Principais Realizações


O Instituto Nacional de Câncer - INCA, do Ministério da Saúde, completou, em 1998, exatos sessenta anos de combate ao câncer no Brasil. Poucas vezes, porém, tivemos acontecimentos tão marcantes num único exercício como no ano passado. A realização, em agosto, do 17º Congresso Internacional da União Internacional contra o Câncer - um dos mais importantes do mundo - foi um deles, seguida pela transição administrativa e, em particular, a reestruturação interna.

Desde 1990, o INCA vem planejando e operando profundas transformações estruturais para responder a renovados desafios e acompanhar a lógica contemporânea da qualidade. Além da modernização das instalações e do desenvolvimento tecnológico e humano, já em andamento, promovemos em 98 importantes modificações na estrutura funcional do Instituto.

O INCA adquiriu nova feição com a expansão da Coordenadoria de Ensino e Divulgação Científica, a reestruturação da Coordenadoria de Pesquisa, a inauguração do novo Serviço de Hemoterapia e do Centro de Suporte Terapêutico Oncológico, a transformação do Centro Nacional de Transplante de Medula Óssea (CEMO) em unidade operacional diretamente subordinada à Direção Geral do Instituto, a remodelação dos métodos de trabalho na Coordenadoria de Administração Geral e a fusão da CONTAPP e do PRO-ONCO em uma única unidade responsável pela prevenção e detecção do câncer: a Coordenadoria Nacional de Controle do Tabagismo e de Prevenção e Vigilância do Câncer (CONPREV). As próximas etapas a serem vencidas em 1999 passam pela inevitável unificação de serviços hospitalares e, no âmbito de uma administração mais integrada, pela criação de câmaras de administração de atividades, que permitirão melhorar os processos e responsabilidades do INCA.

Externamente, continuamos a priorizar as estratégias realistas para o controle do câncer no Brasil, ou seja, ações globais comprometidas com a maior parte da população. Seguimos ampliando o número de Registros de Câncer, assessoramos o Ministério da Saúde no desenvolvimento do Programa de Controle do Câncer do Colo Uterino e na elaboração, revisão e implantação das normas para a assistência oncológica no SUS.

A transição administrativa, ocorrida em setembro, mês em que assumimos a direção geral do INCA, comprovou, na prática, que o exercício da continuidade representa um caminho a ser seguido, especialmente quando a gestão antecedente apresentou resultados muito além do esperado.

Finalmente, evoluir também significa ligar presente e futuro. Questões que nos inquietam pelo seu conteúdo ético ganham força e significado em nossa rotina de trabalho. Sabe-se que a prática oncológica tem de se conciliar com a racionalidade da oferta eqüânime de serviços para o atendimento satisfatório da população. Ela está, também, subordinada à realidade política, moral e mercadológica do país.

Enxergamos o futuro do INCA comprometido com as discussões bioéticas e filosóficas, vitais para que o nosso atendimento seja orientado para tratar dos pacientes que realmente se beneficiam dos tratamentos oncológicos e cuidar daqueles que necessitam de cuidados paliativos. Para isso, já iniciamos a formação de um Conselho de Bioética, e estamos dando os primeiros passos para um amplo debate com a sociedade e com as autoridades e órgãos do sistema de saúde.

Para finalizar, ressaltamos que a diversidade dos enfoques no controle do câncer demonstra a multidisciplinaridade da ação do INCA no cumprimento de sua missão. O presente relatório documenta, em linhas gerais, essa atuação em termos dos números e resultados alcançados em 98. Resultados para os quais foram, e continuam sendo, necessários o esforço e a dedicação de cada servidor, o espírito empreendedor do corpo de administradores, o suporte gerencial da Fundação Ary Frauzino e o apoio do Ministério da Saúde. A todos, o nosso sincero agradecimento e a certeza inabalável de que, juntos, poderemos obter maiores êxitos no combate ao câncer, em 1999.

Jacob Kligerman
Diretor-Geral
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