Vol.43 n° 1




Versão Completa (Port.)


Correlação entre a expressão celular do CD44 e formas tumorais das leucemias linfoblásticas
Correlation between the cellular expression of CD44 and the forms of acute lymphoblastic leukemia

Geraldo Barroso Cavalcanti Júnior1, Wilson Savino2, Raquel Ciuvalschi Maia3, Jane de Almeida Dobbin3, Maria Kadma Carriço3, Hansa Cabral Harab4, Maria do Socorro Pombo de Oliveira5

Resumo

O CD44 é uma molécula de adesão que se expressa em linfócitos-B e T, participa na mediação de adesão destas células e dos componentes da matriz extracelular e na adesão a células endoteliais vasculares.

A proposta desde estudo foi a de investigar a expressão celular do CD44 em 108 pacientes portadores de leucemias linfoblásticas (57 leucemias linfóides agudas de linhagem B e 51 de células-T), através de uma metodologia que inclui a análise citomorfológica e imunofenotipagem, com um painel de anticorpos monoclonais detectados pelas técnicas da imunoperoxidase conjugada, e imunofluorescência com análise por citometria de fluxo. Inicialmente, investigamos a correlação do CD44 com as distintas fases de diferenciação celular destas leucemias, determinadas pela expressão antigênica. Em seguida, investigamos a correlação desta molécula com os achados clínico-patológicos, como a presença de massas tumorais, adenomegalias, infiltração de células leucêmicas no sistema nervoso central e em outros órgãos, além da presença de células blásticas no sangue periférico. Paralelamente ao estudo das leucemias, também investigamos a expressão de CD44 em linfócitos do sangue periférico oriundos de 11 indivíduos sadios. A expressão de CD44 foi positiva em 83 casos (76,8%) das leucemias linfóides agudas, sendo 46 casos (80,7%) das LLA de linhagem B, e em 37 casos (72,5%) de LLA de células-T. Nos quatro subgrupos que compõem as LLA de linhagem B, observamos a expressão desta molécula em dois casos (66,7%) das LLA do tipo null; em 34 casos (77,3%) das LLA do tipo comum e em todos os casos de LLA pré-B (cµ+ ) e LLA-B (Smlg+). Já nas LLA de células-T, a expressão do CD44 mostrou-se variável nos três subgrupos que compõem estas leucemias. No Subgrupo I (LLA pré-T), todos os nove casos (100%) foram CD44 positivos; nos 14 casos do Subgrupo II (LLA-T intermediária), quatro casos (28,6%) foram CD44 positivos e no Subgrupo III (LLA-T-medular) o CD44 foi positivo em 24 casos (85,7%).

A correlação da expressão de CD44 com o perfil clínico-patológico destas LLA, mostrou que a expressão desta molécula correlacionou-se com as leucemias que apresentavam formas tumorais da doença, traduzida pela presença de hepatomegalias, esplenomegalias, linfadenopatias e, principalmente, nos casos em que havia a presença de massas tumorais abdominais e de mediastino, assim como infiltração no sistema nervoso central, quando comparadas as leucemias com doença restrita ao sistema hematopoético.

Com estes dados, nós sugerimos que o CD44 pode ser empregado como marcador adicional na monitorização da evolução prognóstica e para avaliação dos mecanismos de evolução patológica das leucemias linfóides agudas.


Palavras-chave: anticorpo monoclonal CD44; leucemia linfóide aguda


Trabalho realizado no Laboratório de Marcadores Celulares do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional d e Câncer-INCA-RJ, para elaboração de tese de mestrado.
1 Professor Assistente do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte;
2 Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo-Cruz-FIOCRUZ-RJ;
3 Médicas Hematologistas do Instituto Nacional de Câncer-RJ;
4 Pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer;
5 Médica Pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer - RJ.

Endereço para correspondência: Laboratório de Marcadores Celulares - Centro de Transplante de Medula Óssea - Instituto Nacional do Câncer - Praça da Cruz Vermelha, 23/7º andar - 20239-130 - Rio de Janeiro - RJ.


Revista Brasileira de Cancerologia - Volume 43 n°1 Jan/Fev/Mar 1997