Prevenção e Detecção PrecoseDivulgação Técnico-Científica

O INCA presta assistência médico-hospitalar a pacientes com neoplasias malignas, no Hospital do Câncer - HC, no Hospital de Oncologia - HO e no Hospital Luíza Gomes de Lemos - HLGL. Essas três unidades hospitalares do INCA apresentam níveis distintos de complexidade e, por isso, oferecem diferentes serviços. A atividade assistencial, por sua vez, está estreitamente vinculada ao desenvolvimento da pesquisa clínica e à formação de recursos humanos especializados nas diversas sub-especialidades oncológicas, em nível técnico, superior e de pós-graduação.

O objetivo dos programas assistenciais do INCA é oferecer aos pacientes um serviço de qualidade, dando-lhes um atendimento multiprofissional integrado, ambulatorial, hospitalar e domiciliar. A busca deste objetivo resultou não só na revisão das condutas diagnósticas e terapêuticas adotadas no INCA, como no remanejamento dos serviços médico-hospitalares e do encaminhamento interno dos pacientes, especificando-se melhor as competências e áreas de atuação dos seus três hospitais, o que se expressa na variabilidade dos seus correspondentes números de produção, que se apresentam a seguir.

Em 1997, o INCA contabilizou 12.900 matrículas, 241.339 consultas médicas e 10.693 cirurgias.

Os índices da produção médico-hospitalar mantiveram-se relativamente estáveis, com algumas oscilações. Em relação ao número de pacientes matriculados, por exemplo, a média mensal registrou uma pequena variação positiva em relação ao período anterior. A produção de consultas médicas apresentou um aumento de quase 20% e a de cirurgias, uma redução de 1,1%.

Os dados dos três hospitais são a seguir apresentados por ano, para que se possa ter uma idéia da evolução da atividade hospitalar do INCA nos últimos três anos:

Matrículas
  1995 1996 1997
HC 9.203 8.103 8.013
HO 1.865 1.766 1.938
HLGL 2.684 2.899 2.949
       
Total 13.752 12.768 12.900
Média mensal 1.146 1.064 1.075

Em 1997, observou-se um aumento do número de pacientes matriculados no HO e no HLGL. A redução do número de matrículas no HC, pelo terceiro ano consecutivo, explica-se pela melhor definição do perfil dos pacientes admitidos e à criação de outros serviços de atendimento aos pacientes com câncer intratável, em fase terminal ou não.

Consultas Ambulatoriais
  1995 1996 1997
HC 130.529 114.380 153.793
HO 51.933 55.495 53.413
HLGL 34.108 31.838 34.133
       
Total 216.570 201.713 241.339
Média mensal 18.047 16.809 20.111

O HO foi o único que apresentou redução de consultas em 1997 devido a um trabalho feito para diminuir o número de pacientes que procuravam o hospital para acompanhamento em Clínica Médica (pressão arterial, resfriados) e para adequar o tempo de marcação de consultas às reais necessidades do hospital. Agora, esses pacientes são encaminhados a postos de saúde próximos às suas residenciais.

Cirurgias
  1995 1996 1997
HC 7.740 7.347 7.292
HO 1.780 2.058 2.088
HLGL 1.234 1.415 1.313
       
Total 10.754 10.820 10.693
Média mensal 896 901 891

O INCA praticamente manteve, em 1997, a produção dos anos anteriores, o que mostra o alcance da utilização máxima dos seus centros cirúrgicos.

Aplicações de Quimioterapia
  1995 1996 1997
HC 43.932 37.950 20.027
HO 11.318 13.330 13.097
HLGL 25.680 27.358 8.844
       
Total 80.930 78.638 41.968
Média mensal 6.744 6.553 3.497

No HLGL, em 1995 e 1996, a análise destes dados ficou prejudicada por conta da computação do número de injeções e não de aplicações (ciclos) de quimioterapia. Chamam atenção, porém, as reduções em 54,4% e em 47,2%, respectivamente, com relação a 1995 e 1996, das quimioterapias aplicadas no HC em 1997. Isto guarda relação com a redefinição do perfil institucional, a indicação mais criteriosa, em termos técnico-científicos e dos tratamentos, e de obras realizadas no Hospital que motivaram o encaminhamento dos pacientes para outras instituições.

Aplicações de Radioterapia
  1995 1996 1997
HC 213.171 227.725 232.000
Média mensal 17.764 18.977 19.333

O INCA concentra o atendimento radioterápico no HC. Mesmo com a reforma de suas instalações, inclusive para substituição da sua aparelhagem por equipamentos mais modernos, o serviço de Radioterapia do INCA vem apresentando aumento contínuo de sua produção: em 1997, ela foi 8,8% maior do que em 1995 e 1,8% do que em 1996.

Transplantes de Medula Óssea
  1995 1996 1997
HC / CEMO 30 53 58
Média mensal 2,5 4,4 4,8

Uma das modalidades de tratamento oferecidas pelo INCA é o transplante de medula óssea, feito no Centro de Transplante de Medula Óssea - CEMO, do HC. Em 1997, foi observado um aumento de 9,4% no número de transplantes no CEMO, em relação a 1996. De 1995 até o final de 1997, o CEMO contabilizou um crescimento em sua produção de quase 50%.

Exames de Histocompatibilidade (HLA) e Cultura de Linfócitos
  1995 1996 1997
Exames realizados (HLA) 4.050 3.860 4.696
Média mensal 337,5 321,6 391,3

  1995 1996 1997
Cultura mista de linfócitos 78 90 88
Média mensal 6,5 7,5 7,3

A Divisão de Imunogenética - DITRAN do INCA encontra-se instalada nas dependências do Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, e é responsável pelos exames de compatibilidade entre doadores e receptores de tecidos ou órgãos, destinados aos transplantes, não só para o Centro de Transplante de Medula Óssea - CEMO, como também para o Programa Estadual de Transplante de Órgãos.

O número crescente de exames realizados demonstra o progressivo aumento do números da famílias estudadas com vistas ao transplante de medula óssea e de atendimentos ao Programa Estadual de Transplante de Órgãos. Já a redução do número de cultura mista de linfócitos demonstra que o índice de repetição de procedimentos diminuiu, o que, por sua vez, atesta a melhoria da qualidade dos exames.

Exames de Diagnóstico por Imagem
  1995 1996 1997
HC 50.277 56.440 63.072
HO 12.624 15.885 20.576
HLGL 7.551 10.243 12.234
       
Total 70.452 82.568 95.882
Média mensal 5.871 6.880 7.991

O diagnóstico por imagem inclui os exames de radiodiagnóstico (radiografias simples e contrastadas, tomografia linear, mamografia...), exames especiais de radiologia (aortografia, angiografia...) e os exames de ultra-sonografia, tomografia computadorizada e de ressonância magnética.

A variação da produção média mensal aponta, em 1997, um crescimento da ordem de 16,1% em relação a 1996. Neste, a variação havia sido de 17,2%, como resultado da aquisição de novos equipamentos de tomografia computadorizada e de ressonância magnética.

Exames de Patologia Clínica
  1995 1996 1997
HC 532.435 595.785 696.180
HO 68.890 93.090 124.761
HLGL 67.034 70.952 95.149
       
Total 668.359 759.827 916.090
Média mensal 55.696 63.318 76.341

A produção média de exames laboratoriais (inclusive os exames laboratoriais de radioimunoensaio) revelou em 1997, a exemplo dos anos anteriores, um aumento expressivo. Desta vez, a variação em relação ao exercício anterior foi de 20,5% contra os 13,2% registrados em 1996, em relação a 1995.

Exames de Medicina Nuclear
  1995 1996 1997
HC 12.400 5.238 5.399
Média mensal 1.033 436 450

Como ocorre com a radioterapia, o INCA concentra a prestação de serviços de medicina nuclear no HC. A produção média desses serviços teve, em 1997, um aumento em 3% em relação ao anterior. Cabe lembrar que a redução drástica no número de exames, observada a partir de 1995, deveu-se a uma modificação na metodologia da computação de dados do Serviço de Medicina Nuclear, da qual foram excluídos os exames laboratoriais de radioimunoensaio.

Exames Anátomo-Patológicos e Citopatológicos
  1995 1996 1997
HC 27.666 27.530 28.245
HO 8.040 7.647 8.833
HLGL 9.308 7.329 7.592
       
Total 45.014 42.506 44.670
Média mensal 3.751 3.542 3.722

Observou-se, em 1997, uma recuperação da média de produção dos exames de anatomia patológica e citopatologia, executados nas três unidades hospitalares do INCA. A variação positiva registrada no período foi da ordem de 5,1% em relação ao exercício de 1996.

Já o Sistema Integrado Tecnológico em Citopatologia - SITEC, ligado estruturalmente ao Pro-Onco, processou, em 1997, 259.902 exames colpocitológicos e 1.001 anátomo-patológicos, respectivamente 40,8% e -27,0% com relação ao ano de 1996. Isto deveu-se, principalmente, ao esforço que o INCA fez, em 1997, para aumentar em 45% a capacidade operativa do SITEC, como laboratório, como escola de formação de citotécnicos e como órgão de apoio ao Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo Uterino. Os exames anátomo-patológicos processados no SITEC servem ao controle de qualidade dos diagnósticos citológicos dados.

Indicadores do Desempenho Hospitalar em 1997
  HC HO HLGL
  1996 1997 1996 1997 1996 1997
TO (%) 83,1 81,8 67,7 79,5 66,0 71,2
TMP (dias) 8,3 7,6 9,5 9,4 4,1 4,1
IG (dias) 1,7 1,8 4,5 2,5 2,2 1,7
RL (n° de pacientes) 3,1 3,1 2,2 2,6 4,8 5,2
TO= taxa de ocupação em %; TMP = tempo médio de permanência em dias; IG = intervalo de giro (substituição) em dias; RL = rotatividade do leito (índices de renovação) em número de pacientes

Os indicadores de desempenho hospitalar refletem os distintos perfis das unidades hospitalares do INCA.

A tendência mundial da assistência médica tem sido a do aumento dos procedimentos ambulatoriais, com uma redução diretamente proporcional da necessidade de internação. Pode-se dizer que esta tendência, em parte, expressa nos índices de ocupação dos leitos hospitalares do Hospital de Oncologia e do Hospital Luíza Gomes de Lemos.

Por outro lado, o Hospital do Câncer apresenta uma grande demanda, que se revela nas elevadas taxas de ocupação, por ser um centro de referência estadual e nacional em diversas especialidades oncológicas, muitas das quais especializadas ou de pouca disponibilidade, como o é a Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

O tempo médio de permanência no HC é compatível com o de um hospital especializado. Porém, a redução do tempo médio de permanência no HC correlaciona-se claramente com a implantação do Programa de Gestão pela Qualidade Total (PGQT), pelo qual tem sido possível melhorar as rotinas e os processos hospitalares, inclusive a metodologia de coleta de dados, que vem permitindo uma melhor apropriação dos números do HC.

Suporte Terapêutico Oncológico

Além do tratamento especificamente antitumoral, prestando em suas três unidades hospitalares, o INCA mantém o Serviço de Suporte Terapêutico Oncológico, que assiste os pacientes que se encontram fora de possibilidades desse tratamento, geralmente denominados FPTA (Fora de Possibilidades para as Terapêuticas Atuais), com ênfase no atendimento domiciliar.

Em 1997, o STO alcançou resultados expressivos. A média mensal de matrículas, que era 60, em 1996, subiu para 130; foram realizadas, em média, 160 visitas domiciliares por mês; a equipe multiprofissional do STO foi ampliada de 58 para 81 funcionários; e foram iniciadas as obras de construção do novo prédio do STO, que terá nove andares e 50 quartos, localizado junto ao Hospital Luíza Gomes de Lemos, cujas instalações funciona, atualmente, a sede do Serviço, contando com restritas instalações ambulatoriais e com 20 leitos.