Vol.48 n° 1



Artigo completo


Mulher mastectomizada em tratamento quimioterápico: um estudo dos comportamentos na perspectiva do modelo adaptativo de Roy
A mastectomized woman submitted to chemotherapy treatment: a behavioral study according to Roy’s adaptative model perspectives

Elizabeth Mesquita Melo1, Thelma Leite de Araujo2, Taciana Cavalcante de Oliveira3 e Diva Teixeira de Almeida4

Resumo

A mulher portadora de câncer de mama vivencia conflitos psicológicos e distúrbios emocionais antes do início do tratamento. Objetivou-se conhecer os estímulos que atuam na mulher mastectomizada em tratamento quimioterápico, identificar os comportamentos desta frente aos estímulos estabelecendo os diagnósticos de enfermagem e elaborar intervenções de enfermagem com vistas a auxiliar a mulher na promoção de respostas adaptativas. O estudo de caso foi realizado com uma mulher mastectomizada, inserida no grupo de auto-ajuda à mulher mastectomizada, da Universidade Federal do Ceará, utilizando como referencial teórico o modelo de adaptação de Roy. Os dados foram coletados em quatro visitas domiciliares, por meio de um roteiro de levantamento de dados. A avaliação dos comportamentos e estímulos possibilitou a elaboração dos seguintes diagnósticos: distúrbio no padrão de sono relacionado à dor e modificações no ambiente; dor relacionada a distúrbios secundários ao câncer; nutrição alterada; integridade da pele prejudicada; ansiedade relacionada à ameaça ao autoconceito; distúrbio na imagem corporal relacionado às mudanças na aparência, secundárias à quimioterapia; e isolamento social relacionado à aparência desfigurada e ao medo de rejeição secundários ao câncer. Por meio das intervenções de enfermagem, os principais resultados foram: melhora do problema do sono e da nutrição; utilização de artifícios para melhora da imagem corporal e visitas freqüentes a amigos e familiares. A cliente evoluiu de maneira satisfatória, apresentando gradualmente comportamentos adaptativos. O processo de enfermagem de Roy proporcionou a identificação de estímulos, possibilitando o planejamento de intervenções mais específicas.


Palavras-chave: neoplasias mamárias; quimioterapia; diagnóstico de enfermagem; comportamento; adaptação psicológica; relações enfermeiro-paciente.



1 Mestra em Enfermagem Clínico-cirúrgica pela Universidade Federal do Ceará. Enfermeira do Hospital Distrital Evandro Ayres de Moura - CE. Enviar correspondência para E.M.M. Rua Bom Sucesso 437, Antônio Bezerra; 60356-310 Fortaleza, CE - Brasil. E-mail: elizmelo@mixmail.com;
2 Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará;
3 Enfermeira. Mestra em Enfermagem Clínico-cirúrgica pela Universidade Federal do Ceará;
4 Enfermeira. Mestra em Enfermagem Clínico-cirúrgica pela Universidade Federal do Ceará.


Revista Brasileira de Cancerologia - Volume 48 n°1 Jan/Fev/Mar 2002