de câncer está relacionado à infecção crônica por Schistosoma haematobium. As mais baixas taxas de incidência, para ambos os sexos, são observadas em países do Centro-Sul e Sudeste da Ásia e na África subsaariana. Já para mortalidade, é estimado um total de 165 mil óbitos por câncer de bexiga no mundo. Ao contrário da incidência, não se observa diferença no número de óbitos por esse tipo de câncer em regiões mais desenvolvidas (85 mil óbitos) e em regiões menos desenvolvidas (80 mil óbitos). No Brasil, ocorreram, em 2013, cerca de 2.500 óbitos por câncer de bexiga em homens e cerca de 1.100 em mulheres.

O carcinoma urotelial, também chamado de carcinoma de células transicionais, é o tipo morfológico mais comum de câncer de bexiga. Mais de 90% dos casos de câncer de bexiga são diagnosticados com esse tipo morfológico. Embora seja mais frequente, a proporção desse tipo histológico varia entre os países. Essa proporção chega a 99% dos casos de câncer de bexiga em países da América do Norte, Europa e Austrália. Já para países do Sudeste da Ásia, a proporção fica em torno de 80%. Em países da África, porém, essa proporção diminui substancialmente, podendo chegar a 50% de todos os casos de câncer de bexiga. Tal fato deve-se à infecção pelo Schistosoma haematobium nesses países, fazendo com que outro tipo histológico de câncer de bexiga, o carcinoma de células escamosas, seja o mais comum nessa população.

O principal fator de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo. O risco de desenvolver câncer de bexiga entre os fumantes é cerca de duas a seis vezes maior do que em não fumantes. Sendo responsável por, aproximadamente, 66% dos casos novos em homens e 30% dos casos novos em mulheres. Grande parte do risco associado ao fumo ocorre em função da presença de aminas aromáticas (incluindo benzidina, 4-aminobifenil e 4-cloro-toluidino) na fumaça do cigarro.

A exposição ocupacional também é um fator de risco importante. Trabalhadores de indústrias que envolvem exposição a aminas aromáticas possuem um maior risco para o desenvolvimento dessa neoplasia. Além dessas, outras ocupações, como pintores, cabeleireiros, barbeiros, e trabalhadores de refinaria de petróleo, também apresentam um aumento no risco de desenvolver câncer de bexiga em razão da exposição a uma variedade de produtos químicos incluindo hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, formaldeídos e solventes.

A história familiar é outro fator de risco importante. Pessoas que possuam familiares de primeiro grau com câncer de bexiga apresentam um maior risco (de 50% a 100%) de desenvolver a doença quando comparadas com a população em geral.

Recentemente, estudos identificaram regiões cromossômicas que estão associadas ao risco de desenvolver câncer de bexiga. Polimorfismos envolvendo famílias de genes, como o NAT2 e o GSTM1, apresentaram essa associação.

Câncer de laringe

Para 2016, no Brasil, estimam-se 6.360 casos novos de câncer da laringe em homens e 990 em mulheres. O risco estimado será de 6,43 casos a cada 100 mil homens e de 0,94 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, em homens, o câncer da laringe é o sexto na Região Nordeste (5,18/100 mil). Na Região Sul (10,85/100 mil), ocupa sétima posição, e, nas Regiões Sudeste (6,59/100 mil), Centro-Oeste (5,52/100 mil) e Norte (3,04/100 mil), a oitava posição. Entre as mulheres, ocupa a 16ª posição nas Regiões Sul (1,45/100 mil), Centro- Oeste (1,17/100 mil), Nordeste (1,08/100 mil) e Norte (0,62/100 mil). Enquanto, na Região Sudeste (0,70/100 mil), ocupa a 17ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

No ano de 2012, foram estimados 157 mil casos novos em homens e 19 mil casos novos em mulheres. O câncer da laringe é a 14º neoplasia maligna mais frequente nos homens e raro entre as mulheres. A razão de sexos (M:F) é maior do que qualquer outro tipo de neoplasia maligna (7:1 casos). Cerca de 50% dos casos ocorreram em países com alto IDH. Em homens, os países da Europa (Centro-Oriental) apresentaram as maiores taxas de incidência; enquanto, na Ásia (ocidental), encontraram-se as menores taxas. A incidência foi maior em homens com idade acima dos 40 anos.

Em relação à mortalidade, o câncer da laringe foi responsável por 83 mil óbitos, em 2012, sendo que 73 mil ocorreram nos homens. Em alguns países europeus, observou-se uma tendência de decréscimo da mortalidade por câncer da laringe.

Os principais fatores de risco são o álcool e o tabaco. Existe evidência do aumento do risco de câncer da laringe quando for sinérgico o consumo do álcool e do fumo em quantidades exageradas. Outros fatores associados são: histórico familiar, alimentação pobre em nutrientes, situação socioeconômica desfavorável, presença do HPV e exposição excessiva a produtos químicos. Por outro lado, o consumo adequado de frutas e hortaliças parece exercer um efeito protetor contra a doença.

Estudo aponta uma possível associação entre a exposição ocupacional ao amianto em conjunto com o consumo de bebida alcoólica e de tabaco com o câncer da laringe, principalmente na construção civil, na qual a exposição a materiais que contenham amianto é grande.

O tipo histológico mais frequente do câncer da laringe é o carcinoma de células escamosas, os outros são compreendidos em adenocarcinoma e condrossarcomas.

O câncer da laringe, quando diagnosticado em estágio inicial de tratamento, possui um ótimo prognóstico com poder de cura de 80% a 100%.

Câncer da glândula tireoide

Esperam-se, no ano de 2016, para o Brasil, 1.090 de casos novos de câncer de tireoide para o sexo masculino e 5.870 para o sexo feminino, com um risco estimado de 1,08 casos a cada 100 mil homens e 5,70 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide em homens é o 13º na Região Nordeste (1,68/100 mil). Nas Regiões Sul (2,36/100.00), Centro-Oeste (1,68/100.00), Norte (0,74/100 mil) e Sudeste (0,37/100 mil), ocupa a 14ª posição. Nas mulheres, é o sexto mais frequente nas Regiões Nordeste (6,28/100 mil) e Norte (3,09/100 mil). Nas Regiões Sudeste (6,15/100 mil) e Centro-Oeste (4,62/100 mil), é o nono mais frequente. Já na Região Sul (5,20/100 mil), ocupa a 13ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

Considerado raro na maioria das populações, o câncer de tireoide representa de 2% a 5% dos cânceres femininos e menos de 2% dos cânceres masculinos. Foram estimados 298 mil casos novos desse câncer no mundo para o ano de 2012. O câncer de tireoide apresenta uma alta incidência em mulheres em populações da América Central, Japão e Ilhas do Pacífico.

Basicamente, o câncer de tireoide divide-se em quatro tipos morfológicos, o papilar, o folicular, o medular e o anaplásico. Desses, os mais comuns são os adenocarcinomas papilares (de 50% a 80%), seguido dos adenocarcinomas foliculares (de 10% a 40%) e adenocarcinomas medulares (de 5% a 15%). O carcinoma anaplásico é o mais agressivo; porém possui uma baixa frequência.

Em função de melhorias no diagnóstico durante as últimas décadas, é observado um padrão de crescimento das taxas de incidência na maioria dos países (cerca de 1% ao ano). Entretanto, existem diferenças na incidência em populações com diferentes níveis socioeconômicos. Em geral, populações com maior nível socioeconômico se submetem a um número maior de exames, provocando, assim, um sobrediagnóstico desse tipo de câncer. Uma possível explicação para a tendência de aumento das taxas de incidência é o aumento do uso de ultrassom e biópsia guiada por imagem para detecção de doença subclínica. Por outro lado, as taxas de mortalidade apresentam queda continuada na maioria das populações, tal fato se deve, provavelmente, à melhoria do tratamento. O câncer de tireoide é um dos cânceres com maior sobrevida, sendo o terceiro entre os países da Europa.

O fator de risco mais bem estabelecido para o câncer de tireoide é a exposição à radiação ionizante, seja em razão de tratamentos, seja ambiental. Quando essa exposição é iniciada na infância, principalmente antes dos 5 anos de idade, seu efeito carcinogênico parece ser maior, o que evidencia uma relação do efeito com a idade, fazendo com que as crianças sejam mais vulneráveis aos efeitos da radiação. A confirmação dessa relação pôde ser observada em estudos realizados após as explosões atômicas no Japão e do acidente de Chernobyl.

Observa-se, também, uma relação entre história de doença benigna da tireoide e o câncer de tireoide. Além disso, como a incidência desse tipo de neoplasia é cerca de duas a três vezes maior em mulheres do que em homens, fatores hormonais poderiam explicar esse excesso. Como a síntese de hormônios da tireoide necessita da presença de iodo, algumas alterações como a deficiência crônica, bem como o excesso nutricional no organismo, levam à hiperplasia e à hipertrofia dos elementos foliculares (excesso de hormônio de estimulação da tireoide - TSH, do inglês, thyroid-stimulating hormone). Especialmente para as mulheres, essas alterações podem levar a um maior risco no desenvolvimento da doença. Outros fatores como a dieta e o componente genético também são considerados risco para o desenvolvimento do câncer de tireoide. Existe ainda uma forte associação do desenvolvimento do tipo medular do câncer de tireoide relacionado a alterações genéticas.

Câncer do corpo do útero

Esperam-se, para o Brasil, no ano de 2016, 6.950 casos novos de câncer do corpo do útero, com um risco estimado de 6,74 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do corpo do útero é o quinto mais incidente na Região Sudeste (9,58/100 mil). Na Região Centro-Oeste (5,99/ 100 mil), ocupa a sétima posição. Na Região Nordeste (4,58/100 mil), é o oitavo mais frequente. Na Região Norte (2,71/100 mil), ocupa a nona posição. Enquanto na Região Sul (5,21/100 mil), é o 12º mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

Entre as neoplasias malignas do sexo feminino, o câncer do corpo do útero é o sexto tipo mais frequente. Foram estimados, para o ano de 2012, 320 mil casos novos, o que representa aproximadamente 5% de todos os cânceres do sexo feminino no mundo. Cerca de 70% dos casos estimados ocorreram nos países com IDH alto. As maiores taxas de incidência encontraram-se na América do Norte e parte da Europa (oriental) e as menores taxas ocorreram na África e Ásia (ocidental). Em relação à mortalidade, foram estimados 76 mil óbitos que representam 2% dos óbitos em mulheres. A maior taxa de mortalidade encontrou-se na Oceania e a menor, no Norte da África.

Diferente de outros cânceres, para os quais não há grande diferença na magnitude entre as taxas de incidência e mortalidade, a taxa de mortalidade do corpo do útero é substancialmente mais baixa do que a taxa da incidência. O câncer de corpo do útero apresenta uma boa sobrevida. A sobrevida global em cinco anos fica em torno de 80%.

O adenocarcinoma é o tipo histológico mais comum de câncer do corpo do útero.

A idade precoce na menarca, idade tardia da menopausa, terapia de reposição hormonal e obesidade são os principais fatores de risco. Outro fator de risco importante é a idade. A maioria dos casos apresenta-se em mulheres acima dos 50 anos, apenas 15% dos casos diagnosticados estão presentes em mulheres com a idade abaixo dos 50 anos; e, desses, somente 5% abaixo dos 40 anos.

Apesar da necessidade de mais estudos, observa-se uma possível associação entre obesidade e diabetes mellitus com o aumento do câncer endometrial. A prática regular de atividade física, a manutenção do peso corporal adequado e hábitos alimentares saudáveis são considerados fatores de proteção contra a doença. Outro fator que está associado à diminuição do risco do câncer do corpo do útero é o uso dos contraceptivos orais.

Câncer do ovário

Estimam-se 6.150 casos novos de câncer do ovário para o Brasil, no ano de 2016, com um risco estimado de 5,95 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do ovário é o quinto mais incidente na Região Centro-Oeste, com um risco estimado de 6,96/100 mil. Nas Regiões Sudeste (6,76/100 mil), Sul (6,71/100 mil) e Nordeste (4,93/100 mil), ocupa a sétima posição. Na Região Norte (2,92/100 mil), ocupa a oitava posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer do ovário representa cerca de 30% de todos os cânceres ginecológicos. Nos países desenvolvidos, ele é tão frequente quanto o câncer do corpo do útero (35%) e o câncer invasivo do colo do útero (27%). A incidência varia entre menos de dois casos novos por 100 mil mulheres no Sudeste da Ásia e África para mais de 15 casos novos por 100 mil no Norte e no Leste Europeu. Os países economicamente avançados da América do Norte, Europa, Austrália, Nova Zelândia e América do Sul apresentam as taxas mais elevadas. A estimativa mundial, realizada em 2012, mostrou que ocorreram por volta de 240 mil casos novos de câncer do ovário, apresentando um risco estimado de 6,1 casos a cada 100 mil mulheres.

Entre os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento do câncer do ovário, o mais conhecido é o histórico familiar de câncer de mama ou do ovário. As mulheres que possuem tal histórico, combinado com as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, têm o risco potencializado de desenvolver câncer do ovário. Estudos têm apontado novos loci suscetíveis, além das mutações citadas, e houve avanços na direção da identificação de novas formas de previsão desse tipo de tumor por meio da genética. Outra condição genética também relacionada a essa neoplasia é a síndrome de Lynch (câncer de cólon hereditário não polipoide). Um fator de risco importante para o câncer do ovário é a endometriose. Os fatores de risco para a endometriose são parecidos com os do câncer do ovário. A endometriose causa um estado crônico de inflamação, o que, além de problemas reprodutivos, também pode contribuir para o desenvolvimento do câncer do ovário. Como outros fatores de risco para o câncer do ovário, aparecem a terapia de reposição hormonal pós-menopausa, o tabagismo, a obesidade e a nuliparidade. Além disso, alguns estudos reportam uma relação direta entre o desenvolvimento do câncer ovariano e menopausa tardia.

Em razão do conhecimento limitado de suas causas, a prevenção desse tipo de neoplasia é prejudicada, principalmente pela falta de disponibilidade de técnicas para o diagnóstico precoce. Não existe comprovação de que o rastreamento do câncer seja suficientemente efetivo para a população.

Linfoma de Hodgkin

Para o Brasil, no ano de 2016, estimam-se 1.460 casos novos de linfoma de Hodgkin (LH) em homens e 1.010 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,46 casos novos a cada 100 mil homens e 0,93 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º na Região Norte (0,97/100 mil) e o 13º mais frequente nas Regiões Sul (3,09/100 mil), Centro-Oeste (2,05/100 mil) e Sudeste (1,13/100 mil). Na Região Nordeste (1,11 /100 mil), ocupa a 14ª posição. Para as mulheres, é o 16º mais frequente na Região Sudeste (1,15/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (1,43/100 mil), Centro-Oeste (0,78/100 mil), Nordeste (0,51/100 mil) e Norte (0,47 /100 mil), ocupa a 17ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O LH ou doença de Hodgkin apresenta comportamento variado de incidência entre os países.

Em 2012, foram estimados 66 mil casos novos, que representam 0,5% do total dos cânceres estimados. Semelhante ao LNH, as maiores taxas de incidência encontram-se nas regiões mais desenvolvidas (América do Norte, Austrália, Nova Zelândia e Europa) e as menores taxas foram encontradas nas regiões menos desenvolvidas (Ásia). Em relação à mortalidade, foram estimados 25 mil óbitos no mundo que representam 0,5% do total de óbitos; desses, somente 33% ocorreram nas regiões mais desenvolvidas, onde a sobrevida da doença é maior.

O LH é uma doença etiologicamente complexa, a maioria dos fatores de risco conhecidos está associada com a função imunológica alterada. O EBV é a principal infecção associada na maioria dos casos de LH. Em indivíduos infectados pelo vírus HIV, o risco de desenvolver a doença aumenta. Outros aspectos importantes para o aumento da incidência são as infecções virais e a exposição infecciosa durante o período infantil.

Ao contrário do comportamento da distribuição etária nas taxas de incidência do LNH, que aumenta à medida que a idade avança; o risco de desenvolver o LH apresenta dois pontos distintos de aumento na distribuição etária: o primeiro durante a adolescência e, posteriormente, em adultos jovens. Esse perfil não é observado em países em desenvolvimento onde as maiores taxas ocorrem em idades menores.

Além disso, características ambientais, status socioeconômico, diferenças étnicas e questões genéticas ainda são estudados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de LH.

Câncer de pele

Esperam-se 80.850 casos novos de câncer de pele não melanoma nos homens e 94.910 nas mulheres no Brasil, em 2016. Esses valores correspondem a um risco estimado de 81,66 casos novos a cada 100 mil homens e 91,98 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

O câncer de pele não melanoma é o primeiro mais incidente em homens nas Regiões Sul (138,75/100 mil), Centro-Oeste (114,71/100 mil) e Sudeste (92,86/100 mil). Nas Regiões Nordeste (42,48/100 mil) e Norte (28,89/100 mil), encontram-se na segunda posição. Nas mulheres, é o mais frequente em quatro Regiões, com um risco estimado de 134,19/100 mil na Região Sudeste, 102,71/100 mil na Região Centro-Oeste, 93,58/100 mil na Região Sul e 44,12/100 mil na Região Nordeste. Já na Região Norte (23,12/100 mil), ocupa a segunda posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada; porém sua incidência é baixa (3 mil casos novos em homens e 2.670 casos novos em mulheres). As maiores taxas estimadas em homens e mulheres encontram-se na região Sul (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de pele configura-se como o mais frequente em todas as populações. Ele se apresenta basicamente sob duas formas: o melanoma e o não melanoma. Entre os cânceres do tipo não melanoma, os carcinomas basocelular e espinocelular (ou epidermoide) são os mais frequentes. Dos tipos não melanoma, o carcinoma basocelular é mais frequente do que o carcinoma epidermoide. A última estimativa mundial revelou que, em 2012, 232 mil casos novos de melanoma seriam diagnosticados em todo o mundo. Já para a mortalidade, foram estimados 55 mil óbitos. As mais altas taxas de incidência de câncer de pele, melanoma e não melanoma, foram observadas em países com população caucasiana. Mais de 80% dos diagnósticos de melanomas e 65% dos óbitos por esse câncer foram verificados na Oceania, Europa e América do Norte.

O principal fator de risco para o câncer de pele, tanto para melanoma quanto para não melanoma, é a exposição excessiva à radiação solar. Para o tipo não melanoma, em particular para o carcinoma epidermoide, a incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente na população masculina do que na feminina. Em geral, o carcinoma de células escamosas está associado ao acúmulo das doses de exposição ao sol, enquanto o carcinoma basocelular parece mais associado a uma exposição intermitente para altas doses de radiação solar. As populações de pele clara possuem um risco aumentado para o desenvolvimento do câncer de pele não melanoma, principalmente ao se exporem à radiação ultravioleta do sol. Pessoas que realizam bronzeamento artificial também possuem o risco aumentado, especialmente em idades jovens. A presença de ceratose actínica também é considerada um potencial precursor para o câncer não melanoma do tipo epidermoide. Além disso, a detecção da presença de DNA de alguns tipos de HPV (especialmente do gênero β) em carcinomas epidermoides sugere que ele possa estar envolvido no desenvolvimento e na progressão da doença.

O câncer de pele melanoma é o mais agressivo tipo de câncer de pele, apesar de ser menos frequente do que os outros tumores. A idade, o sexo e a susceptibilidade individual também são importantes no desenvolvimento desse tipo de câncer. Cerca de 20% a 30% dos melanomas está associada à presença de nevo melanocítico prévio. Além disso, pessoas com história familiar de melanoma ou melanoma prévio também possuem aumento no risco de desenvolver esse câncer.

Sem contar os fatores genéticos, a radiação ultravioleta do sol contribui para o desenvolvimento do melanoma. Aproximadamente 80% dos melanomas de pele estão associados a essa exposição, principalmente naquelas pessoas de pele sensível; ou seja, que se queimam com facilidade, pele clara e pele com múltiplas sardas. Indivíduos de pele escura possuem menor risco de apresentar melanoma de pele. O prognóstico desse câncer é considerado bom se os tumores forem diagnosticados e tratados, de forma adequada, em sua fase inicial. Quando os melanomas são diagnosticados em fases mais avançadas, principalmente com a presença de metástases, eles apresentam pior prognóstico.

No Brasil, o câncer de pele não melanoma continua sendo o tumor mais incidente em ambos os sexos. Vale ressaltar que é provável que exista um sub-registro dessa neoplasia em função do subdiagnóstico, podendo assim subestimar as taxas de incidência e os números esperados de casos novos.

A educação em saúde para a população, com ações de estímulo à proteção individual contra a luz solar, é altamente efetiva e de custo relativamente baixo para a prevenção primária do câncer de pele, inclusive os melanomas. A recomendação é para que a pessoa procure assistência médica, especialmente um dermatologista, ao primeiro sinal de surgimento de novas manchas ou sinais na pele, ou modificações na cor, no tamanho e nas bordas de lesões antigas. Tal procedimento permite a identificação de possíveis lesões precursoras ou até mesmo de cânceres em estágios iniciais, propiciando diagnóstico e tratamento precoce.

Tumores pediátricos

Estimam-se, para o Brasil, no ano de 2016, 420.310 casos novos de câncer, excluídos os tumores de pele não melanoma. Como o percentual mediano dos tumores pediátricos observados nos RCBP brasileiros encontra-se próximo de 3%, depreende-se; portanto, que ocorrerão aproximadamente 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos. As Regiões Sudeste e Nordeste apresentarão os maiores números de casos novos, 6.050 e 2.750 respectivamente, seguidas pelas Regiões Sul (1.320 casos novos), Centro-Oeste (1.270 casos novos) e Norte (1.210 casos novos).

Para o cálculo do número estimado de tumores pediátricos, para o ano de 2016, optou-se por considerar apenas os valores estimados para todas as neoplasias, sem incluir os tumores de pele não melanoma, justificado por sua magnitude em adultos diferir tanto da observada em crianças e adolescentes.

Comentário

O câncer infantojuvenil (crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos) é um conjunto de doenças que apresenta características próprias, principalmente com relação à histopatologia e ao comportamento clínico. É considerada uma doença rara, correspondendo entre 1% e 3% de todos os tumores malignos na maioria das populações. Diante disso, faz-se necessário que seja estudado separadamente daqueles que acometem os adultos. Esse grupo de neoplasias apresenta, na sua maioria, curtos períodos de latência, são mais agressivos, crescem rapidamente; porém respondem melhor ao tratamento e são considerados de bom prognóstico. As classificações utilizadas para esse grupo de doença baseiam-se na morfologia, diferentemente daquelas utilizadas para os tumores nos adultos.

A notícia de um diagnóstico de câncer não é bem-vinda, mas pode ser ainda mais inesperada e difícil quando a doença é diagnosticada em uma criança ou um adolescente. Existe uma variação na proporção dos vários tipos de câncer infantojuvenil nas populações. Em alguns países em desenvolvimento, onde a população de crianças chega a 50%, a proporção do câncer infantil representa de 3% a 10% do total de neoplasias. Já nos países desenvolvidos, essa proporção diminui, chegando a cerca de 1%.

A mortalidade também possui padrões diferentes. Enquanto, nos países desenvolvidos, o óbito por neoplasia é considerado a segunda causa de morte na infância, correspondendo a cerca de 4% a 5% (crianças de 1 a 14 anos de idade), em países em desenvolvimento, essa proporção é bem menor, cerca de 1% em razão das mortes por doenças infecciosas serem as principais causas de óbito.

No Brasil, em 2013, ocorreram cerca de 2.800 óbitos por câncer em crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos). As neoplasias ocupam a segunda posição de óbitos ocorridos em 2013 para crianças e adolescentes (de 1 a 19 anos), ficando abaixo somente dos óbitos por causas externas, configurando-se como a doença de maior letalidade.

Os fatores etiológicos para o câncer infantil são objeto de estudo em diversas pesquisas. As exposições ambientais são de difícil avaliação em crianças, principalmente em razão de seu curto período de latência. Com isso, as exposições aos fatores ambientais podem não ser determinantes para o desenvolvimento do câncer infantil, diferentemente dos adultos. Na criança, na primeira infância, por exemplo, essa exposição é de forma indireta, tendo os contatos com os adultos como vias da exposição. Poucos estudos apresentaram exposição ambiental como fator causal do câncer na infância. De forma geral, as exposições durante a concepção e vida intrauterina são consideradas o fator de risco mais conhecido na etiologia desse grupo de neoplasias.

Entre os tipos de câncer infantojuvenil, a leucemia é o mais comum na maioria das populações (25% a 35%). Nos países desenvolvidos, os linfomas correspondem ao terceiro tipo de câncer mais comum. Já nos países em desenvolvimento, esse tipo corresponde ao segundo lugar, ficando atrás apenas das leucemias. Os tumores do SNC ocorrem principalmente em crianças menores de 15 anos, com um pico na idade de 10 anos. Estima-se que cerca de 8% a 15% das neoplasias pediátricas são representadas por esse grupo, sendo o mais frequente tumor sólido na faixa etária pediátrica. Os tumores embrionários, como o retinoblastoma, o neuroblastoma e o tumor de Wilms, são responsáveis por cerca de 20% de todos os tumores infantojuvenis e quase nunca ocorrerão em outra faixa etária. Já os carcinomas representam menos de 5% dos tumores da infância, sendo o tipo mais frequente nos adultos.


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