Vol.49 n° 1



Artigo completo


Influência do local da anastomose (cervical ou torácica) na morbi-mortalidade das esofagectomias
Influence of site of anastomosis (cervical or thoracic) on morbidity and mortality from esophagectomies

Flávio Daniel Saavedra Tomasich,1 Gerardo Cristino Gavarrette Valladares,2 Viviane Coimbra Augusto Demarchi3 e Danilo Gagliardi4

Resumo

Objetivo: avaliar a influência do local da anastomose (cervical ou torácica) nas complicações pós-operatórias e mortalidade das esofagectomias com linfadenectomia em dois campos. Métodos: Estudo retrospectivo de 132 pacientes submetidos a esofagectomia com anastomose cervical ou intratorácica no Departamento de Cirurgia do Hospital Erasto Gaertner de janeiro/1987 a janeiro/1998. Analisaram-se variáveis relativas ao paciente (sexo, idade, estado geral, perda ponderal, co-morbidades, tabagismo, risco pulmonar), ao tumor (tipo histológico, localização, estádio clínico) e ao procedimento cirúrgico (tipo da anastomose, tempo cirúrgico, tempo de hospitalização), relacionando-as com as complicações e mortalidade pós-operatórias. Resultados: Noventa e quatro pacientes (71,2%) eram do sexo masculino. O tipo histológico predominante foi o carcinoma espino-celular (CEC) em 94,7% dos casos. As principais co-morbidades anotadas foram doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) (29,55%) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) (15,15%), e 88 pacientes (66,6%) eram tabagistas. A principal localização do tumor foi o segmento torácico inferior (56,06%). Seis pacientes (4,54%) eram de estágio clínico (EC) I, 44 (33,33%) IIA, 24 (18,18%) IIB, 38 (28,80%) III e 17 (12,90%) IV. A anastomose intratorácica foi realizada em 105 pacientes (79,55%) e cervical em 27 (20,45%). A taxa de complicações foi de 39,3% e a letalidade hospitalar 13,70%. Procedeu-se anastomose mecânica em 65,09% dos casos e manual em 39,91%. Ocorreram seis casos (23,1%) de fístula cervical e três (2,9%) de intratorácica (p = 0,002). A mortalidade específica foi de 33,3% nos dois subgrupos. Conclusão: Este estudo mostrou uma maior ocorrência de fístulas nas anastomoses cervicais. A mortalidade pós-operatória foi semelhante nas duas técnicas, contrariando a tendência da literatura de conferir às fístulas cervicais uma menor letalidade.


Palavras-chave: neoplasias esofágicas; esofagectomia; anastomose cirúrgica; complicações pós-operatórias; mortalidade; fístula.

1Cirurgião Oncológico do Serviço de Cirurgia Abdominal do Hospital Erasto Gaertner. Enviar correspondência para F.D.S.T. Departamento de Cirurgia do Hospital Erasto Gaertner (HEG) da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, Rua Dr Ovande do Amaral 201, Jardim das Américas; 81520-060 Curitiba, PA - Brasil.
2Chefe do Serviço de Tórax do Hospital Erasto Gaertner, Curitiba, PA - Brasil.
3Cirurgiã Oncológica do Hospital Erasto Gaertner, Curitiba, PA - Brasil.
4Chefe do Serviço de Esôfago do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil.


Revista Brasileira de Cancerologia - Volume 49 n°1 Jan/Fev/Mar 2003