Prevenção e Detecção PrecoceDivulgação Técnico-Científica


A assistência médico-hospitalar no INCA compreende um atendimento multiprofissional integrado, ambulatorial, hospitalar e domiciliar, estreitamente vinculado ao desenvolvimento da pesquisa clínica e à formação de recursos humanos nas diversas especialidades oncológicas, em nível técnico, superior e de pós-graduação.

Em 1998, a Direção Geral do INCA integrou áreas afins e separou outras pela sua importância estratégica. Por conta disso, inaugurou o Centro de Suporte Terapêutico Oncológico e transformou o Centro de Transplante de Medula Óssea em unidade autônoma do Hospital do Câncer, passando o Instituto a contar com cinco unidades médico-hospitalares: o Hospital do Câncer (HC), o Hospital de Oncologia (HO) o Hospital Luíza Gomes de Lemos (HLGL), o Centro de Suporte Terapêutico Oncológico (CSTO) e o Centro Nacional de Transplante de Medula Óssea (CEMO). Todas com diferentes níveis de complexidade e oferecendo serviços distintos.

Cabe destacar, nesse exercício, a inauguração do novo Serviço de Hemoterapia, que triplicou a capacidade de aferese, passando a receber diariamente 200 doadores; a conclusão de diversas obras e reformas, que contribuíram para melhorar a qualidade do atendimento prestado aos pacientes, e o estabelecimento de dois novos parâmetros de controle e avaliação: o Sistema Hospitalar Integrado (SHI) - solução da tecnologia informatizada, que vem permitindo aos hospitais padronizar e racionalizar as informações relativas às suas respectivas rotinas e processos - mas principalmente a redefinição do perfil do paciente atendido no INCA, como resultado da assimilação das práticas da Gestão pela Qualidade Total (PGQT). Este último parâmetro, em particular, teve impacto sobre alguns itens da produção médico-hospitalar, exibidos neste relatório.

Ainda assim, e apesar das obras realizadas no Hospital de Oncologia, que reduziram em boa parte do ano a capacidade de atendimento daquela unidade, em termos gerais, os números da assistência médico-hospitalar no INCA em 98 permaneceram estáveis. Foram matriculados 12.798 novos pacientes e realizadas 262.764 consultas, 13.321 internações, 11.820 cirurgias, 40.028 aplicações de quimioterapia e 128.724 aplicações de radioterapia.

Esses dados são apresentados em detalhe, a seguir, organizados por ano, de 1995 a 1998, para que se possa ter uma idéia do desenvolvimento da atividade hospitalar no Instituto durante o último quadriênio.

Matrículas
  1995 1996 1997 1998
HC 9.203 8.103 8.013 7.669
HO 1.865 1.766 1.938 1.906
HLGL 2.684 2.899 2.949 3.223
Total 13.752 12.768 12.900 12.798
Média mensal 1.146 1.064 1.075 1.066

A edução do número de matrículas no HC está diretamente relacionada ao perfil mais bem definido do paciente matriculado, objetivo esse alcançado pela aplicação de novos critérios de triagem, implantados em todas as unidades hospitalares do INCA. No HLGL, onde a variação foi positiva, ocorreu em 98 um aproveitamento mais efetivo da capacidade instalada. No HC, outro aspecto relevante foi a não inclusão, a partir de 97, das matrículas da Clínica Médica e da Radioterapia. No HO, a produção ligeiramente negativa também foi resultante do período em que a capacidade desse hospital esteve comprometida pelas obras e reformas realizadas.

Consultas Ambulatoriais
  1995 1996 1997 1998
HC 130.529 114.380 153.793 154.947
HO 51.933 55.495 53.413 61.154
HLGL 34.108 31.838 34.133 35.651
CSTO     9.145 11.012
Total 216.570 201.713 241.339 262.764
Média mensal 18.047 16.809 20.111 21.897

A definição do perfil do paciente tratável e do não tratável e a apropriação mais adequada dos dados fizeram aumentar as estatísticas da prestação de serviços, incluindo as consultas ambulatoriais, em todas as unidades.

Os indicadores do Centro de Suporte Terapêutico Oncológico (CSTO) passaram a ser apresentados isoladamente apenas neste relatório. O HLGL vinha hospedando os serviços deste Centro desde dezembro de 96 até a inauguração de suas instalações próprias, em novembro de 98. As únicas exceções continuaram sendo os exames anátomo-patológicos, citopatológicos e de patologia clínica do CSTO incluídos, pelo segundo ano consecutivo, na produção do HLGL.

Cirurgias
  1995 1996 1997 1998
HC 7.740 7.347 7.292 7.796
HO 1.780 2.058 2.088 1.957
HLGL 1.234 1.415 1.313 2.067
Total 10.754 10.820 10.693 11.820
Média mensal 896 901 891 985

Com a racionalização dos processos nas clínicas cirúrgicas do HC, foi possível também redefinir o perfil do doente cirúrgico, otimizar as rotinas de entrada e saída e de tratamento dos pacientes e reduzir o Tempo Médio de Permanência (TMP), o que resultou em aumento do número de pacientes operados. A paralisação do Centro Cirúrgico do HO por 40 dias, ocasionada pelas obras físicas empreendidas naquele hospital, foi responsável pela redução dos atos operatórios nesta unidade.

Aplicações de Quimioterapia
  1995 1996 1997 1998
HC 43.932 37.950 20.027 22.362
HO 11.318 13.330 13.097 12.099
HLGL 25.680 27.358 8.844 5.567
Total 80.930 78.638 41.968 40.028
Média mensal 6.744 6.553 3.497 3.336

A separação dos pacientes infantis dos pacientes adultos no atendimento quimioterápico foi responsável por um aumento da capacidade instalada no HC e, conseqüentemente, da produção de quimioterapia. No HO, o oposto ocorreu, devido às obras realizadas nessa unidade. No HLGL, a análise destes dados continuou prejudicada pela falta de padronização de levantamento dos dados. Em 1998, a computação da produção foi finalmente uniformizada nas três unidades hospitalares do INCA, considerando-se cada comparecimento do paciente à central de quimioterapia como unidade de produção deste setor.

Aplicações de Radioterapia
  1995 1996 1997 1998
HC 213.171 227.725 232.000 131.458
Média mensal 17.764 18.977 19.333 10.955

O INCA concentra o atendimento radioterápico no HC. A modificação da metodologia de computação de dados, iniciada em outubro de 1997, teve impacto nos números finais da produção, exibidos neste Relatório. Outro fator foi a paralisação de três das cinco máquinas utilizadas no tratamento, durante as obras realizadas no hospital, ocasionando o encaminhamento para outros serviços dos pacientes que vinham ao INCA exclusivamente para submeter-se à radioterapia. Também contribuíram para este resultado a Braquiterapia de Alta Taxa de Dose (BATD), que reduz o número de aplicações de radioterapia externa, e a implantação do Sistema de Autorização e Procedimentos de Alta Complexidade - Oncologia (APAC-ONCO) que prejudicou a apresentação do total da produção dos procedimentos realizados.

Exames de Diagnóstico por Imagem
  1995 1996 1997 1998
HC 50.277 56.440 63.072 69.193
HO 12.624 15.885 20.576 23.713
HLGL 7.551 10.243 12.234 12.463
Total 70.452 82.568 95.882 105.369
Média mensal 5.871 6.880 7.991 8.781

Todos os hospitais aumentaram a produção em menor ou maior escala. Com a melhor determinação do perfil do doente e a incorporação de mais tecnologia, foram realizados, em 98, mais exames por paciente do que nos exercícios anteriores. A ampliação do atendimento no Centro de Suporte Terapêutico Oncológico contribuiu pelo segundo ano consecutivo para o aumento da produção do HLGL.

Exames de Patologia Clínica
  1995 1996 1997 1998
HC 532.435 595.785 696.180 682.986
HO 68.890 93.090 124.761 160.191
HLGL 67.034 70.952 95.149 134.238
Total 668.359 759.827 916.090 977.415
Média mensal 55.696 63.318 76.341 81.451

No HC, as obras físicas realizadas no Serviço de Patologia Clínica tiveram como conseqüência direta a redução do número de exames. No HO, esse número sofreu um acréscimo da ordem de 28% em relação ao período anterior, justificado pelo aumento da demanda (de 50 para 80 pacientes/dia) e do número de exames por requisição. Ressalta-se que 75% dos pacientes atendidos no HO são de ambulatório e de emergência, não tendo a paralisação do serviço cirúrgico nessa unidade afetado, portanto, a produção desses exames. No HLGL, a variação positiva neste item justifica-se pelo aumento do atendimento ao Serviço Terapêutico Oncológico na contagem de sua produção.

Exames de Medicina Nuclear
  1995 1996 1997 1998
HC 12.400 5.238 5.399 5.019
Média mensal 1.033 436 450 418

Como ocorre com a radioterapia, o INCA concentra a prestação deste serviço no HC. No último exercício, observou-se redução da produção em 7,6% em relação ao ano anterior devido à paralisação de equipamentos.

Exames Anátomo-Patológicos e Citopatológicos
  1995 1996 1997 1998
HC 27.666 27.530 28.245 39.076
HO 8.040 7.647 8.833 9.367
HLGL 9.308 7.329 7.592 7.073
Total 45.014 42.506 44.670 55.516
Média mensal 3.751 3.542 3.722 4.626

O aumento do número de exames anátomo-patológicos no HC deveu-se, particularmente, ao aumento do efetivo de cirurgias realizadas. No HO, apesar da redução do número de cirurgias, a variação positiva nesse item está relacionada ao maior número de biópsias realizadas no ambulatório. A tendência de queda na produção do HLGL confirma a mudança de perfil deste hospital desde que foi incorporado ao INCA, cuja produção de exames citopatológicos foi transferida para o Sistema Integrado Tecnológico em Citopatologia - SITEC. Com a reestruturação funcional do INCA, o SITEC, antes ligado ao PRO-ONCO, passou a ser vinculado ao Serviço de Anatomia Patológica do Hospital do Câncer em dezembro de 1998. Neste ano, foram processados 257.819 exames colpocitológicos e 2.071 anátomo-patológicos (que servem ao controle de qualidade dos diagnósticos citológicos). Os exames processados no SITEC referem-se a 31 municípios no Estado do Rio de Janeiro.

Transplantes de Medula Óssea
  1995 1996 1997 1998
CEMO 30 53 58 70
Média mensal 2,5 4,4 4,8 5,8

O crescimento em 20% do número de transplantes em 1998, cumprindo a meta estabelecida, evidencia a importância desta modalidade de tratamento oferecida pelo INCA. O Ministério da Saúde delegou ao INCA responsabilidades de assessor técnico nessa área. Como resultado, o Serviço de Transplante de Medula Óssea - CEMO do Hospital do Câncer foi expandido para Centro Nacional, com o objetivo, entre outros, de ampliar no país a possibilidade de oferecer transplante de medula óssea para pacientes que não dispõem de um doador aparentado. Os primeiros passos foram dados pelo convênio de cooperação técnico-científica firmado com o Hospital dos Servidores do Estado - MS - HSE, com vistas ao desenvolvimento do Cadastro Nacional de Doadores de Medula Óssea - REDOME, e do convênio firmado com a Maternidade Carmela Dutra, ambos no Rio de Janeiro, para o estabelecimento do primeiro Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário-BSCUP no Brasil. Até dezembro de 98, o REDOME já havia cadastrado 8.000 doadores - o dobro da meta estabelecida -, tornando efetiva a Portaria Ministerial nš 3761, de 20 de outubro de 1998, pela qual o INCA se constitui no maior provedor das informações para os transplantes de medula óssea.

Exames de Histocompatibilidade (HLA) e Cultura de Linfócitos
  1995 1996 1997 1998
Exames realizados 4.050 3.860 4.696 6.086
Média mensal 337,5 321,6 391,3 507,2
  1995 1996 1997 1998
Cultura mista de linfócitos 78 90 88 55
Média mensal 6,5 7,5 7,3 4,5
  1995 1996 1997 1998
Análise de famílias para o
preparo de pacientes para TMO
124 140 140 138

Divisão de Imunogenética em Transplantes - DITRAN/INCA, instalada nas dependências do Hospital dos Servidores do Estado, sedia o REDOME. Recentemente incorporada ao CEMO, ela realiza o estudo de famílias para o preparo de pacientes para transplante de medula óssea. É também responsável pelos exames de histocompatibilidade entre doador e receptor de órgãos, em trabalho de parceria com o Rio-Transplante, possibilitando a realização do Programa de Transplante de Órgãos da Secretaria Estadual de Saúde. O número crescente de exames demonstra o aumento da participação nesse Programa. A redução do número de cultura mista de linfócitos, utilizada para o transplante de medula óssea, atesta a melhoria da qualidade dos novos métodos de exame, em 1998, com diminuição do índice de repetição no preparo para este tipo de transplante.

Suporte Terapêutico Oncológico

O INCA mantém um serviço que assiste os pacientes que se encontram fora de possibilidades de tratamento especializado, especificamente antitumoral. Em 1998, o Serviço Terapêutico Oncológico (STO), que há quase 10 anos vem prestando assistência especial a esses pacientes, foi expandido com a inauguração, em novembro de 1998, do Centro de Suporte Terapêutico Oncológico - CSTO, uma unidade de internação hospitalar, com capacidade para 84 leitos distribuídos em 6 andares. O prinicipal objetivo do novo Centro é a ampliação do atendimento domiciliar aos pacientes e a formação e treinamento de profissionais em cuidados paliativos. Hoje, são mensalmente atendidos, em média, 240 pacientes em casa e 300 ambulatorialmente. A permanência média da internação por intercorrência, no CSTO, é de 6,3 dias.

Em 1998, o CSTO, ainda sem sua capacidade total de atendimento instalada, alcançou resultados expressivos. A média mensal de matrículas, que era de 60, em 1996, subiu para 130 em 1997 e, no exercício de 1998, atingiu 177. Neste ano, foram realizadas, em média, 178 visitas domiciliares por mês - um aumento de 11,2% em relação ao ano anterior. A equipe multidisciplinar do CSTO ampliou seu efetivo de 81 para 87 funcionários.



Indicadores do Desempenho Hospitalar em 1998
  HC HO HLGL CSTO
  1996 1997 1998 1996 1997 1998 1996 1997 1998 1996 1997 1998
TO 83,1 81,8 84,0 67,7 79,5 87,61 66,0 71,2 72,3   64,0 85,0
TMP 8,3 7,6 7,0 9,5 9,4 10,86 4,1 4,1 4,6   4,4 6,3
IG 1,7 1,8 2,0 4,5 2,5 1,62 2,2 1,7 1,8   2,5 1,1
RL 3,1 3,1 3,0 2,2 2,6 2,52 4,8 5,2 4,8   4,2 4,1
TO= taxa de ocupação em %; TMP = tempo médio de permanência em dias; IG = intervalo de giro (substituição) em dias; RL = rotatividade do leito (índice de renovação) em número de pacientes

Os indicadores de desempenho hospitalar refletem os distintos perfis das unidades hospitalares do INCA, caracterizados pelas diferenças na capacidade tecnológica de atendimento de cada unidade e pelo tipo de doentes assistidos por cada uma delas. Por outro lado, a definição do novo perfil do paciente tratável no INCA, como resultado do Programa de Gestão pela Qualidade Total (PGQT), foi particularmente impactante em alguns dos indicadores em 1998. Outro fator de influência foi a diminuição atípica da capacidade instalada no HO, devido às obras ali realizadas.

O Hospital do Câncer apresenta uma grande demanda, que se revela nas elevadas taxas de ocupação, devido ao fato de ser um centro de referência estadual e nacional em diversas especialidades oncológicas, entre elas as muito especializadas ou de pouca disponibilidade, como o é a Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Sua meta para 1999 é a estabilização da taxa média de ocupação em torno dos 85 por cento.

No entanto, a redução do tempo médio de permanência no HC correlaciona-se claramente com a implantação do PGQT, pelo qual tem sido possível melhorar as rotinas e os processos hospitalares, inclusive a metodologia de coleta de dados, que vem permitindo uma melhor apropriação dos números desse hospital. No HLGL, o PGQT foi responsável pela redefinição dos parâmetros de levantamento, ocasionando uma ligeira alta do TMP.

A baixa acentuada em 98 apresentada pelo HO no item Intervalo de Giro revela, por exemplo, a redução da capacidade instalada desse hospital causada pelas obras prediais realizadas durante dois terços do exercício de 98. A diminuição da oferta do número de leitos em quase um terço, nesse hospital, teve impacto direto sobre a sua taxa de Intervalo de Giro.

A tendência mundial da assistência médica tem sido a do aumento dos procedimentos ambulatoriais, com uma redução diretamente proporcional da necessidade de internação. Pode-se dizer que essa tendência, em parte, se expressa na taxa de ocupação do HLGL, apesar da ligeira alta empurrada pelo aumento de cirurgias realizadas no último exercício, resultado do novo perfil do paciente matriculado. No HO, a variação positiva em quase 10 pontos está diretamente relacionada com as condições anormais de funcionamento devido às reformas físicas nessa unidade anteriormente citadas.

Como já ressaltado anteriormente, os indicadores do CSTO estão sendo apresentados isoladamente pela primeira vez, mesmo que sua produção viesse sendo contabilizada em separado, sem misturar-se com a do HLGL, que vinha hospedando seus serviços até a inauguração de suas instalações, em novembro de 98.