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17/11/2009 - Força-tarefa dos Estados Unidos recomenda mamografias a partir dos 50 anos

Numa revisão científica, um grupo independente de especialistas dos Estados Unidos recomenda que as mulheres façam mamografias periodicamente a partir dos 50 anos e não a partir dos 40. As novas recomendações foram anunciadas nesta segunda-feira (16/11) pela Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos. No Brasil, o Consenso de Mama, publicado em 2004, recomenda o exame clínico anual das mamas (por um médico) e a realização de mamografia em mulheres entre 50 e 69, com intervalo de até dois anos. O rastreamento populacional  é uma estratégia de monitoramento de mulheres saudáveis, que tem como objetivo reduzir a taxa de mortalidade.

"Desde 2003, quando participei com outros especialistas brasileiros do Consenso de Câncer de Mama, ficou definido que, como estratégia de prevenção, a mamografia seja feita por mulheres entre 50 e 69 anos, com intervalo de até dois anos entre os exames. Para mulheres com risco elevado, a idade recomendada para iniciar as mamografias é aos 35 anos", lembrou César Lasmar, diretor do Hospital do Câncer III, unidade do INCA especializada no atendimento do câncer de mama. 

As novas recomendações dos EUA têm como objetivo reduzir a quantidade de sobretratamento (quando mulheres passam por biópsias, cirurgias, radioterapia e quimioterapia sem necessidade, e sofrem com os efeitos colaterais). O relatório também diz que as mulheres entre 50 e 74 anos devem fazer mamografias menos frequentemente – a cada dois anos, em vez de anualmente, como era recomendado no país; e que os médicos devem parar de indicar o autoexame da mama às suas pacientes.

Há sete anos, o mesmo grupo havia recomendado que as mulheres fizessem mamografias a cada um ou dois anos, a partir dos 40 anos. O grupo encontrou poucas evidências para recomendar o autoexame de mamas. A Força-Tarefa é um grupo independente de especialistas em prevenção e cuidados primários nomeado pelo Departamento Federal de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Apenas os Estados Unidos (1995) e a Islândia (1987) recomendavam o exame a partir dos 40 anos como parte do programa de rastreamento. Canadá, Reino Unido, Noruega, Austrália, Nova Zelândia e Israel, entre outros, recomendam a mamografia a partir de 50 anos.

Diana Petitti, vice-presidente da Força-Tarefa, disse que as orientações são baseadas em novos dados e análises e têm por objetivo reduzir os riscos potenciais do excesso de rastreamento. Uma mamografia pode desencadear outros testes desnecessários, como biópsias, e detectar tumores que crescem tão lentamente que nunca trariam efeitos sobre a saúde da mulher, resultando em tratamento desnecessário.

Por fim, o relatório diz que o modesto benefício das mamografias – redução de 15% do número de mortes por câncer de mama — precisa ser pesado em relação aos prejuízos. A força-tarefa concluiu que uma morte por câncer é evitada a cada 1.904 mulheres com idades entre 40 e 49 anos rastreadas por 10 anos, comparado com uma morte a cada 1.339 mulheres entre 50 e 74 anos, e uma morte a cada 377 mulheres rastreadas entre 60 e 69 anos.

As recomendações não são direcionadas a mulheres que pertençam a grupos de risco (ter uma ou mais parentes com câncer de mama, exposição repetida à radiação, ser portadora de mutação genética específica, entre outros fatores).

O Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos informou que está reavaliando suas orientações face ao relatório da Força-Tarefa.

(com informações do New York Times)


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