Vol.46 n° 1


Orientações Pós Mastectomia: O Papel da Enfermagem
Post-mastectomy orientations: nursing role

Marli Villela Mamede1, Maria José Clapis2, Marislei S. Panobianco3, Raquel G. Biffi4, Luciano Villela Bueno5

Resumo

O tratamento para o câncer de mama, especialmente a cirurgia, acarreta para a mulher uma série de conseqüências de ordem física e emocional, dentre as quais destacam-se aquelas relacionadas ao desempenho de suas atividades na vida diária e de seus papéis sociais. A reabilitação da mulher submetida a uma cirurgia por câncer de mama requer, portanto, uma assistência multiprofissional, na qual é grande a importância do papel da enfermagem. Nesse processo de reabilitação, ela deverá receber informações a respeito dos cuidados após a cirurgia, orientações e informações sobre as diferentes etapas de recuperação, cuidados com o membro superior homolateral à cirurgia, exercícios que recuperem a capacidade funcional do braço e do ombro, além de informações sobre outros tratamentos, como radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia O presente trabalho tem como objetivo identificar as orientações recebidas por um grupo de mulheres mastectomizadas, quanto aos cuidados com o braço homolateral à cirurgia, no período de internação e alta hospitalar, bem como identificar os profissionais que têm assumido as orientações pós-mastectomia. Os dados foram coletados de um banco de dados informatizado. A amostra constou dos prontuários de 324 mulheres cuja idade variou de 29 a 86 anos, sendo que a maioria delas (53,07%) estava entre 41 a 60 anos, 48,45% tinham 1º grau incompleto, e 62,34% eram casadas. Verificou-se que 227 (70%) receberam orientações limitadas a apenas alguns exercícios físicos, dentre eles: com a bolinha (41,9%), elevar o braço (55,86%). As orientações foram realizadas com mais freqüência pelo médico 123 (37,96%) e pela equipe de enfermagem 104 (32,09%). Os dados chamam a atenção para que a equipe de enfermagem esteja mais atenta ao preparo da paciente para o processo de reabilitação, o qual deve ser iniciado desde a fase do diagnóstico. Assim os autores discutem alguns aspectos importantes nessa assistência, como a orientação quanto ao auto-cuidado; à realização das tarefas diárias; aos exercícios físicos e cuidados específicos com o membro superior do lado operado, prevenindo o aparecimento do linfedema, entre outros.


Palavras-chave: câncer de mama, mastectomia, reabilitação física


1Profa. Titular do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da EERP-USP;
2Profa. Dra. do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da EERP-USP;
3Doutoranda do Programa em Enfermagem Saúde Pública do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da EERP USP;
4Profa. Assistente do Departamento de Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá de Ribeirão Preto;
5Enfermeira do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- US;


Revista Brasileira de Cancerologia - Volume 46 n°1 Jan/Fev/Mar 2000