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28/04/2006 - Tratamento de pacientes infantis com tumores oftalmológicos ganha reforço
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Aysha tem apenas dois anos de idade, mas já enfrenta um problema complicado. Ela tem retinoblastoma, o tumor intra-ocular mais freqüente em crianças. A mãe procurou atendimento médico quando a menina tinha cinco meses, mas o diagnóstico demorou a ser feito. Agora, ela dificilmente recuperará a visão em um dos olhos. Para evitar desfechos como este, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) inaugurou nesta sexta-feira, 28/4, seu Consultório Oftalmológico Infantil, primeiro do estado do Rio de Janeiro a tratar exclusivamente de câncer. Com ele, os pacientes infantis do INCA poderão contar com os equipamentos mais modernos para o tratamento dos tumores oftalmológicos. Além da inauguração, o INCA realizou, no mesmo dia, a I Jornada de Retinoblastoma, que discutiu formas de diagnóstico precoce e tratamento da doença.

O consultório foi viabilizado com recursos provenientes de doações que somam aproximadamente R$ 350 mil. Antes, o INCA precisava realizar o tratamento de seus pacientes com tumores oftalmológicos em parceria com o Hospital dos Servidores. Com a doação do Instituto Ronald McDonald, das empresas El Paso e BM&F, além do jogador Ronaldo Nazário, foi possível equipar o Instituto com a mais moderna tecnologia na área da oftalmologia. “Este é um exemplo de como o esforço conjunto da sociedade pode tornar possível enfrentar o câncer”, destaca Luiz Antonio Santini, diretor geral do INCA.

Os equipamentos vão desde um ultra-som de última geração específico para os olhos até lasers de termoterapia transpupilar e de fotocoagulação da retina. “Também ofereceremos a possibilidade da crioterapia. Com uma caneta em que circula CO2 líquido a menos de 80º C, conseguimos congelar o tumor” explica Evandro Lucena, oftalmologista oncológico responsável pelo consultório.

O tratamento do retinoblastoma evoluiu muito com o passar dos anos. Hoje, quando a doença é detectada no início, pode-se curar o paciente preservando seu olho e sua visão. “Oncologistas e oftalmologistas estão se integrando na busca da qualidade de vida dos pacientes”, comenta Sima Ferman, chefe da Seção de Oncologia Pediátrica do INCA. Por isso, uma das metas, com a inauguração do serviço, é a formação de profissionais especializados em tumores oftalmológicos. Para o diretor geral do INCA, é apenas o primeiro passo: “vamos poder gerar mais pesquisas nesta área, e promover a capacitação dos pediatras para diagnosticar precocemente a doença”, ressalta.

Como 40% dos casos de retinoblastoma estão relacionados a fatores hereditários, no consultório ainda será realizado um trabalho de aconselhamento genético. Todos os irmãos de pacientes que apresentaram o tumor serão permanentemente acompanhados para que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível. Além disso, a Coordenação de Pesquisa do INCA ainda desenvolve um estudo de seqüenciamento genético do retinoblastoma.

Nos Estados Unidos, 95% dos casos de retinoblastoma em crianças são descobertos em estágios iniciais. É preciso que os pais e os profissionais de saúde brasileiros estejam atentos aos primeiros sinais da doença. A realização da I Jornada de Retinoblastoma na mesma data em que é inaugurado o consultório significa que a tecnologia está intimamente vinculada à capacitação para o diagnóstico precoce. Mais de 200 profissionais de todo o país assistiram ao evento, que discutiu além do diagnóstico, questões relacionadas ao tratamento e ao aconselhamento genético.

De acordo com Evandro Lucena, o sinal mais freqüente do retinoblastoma é a leucocoria, uma mancha branca na pupila. Com o avanço da doença, o paciente também apresenta baixa da visão, estrabismo, que é o desvio do olhar, e uma leve proptose, como se o olho estivesse saltando para fora da cavidade ocular. Nos primeiros sinais os pais já devem encaminhar seus filhos para um pediatra que precisa estar sensibilizado para realizar a detecção precoce.

“O primeiro diagnóstico da minha filha foi catarata. Só depois é que a doença foi descoberta”, conta Cíntia Souza, mãe de Aysha. “Felizmente, aqui no INCA, existem todos os recursos para tratá-la. Estou feliz porque os médicos já disseram que ela vai conservar a visão em um dos olhos”, comemora.

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