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Editorial A assistência oncológica no SUS Oncology care in the Brazilian Public Health System |
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Embora o controle do câncer dependa de um conjunto de atuações
em áreas diversas, em geral é a terapêutica especializada
com o uso de tecnologia e medicamentos de alto custo que mais demanda do sistema
de saúde.
No Brasil, a ênfase se dá no tratamento especializado, atestado
pelo inexpressivo número de programas de prevenção e
de-tecção bem planejados, executados e avaliados; pelo alto
percentual de diagnósticos de tumores avançados e pela
deficiência de cuidados de reabilitação e paliativos.
As conseqüências dessa clara tendência se verificam facilmente.
Entre os tumores que mais incidem entre nós, brasileiros, encontram-se
aqueles que podem ser evitados (os cânceres do colo uterino, estômago,
pulmão e boca) e curáveis ou controláveis (os
cân-ceres do colo uterino, mama e estômago e leucemias).
A mortalidade por câncer (geral e proporcional) mantida ao longo do tempo, a
despeito da incorporação tecnológica e científica
que temos sistematicamente feito desde os anos 60, deriva, principalmente, dos
diagnósticos feitos em fases avançadas, inclusive de tumores de
fácil acesso, como os que ocorrem na boca, no colo uterino e na mama.
Sabe-se que quanto menor o estágio tumoral maior será o percentual
de cura. Porém, essa relação se inverte quando se considera
o custo que se tem para diagnosticar e tratar um caso de neoplasia maligna,
sendo isto uma realidade independente do tipo e da localização
tumoral.
Dos setores que compõem o sistema de saúde brasileiro, o SUS
é o maior deles e o único a divulgar os seus dados, razão
por que somente estes serão utilizados no presente ensaio. Sabe-se, de
antemão, que são dados de procedimentos pagos, que dificilmente
podem ser convertidos em número de casos, ou mesmo em procedimentos
especificamente relativos a casos de câncer, por exemplo.
No Brasil, em janeiro de 1998, o SUS gastou cerca de R$ 592.700.000 para prover
um pouco mais de 89.700.000 procedimentos ambulatoriais, distribuídos
majoritariamente entre entidades estaduais e municipais. Os procedimentos
quimioterápicos e radio-terápicos concentram-se, em ordem decrescente,
nas entidades privadas sem fins lucrativos (filantrópicas), privadas com
fins lucrativos e universitárias, inclusive com nítidas diferenças
percentuais entre a quimioterapia e a radioterapia. Esta última ficando
mais a cargo das filantrópicas (52,6%) e menos das universitárias
(11,5%), e a quimioterapia, mais das filantrópicas (42,1%) e menos das
privadas (18,5%).
Relativamente ao número de internações, naquele mesmo
mês, a distribuição porcentual de todas as 1.011.271 AIH
pagas pelo SUS também demonstra a concentração nessas
entidades (65,3% nas privadas com e sem fins lucrativos e 12,4%, nas
universitárias).
Para se ter uma idéia do quanto custa ao SUS a assistência
oncológica, exclusivamente terapêutica, veja-se o ano de 1997: mais
de R$ 362 milhões foram destinados aos pro-cedimentos oncológicos
do SIH-SUS e do SIA-SUS, numa estimativa mensal de mais de R$ 30 milhões.
Merece destaque com relação a estes números que o custo
médio dos procedimentos de radioterapia é 2,6 menor do que o dos
cirúrgicos e 3,4 vezes menor do que o dos quimioterápicos.
Vendo-se agora sob o prisma da oferta de serviços oncológicos
cadastrados no SUS (Quadro 1), a relação entre eles varia de
região a região, sendo maior no Nordeste e Centro-Oeste. O que
orienta essa disponibilidade? Poder-se-ia dizer que a oferta espontânea
de serviços quimioterápicos e a necessidade de investimento muito
maior para a criação de serviços hospitalares e
radioterápicos.
Evidencia-se também um fator regional nesta oferta, como ocorre em muitas
outras áreas, médicas e não médicas. Tomando-se como
base o número de casos novos estimados regionalmente para 1998, retirando-se
deles os 20% previstos como de câncer não melanótico de pele
(de baixa complexidade) e também os 20% que se estima serem atendidos
fora do SUS, produz-se o Quadro 2, que reafirma o caráter regional e
mostra a maior oferta de serviços quimioterápicos e o
déficit de radioterapia.
Como poderia ser classificada a oferta nas áreas cirúrgica, de
diagnóstico e estadiamento, de suporte, de reabilitação
e de cuidados paliativos? Ainda se buscam as bases de cálculo, que
é dificultado pela multiplicidade de procedimentos envolvidos e pela
falta de dados individuais no sistema. Mas é inquestionável que a
assistência oncológica deve ter como base a oferta de
serviços multiprofissionais, cujo fator integrador é a estrutura
hospitalar, do SIH, embora isto não signifique obrigatoriamente
hospitalização.
Se se desconhece parte da realidade do SUS e não se dispõe de
informação sobre a assistência oncológica prestada
por empresas privadas (planos, convênios, cooperativas ou seguradoras),
não se pode discutir, em bases reais, sobre as possíveis
diferenciações de oferta de serviços em hospitais do SUS,
de particulares e de planos privados.
Mas são características gerais da assistência
oncológica no SUS:
O SIA-SUS, porém, ainda:
Por sua vez, os procedimentos de internação, que contam com a
informação da AIH e mecanismos de controle e avaliação,
embora parciais:
O SIH-SUS:
Técnicos do Ministério da Saúde, inclusive do Instituto
Nacional de Câncer, em parceria com várias secretarias municipais e
estaduais de saúde, vêm há mais de quatro anos trabalhando
conjuntamente e desenvolvendo conceitos e mecanismos que permitam a criação
de parâmetros e normas necessárias à reformulação
desse sistema.
Atualmente, está-se caminhando para:
Afora de quaisquer opiniões e ilações, todos temos um
desafio a vencer: controlar realmente o câncer, que, ano após ano,
vem matando inexoravelmente os brasileiros, inclusive por tumores evitáveis
ou curáveis. E a reformulação conceitual e do sistema da
assistência oncológica também faz parte desse desafio.
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