Vol.48 n° 3



Artigo completo


O comportamento dos laringectomizados frente à imagem
corporal*

The behavior of laryngectomees in respect to their body image

Sabrina Hannickel,1 Márcia Maria Fontão Zago,2 Cláudia B dos Santos Barbeira3 e Namie Okino Sawada4

Resumo

O objetivo deste estudo foi avaliar o comportamento do laringectomizado total frente à sua imagem corporal. Os dados foram coletados entre 15 pacientes, por meio de um instrumento que focalizou a descrição das características sociais dos sujeitos e frases afirmativas, com respostas de concordância ou discordância. As frases relacionavam-se a atitudes positivas ou negativas, de acordo com a percepção do paciente da sua imagem corporal alterada. Os participantes foram na maioria do sexo masculino (87%), com média de idade de 60 anos, casados (80%), aposentados (60%) ou desempregados (27%), com média de tempo de cirurgia de 2 anos, e 60% comunicam-se pela mímica labial. O comportamento identificado dos pacientes, mostrou que eles se olham no espelho (93%), evitam tocar a área operada (73%), sentem-se mais velhos (80%), gostam da sua aparência (100%), cuidam-se melhor (73%) e são mais atentos com o corpo (87%). Os resultados mostraram que as atitudes dos pacientes são contraditórias: as atitudes negativas refletem o conflito em lidar com a nova imagem e as atitudes positivas relacionam-se com o cuidado com o corpo e com a saúde. Frente às implicações dessas atitudes para a qualidade de vida do paciente, destacamos a importância de um programa de reabilitação eficaz antes e após a cirurgia, focalizando a imagem corporal alterada entre os seus objetivos.

Palavras-chave: laringectomia; imagem corporal; reabilitação; pacientes; psicologia; auto-imagem; ajustamento social.



*Trabalho apresentado no XV Congresso Brasileiro de Cancerologia, Salvador - BA, novembro/2000. Financiado pelo CNPq - processo n. 520604/96-2.
1Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP. Bolsista de iniciação científica do CNPq.
2Enfermeira. Professora Associada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP. Enviar correspondência para M.M.F.Z. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Av. dos Bandeirantes 3900; 14090-902 Ribeirão Preto, SP - Brasil.
3Estatística. Professora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP.
4Enfermeira. Professora Doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP.
Recebido em fevereiro de 2001


Revista Brasileira de Cancerologia - Volume 48 n°3 Jul/Ago/Set 2002