ESTIMATIVA | 2018Incidência de Câncer no Brasil
Síntese de Resultados e Comentários

Apresenta-se uma síntese das estimativas de incidência para cada ano do biênio 2018-2019, no Brasil, assim como breves comentários sobre os tipos de câncer de maior magnitude que são passíveis de prevenção primária (prevenção da ocorrência) ou secundária (detecção precoce).

Câncer de próstata

Para o Brasil, estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as Regiões do país, com 96,85/100 mil na Região Sul, 69,83/100 mil Região na Sudeste, 66,75/100 mil na Região Centro-Oeste, 56,17/100 mil na Região Nordeste e 29,41/100 mil na Região Norte (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de próstata é uma doença altamente prevalente e foi observado em cerca de três milhões de indivíduos, na população norte-americana, no ano de 2014 (HOWLADER et al., 2017). Ocupa a segunda posição entre as neoplasias malignas que acometem os homens, em todo o mundo, atrás apenas do câncer de pulmão (STEWART; WILD, 2014). Em 2012, as estimativas revelaram aproximadamente 1,1 milhão de casos novos, constituindo 15% dos cânceres no sexo masculino (FERLAY et al., 2013, 2015; STEWART; WILD, 2014).

A taxa de incidência global, em 2012, foi 31,1/100 mil, sendo mais elevada em países desenvolvidos, como Austrália, Nova Zelândia, América do Norte, e países da Europa Ocidental e Norte, podendo variar mais do que 25 vezes frente aos países em desenvolvimento (FERLAY et al., 2013, 2015). Isso pode ser atribuído, em parte, às estratégias de rastreamento, realização do teste antígeno prostático específico (PSA) e subsequente biópsia, uma vez que possibilita a identificação de pequenos tumores, latentes ou em fases iniciais de crescimento (FERLAY et al., 2013; FORMAN et al., 2014). No entanto, taxas aumentadas são observadas também em certas Regiões menos desenvolvidas, como o Caribe, países da América do Sul e da África. A incidência dessa neoplasia apresenta tendência de queda segundo informações do National Cancer Institute (NCI) dos Estados Unidos, cuja taxa ajustada por idade, para o período entre 1999 e 2013, foi de 126,5/100 mil, sendo estimada uma redução de 7,9% quando comparado ao período anterior (JEMAL et al., 2017). Para o ano de 2017, nos Estados Unidos, são esperados 161.360 casos novos em homens (HOWLADER et al., 2017).

Em relação à mortalidade, as estimativas mundiais do projeto Globocan, da International Agency for Research on Cancer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontaram 307 mil mortes, para o ano de 2012; e a taxa de mortalidade global, para o mesmo ano, de 7,8/100 mil, representando 6,6% do número total de mortes masculinas (FERLAY et al., 2013, 2015; STEWART; WILD, 2014). A diferença observada entre as taxas, segundo a distribuição geográfica, variou entre 3 e 30 por 100 mil óbitos. Contudo, a relação é inversa; ou seja, maiores taxas de mortalidade foram observadas em países de baixa renda quando comparados aos de alta renda (NAKANDI et al., 2013). A tendência da mortalidade por esse tipo de câncer se apresenta em declínio em quase todas as Regiões do mundo (FERLAY et al., 2013), sendo identificada queda de 3,4%, no período 2010-2014, nos Estados Unidos (FORMAN et al., 2014). Por se tratar de uma neoplasia com bom prognóstico, a probabilidade de sobrevida em cinco anos é encontrada acima de 80%, variando em função de fatores clínicos, genéticos, socioeconômicos e ambientais (HOWLADER et al., 2017).

Em relação aos fatores de risco para o câncer de próstata, o avanço da idade compreende um fator de risco bem estabelecido, visto que tanto a incidência como a mortalidade aumentam após os 50 anos (HOWLADER et al., 2017). O histórico familiar em primeiro grau (pai, irmãos ou filhos) apresenta associação positiva para aumento no risco de desenvolvimento dessa neoplasia (CHAN; STAMPFER; GIOVANNUCCI, 1998; STEWART et al., 2014), assim como a cor de pele/etnia são relevantes na etiologia desse tipo de câncer (CHAN; STAMPFER; GIOVANNUCCI, 1998; HOWLADER et al., 2017; NAKANDI et al., 2013). Outras associações controversas estão descritas na literatura, como hormônios sexuais (HOWLADER et al., 2017; STEWART; WILD, 2014), etilismo (STEWART; WILD, 2014), padrões dietéticos e obesidade (HERNANDEZ et al., 2009; MACINNIS; ENGLISH, 2006; PEREZ-CORNAGO, 2017; STEWART; WILD, 2014; SUTCLIFFE; COLDITZ, 2013).

No Brasil, é o câncer de maior incidência entre os homens (desconsiderando-se dessa análise o câncer de pele não melanoma) e as maiores taxas ocorrem nas Regiões mais desenvolvidas: Sul e Sudeste (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2014). Em 2015, ocorreram 14.484 óbitos por câncer de próstata (BRASIL, 2017).

Segundo a Nota Técnica Conjunta nº. 001/2015 sobre o posicionamento do Ministério da Saúde acerca da integralidade da saúde dos homens, a recomendação é a organização dos serviços que compõem a rede de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS) na área da oncologia, bem como intensificar ações para a detecção precoce do câncer, reforçando a importância do envolvimento dos profissionais de saúde, conforme a Lei nº. 13.045, de 26 de novembro de 2014, no sentido de oferecer atendimento adequado e humanizado para a população, fornecendo orientações sobre os sinais e sintomas da doença e encaminhando para a realização de exames quando houver indicação clínica. Na questão do câncer de próstata, especificamente, um dos propósitos do Ministério da Saúde é o de conscientizar e ampliar a adesão da população masculina aos serviços existentes, promovendo ações para o esclarecimento sobre a doença, principalmente quanto aos riscos e benefícios que envolvem o rastreamento, sendo essencial que a população masculina seja orientada a reconhecer os sinais de alerta da doença para procurar o atendimento oportuno nos serviços de saúde do SUS (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2015).

Câncer de mama

Para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul (73,07/100 mil), Sudeste (69,50/100 mil), Centro-Oeste (51,96/100 mil) e Nordeste (40,36/100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19,21/100 mil) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

Em termos globais, excluindo-se os cânceres de pele não melanoma, o câncer de mama constitui-se no mais frequente e comum tumor maligno entre as mulheres, com uma estimativa, para o ano de 2012, de 1,67 milhão de casos novos diagnosticados, o que corresponde a 25,2% de todos os tumores malignos femininos e a uma taxa de incidência de 43,3/100 mil. É a primeira causa de morte por câncer entre as mulheres, sendo estimadas 522 mil mortes para 2012, o que representa 14,7% de todos os óbitos. Embora tenha uma taxa de mortalidade maior do que qualquer outro câncer (12,9/100 mil), o câncer de mama tem letalidade relativamente baixa, dado que a taxa de mortalidade é menor que um terço da taxa de incidência. É também o mais prevalente, com aproximadamente 8,7 milhões de sobreviventes previstos em 2012 (STEWART; WILD, 2014).

Observa-se uma variabilidade na incidência segundo as Regiões do mundo, com taxas variando de 27,0/100 mil na África Central e Ásia Oriental a 92,0/100 mil na América do Norte. Em virtude da sobrevida mais favorável nas Regiões desenvolvidas, a variabilidade das taxas de mortalidade é menor, 6,0/100 mil na Ásia Oriental a 20,0/100 mil na África Ocidental (FERLAY et al., 2013).

A tendência da incidência tem aumentado na maioria das Regiões do mundo. Entretanto, nos países altamente desenvolvidos, a incidência atingiu uma estabilidade seguida de queda na última década. Ainda nesses países, as taxas de mortalidade apresentaram uma tendência de declínio desde o final da década de 1980 e início de 1990, refletindo uma combinação de melhoria na detecção precoce, por meio de rastreamento populacional, e intervenções terapêuticas mais eficazes (STEWART; WILD, 2014). Em 2015, no Brasil, ocorreram 15.403 óbitos por câncer de mama (BRASIL, 2017).

Múltiplos fatores estão envolvidos na etiologia do câncer de mama: idade da primeira menstruação menor do que 12 anos; menopausa após os 55 anos; mulheres que nunca engravidaram ou nunca tiveram filhos (nuliparidade); primeira gravidez após os 30 anos; uso de alguns anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa, especialmente se por tempo prolongado; exposição à radiação ionizante; consumo de bebidas alcoólicas; dietas hipercalóricas; sedentarismo; e predisposição genética (pelas mutações em determinados genes transmitidos na herança genética familiar - principalmente por dois genes de alto risco, BRCA1 e BRCA2) (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b; STEWART; WILD, 2014).

Nos países de baixa e média rendas, o diagnóstico do câncer de mama ocorre em estágios mais avançados da doença, aumentando a morbidade relacionada ao tratamento, comprometendo a qualidade de vida e reduzindo a sobrevida dos pacientes. No intuito de modificar esse cenário, o controle do câncer de mama tem sido uma das prioridades na agenda da Política Nacional de Saúde do Brasil. Assim, o Ministério da Saúde, por meio da publicação "Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil", recomenda a identificação da doença em estágios iniciais por intermédio das estratégias de detecção precoce, pautadas nas ações de rastreamento e diagnóstico precoce. A mamografia bienal para as mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos é a estratégia de rastreio indicada, enquanto o diagnóstico precoce é formado pelo tripé: população alerta para os sinais e sintomas suspeitos; profissionais de saúde capacitados para avaliar os casos suspeitos; e sistemas e serviços de saúde preparados para garantir a confirmação diagnóstica oportuna e com qualidade (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2015).

Câncer de cólon e reto

Para o Brasil, estimam-se 17.380 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 18.980 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 16,83 casos novos a cada 100 mil homens e 17,90 para cada 100 mil mulheres. É o terceiro mais frequente em homens e o segundo entre as mulheres1 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de cólon e reto em homens é o segundo mais frequente na Região Sudeste (23,29/100 mil) e o terceiro nas Regiões Sul (22,17/100 mil) e Centro-Oeste (16,95/100 mil). Nas Regiões Nordeste (7,98/100 mil) e Norte (4,97/100 mil), ocupa a quarta posição. Para as mulheres, é o segundo mais frequente nas Regiões Sudeste (23,86/100 mil) e Sul (22,92/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (17,98/100 mil), Nordeste (9,52/100 mil) e Norte (7,38/100 mil), é o terceiro mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de cólon e reto possui relevância epidemiológica em nível mundial, uma vez que é a terceira neoplasia maligna mais comumente diagnosticada e a quarta principal causa de morte por câncer, representando 1,4 milhão de casos novos e quase 700 mil óbitos em 2012. O padrão da incidência difere entre os sexos, com taxas de 20,6/100 mil para os homens e de 14,3/100 mil para as mulheres (FERLAY et al., 2013). Uma grande variação geográfica tem sido observada, com taxas elevadas nos países mais desenvolvidos comparados àqueles menos desenvolvidos (Center; Jemal; Ward, 2009; FERLAY et al., 2013).

As estimativas para 2012 apontaram uma taxa de mortalidade de 8,4/100 mil para ambos os sexos. Os homens apresentaram taxas de magnitudes mais altas (10,0/100 mil) do que as mulheres (6,9/100 mil). Enquanto a maioria dos casos novos (55,0%) ocorre nos países mais desenvolvidos, a maior proporção de óbitos (52,0%) é observada naqueles menos desenvolvidos, refletindo a baixa sobrevida nessas Regiões. Comparada com a incidência, a variabilidade geográfica das taxas de mortalidade é menor, sendo encontradas as maiores estimativas na Europa Central e Oriental, e as menores na África Ocidental (FERLAY et al., 2013). No Brasil, ocorreram, em 2015, 8.163 óbitos por câncer de cólon e reto em homens e 8.533 em mulheres (BRASIL, 2017).

As taxas de incidência e de mortalidade por câncer de cólon e reto variam amplamente no mundo segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)2, sendo identificados três padrões de distribuição da doença: (1) elevação de ambas as taxas nas mais recentes décadas em países que passaram por uma rápida transição econômica, entre eles o Brasil; (2) aumento da incidência e diminuição da mortalidade em países com alto IDH, incluindo Canadá, Reino Unido, Singapura e Dinamarca; e (3) diminuição de ambas as taxas nos países com IDH muito elevado, como Estados Unidos, Japão e França (ARNOLD et al., 2016).

O câncer de cólon e reto é uma doença multifatorial influenciada por fatores genéticos, ambientais e relacionados ao estilo de vida (BOYLE; LEON, 2002; SANDLER, 1996). Os fatores hereditários, como o histórico familiar de câncer de cólon e reto e as doenças inflamatórias do intestino, representam apenas uma pequena proporção da variação observada na carga global da doença. Nesse sentido, as diferenças geográficas observadas na incidência possivelmente refletem a adoção de hábitos de vida ocidentais (ARNOLD et al., 2016). É evidente a ocorrência de uma transição nutricional, em todo o mundo, que afeta principalmente os países em desenvolvimento. Assim, os fatores de risco ligados ao estilo de vida são modificáveis e incluem: o consumo de bebidas alcoólicas, a baixa ingestão de frutas e vegetais, o alto consumo de carnes vermelhas e de alimentos processados, a obesidade, o tabagismo e a inatividade física (BOUVARD et al., 2015; FEDIRKO et al., 2011; HARRISS et al., 2009; WALTER, 2014; WORLD CANCER RESEARCH FUNDATION, 2012)

2Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). O IDH surge no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) como uma medida simples, composta pela transferência da avaliação somente pelo crescimento econômico, ou da renda, para a avaliação pelas melhorias no bem-estar humano. O conceito de Desenvolvimento Humano parte do pressuposto de que, para aferir o avanço na qualidade de vida de uma população, é preciso ir além do viés puramente econômico e considerar outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana. Diferentemente da perspectiva do crescimento econômico, que vê o bem-estar de uma sociedade apenas pelos recursos ou pela renda que ela pode gerar, a abordagem de desenvolvimento humano procura olhar diretamente para as pessoas, suas oportunidades e capacidades. A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e Produto Interno Bruto (PIB) (em paridade de poder de compra - PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos em nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL, 2017).

1Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de pulmão

Para o Brasil, estimam-se 18.740 casos novos de câncer de pulmão entre homens e de 12.530 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 18,16 casos novos a cada 100 mil homens, sendo o segundo tumor mais frequente; e com um risco estimado de 11,81 para cada 100 mil mulheres, ocupando a quarta posição3 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pulmão em homens é o segundo mais frequente nas Regiões Sul (36,27/100 mil) e Centro-Oeste (16,98/100 mil). Sendo nas Regiões Sudeste (19,22/100 mil), Nordeste (10,37/100 mil) e Norte (9,03/100 mil), o terceiro mais frequente. Para as mulheres, é o terceiro mais frequente nas Regiões Sul (20,59/100 mil) e Sudeste (12,72/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (11,52/100 mil), Nordeste (7,82/100 mil) e Norte (5,83/100 mil), ocupa a quarta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão, sendo responsável por, aproximadamente, sete milhões de mortes anuais no mundo, incluindo o câncer (American Câncer Society , 2015; Canadian Cancer Statistics , 2015). A incidência de casos novos de câncer de pulmão, segundo a última estimativa mundial, foi de 1,8 milhão, representando 12,9% de todos os novos casos de câncer, e 1,6 milhão de óbitos (19,4%) para o ano de 2012 (FERLAY et al., 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2015) O padrão da ocorrência desse tipo de neoplasia, em geral, reflete o consumo de cigarros da sua Região. Na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão tabaco-relacionados representam aproximadamente 85% dos casos desse câncer. As mais altas taxas de incidência são observadas na Europa e na Ásia Oriental (FERLAY et al., 2013). No Brasil, ocorreram, em 2015, 15.514 óbitos por câncer de pulmão em homens e 10.978 em mulheres (BRASIL, 2017).

Em uma visão geral, o câncer de pulmão é classificado em dois grupos: os carcinomas de células pequenas (oat-cell carcinomas) e os carcinomas de células não pequenas (non oat-cell carcinomas). Dentro desse segundo grupo, estão incluídos o adenocarcinoma, o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de grandes células. Nos últimos anos, o diagnóstico tem sido realizado cada vez mais com base molecular, evidenciando em estudos específicos as diferentes famílias de genes e o evento mutagênico envolvido, assim caracterizando cada tipo histológico com suas alterações moleculares peculiares.

O câncer de pulmão é um dos tipos de câncer mais agressivos, possuindo uma razão M/I de, aproximadamente, 0,87. Em razão da sua alta letalidade, o perfil geográfico da incidência pode ser observado pela mortalidade, principalmente em lugares onde não existe informação de casos novos (incidência). A sobrevida em cinco anos é baixa na maioria das populações do mundo, em média de 10% a 15%. Isso porque, em geral, esse tipo de câncer é detectado em estágios avançados, uma vez que não são observados sintomas em seus estágios iniciais. Somente três países possuíram sobrevida acima de 20% para pacientes diagnosticados entre o período de 2005 a 2009, são eles: Japão (30%); Israel (24%); e República de Maurício (37%) (STEWART; WILD, 2014).

O Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. O controle do tabaco permanece como sendo a principal forma de redução da ocorrência desse tipo de neoplasia. O Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Brasil é considerado modelo para o controle dos cânceres relacionados ao tabaco, como o de pulmão. O Programa visa à prevenção de doenças na população por meio de medidas que estimulam a adoção de comportamentos e estilo de vida saudáveis, contribuindo assim para a redução da incidência e mortalidade dos cânceres tabaco-relacionados. Foi criada também a Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro, que é o espaço legítimo para a governança da Política. Com ela, as estratégias do ambiente livre do tabaco, proibição de propaganda, além das imagens de alerta nos maços dos cigarros, trouxeram uma redução do uso e iniciação ao tabagismo. A comprovação da eficácia do programa só poderá ser observada com maior ênfase nas próximas décadas. Entretanto, já é possível observar uma tendência à redução da incidência e da mortalidade por câncer relacionado ao tabaco, principalmente o de pulmão no Brasil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017c).

3Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de estômago

Para o Brasil, estimam-se 13.540 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.750 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13,11 casos novos a cada 100 mil homens e 7,32 para cada 100 mil mulheres. Entre homens, é o quarto mais incidente e o sexto entre as mulheres4 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago em homens é o segundo mais frequente nas Regiões Norte (12,35/100 mil) e Nordeste (11,17/100 mil). Nas Regiões Sul (17,12/100 mil) e Centro-Oeste (11,52/100 mil), é o quarto mais frequente. Já na Região Sudeste (13,46/100 mil), ocupa a quinta posição. Para as mulheres, é o quinto mais frequente nas Regiões Sul (8,95/100 mil), Centro-Oeste (6,52/100 mil) e Norte (5,34/100 mil). Nas demais Regiões, Nordeste (7,16/100 mil) ocupa a sexta posição e Sudeste (7,41/100 mil) ocupa a sétima (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

De todos os cânceres que ocorrem no mundo, essa neoplasia maligna alcançou o quinto lugar, no ano de 2012, com prevalência de quase um milhão de casos, 6,8% do total (FERLAY et al., 2013). Diferenças são observadas entre os sexos, sendo duas vezes mais frequente no sexo masculino do que no feminino. Corresponde a 8,5% do total de cânceres em homens, reduzindo uma posição no ranking dos tumores mais comuns quando comparado ao sexo feminino (4,8%) (STEWART; WILD, 2014). Geograficamente, é mais frequente em países com IDH baixo ou médio, e as menores taxas foram encontradas na África Ocidental, 3,3/100 mil e 2,6/100 mil para os sexos masculino e feminino, respectivamente. Na Ásia Oriental, foram identificadas as taxas mais elevadas, variando de 13,8/100 mil para as mulheres e 35,4/100 mil para os homens (FERLAY et al., 2015; FORMAN et al., 2014).

Em relação à mortalidade, para ambos os sexos, torna-se a terceira causa em nível mundial, com 723 mil mortes, 8,8% do total. Os coeficientes de mortalidade acompanham os de incidência, visto que, em homens asiáticos, a taxa encontrada foi de 24/100 mil; e 9,8/100 mil em mulheres da Ásia Oriental. As menores taxas tanto para o sexo masculino como para o feminino foram observadas na população norte-americana, 2,8/100 mil e 1,5/100 mil, respectivamente (FERLAY et al., 2013, 2015; STEWART; WILD, 2014). No Brasil, ocorreram, em 2015, 9.132 óbitos por câncer de estômago em homens e 5.132 em mulheres (BRASIL, 2017).

A previsão global para 2025 sugere que as taxas de incidência para o câncer de estômago apresentarão decréscimos anuais, da mesma maneira que a mortalidade, como já vem sendo observado nas últimas décadas. Em contrapartida, tem aumentado, com os anos, a probabilidade de sobrevida, atingindo 30% em cinco anos (HOWLADER et al., 2017; JEMAL et al., 2017; STEWART; WILD, 2014).

A infecção por Helicobacter Pylori compreende a causa mais fortemente associada ao aumento no risco para o desenvolvimento de câncer de estômago (CHANG et al., 2001; DIACONU et al., 2017; STEWART; WILD, 2014). Entre os demais fatores ambientais, estão os hábitos nutricionais, como dietas ricas em alimentos defumados ou conservados no sal, a obesidade, o consumo de álcool, em grandes quantidades, e de tabaco. Por outro lado, a ingesta de frutas e verduras, cereais e frutos do mar tem sido relatada como fator de proteção (STEWART; WILD, 2014; WANG et al., 2014). Os fatores hereditários contribuem em menor escala para a carga desse tipo de câncer, assim como o histórico familiar prévio, em torno de 2%; sendo as síndromes mais comumente associadas: o câncer hereditário difuso gástrico, o adenocarcinoma gástrico e a polipose proximal do estômago (STEWART; WILD, 2014). Assim como a incidência pode ser influenciada pelo desenvolvimento da Região, o nível de escolaridade parece estar associado ao risco; logo, níveis mais avançados de grau de instrução podem constituir um fator de proteção (ALICANDRO et al., 2017; REQUES et al., 2014).

4Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer do colo do útero

Para o Brasil, estimam-se 16.370 casos novos de câncer do colo do útero para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres, ocupando a terceira posição5 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o primeiro mais incidente na Região Norte (25,62/100 mil). Nas Regiões Nordeste (20,47/100 mil) e Centro-Oeste (18,32/100 mil), ocupa a segunda posição mais frequente; enquanto, nas Regiões Sul (14,07/100 mil) e Sudeste (9,97/100 mil), ocupa a quarta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer do colo do útero ocupa o sétimo lugar no ranking mundial, sendo o quarto tipo mais comum na população feminina. Em 2012, para o mundo, estimaram-se 528 mil casos novos com uma taxa de incidência de 14/100 mil mulheres e 266 mil mortes por essa neoplasia, correspondendo a 7,5% de todas as mortes por câncer em mulheres. Em termos globais, a maioria dos casos (70%) ocorre em áreas com menores níveis de desenvolvimento humano. Quase nove de cada dez óbitos por câncer do colo do útero ocorrem em Regiões menos desenvolvidas, onde o risco de morrer de câncer cervical antes dos 75 anos é três vezes maior (FERLAY et al., 2013).

As taxas de incidência variam de Região para Região e de país para país, indo de 9,9/100 mil nas Regiões mais desenvolvidas para 15,7/100 mil nas áreas menos desenvolvidas. Em relação às taxas de mortalidade, a variação ocorre de 3,3/100 mil para 8,3/100 mil. Constituem Regiões de maior risco a África Oriental (42,7/100 mil), Melanésia (33,3/100 mil), Sul (31,5/100 mil) e África do Norte (30,6/100 mil). As Regiões que possuem as menores incidências são a Austrália/Nova Zelândia (5,5/100 mil) e a Ásia Ocidental (4,4/100 mil). A mortalidade apresenta uma variação maior, de 2/100 mil na Ásia Ocidental, Europa Ocidental e Austrália/Nova Zelândia, para acima de 20/100 mil na Malásia, África Central e África Oriental (FERLAY et al., 2016). Em 2015, no Brasil, ocorreram 5.727 óbitos por câncer do colo do útero (BRASIL, 2017).

Apesar do aumento no número anual de casos, o câncer cervical saiu do ranking de segunda neoplasia mais incidente no mundo, em 1975, para o sétimo lugar, em 2012. Essa contradição se deve à redução da incidência nos países em processo de desenvolvimento econômico nas últimas décadas, e também pela implantação e implementação de programas de prevenção e controle efetivos, como no caso do Brasil. Por outro lado, as taxas estão aumentando em países classificados como de maior desenvolvimento humano, como a Europa Oriental, o que pode ser à custa das recentes mudanças no comportamento sexual, que elevam o risco de infecção pelo papilomavírus humano (HPV) (STEWART; WILD, 2014). Nos Estados Unidos, a diminuição na incidência do colo do útero é atribuída, principalmente, ao rastreamento por meio do exame Papanicolaou, entretanto as estatísticas apontam uma maior incidência e mortalidade em mulheres negras e maior sobrevida em mulheres brancas (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a).

Há diversos fatores envolvidos na etiologia do câncer do colo do útero, mas as infecções persistentes pelo HPV são o principal deles. Entre seus 13 tipos oncogênicos, o HPV16 e HPV18 são os mais comumente relacionados com o aparecimento da doença. Nesse sentido, o início de atividade sexual com pouca idade, que aumenta a exposição ao risco de infecção por HPV, além da imunossupressão, a multiparidade (ter muitos filhos), o tabagismo e o uso prolongado de contraceptivos orais (estrogênio) são fatores associados ao desenvolvimento do câncer cervical (STEWART; WILD, 2014).

No Brasil, o controle de câncer do colo do útero constitui uma das prioridades da agenda de saúde do país e integra o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). O Ministério da Saúde, por meio da publicação "Diretrizes para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero 2016", recomenda o exame citopatológico em mulheres assintomáticas com idade entre 25 e 64 anos, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais. Em caso de resultado de lesão de baixo grau, a indicação é de repetição do exame em seis meses. Desde 2014, está disponível, na rede pública, a vacina tetravalente contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV para meninas de 9 a 13 anos; e, a partir de 2017, também para meninos de 11 a 13 anos. Apesar da sua importância epidemiológica, o câncer do colo uterino possui alto potencial de cura quando diagnosticado em estágios iniciais (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016c).

5Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer da cavidade oral

Para o Brasil, estimam-se 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,86 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição; e de 3,28 para cada 100 mil mulheres, sendo o 12º mais frequente entre todos os cânceres6 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente na Região Sudeste (13,77/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (9,72/100 mil) e Nordeste (6,72/100 mil), ocupa a quinta posição. Nas Regiões Sul (15,40/100 mil) e Norte (3,59/100 mil), ocupa a sexta posição. Para as mulheres, é o 11º mais frequente na Região Nordeste (3,12/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (2,96/100 mil) e Norte (1,78/100 mil), é o 12º mais frequente. Nas Regiões Sudeste (3,64/100 mil) e Sul (3,59/100 mil), ocupa a 13ª e 15ª posições, respectivamente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

Como não há norma ou padronização nas literaturas nacional e internacional sobre quais estruturas anatômicas compõem a sua definição, foram consideradas como neoplasias malignas de lábio e cavidade oral aquelas que tenham como localização primária os lábios, a cavidade oral, as glândulas salivares e a orofaringe (C00-C10), segundo a CID 10 (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016a).

Segundo as informações do Globocan/Iarc, em 2012, foram estimados 300.373 casos novos de cânceres de lábio e cavidade oral (C00-C08) em nível mundial. Essa estimativa excluiu os cânceres de amígdala e de orofaringe (C09-C10) e ocupa a 15ª posição entre todos os cânceres, sendo que, destes, mais da metade estão entre os homens (198.975 casos novos). Já para a mortalidade, essa localização foi responsável por 145.353 óbitos no mundo, em 2012. Esse valor corresponde a um risco estimado de 2,1 óbitos para cada 100 mil habitantes, representando um problema de saúde pública global (Ferlay et al., 2013; PETTI; SCULLY, 2010;). No Brasil, ocorreram, em 2015, 4.672 óbitos por câncer de cavidade oral em homens e 1.226 em mulheres (BRASIL, 2017).

A etiologia do câncer da cavidade oral é multifatorial, sendo os fatores de risco mais conhecidos o tabaco e o consumo excessivo de álcool (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a; FIGUERO-RUIZ, 2004; OLIVEIRA; RIBEIRO-SILVA; ZUCOLOTO, 2006). A exposição excessiva à radiação solar ultravioleta, sem a devida proteção ao longo dos anos, pode representar um possível fator de risco para o câncer de lábio (DAHER; PEREIRA; OLIVEIRA, 2008; Rezende et al., 2007). Outros fatores, como a infecção pelo HPV, dieta pobre em frutas e vegetais, e má higiene bucal, vêm sendo estudados com o intuito de investigar sua implicação na carcinogênese, principalmente, do câncer de língua e na garganta (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a; Andreotti et al., 2006; Oliveira et al., 2009).

Nos estágios iniciais dos tumores que se localizam nessa região anatômica, geralmente, os pacientes são assintomáticos, podendo disfarçar as condições benignas comuns da boca (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2012; Vidal et al., 2004).

Diante disso, no Brasil, as "Diretrizes para Organização da Saúde Bucal no SUS" foram publicadas em 2004, instituindo o Programa Brasil Sorridente e a implantação dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), o que promoveu a reorganização da prática e a qualificação das ações e dos serviços oferecidos, com ampliação do acesso ao tratamento odontológico e a oferta de serviços de atenção especializada, entre eles os serviços de diagnóstico bucal, com ênfase no diagnóstico e na detecção do câncer de boca. A reorganização da atenção básica por meio da inclusão das equipes de saúde bucal na Estratégia Saúde da Família representou um avanço na oferta de serviços odontológicos no SUS, entre 2002 e 2015, com um aumento expressivo da cobertura de saúde bucal em todas as Regiões do país. No entanto, para que esses objetivos sejam alcançados, é necessário um efetivo planejamento das ações de prevenção, diagnóstico e tratamento, baseado em informações atualizadas e no monitoramento contínuo de todas essas etapas (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017a).

6Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer do Sistema Nervoso Central

Para o Brasil, estimam-se 5.810 casos novos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) em homens e 5.510 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,62 casos novos a cada 100 mil homens e 5,17 para cada 100 mil mulheres, correspondendo à décima e à nona posições, respectivamente7 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do SNC em homens é o sétimo mais frequente na Região Norte (2,98/100 mil). Nas Regiões Sul (10,17/100 mil) e Centro-Oeste (5,61/100 mil), ocupa a oitava posição; enquanto, na Região Nordeste (4,59/100 mil), ocupa a nona posição. Na Região Sudeste (5,30/100 mil), é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o sexto mais frequente na Região Sul (8,52/100 mil). Na Região Norte (2,90/100 mil), ocupa a oitava posição e é o nono mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (4,94/100 mil) e Nordeste (3,71/100 mil). Já na Região Sudeste (5,50/100 mil), ocupa a décima posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O cérebro e a medula espinhal formam o SNC. Seus tumores devem-se ao crescimento de células anormais nos tecidos nessas localizações, sendo compostos pelas topografias C70 (meninges) até C72 (medula espinhal e outras partes do SNC), segundo a CID 10 (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017a; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1997b). O câncer do SNC representa 1,8% de todos tumores malignos no mundo (STEWART; WILD, 2014). Em termos de incidência, o câncer do SNC é o 13º tipo mais frequente em homens, com o risco estimado de 3,9/100 mil, e ocupa a 15ª posição entre as mulheres, com o risco estimado de 3,0/100 mil. As maiores taxas de incidência encontram-se nos países europeus. Apesar de esse tipo de tumor ser relativamente raro, contribui de forma significativa para a mortalidade no mundo inteiro, principalmente quando se verifica em faixa etárias mais jovens (FERLAY et al., 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2015). No Brasil, no grupo etário de 0 a 14 anos, observam-se os tumores do SNC já representando a segunda posição (16% de todos os tumores nessa faixa) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016a). No Brasil, ocorreram, em 2015, 4.718 óbitos por câncer do SNC em homens e 4.315 óbitos em mulheres (BRASIL, 2017).

A incidência e a mortalidade de câncer do SNC vêm aumentando durante os últimos anos, e parte desse aumento se deve à melhoria da tecnologia, principalmente no que tange a exames menos invasivos, que consequentemente facilita a detecção desse tipo de tumor (FISHER et al., 2007; SANT et al., 2012). Alguns exemplos são: tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan). A melhoria do diagnóstico de câncer do SNC pode ser percebida pela aproximação das taxas de mortalidade brutas e ajustadas nos últimos anos no Brasil (BRASIL, 2017).

A maior parte dos tumores do SNC se origina no cérebro, nervos cranianos e meninges. Os gliomas são o tipo histológico mais frequente e representam cerca de 40% a 60% de todos os tumores primários do SNC, sendo mais comuns na faixa etária adulta. Em geral, esses tumores são cirurgicamente incuráveis, além de possuírem resistência à radiação e à quimioterapia. Outros tipos histológicos de câncer do SNC são os meningiomas, representando entre 20% e 35% dos casos; e os neurilemomas (5%-10%). Existem ainda tipos histológicos mais raros, como os adenomas pituitários, meduloblastomas e tumores da medula espinhal e nervos periféricos (OHGAKI, 2009).

A incidência dos tumores do SNC é ligeiramente mais alta no sexo masculino em comparação ao sexo feminino. A razão de masculinidade para os gliomas é de aproximadamente 1,3 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2015). Quanto maior o nível socioeconômico, maiores são as taxas de incidência nesse tipo de tumor, fator este que provavelmente contribui para maior número de realização de tecnologias diagnósticas. Esse motivo talvez explique a diferença observada entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento (OHGAKI, 2009).

As causas do aparecimento de tumores do SNC ainda são pouco conhecidas, tendo apenas alguns fatores como reconhecidos, como a irradiação terapêutica. Entretanto, como a ocorrência nesses casos é rara, a associação mais forte é mais encontrada para o desenvolvimento dos meningiomas e neurilemomas do que para os gliomas. Traumas físicos na região da cabeça e traumas acústicos (casos de trabalhadores expostos a alto nível de som) também são considerados possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de meningioma e neurilemoma acústico, respectivamente (OHGAKI, 2009). Algumas ocupações também são consideradas como possíveis fatores de risco para desenvolvimento de câncer do SNC, como trabalhadores da indústria petroquímica, lavradores, embalsamadores, entre outros (ALAVANJA, 2005; CLAPP, 2006; LEE et al., 2005; NICHOLS; SORAHAN, 2002;). Alguns estudos sugerem que radiação gerada por radiofrequência, telefonia móvel e telecomunicação possa estar associada à etiologia dos gliomas, porém esse assunto permanece inconclusivo.

7Exceto câncer de pele não melanoma.

Leucemia

Para o Brasil, estimam-se 5.940 casos novos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,75 casos novos a cada 100 mil homens e 4,56 casos novos para cada 100 mil mulheres8, ocupando a nona e a décima posições, respectivamente (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia em homens é a quinta mais frequente na Região Norte (4,17/100 mil). Na Região Nordeste (4,90/100 mil), ocupa a oitava posição e nas Regiões Sudeste (5,79/100 mil) e Sul (8,67/100 mil), ocupa a décima posição. Na Região Centro-Oeste (4,88/100 mil), é a 11ª mais frequente. Para as mulheres, é a sexta mais frequente na Região Norte (3,29/100 mil) e a nona na Região Sul (6,50/100 mil). Na Região Nordeste (3,66/100 mil), ocupa a décima posição. E nas Regiões Sudeste (4,86/100 mil) e Centro-Oeste (3,93/100 mil), é a 11ª mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

A leucemia é um tipo de câncer que ocorre no tecido que forma o sangue. A maioria das células do sangue se forma na medula óssea. Na leucemia, as células sanguíneas que não atingiram sua maturidade - células anormais - tornam-se câncer; essas células não funcionam de forma adequada, nem morrem, elas substituem as células sanguíneas saudáveis da medula óssea (HOWLADER et al., 2017).

A leucemia pode ser aguda ou crônica, dependendo da velocidade de sua evolução. O prognóstico da leucemia depende do tipo de célula sanguínea afetada e se a leucemia é aguda ou crônica.

Para cada tipo de célula do sangue que é afetada, existem diferentes tipos de leucemia. Os tipos de células do sangue são: glóbulos brancos (ou linfócitos, são células que combatem a infecção) que são o tipo mais comum de células do sangue que se tornam câncer; os glóbulos vermelhos (células que transportam oxigênio dos pulmões para o resto do corpo); e as plaquetas (células que coagulam o sangue). Os quatro principais tipos de leucemia são:

  • Leucemia linfoide aguda (LLA) - tipo agressivo de leucemia caracterizada pela presença de muitos linfócitos na medula óssea e no sangue, podendo se espalhar para os gânglios linfáticos, baço, fígado, SNC e outros órgãos. Tem características específicas para adultos e para crianças, sendo mais comum em crianças. Poucos fatores associados a um risco aumentado para LLA foram identificados. Os que já foram aceitos incluem a exposição pré-natal a raios-x; a exposição pós-natal a altas doses de radiação; e condições genéticas bem específicas, como a Síndrome de Down, entre outras síndromes.
  • Leucemia mieloide aguda (LMA) - tipo mais comum das leucemias agudas em adultos.
  • Leucemia linfocítica crônica (LLC) - apresenta evolução clínica prolongada, sendo comum em adultos e raramente ocorre em crianças.
  • Leucemia mieloide crônica (LMC) - apresenta evolução muito lenta, sendo comum em adultos e raramente em crianças (BARBOSA et al., 2015; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b; STEWART; WILD, 2014; HOWLADER et al., 2017).

As leucemias, em geral, podem estar relacionadas a fatores de risco ocupacionais, agentes infecciosos específicos, desordens genéticas, exposição à radiação ionizante e a agentes químicos como os solventes (entre eles, o Benzeno) comumente encontrados no vapor da gasolina em postos de abastecimento (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2012).

As taxas de incidência de leucemia tendem a ser mais altas nos países que apresentam, para sua população, altos IDH, incluindo Austrália e Nova Zelândia, América do Norte e grande parte da Europa. Para a mortalidade, as taxas não apresentam variação importante, embora sejam elevadas em certos países do Norte da África e na Região Central da Ásia Ocidental (STEWART; WILD, 2014).

No mundo, em 2012, foram estimados 351.965 casos novos, ocupando a 11ª posição entre todos os cânceres. Sendo 200.676 casos novos em homens e a décima neoplasia mais frequente. Para as mulheres, foram 151.289 casos novos e a 12ª posição mais incidente (Ferlay et al., 2013).

Em relação à mortalidade, em 2012, no mundo, foram esperados para o sexo masculino 151.321 óbitos que correspondem a um risco estimado de 4,3 a cada 100 mil homens. Entre o sexo feminino, foram esperados 114.150 óbitos com um risco estimado de 3,3 a cada 100 mil mulheres (Ferlay et al., 2013), sendo a décima causa mais comum de morte por câncer. No Brasil, ocorreram, em 2015, 3.692 óbitos por leucemia em homens e 3.145 em mulheres (BRASIL, 2017).

8Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de esôfago

Para o Brasil, estimam-se 8.240 casos novos de câncer de esôfago em homens e 2.550 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 7,99 casos novos a cada 100 mil homens e 2,38 para cada 100 mil mulheres, ocupando a sexta e a 15ª posições, respectivamente9 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de esôfago em homens é o quinto mais frequente na Região Sul (17,10/100 mil). Na Região Centro-Oeste (7,15/100 mil), ocupa a sexta posição. Nas Regiões Sudeste (8,04/100 mil) e Nordeste (5,16/100 mil), ocupa a sétima posição; e na Região Norte (2,59/100 mil), é o nono mais frequente. Para as mulheres, é o 12º mais frequente na Região Sul (4,94/100 mil) e na Região Nordeste (2,21/100 mil) ocupa a 13ª posição. Na Região Centro-Oeste (2,21/100 mil), ocupa a 14ª e na Sudeste (1,99/100 mil) a 15ª posição; enquanto, na Região Norte (0,67/100 mil), ocupa a 16ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

No cenário mundial, foram previstos, para o ano de 2012, 456 mil casos novos de câncer de esôfago, 3,2% do total de casos de neoplasias malignas em adultos; sendo 80% desses tumores observados em países de baixa renda (FERLAY et al., 2013). Pode ser considerado o oitavo mais frequente em todo o mundo, com prevalência estimada, em 2014, de 45 mil casos na população norte-americana (HOWLADER et al., 2017).

As taxas de incidência e de mortalidade observadas são bem próximas, de magnitude intermediária. Observa-se grande variação geográfica, no mundo, onde as taxas de incidência e mortalidade são elevadas na Ásia Central e Oriental, bem como no Leste da África, e tendem a ser relativamente baixas no Oeste da África e em alguns países latino-americanos. Essas diferenças podem ser observadas com as taxas mais elevadas na Ásia Oriental 17,0/100 mil e as mais baixas na África Ocidental, de 0,8/100 mil, ambas no sexo masculino. Para o sexo feminino, observa-se taxa de 0,2/100 mil mulheres na Micronésia/Polinésia até 7,8/100 mil na África Oriental (FERLAY et al., 2013).

É considerada uma doença de baixa prevalência e sobrevida relativamente ruim (STEWART; WILD, 2014). Em geral, é diagnosticada em fases tardias e de natureza extremamente agressiva, comprometendo a sobrevida que fica em torno de 15% a 25% (FERLAY et al., 2015; HOWLADER et al., 2017; JEMAL et al., 2017). O prognóstico, em geral, independe do tipo histológico, embora pacientes com adenocarcinomas apresentem prognóstico discretamente melhor quando comparados aos carcinomas de células escamosas (HOWLADER et al., 2017).

Segundo as estimativas do Globocan/Iarc, de 2012, a taxa de incidência para ambos os sexos foi de 9,0/100 mil; entretanto, acomete o sexo masculino 2,4 vezes mais do que as mulheres (FERLAY et al., 2013).

Compreende a sexta causa de morte por câncer no mundo, cerca de 400 mil, 4,9% da mortalidade específica por câncer (FERLAY et al., 2013; STEWART; WILD, 2014), apresentando uma taxa de mortalidade estimada, para 2012, de 7,7/100 mil, em todo mundo.

Os coeficientes de mortalidade mais elevados são encontrados no Leste Asiático (14,1/100 mil), seguido da África do Sul (12,8/100 mil) para o sexo masculino, e Leste Africano (7,3/100 mil) e Austral (6,2/100 mil) em mulheres. No Brasil, ocorreram, em 2015, 6.525 óbitos por câncer de esôfago em homens e 1.876 em mulheres (BRASIL, 2017).

A tendência é de declínio no que diz respeito à taxa de incidência, em especial para o sexo masculino, sendo observado comportamento semelhante para a mortalidade por esse tipo de tumor. Contudo, divergências são observadas em virtude dos fatores étnicos e da distribuição geográfica (FERLAY et al., 2013; FORMAN et al., 2014; STEWART; WILD, 2014).

Entre os fatores de risco envolvidos na etiologia do câncer de esôfago, destacam-se a síndrome de Barret - decorrente de refluxo gastroesofágico crônico (DOMPER ARNAL; FERRÁNDEZ ARENAS; LANAS ARBELOA, 2015; HOWLADER et al., 2017) e a síndrome tilose hereditária - um distúrbio autossômico caracterizado por hiperceratose palmoplantar (DOMPER ARNAL; FERRÁNDEZ ARENAS; LANAS ARBELOA, 2015; ELLIS et al., 2015). Em comum com os demais cânceres de origem digestória, os padrões dietéticos são de relevante importância, sendo considerado que a ingesta de bebidas quentes, dietas pobres em frutas e vegetais frescos, o aumento do consumo de alimentos em conserva, de churrasco, o consumo de álcool e de fumo, bem como o fator obesidade, estão associados ao aumento do risco (DOMPER ARNAL; FERRÁNDEZ ARENAS; LANAS ARBELOA, 2015; FERLAY et al., 2015; HOWLADER et al., 2017).

9Exceto câncer de pele não melanoma.

Linfoma não Hodgkin

Para o Brasil, estimam-se 5.370 casos novos de linfoma não Hodgkin (LNH) em homens e 4.810 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Para ambos os sexos, é a 11ª neoplasia mais frequente entre todos os cânceres10. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,19 casos novos a cada 100 mil homens e 4,55 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o oitavo mais frequente na Região Norte (2,84/100 mil). Na Região Sudeste (6,05/100 mil), ocupa a nona posição. Nas demais Regiões, Centro-Oeste (5,10/100 mil) e Nordeste (3,53/100 mil), ocupa a décima posição; enquanto, na Região Sul (7,36/100 mil), é o 11º mais frequente. Para as mulheres, é o nono mais frequente na Região Sudeste (5,70/100 mil). Na Região Centro-Oeste, é o décimo mais frequente (4,33/100 mil). Nas Regiões Sul (5,96/100 mil) e Norte (1,79/100 mil), ocupa a 11ª posição; enquanto, na Região Nordeste (3,00/100 mil), é o 12º mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O LNH é um tipo de câncer que tem origem nas células do sistema linfático e que se espalha de maneira não ordenada. O sistema linfático faz parte do sistema imunológico, o que ajuda o corpo a combater infecções e doenças. Como o tecido linfático é encontrado em todo o corpo, o linfoma pode começar em qualquer lugar. Pode ocorrer em crianças, adolescentes e adultos. De modo geral, o LNH torna-se mais comum à medida que as pessoas envelhecem. As pessoas brancas são mais propensas do que os negros e os homens são mais predispostos do que as mulheres (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2017; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b).

Existem mais de 20 tipos diferentes de LNH que se formam a partir de diferentes tipos de glóbulos brancos (células B, células T, células NK)11. A maioria dos tipos de LNH é formada por células B. O LNH pode ser indolente (crescimento lento) ou agressivo (crescimento rápido). Os tipos mais comuns de LNH em adultos são linfoma difuso de células B grandes, que geralmente é agressivo, e linfoma folicular, que geralmente é indolente (HOWLADER et al., 2017; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b; STEWART; WILD, 2014).

Grandes aumentos na incidência de LNH foram observados internacionalmente ao longo da segunda metade do século XX. Nos Estados Unidos, as taxas mais do que triplicaram nesse intervalo, com aumentos similares em grupos etários e entre homens e mulheres. As taxas de mortalidade de LNH também aumentaram, sugerindo que as mudanças na classificação de LNH por si só não podem representar taxas crescentes (JEMAL et al., 2004; LEVI et al., 2002; SHIELS et al., 2013).

Em um momento posterior, as taxas de incidência se estabilizaram, particularmente nos países do Norte Europeu, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia; enquanto as taxas de mortalidade diminuíram em alguns cenários, em razão da melhoria terapêutica da doença nos países desenvolvidos (BOSETTI et al., 2008; COORY ; GILL, 2008; STEWART; WILD, 2014).

No mundo, foram estimados 385.741 casos novos em 2012. Quando comparado por sexo, nos homens, ocupa a oitava posição com 217.643 casos novos. Entre as mulheres, foi o décimo câncer mais frequente, com 168.098 casos novos, e comumente em países mais desenvolvidos (FERLAY et al., 2013).

Segundo as informações do Globocan/Iarc, em relação à mortalidade, para 2012, no mundo, foram previstos 199.670 óbitos, com risco estimado de 2,8 a cada 100 mil habitantes. Sendo que, para os homens, o óbito pela neoplasia maligna de LNH representou 115.404 (3,2/100 mil) e, para as mulheres, 84.266 (2,4/100 mil) de todas as mortes por câncer (FERLAY et al., 2013). No Brasil, ocorreram, em 2015, 2.434 óbitos por câncer de LNH em homens e 1.960 em mulheres.

Embora os estudos tenham identificado fatores etiológicos que possam ter contribuído para o aumento das taxas de LNH, o fenômeno ainda permanece inexplicável (SHIELS et al., 2013). Pesquisadores já encontraram algumas evidências que sugerem o aumento do risco para LNH, como por exemplo: pessoas infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (VIH ou HIV, do inglês human immunodeficiency virus) correm um risco muito maior de desenvolver esse câncer, assim como outros vírus, a saber, o vírus linfotrópico de células T humano tipo 1 (HTLV-1)12, o vírus Epstein-Barr (EBV)13, além de exposições ocupacionais e ambientais, principalmente a exposição a altos níveis de radiação ionizante e a substâncias específicas em herbicidas e pesticidas, mas os cientistas não sabem o quanto é necessário para aumentar o risco de desenvolvimento de linfoma (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2017; NATIONAL CANCER INSTITUTE, [20--b]; SHIELS et al., 2013).

11Os linfócitos são um tipo de leucócito presente no sangue e possuem um importante papel na defesa do corpo. Apesar de possuírem morfologia semelhante, os linfócitos podem ser classificados em três grupos diferentes de acordo com as moléculas encontradas em sua superfície celular: linfócitos B, linfócitos T e linfócitos NK (natural killer). Originam-se de células-tronco encontradas na medula óssea; os linfócitos B diferenciam-se em plasmócitos e iniciam a produção anticorpos; os linfócitos T migram para o timo onde terminam seu processo de diferenciação produzindo diferentes subpopulações de células: célula T-helper, T-supressora e T-citotóxica (células NK - natural killer); as células NK agem diretamente sobre as células estranhas e as infectadas por vírus (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013.)
12O vírus linfotrópico de células T humano tipo 1 (HTLV-1) é um delta vírus que infecta preferencialmente linfócitos, considerado o primeiro retrovírus associado a doenças humanas. Esse vírus é endêmico em várias regiões do mundo. Os portadores, em sua maioria, permanecem assintomáticos por toda a vida. Fatores genéticos e imunológicos do hospedeiro são os principais responsáveis pelas manifestações clínicas associadas, que podem ser divididas em três categorias: neoplásicas, inflamatórias e infecciosas (OZAWA et al., 2012).
13O Vírus Epstein-Barr (EBV) é um membro da família dos herpes-vírus e um dos mais comuns nos seres humanos e a maioria das pessoas é infectada em algum momento de sua vida; porém essas infecções não causam sintomas - é o vírus responsável pela doença mononucleose infecciosa. É o mais potente vírus indutor de transformação e crescimento celular conhecido, sendo capaz de imortalizar linfócitos B humanos. Os linfomas de linfócitos T são mais frequentemente associados com o EBV do que os linfomas de linfócitos B. Acredita-se que a célula infectada pelo EBV e em proliferação seria mais susceptível ao acúmulo de mutações genéticas, as quais, por sua vez, levariam à transformação maligna (MACEDO; ROCHA, 2003).
10Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de tireoide

Para o Brasil, estimam-se 1.570 casos novos de câncer de tireoide no sexo masculino e 8.040 para o sexo feminino, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 1,49 casos a cada 100 mil homens e 7,57 casos a cada 100 mil mulheres, ocupando a 13ª e quinta posições, respectivamente14 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide em homens ocupa a 12º posição na Região Nordeste (1,76/100 mil). Nas Regiões Sul (2,55/100 mil) e Centro-Oeste (1,76/100 mil), ocupa a 13ª posição; enquanto, nas Regiões Sudeste (1,24/100 mil) e Norte (0,53/100 mil), é o 14º mais frequente. Nas mulheres, é o quinto mais frequente nas Regiões Sudeste (9,75/100 mil) e Nordeste (7,55/100 mil). Na Região Centro-Oeste (5,97/100 mil), é o sexto mais frequente. Já na Região Norte (2,80/100 mil), ocupa a nona posição; enquanto, na Região Sul (4,91/100 mil), ocupa a 13ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de tireoide é a neoplasia maligna mais comum do sistema endócrino e ocupa a oitava posição no ranking dos cânceres que acometem as mulheres no mundo. Basicamente, existem quatro tipos histológicos distintos que são subdivididos em: 1- carcinomas bem diferenciados abrangem o papilífero e o folicular, o papilífero é o tipo histológico mais comum (de 50 a 80% dos casos), seguido do folicular (de 15 a 20% dos casos); 2- carcinoma pouco diferenciado inclui o medular; e 3- carcinoma indiferenciado compreende o anaplásico (DELELLIS et al., 2004). O carcinoma medular e o anaplásico são pouco frequentes (cerca de 10% dos casos) (FERLAY et al., 2013).

As estimativas do Globocan/Iarc, para 2012, apontaram 298.102 casos novos em nível mundial, representando 2,1% de todos os cânceres e uma taxa de incidência de 4,0 por 100 mil. Quando observadas por sexo, essas estimativas revelaram que o câncer de tireoide representou 0,9% de todos os cânceres que acometem os homens e 3,5% de todos aqueles que atingem as mulheres, com taxas de incidência de 1,9 e de 6,1 por 100 mil, respectivamente (FERLAY et al.; 2013).

As maiores taxas de incidência são encontradas nos países de alta renda, quando comparados aos de baixa e média rendas. Essa diferença pode ser atribuída, em parte, à grande diversidade de padrões de assistência, uma vez que o diagnóstico precoce é altamente dependente de tecnologia e, portanto, de acesso aos serviços de saúde (FORMAN et al., 2014; LA VECCHIA et al., 2015).

Tem sido descrito na literatura um aumento importante na tendência da incidência do câncer de tireoide, em ambos os sexos, nas últimas três décadas em vários países (LI et al., 2013; LA VECCHIA et al., 2015; VEIGA et al., 2013). As explicações para a observação dessa tendência crescente da incidência são controversas; a hipótese de aumento do número de casos novos em virtude do aumento da intensidade diagnóstica é defendida por alguns autores, sob a ótica de que essa propensão coincide com um maior uso e sensibilidade das técnicas diagnósticas para avaliação da tireoide (DAVIES; WELCH, 2006; PELLEGRITI et al., 2013; VACCARELLA et al., 2015). Apesar disso, outros autores acreditam que o aumento observado na tendência da incidência possa ser consequência também das mudanças nos fatores ambientais e de estilo de vida (PELLEGRITI et al., 2013).

Para 2012, foram previstos 39.771 óbitos, o que representa 0,5% de todas as mortes por câncer no mundo, com uma taxa de mortalidade de 0,5/100 mil. Para o sexo masculino, o óbito pela neoplasia maligna de tireoide representa 0,3% de todas as mortes por câncer e para as mulheres 0,8%, com taxas de mortalidade de 0,3/100 mil e 0,6/100 mil, respectivamente (FERLAY et al., 2013). A tendência da mortalidade por câncer de tireoide é de queda em quase todas as Regiões do mundo (LA VECCHIA et al., 2015). No Brasil, ocorreram, em 2015, 509 óbitos por câncer de tireoide em mulheres e 239 em homens (BRASIL, 2017).

Para o câncer de tireoide, o único fator de risco consolidado na literatura é a exposição à radiação ionizante durante a infância (UNITED NATIONS, 2014). Os demais fatores de risco estudados, como nível de hormônio tireoestimulante (TSH, do inglês thyroidstimulating hormone) sanguíneo, hormônios sexuais, fatores reprodutivos, histórico de nódulos benignos e bócio, hipertireoidismo, padrões dietéticos, obesidade, tabagismo, etilismo e o envolvimento de doenças, como tireoidite de Hashimoto na etiologia da neoplasia maligna da tireoide, ainda não estão bem estabelecidos (ADJADJ et al., 2003; FELDT-RASMUSSEN, 2001; HOLLOWELL et al., 2002; MACK et al., 2003; RON; SCHNEIDER, 2006; ZIMMERMANN; KÖHRLE, 2002).

14Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de bexiga

Para o Brasil, estimam-se 6.690 casos novos de câncer de bexiga em homens e 2.790 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,43 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a sétima posição; e de 2,63 para cada 100 mil mulheres, ocupando a 14ª posição15 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga em homens ocupa a sexta posição na Região Sudeste (8,61/100 mil). Na Região Centro-Oeste (5,64/100 mil), é o sétimo mais frequente. Na Região Sul (9,23/100 mil), ocupa a nona posição. E nas demais Regiões, Nordeste (3,43/100 mil) e Norte (1,63/100 mil), ocupa a 11ª posição. Para as mulheres, é o 13º mais frequente nas Regiões Centro-Oeste (2,27/100 mil) e Norte (0,93/100 mil). Nas Regiões Sul (4,50/100 mil), Sudeste (3,02/100 mil) e Nordeste (1,70/100 mil), ocupa a 14ª posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de bexiga corresponde a aproximadamente 95% nos carcinomas de células uroteliais ou carcinomas de células de transição, são neoplasias que se desenvolvem no interior do trato urinário, mais concretamente na bexiga, ureteres e uretra. Os tumores da bexiga podem ainda ser classificados como não invasivos (superficiais) ou invasivos (ROUPRÊT et al., 2011; TYLER, 2012).

O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário e o nono tipo de neoplasia maligna mais incidente, em nível mundial, com cerca de 430 mil casos novos em 2012. Quando comparado por sexo, nos homens, ocupa a sexta posição (330.380 casos novos, no mundo, em 2012), em seguida do de pulmão, próstata e colorretal; nas mulheres, é o 19º câncer mais frequente (99.413 casos novos, no mundo, em 2012) e comumente em países mais desenvolvidos (FERLAY et al., 2013).

As taxas de incidência são muito mais frequentes nos homens, de duas a quatro vezes maior do que nas mulheres. As taxas são mais elevadas na América do Norte, Europa, África do Norte, Oriente Médio e Austrália e Nova Zelândia; nos países africanos, asiáticos, e em alguns países da América Latina, as taxas tendem a ser bastante baixas (STEWART; WILD, 2014). Nas últimas décadas, tem sido observado na literatura um aumento significativo na incidência do câncer de bexiga, no mundo, e isso pode ser uma consequência dos efeitos do tabagismo, que é reconhecido como importante fator de risco para câncer (FREEDMAN et al., 2011). Segundo o World Cancer Report, estima-se que o risco de desenvolver câncer de bexiga entre os fumantes foi de duas a seis vezes maior em comparação aos não fumantes; sendo responsável por, aproximadamente, 66% dos casos novos em homens e 30% dos casos novos em mulheres (STEWART; WILD, 2014). Também existe associação a fatores de risco relacionados à exposição ocupacional e ambiental, a exemplo do trabalho na produção de alumínio, exposição à emissão de gases de combustão de diesel, exposição a agrotóxicos, trabalho na indústria da borracha, do plástico, da indústria têxtil; assim como em atividades laborativas bem específicas: pintores, cabeleireiros e barbeiros que trabalham com tinturas (STEWART; WILD, 2014; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2012).

Quanto à mortalidade, para 2012, no mundo, foram estimados 165.084 óbitos com uma taxa de mortalidade de 2,3/100 mil. Sendo que, para os homens, o óbito pela neoplasia maligna de bexiga representou 123.051 (3,5/100 mil) e, para as mulheres, 42.033 (1,2/100 mil) de todas as mortes por câncer (FERLAY et al., 2013). No Brasil, ocorreram, em 2015, 2.663 óbitos por câncer de bexiga em homens e 1.240 em mulheres (BRASIL, 2017).

15Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de laringe

Para o Brasil, estimam-se 6.390 casos novos de câncer de laringe em homens e 1.280 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. O risco estimado será de 6,17 casos a cada 100 mil homens, ocupando a oitava posição; e a 16ª mais frequente com 1,20 casos a cada 100 mil mulheres16 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, em homens, o câncer de laringe é o sexto na Região Nordeste (5,49/100 mil). Na Região Sul (10,57/100 mil), ocupa sétima posição. Nas Regiões Sudeste (6,08/100 mil) e Centro-Oeste (5,19/100 mil), ocupa a oitava e a nona posições, respectivamente. Já na Região Norte (2,52/100 mil), é a décima mais frequente. Entre as mulheres, ocupa a 15ª posição na Região Norte (0,78/100 mil); e ocupa a 16ª posição nas Regiões Sudeste (1,47/100 mil), Centro-Oeste (1,45/100 mil), Sul (1,30/100 mil) e Nordeste (0,80/100 mil) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

Entre os tumores de cabeça e pescoço, o câncer de laringe ocupa a primeira posição e representa o segundo tipo de câncer respiratório mais comum no mundo, atrás apenas do câncer de pulmão (GOIATO; FERNANDES et al., 2005; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b; SARTOR , 2003). Esse tipo de câncer é mais incidente em homens com idade superior a 40 anos. O total de casos novos estimados para essa doença, em 2012, no mundo, representou 138.102 casos novos. As maiores taxas de incidência em homens podem ser observadas no Leste Europeu e em alguns países do Caribe (FERLAY et al., 2013).

Em relação à mortalidade, para 2012, foram estimados 83.376 óbitos, no mundo. Sendo que, para os homens, o óbito por esse câncer representou 73.261; com risco estimado de 2,1 a cada 100 mil homens. Para as mulheres, foram estimados 10.115 óbitos por esse câncer, com risco de 0,2 a cada 100 mil mulheres (FERLAY et al., 2013). No Brasil, ocorreram, em 2015, 3.809 óbitos por câncer de laringe em homens e 574 em mulheres (BRASIL, 2017).

Casos diagnosticados em estágio inicial da doença têm melhores chances de cura desse câncer; é observado um prognóstico ruim para os casos em estádio mais avançado, influenciando uma menor sobrevida, apesar do tratamento (STEWART; WILD, 2014).

Os fatores de risco já estabelecidos pela literatura são: uso contínuo do tabaco e de bebidas alcoólicas; sendo possível observar a potencialização do desenvolvimento desse câncer quando o hábito de fumar e beber estão juntos (BALLESTEROS ; HEROS, 2002). Outros fatores etiológicos também apresentados com possível associação para o aumento do risco são: dieta pobre em nutrientes, refluxo gastroesofágico, infecções pelo HPV, síndromes genéticas; e a exposição ocupacional de alguns elementos, como pó de madeira, produtos químicos utilizados na metalurgia, petróleo, plásticos, indústrias têxteis e o amianto (VAN CAUWENBERGE; DHOOGE; INGELS, 1992).

16Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer do corpo do útero

Para o Brasil, estimam-se 6.600 casos novos de câncer do corpo do útero, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 6,22 casos a cada 100 mil mulheres, ocupando a sétima posição17 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do corpo do útero é o sexto mais incidente na Região Sudeste (7,66/100 mil). Na Região Sul (7,17/100 mil), o sétimo mais frequente. Nas Regiões Centro-Oeste (5,65/100 mil) e Nordeste (4,98/100 mil), ocupa a oitava posição; enquanto, na Região Norte (2,11/100 mil), ocupa a décima posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer do corpo do útero constitui o sexto câncer mais comum na população feminina, com uma estimativa mundial de 320 mil casos novos em 2012, correspondendo a 4,8% dos tumores femininos e 2,3 % dos cânceres em geral. Estimaram-se, no mundo, 76 mil óbitos em mulheres com câncer endometrial em 2012, o que representa 2,1% das mortes por câncer em mulheres (FERLAY et al., 2013).

O carcinoma endometrial é um tumor epitelial maligno, que exibe diferenciação glandular, sendo, portanto, o adenocarcinoma seu principal tipo histológico (mais de 80% dos casos) e está associado ao uso de estrogênio. Esse hormônio desempenha um papel importante na etiologia dessa doença. Os tumores do Tipo I são de baixo grau de malignidade e estão relacionados ao estrogênio; os do Tipo II não estão associados ao estrogênio, e são os adenocarcinomas de células não serosas e não claras que apresentam maior taxa de mortalidade (STEWART; WILD, 2014).

Analisando a distribuição desse câncer nas Regiões do globo, as taxas de incidência são de 14,7/100 mil nas Regiões mais desenvolvidas e de 5,5/100 mil nas menos desenvolvidas. A taxa de mortalidade apresentada foi de 2,3/100 mil nas Regiões mais desenvolvidas e 1,5/100 mil nas com menor nível de desenvolvimento. As maiores taxas de incidência de câncer do corpo do útero foram estimadas para a América do Norte (19,1/100 mil) e para o Norte da Europa Ocidental (12,9-15,6/100 mil); enquanto, no Sul da Ásia Central (2,7/100 mil) e na maior parte da África (menos de 5/100 mil), apresentam as taxas mais baixas. As taxas de mortalidade apresentam variação menor, de 0,9/100 mil na África do Norte a 3,8/100 mil na Malásia (FERLAY et al., 2016). Em 2015, no Brasil, ocorreram 1.454 óbitos por câncer do corpo do útero (BRASIL, 2017).

As taxas de incidência variam de 20 a 30 vezes entre os países; e cerca de dois terços dos novos casos estimados ocorrem em países com níveis altos de desenvolvimento humano. Nos Estados Unidos, a sobrevida em cinco anos e mais é de 84% em mulheres brancas, cujo diagnóstico é realizado em estágio inicial, e 62% em mulheres negras que possuem menor sobrevida independente do estágio da doença ao diagnóstico (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a). No Canadá, o câncer de endométrio aumentou em 2,3% ao ano, de 2005 a 2013, o que pode estar associado ao uso de estrogênio para TRH (CANADIAN CANCER SOCIETY, 2017).

Além de predisposição genética, dos fatores de risco associados ao câncer do corpo do útero, o principal é a obesidade. Outros fatores associados são sobrepeso; diabetes mellitus; hiperplasia endometrial; anovulação (deixar de ovular) crônica; uso de radiação anterior por efeito do tratamento de tumores de ovário; uso de estrogênio para reposição hormonal; menarca (momento em que a mulher começa a menstruar) precoce; menopausa (quando a mulher deixa de menstruar) tardia; nuliparidade (nunca engravidou ou nunca teve filhos); síndrome do ovário policístico; e síndrome de Lynch. O câncer do corpo uterino é comum em mulheres com síndrome de Lynch; ou seja, uma síndrome de câncer de cólon hereditário não poliposo, um defeito no reparo de falta de ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA, do inglês deoxyribonucleic acid) que também está associado aos cânceres de mama e de ovário. O risco de desenvolvimento de câncer do corpo do útero aumenta em mulheres com mais de 50 anos. Alguns fatores são considerados de proteção para o câncer endometrial, como o uso de progesterona; gravidez; e prática de atividade física regular (STEWART; WILD, 2014).

17Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer do ovário

Para o Brasil, estimam-se 6.150 casos novos de câncer do ovário, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 5,79 casos a cada 100 mil mulheres e o oitavo mais incidente18 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do ovário é o sétimo mais incidente nas Regiões Centro-Oeste (5,83/100 mil), Nordeste (5,04/100 mil) e Norte (2,96/100 mil). Nas demais Regiões, Sul (7,12/100 mil) e Sudeste (6,40/100 mil), ocupa a oitava posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O câncer de ovário é o sétimo câncer mais comum e representa 3,6% dos tumores femininos. Em 2012, no mundo, foram esperados 239 mil casos novos, o que corresponde a um risco estimado de 6,1/100 mil. Ocorreram 152 mil óbitos em mulheres com câncer de ovário em 2012, o que representa 4,3% das mortes em mulheres, sendo a oitava causa de morte por câncer da população feminina. A letalidade do câncer de ovário tende a ser mais elevada em comparação aos outros tipos de câncer dos órgãos reprodutores femininos (FERLAY et al., 2013).

Histologicamente, os carcinomas ovarianos são divididos em cinco tipos principais: carcinomas serosos de alto grau (70%); endometriais (10%); células claras (10%); mucinosas (3%); e de baixo grau (<5%), que, em conjunto, representam mais de 95% dos casos. Muito menos comuns são os tumores de células germinativas malignas - os disgerminomas; os tumores de saco vitelino e os teratomas imaturos (3% de câncer de ovário); e os tumores de cordão sexual potencialmente malignos (1%-2%), sendo os mais comuns os tumores de células granulosas (STEWART; WILD, 2014).

A incidência do câncer de ovário apresenta variação de 9,1/100 mil mulheres nas Regiões mais desenvolvidas para 4,9/100 mil mulheres nas menos desenvolvidas; enquanto a mortalidade varia de 5,0/100 mil mulheres nas Regiões mais desenvolvidas e 3,1/100 mil mulheres nas menos desenvolvidas. Em 2012, a incidência foi maior em países com altos níveis de desenvolvimento humano (55%). Observaram-se elevadas taxas de incidência e mortalidade na Europa e América do Norte (FERLAY et al., 2013). Em 2015, no Brasil, ocorreram 3.536 óbitos por câncer de ovário (BRASIL, 2017).

No Canadá, destacam-se como fatores na redução da mortalidade por câncer de ovário: a redução da TRH, melhorias na gestão e no tratamento dessa doença; todavia, a sobrevida em cinco anos ou mais, em mulheres com câncer de ovário, é de 44% (Canadian Cancer Statistics, 2017). Nos Estados Unidos, a mortalidade também vem decrescendo de 2005 a 2014, o que pode estar associado ao uso de contraceptivos orais; e a sobrevida em cinco anos ou mais foi de 92% nas pacientes com doença localizada ao diagnóstico (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a).

Fatores genéticos como a história familiar de câncer de ovário ou de mama; mutações de alto risco dos genes BRCA1 e BRCA2; menopausa tardia; endometriose; nuliparidade (nunca engravidaram ou nunca tiveram filhos); TRH; obesidade; e tabagismo estão associados com o desenvolvimento do câncer ovariano. A gravidez e uso de contraceptivos orais (supressão da ovulação) são considerados fatores de proteção (STEWART; WILD, 2014).

18Exceto câncer de pele não melanoma.

Linfoma de Hodgkin

Para o Brasil, estimam-se 1.480 casos novos de linfoma de Hodgkin (LH) em homens e 1.050 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,43 casos novos a cada 100 mil homens e a 14ª neoplasia mais frequente. Entre as mulheres, há um risco estimado de 0,96 para cada 100 mil e ocupa a 17ª posição19 (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH em homens é o 12º mais frequente na Região Norte (0,97/100 mil); enquanto, na Região Sudeste (1,41/100 mil), ocupa a 13ª posição. Nas Regiões Sul (2,47/100 mil), Nordeste (1,15/100 mil) e Centro-Oeste (1,15/100 mil), é o 14º mais frequente. Para as mulheres, ocupa a 17ª posição nas Regiões Sul (1,29/100 mil), Sudeste (1,15/100 mil), Centro-Oeste (0,95/100 mil), Nordeste (0,64/100 mil) e Norte (0,52/100 mil) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

O Linfoma de Hodgkin é assim chamado porque foi descrito pela primeira vez, em 1832, por Thomas Hodgkin (MACHADO et al, 2004). Esse linfoma pertence a um grupo de cânceres que se originam no sistema linfático (os linfomas), sistema este que produz as células responsáveis pela imunidade. Ele apresenta a característica de se espalhar de forma ordenada de um grupo de linfonodos para outro; podendo ocorrer em crianças, adolescentes e adultos. Caracterizando esse tipo de linfoma, encontram-se linfócitos grandes e anormais nos linfonodos chamados células Reed-Sternberg (NATIONAL CANCER INSTITUTE, [20--b]). As taxas de LH são mais altas entre adolescentes, adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e entre adultos mais velhos (75 anos ou mais). Os homens são mais propensos do que as mulheres a desenvolver linfoma (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2017; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b; LYMPHOMA RESEARCH FOUNDATION, 2012; NATIONAL CANCER INSTITUTE, [20--b]).

O LH pode ser classificado em dois grupos: o nodular com predominância linfocitária (LHNPL) e o clássico. No grupo dos LHNPL, há o predomínio de linfócitos B benignos e a presença células gigantes diferentes das Reed-Sternberg. O grupo clássico se divide em cinco subgrupos, em acordo ao tipo de células que predominam: esclerose nodular (é o mais frequente, principalmente em mulheres); celularidade mista (tem a presença de células neoplásicas e reativas à infecção - forte associação com o EBV e também com o HIV); rico em linfócitos (necessário utilizar estudos de imuno-histoquímica para sua identificação); depleção linfocitária (muito raro, ocorrendo com mais frequência em idosos e se manifestando como doença grave); e o inclassificável (quando a avaliação se torna muito difícil) (MACHADO, 2004).

As causas do LH, bem como para todos os linfomas, ainda não estão bem entendidas, mas pesquisadores sugerem algumas associações: estudos mostraram que pessoas infectadas com o HIV correm um risco maior de desenvolver linfoma; a presença de outros vírus, como o HTLV-1 e o EBV, também foi associada a certos tipos de linfoma; a história familiar tem sido associada a um maior risco de LH; exposições ambientais, como herbicidas e pesticidas, podem estar ligadas ao linfoma, mas os cientistas não sabem o quanto é necessário para aumentar o risco de desenvolvimento da doença (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017b; CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2017; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b).

É considerado como um câncer de bom prognóstico, levando-se em consideração o diagnóstico e o tratamento oportuno (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017b; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b; MACHADO, 2004).

Segundo o Globocan/Iarc, em 2012, foram estimados 66 mil casos novos de LH, sendo o 25º mais frequente entre todos os cânceres. Entretanto, para os homens, foram 39 mil casos novos; e, entre as mulheres, foram 27 mil casos novos, ocupando a 22ª e 21ª posições, respectivamente (FERLAY et al., 2013). As taxas de incidência tendem ser mais elevadas em Regiões mais desenvolvidas, como América do Norte, Austrália, Nova Zelândia e Europa, e também no Oeste da Ásia; e as menores taxas foram nas Regiões do Leste e Sudeste Asiáticos, onde a doença é muito rara (STEWART; WILD, 2014).

Em relação à mortalidade, nessa localização, para 2012, foram estimados aproximadamente 25 mil óbitos no mundo. Para os homens, o óbito pela neoplasia maligna de LH representou 15 mil mortes; e, para as mulheres, dez mil (FERLAY et al., 2013). O declínio da mortalidade foi constante nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão. Por outro lado, após a década de 1990, nas Regiões do Leste Europeu, a queda foi lenta (Hoppe et al., 1994; La Vecchia et al., 1991; Levi et al., 2002a). No Brasil, ocorreram, em 2015, 324 óbitos por câncer de LH em homens e 237 em mulheres (BRASIL, 2017).

19Exceto câncer de pele não melanoma.

Câncer de pele

Para o Brasil, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele não melanoma entre homens e 80.410 nas mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 82,53 casos novos a cada 100 mil homens e 75,84 para cada 100 mil mulheres. É o mais incidente em ambos os sexos (Tabela 1).

O câncer de pele não melanoma é o mais incidente em homens nas Regiões Sul (160,08/100 mil), Sudeste (89,80/100 mil) e Centro-Oeste (69,27/100 mil). Nas demais Regiões, Nordeste (53,75/100 mil) e Norte (23,74/100 mil), encontra-se na segunda posição. Entre as mulheres, é o mais incidente em todas as Regiões do país, com um risco estimado de 97,46/100 mil na Região Sul; 95,16/100 mil na Sudeste; 92,66/100 mil na Região Centro-Oeste; 45,59/100 mil na Região Nordeste; e 27,71/100 mil na Região Norte (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada, porém sua incidência é baixa (2.920 casos novos em homens e 3.340 casos novos em mulheres). As maiores taxas estimadas em homens e mulheres encontram-se na Região Sul (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentário

No mundo, o câncer de pele é o mais comum, sendo o melanoma, o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular os tipos mais frequentes da doença (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2016). O câncer de pele pode ser classificado de duas formas, como melanoma e não melanoma (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016c).

No mundo, para 2012, foram estimados 232.130 casos novos por melanoma, representando uma taxa de incidência de 3,3 por 100 mil habitantes e o 19º câncer mais frequente. Sendo que, entre os homens, foram 120.649 casos novos (3,4/100 mil) ocupando a 15ª posição; e 111.481 casos novos (3,2/100 mil) em mulheres, sendo a 16ª mais frequente entre todos os cânceres (FERLAY et al., 2013). As maiores taxas de incidência mundiais encontram-se, em países como Austrália e Nova Zelândia, em populações com predominância da cor de pele mais clara (STEWART; WILD, 2014). Apesar de ser o câncer mais frequente, o câncer de pele não melanoma é difícil de estimar, uma vez que nem todos os Registros de Câncer os coletam. Nos Estados Unidos, estudo feito em 2012 estimou 5,4 milhões de casos novos em 3,3 milhões de pessoas (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a).

Em relação à mortalidade, o câncer de pele melanoma, para 2012, representou 55.488 óbitos no mundo. Sendo que, para os homens, o número de óbitos por câncer de pele melanoma foi de 31.390; e para as mulheres, 24.098 (FERLAY et al., 2013). No Brasil, ocorreram, em 2015, 1.012 óbitos por câncer de pele melanoma em homens e 782 em mulheres (BRASIL, 2017).

O câncer de pele não melanoma é o tumor mais incidente entre homens e mulheres no Brasil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016c). Em relação à mortalidade, em 2015, foram 1.137 óbitos em homens e 821 nas mulheres (BRASIL, 2017). Mesmo com a baixa letalidade do câncer de pele não melanoma, sua elevada incidência pode explicar uma ocorrência de óbitos quase semelhante ao câncer de pele melanoma (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017b). O câncer de pele não melanoma é curável na maioria dos casos. No caso do melanoma de pele, o prognóstico é considerado bom quando diagnosticado e tratado em sua fase inicial.

O principal fator de risco para os cânceres de pele melanoma e não melanoma é a exposição excessiva à radiação solar ultravioleta (UV). Outros fatores, como cor de pele, olhos e cabelos claros; história familiar ou pessoal de câncer de pele; o sistema imune debilitado por doenças ou em indivíduos transplantados por causa do uso de imunossupressores (azatioprina e ciclosporina), podem aumentar o risco desenvolver câncer de pele (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016c). Além disso, é importante também frisarem-se os fatores ambientais e ocupacionais, como a exposição a fuligens; ao arsênico e seus compostos (utilizado na conservação de madeiras, na formulação de agrotóxicos, na metalurgia etc.); ao alcatrão de carvão (piche); aos óleos minerais (industriais, não tratados ou pouco tratados); e aos óleos de xisto (utilizados pela indústria petroquímica). Trabalhadores que desenvolvem suas atividades ao ar livre, como os da construção civil, agricultores, pescadores, guardas de trânsito, salva-vidas, atletas, agentes de saúde, entre outros, apresentam maior risco de câncer de pele não melanoma (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016c). Destaca-se ainda que a Iarc/OMS classificou as câmaras de bronzeamento artificial (fontes de radiação UV) como "carcinogênicas para humanos", e desde 2009 são proibidas no Brasil (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2017a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2016c).

Câncer infantojuvenil

Estima-se que, para o Brasil, para cada ano do biênio 2018-2019, ocorrerão 420 mil casos novos de câncer, sem considerar o câncer de pele não melanoma. Uma vez que o percentual mediano dos tumores infantojuvenis observados nos RCBP brasileiros é de 3%, depreende-se que ocorrerão 12.500 casos novos de câncer em crianças e adolescentes (até os 19 anos). As Regiões Sudeste e Nordeste apresentarão os maiores números de casos novos, 5.300 e 2.900, respectivamente, seguidas pelas Regiões Centro-Oeste (1.800 casos novos), Sul (1.300 casos novos) e Norte (1.200 casos novos).

Para o cálculo do número estimado de tumores infantojuvenis, para cada ano do biênio 2018-2019, optou-se por considerar apenas os valores estimados para todas as neoplasias, sem incluir os tumores de pele não melanoma, justificado por sua magnitude em adultos diferir tanto da observada em crianças e adolescentes.

Comentário

O câncer infantojuvenil (entre 0 e 19 anos) consiste em um conjunto de doenças que apresentam características próprias em relação ao tipo histológico (células que compõem os tumores) e ao comportamento clínico (LITTLE, 1999). Corresponde a de 1% a 4% de todos os tumores malignos, na maioria das populações. Nos países em desenvolvimento, onde a população de crianças chega a 50%, essa proporção do câncer infantil representa de 3% a 10% do total de neoplasias. Já nos países desenvolvidos, essa proporção diminui, chegando a cerca de 1% (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2014; BARR et al., 2006; FERLAY et al., 2013; MAGRATH et al., 2013).

Entre os tipos de câncer infantojuvenis em todo o mundo, a leucemia é o mais comum na maioria das populações (de 25% a 35%). Nos países desenvolvidos, os linfomas correspondem ao terceiro tipo de câncer mais comum. Já nos países em desenvolvimento, esse tipo é o segundo mais incidente, ficando atrás apenas das leucemias (HOWLADER et al., 2014; PARKIN et al., 1988; RIES et al., 1999). No Brasil, o percentual mediano de neoplasias nos RCBP na população infantojuvenil (de 0 a 19 anos) foi de 3%. Assim como na maioria das populações, as leucemias foram as mais frequentes (26%), seguidas de outros tumores epiteliais (14%), linfomas (14%) e SNC (13%). A mortalidade por câncer em crianças e adolescentes possui padrões geográficos diferentes. Enquanto, nos países desenvolvidos, a neoplasia é considerada a segunda causa de morte na infância, correspondendo a de 4% a 5% (crianças de 1 a 14 anos) dos óbitos nessa faixa etária, em países em desenvolvimento, essa proporção é bem menor, cerca de 1%, em razão das mortes por doenças infecciosas serem as principais causas de óbito (KARIM-KOS et al., 2014). No Brasil, os óbitos por câncer entre crianças e adolescentes (de 1 a 19 anos) correspondem à segunda causa de morte. Esse padrão se diferencia na Região Norte, onde ocupa a quinta posição (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2017a). Em 2015, ocorreram 35 mil óbitos nessa faixa etária.

No Brasil, ocorreram, em 2015, 2.704 óbitos por câncer infantojuvenil (de 1 a 19 anos) correspondentes a 7,9% entre todas as causas, e a segunda maior causa de morte em todas Regiões (BRASIL, 2017).

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