|
|
Editorial
Apresentação*
|
||
|
A Revista Brasileira de Cancerologia aparece para satisfazer dispositivo de lei, reflexo certamente de uma necessidade médico-social em nosso meio. O Decreto que instituiu o
Serviço Nacional de Câncer, com atribuições em todo
território brasileiro, no que diz respeito às atividades anticancerianas em
geral, determina a edição de uma revista de cancerologia.
Por motivos alheios à vontade da direção do S.N.C., só agora, com o presente número, é atendida essa determinação. A campanha Nacional contra o Câncer passa a possuir deste modo um órgão apropriado à difusão de suas atividades científicas e educacionais.
A Revista Brasileira de Cancerologia, entre seus objetivos principais, tem o de tornar conhecidos os trabalhos elaborados na S.N.C. Visa ainda interessar mais de perto a classe médica no grande problema, levando periodicamente aos clínicos e cirurgiões, o fruto da experiência do S.N.C., onde, desde alguns anos, um grupo de profissionais cultiva a especialidade e trabalha em prol do aperfeiçoamento dos meios de diagnóstico e tratamento de doença tão complexa, mas tão cheia de interesse humano e científico.
Levando em considerações no domínio da cancerologia, como principalmente difundindo noções básicas e essenciais aos práticos, no que tange ao diagnóstico precoce da doença, cumprirá a Revista Brasileira de Cancerologia tarefa de grande alcance médico-social, cooperando desse modo na Campanha Nacional Contra o Câncer.
Quando todos os clínicos se compenetrarem de que a chave do problema do câncer está no diagnóstico precoce da doença e orientarem seus doentes no sentido de uma terapêutica especializada, oportuna e adequada, a mortalidade decrescerá enormemente.
A Revista Brasileira de Cancerologia, além de contar com seu corpo de redação, composto dos médicos do Serviço Nacional de Câncer, espera ter a colaboração dos profissionais pertencentes às Instituições Anticancerosas já incorporadas à Campanha Nacional Contra o Câncer, bem como a dos sócios da Sociedade Brasileira de Cancerologia e a de todos os cientistas que de algum modo se interessam pelo importante problema.
O estudo do câncer, intrincando-se com os mais amplos e complexos processos da patologia humana, e em virtude de suas variadas localizações e seqüelas, reclama a cooperação especializada de todos os ramos da medicina, tanto dos interessados da experimentação, quanto dos devotados aos recursos terapêuticos, quer sejam cirúrgicos, radioterápicos ou medicamentosos.
Mas, não só aos médicos cabe a iniciativa de defesa do público contra tão nefasto inimigo do gênero humano. É problema de profundo alcance médico-social, exigindo a participação de todos que estiverem em condições de sentir e compreender a gravidade da ameaça que hoje traz apreensiva toda a humanidade.
Assim, as páginas da R.B.C. ficam abertas a qualquer movimento em prol da educação do público, alertação do indivíduo, estudo da doença e melhora das técnicas de tratamento.
|
|||
|
|
|
||
|
A Revista Brasileira de Cancerologia (RBC) completou, com o último número de 1997, 50 anos de existência. Desde sua criação, a RBC tem por objetivo agrupar em uma publicação de circulação nacional todo tipo de informação relacionada ao câncer tanto do Brasil quanto do exterior. Do editorial pioneiro do prof. Mário Kroeff até os dias de hoje verificamos que o câncer constitui, no nosso meio, um problema de saúde pública devido a sua morbidade e mortalidade. Apesar de todo o investimento feito nas últimas quatro décadas em recursos humanos e incorporação de tecnologia de ponta, verificamos que a incidência e mortalidade dos cânceres mais prevalentes no nosso meio têm se mantido inalteradas, quando não com ligeira elevação(1, 2). Ainda hoje a prevenção e o diagnóstico precoce constituem exceção e não a rotina dos nossos procedimentos.
A RBC, consciente de que parte do problema se deve a falta de informação tem procurado dar, a sua contribuição, divulgando o que há de mais atual não só quanto a terapêutica mas também em outras áreas tais como epidemiologia, pesquisa básica, psicologia, auxílio ao doente terminal entre outras, que compõem hoje a moderna oncologia. Este objetivo tem requerido muito esforço, paciência e determinação tendo em vista as dificuldades pelas quais nosso sistema de saúde e o nosso país tem passado.
Apesar dos obstáculos, verificamos que ao longo dos anos foi possível implementar melhorias na qualidade da RBC, que passou de uma fase experimental nas primeiras décadas, quando a cancerologia nacional engatinhava, para um rigor científico maior nos anos 70 e 80. A década de 90 tem sido o que poderíamos denominar de uma terceira fase, onde conseguimos a nossa independência financeira, através da Fundação Ary Frauzino, e uma infra-estrutura administrativa que nos permitiu dar à RBC uma face profissional e maior agilidade.
Paralelo ao lado administrativo estamos, progressivamente, aperfeiçoando a parte científica com a melhoria quantitativa e qualitativa dos artigos que nos chegam e uma maior aceitação dentro da comunidade científica nacional. Esta melhoria se deve ao que se constitui a parte mais importante da RBC, o seu Conselho Editorial. Composto com o que há de mais representativo nas várias áreas da oncologia, o Conselho Editorial da RBC é atuante, dinâmico e capaz, tendo respondido sempre as nossas inúmeras solicitações. Isto nos permitiu publicar um número maior e melhor de artigos, sermos aceitos pelos profissionais de saúde, bibliotecas de hospitais gerais e especializados além de universidades. Nos últimos anos conseguimos ampliar este universo atingindo as universidades e hospitais especializados dos países de língua espanhola e sermos aceitos pelo LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências de Saúde). Acreditamos que mais do que as áreas de penetração e sua tiragem de 3.000 exemplares por número, nosso objetivo maior será a divulgação do que há de mais atual na oncologia para os profissionais da área de saúde que estão em contato com pacientes com câncer.
Aos nossos leitores mais do que a prioridade que vem sendo mantida há meio século, temos a preocupação de enviar o que há de melhor dentro da nossa área.
Referências Bibliográficas
1. Estimativa da incidência e mortalidade por câncer no Brasil.
Coordenação de Programas de Controle de Câncer (Pro-Onco), Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde. Rio de Janeiro, 1997.
2. O Problema do câncer no Brasil - 4ª edição, revisada e atualizada. Coordenação de Programas de Controle de Câncer (Pro-Onco), Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde. Rio de Janeiro, 1997.
|
|||