ESTIMATIVA | 2018Incidência de Câncer no Brasil
Metodologia

Utilizou-se o método proposto por Black et al. (1997) para estimar o número de casos novos de câncer esperados para todas as Unidades da Federação e respectivas capitais para o biênio 2018-2019. Esse método permite obter a taxa de incidência de câncer para uma determinada região, multiplicando-se a taxa observada de mortalidade da região pela razão entre os valores de incidência e mortalidade da localidade onde existam RCBP. Para a presente análise, a razão incidência/mortalidade (I/M) foi obtida dividindo-se a taxa de incidência pela taxa de mortalidade, ambas referentes ao período compreendido entre 2001 a 2014. Esse cálculo foi feito com base na taxa bruta e também na taxa ajustada pela população padrão mundial (DOLL; WATERHOUSE; PAYNE, 1966). As informações sobre incidência foram obtidas dos RCBP e as informações sobre mortalidade, do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) (BRASIL, 2017).

Para cada Região geográfica, utilizou-se a mediana da razão I/M dos RCBP pertencentes àquela Região. Essas razões foram aplicadas às taxas brutas e ajustadas de mortalidade estimadas por regressão linear, para o ano de 2018, por Unidade da Federação, respectivas capitais e Distrito Federal. Quando o modelo linear não se mostrou adequado, usou-se como alternativa a taxa média (bruta e ajustada) dos últimos cinco anos disponíveis (2010 a 2014). Obtiveram-se, assim, as estimativas das taxas brutas e ajustadas de incidência, bem como o número de casos novos para o biênio 2018-2019. Ou seja:

Em que: TIL = Taxa de incidência (bruta ou ajustada) estimada para a Unidade da Federação, Distrito Federal ou capital.

TML = Taxa de mortalidade (bruta ou ajustada) estimada pela série histórica de mortalidade para Unidade da Federação, Distrito Federal ou capital.

IR = Taxa de incidência (bruta ou ajustada) das localidades dos RCBP (período entre 2001 e 2014).

MO = Taxa de mortalidade (bruta ou ajustada) das localidades onde existem RCBP (período entre 2001 a 2014) obtidos do SIM.

A estimativa de casos novos para as cinco Regiões geográficas e para o Brasil foi obtida pela soma dos valores absolutos por Unidade da Federação. As taxas brutas correspondentes foram alcançadas dividindo-se os valores de casos novos das Regiões geográficas ou do Brasil pelas suas populações. A taxa ajustada para as Regiões e para o Brasil foi alcançada pela mediana das taxas ajustadas das Unidades da Federação da respectiva Região.

Todos os valores absolutos estimados foram arredondados para dez ou múltiplos de dez. As taxas de incidência apresentadas referem-se aos valores obtidos antes do arredondamento.

Para descrever o padrão geográfico da ocorrência de câncer, as taxas ajustadas de incidência obtidas para as Unidades da Federação e o Distrito Federal foram representadas espacialmente com base nas distribuições das taxas por quartil.

Para esta publicação, utilizaram-se, como denominador para o cálculo das taxas apresentadas, as populações censitárias (1980, 1991, 1996, 2000 e 2010) e intercensitárias, que foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Para o ano 2018, a população utilizada foi a da projeção populacional para 2018 obtida do IBGE. A estimativa populacional para as capitais foi alcançada tomando-se como base a distribuição proporcional das capitais da população do Censo 2010 (Anexo A).

Os critérios gerais para a seleção das localizações de câncer que constam na publicação incluíram a magnitude da mortalidade ou da incidência (ex.: câncer de próstata, pulmão e pele não melanoma), assim como aspectos ligados ao custo e à efetividade de programas de prevenção (ex.: câncer de mama feminina, colo do útero e cavidade oral).

Nesta publicação, apresentam-se as estimativas para o biênio 2018-2019 do número de casos novos; suas respectivas taxas brutas e ajustadas por idade para câncer em geral; e 19 localizações selecionadas.

Apresenta-se ainda, para o país como um todo, a estimativa corrigida para subnotificação segundo método proposto por Mathers et al. (2003), redistribuindo os óbitos registrados como causa mal definida para a série histórica da mortalidade, por Unidade da Federação, Distrito Federal e sexo, entre 1979 e 2014.

Os tumores selecionados basearam-se na Classificação Internacional de Doenças para Oncologia - Segunda Edição (CID-O 2) para o período entre 2001 e 2004 (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1978), e a Terceira Edição (CID-O 3) para o período entre 2005 e 2014 (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2005), e foram convertidos para Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde - Décima Revisão (CID 10) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1997b).


Foram incluídos os cânceres cuja localização primária encontra-se abaixo descrita:

  • Todas as neoplasias (C00 a C97; D46).
  • Cavidade oral (C00-C10).
  • Esôfago (C15).
  • Estômago (C16).
  • Cólon e reto (C18-C21).
  • Laringe (C32).
  • Traqueia, brônquio e pulmão (C33-C34).
  • Melanoma maligno da pele (C43).
  • Outras neoplasias malignas da pele (C44).
  • Mama feminina (C50).
  • Colo do útero (C53).
  • Corpo do útero (C54).
  • Ovário (C56).
  • Próstata (C61).
  • Bexiga (C67).
  • Sistema Nervoso Central (C70-C72).
  • Glândula tireoide (C73).
  • Linfoma Hodgkin (C81).
  • Linfoma não Hodgkin (C82-C85; C96).
  • Leucemias (C91-C95).

Uma vez que o cálculo das estimativas guarda estreita dependência com as informações de mortalidade, quanto melhor a qualidade da informação sobre mortalidade melhor será a informação estimada para a incidência. A partir do ano de 2005, observou-se uma melhoria na informação sobre mortalidade no Brasil, refletida pela qualidade da informação obtida na causa básica da morte na Declaração de Óbito. Outro fator a ser considerado é a progressiva expansão da população coberta pelos RCBP, bem como a constante busca pela melhoria da qualidade das informações, fazendo com que, a cada ano, a validade e a precisão das estimativas anuais aumentem.

Como foi antecipadamente ressaltado, recomenda-se cautela na interpretação e na utilização das estimativas para analisar tendências temporais. Tal cuidado justifica-se em virtude de mudanças ocorridas na metodologia e principalmente na melhoria da qualidade das informações ao longo do tempo.

A base de dados utilizada para mortalidade, embora de qualidade, possui uma defasagem de aproximadamente dois anos; portanto, o efeito de uma mudança no quadro da mortalidade no período entre 2015 e 2017 não será captado pelas projeções atuais.

A base de dados de incidência obedece à estrutura e à dinâmica de cada um dos RCBP. Atualmente, o período de informações disponível varia desde 1987 até 2014. A qualidade das informações difere de registro para registro e também varia de ano para ano, uma vez que os RCBP modificam sua série de casos, melhorando a qualidade e a atualidade das informações.

Embora haja limitações, acredita-se que as estimativas sejam capazes de descrever padrões atuais de incidência de câncer, possibilitando o dimensionamento da magnitude e do impacto dessa doença no Brasil.


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