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24/11/2009 - Brasil terá quase meio milhão de novos casos de câncer em 2010

O país terá 489.270 novos casos de câncer em 2010: quase 500 mil. Os cânceres mais comuns em todas as regiões do Brasil serão o de pele não melanoma, próstata e mama feminina. As informações fazem parte da Estimativa 2010: Incidência de Câncer no Brasil, produzida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) uma vez a cada dois anos. A Estimativa é a principal ferramenta de planejamento e gestão da saúde pública na área oncológica. Fornece as informações necessárias para a elaboração das políticas públicas de saúde voltadas para o atendimento da população. A Estimativa do ano de 2010 valerá também para o ano de 2011.

As localizações de câncer que são apresentadas na Estimativa foram selecionadas pela magnitude da mortalidade ou da incidência, assim como aspectos ligados ao custo e a efetividade de programas de prevenção preconizados pelo INCA. A Estimativa revela a incidência (casos novos) dos cânceres mais frequentes entre os brasileiros: próstata, mama feminina, colo de útero, traquéia, brônquio e pulmão, estômago, cólon e reto, cavidade oral, esôfago, leucemias e pele melanoma por região, por estado e por capital.

A Estimativa traz ainda o número de casos novos de câncer de pele do tipo não melanoma, que costuma ser separado dos outros tipos de câncer, por ser uma neoplasia de excelente prognóstico e implicar baixíssimo risco de morte. Os casos de câncer de pele não melanoma são os mais incidentes e somam aproximadamente 114 mil casos novos, o que corresponde a 23% do total de casos de câncer estimados para o ano de 2010.

A metodologia para o cálculo da estimativa tem como base o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP). Para a Estimativa, a informação sobre a incidência de câncer foi proveniente de 20 cidades do país.

De acordo com o documento, ocorrerão mais casos de câncer entre mulheres do que em homens - 52% dos casos novos (253 mil) serão registrados em mulheres e 48% (236 mil) em homens.

Sem considerar o câncer de pele não melanoma, nos homens, o câncer de próstata será o tumor mais comum de Norte a Sul do Brasil. O segundo tipo mais frequente de câncer será o de pulmão, seguido de cólon e reto, estômago, cavidade oral, esôfago, leucemias e pele melanoma. Entre as mulheres, os cânceres mais incidentes em todo o Brasil serão: mama, colo de útero, cólon e reto, pulmão, estômago, leucemias, cavidade oral, pele melanoma e esôfago.

Apesar de os estudos mostrarem que os homens adoecem e morrem mais do que as mulheres, na Estimativa 2010 o número de casos novos de câncer é ligeiramente maior em mulheres do que em homens em função da população feminina ser mais numerosa do que a população masculina, especialmente nas faixas etárias mais avançadas.

Estimativa do Número de casos novos, segundo sexo, Brasil 2010

Homens: 182.830 Mulheres: 192.590

Próstata 52.350

Mama Feminina 49.240

Traquéia, Brônquios e Pulmão 17.800

Colo do Útero 18.430

Estômago 13.820

Cólon e Reto 14.800

Cólon e reto 13.310

Traquéia, Brônquio e Pulmão 9.830

Cavidade Oral 10.330

Estômago 7.680

Esôfago 7.890

Leucemias 4.340

Leucamias 5.240

Cavidade Oral 3.790

Pele melanoma 2.960

Pele Melanoma 2.970

Outras localizações 59.130

Esôfago 2.740

Todas as neoplasias sem pele* 182.830

Outras localizações 78.770

Todas as neoplasias 236.240

Todas as neoplasias sem pele* 192.590

Todas as neoplasias 253.030

*Todas as neoplasias exceto pele não melanoma
Fonte: Estimativa 2010: incidência de câncer no Brasil
MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação

Diferenças regionais
O câncer de próstata é o mais comum entre os homens de todas as regiões do país. Com exceção desse câncer e o dos casos de pele não melanoma, todas as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, apresentam perfil distinto em relação ao número de novos casos de câncer entre a população masculina. Por exemplo, o segundo câncer mais incidente, nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul é o de pulmão. Já nas regiões Norte e Nordeste, é o de estômago. O câncer de cólon e reto é mais comum no Sul e Sudeste do que em outras regiões.

Entre as mulheres brasileiras, o câncer mais comum é o de mama, mas na região Norte, o câncer mais incidente é o de colo do útero. Nas regiões Sul e Sudeste o câncer de cólon e reto é o segundo mais frequente. Mas nas demais regiões do país (Centro-Oeste e Nordeste), o câncer de colo do útero será o segundo maior responsável por novos casos de câncer em 2010.

Os estados onde as mulheres apresentam um maior risco de desenvolver câncer de mama são Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo (88, 82 e 68 para cada 100 mil mulheres, respectivamente). Já as mulheres do Amazonas e do Tocantins são as mais vulneráveis ao câncer de colo de útero (32 e 28 para cada 100 mil mulheres, respectivamente). O câncer de pulmão será mais incidente entre as mulheres do Rio Grande do Sul (21 para cada 100 mil mulheres) e o câncer de estômago será mais comum entre as mulheres do Ceará (10 para cada 100 mil mulheres).

A população masculina do Rio Grande do Sul será a que apresentará mais casos de câncer de próstata (80 para cada 100 mil homens) e de pulmão (48 casos para cada 100 mil homens). Mas o câncer de estômago será mais incidente entre os homens do Ceará (17 para cada 100 mil homens).

Fatores de risco e prevenção
O envelhecimento populacional é a principal causa de câncer em todo o mundo. A esperança de vida da população brasileira, que era de 62 anos em 1980, será de 76 anos, no ano de 2020. Quanto mais a população envelhecer, maior a probabilidade de desenvolver câncer. Além do envelhecimento, tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e ingestão de comidas gordurosas são considerados fatores de risco associados, assim como a exposição ao sol sem proteção.

Sem contar com os tumores de pele não melanoma, o controle do tabagismo poderia evitar cerca de 30% dos novos casos de câncer previstos para o Brasil para o ano de 2010, representando 113 mil casos novos de um total de 375.420. Já uma alimentação rica em frutas, verduras e fibras e pobre em gorduras, pode proteger 35% dos cânceres. Em relação aos novos casos previstos na Estimativa 2010, isso representaria 131 mil casos em relação ao mesmo valor total, excluindo pele não melanoma. Uma vez que os fatores de risco de câncer não se dão de forma isolada, estes percentuais não são cumulativos, ou seja, não se somam.

Em relação aos 113.850 novos casos de câncer de pele não melanoma previstos para 2010, 10% poderiam ser prevenidos com a adoção de medidas de proteção à radiação solar, evitando o aparecimento de 49 mil casos.

Em relação aos cânceres mais incidentes entre as mulheres – mama e colo de útero – alguns hábitos estão associados à prevenção. A amamentação, a prática de atividade física e alimentação saudável, além da manutenção do peso corporal estão associadas a um menor risco de desenvolver câncer de mama. A primeira gravidez após os 30 anos, o uso de anticoncepcionais orais, menopausa tardia e reposição hormonal são fatores de risco associados ao câncer de mama.

Já a incidência do câncer do colo de útero é cerca de duas vezes maior em países em desenvolvimento do que em países desenvolvidos. Este é um tumor passível de ser evitado, prevenido e detectado precocemente por meio do exame de Papanicolaou, conhecido como “preventivo”.

Detecção precoce
A detecção precoce é a chave para descobrir tumores iniciais e, dessa forma, aumentar as chances de sucesso do tratamento. O Ministério da Saúde injetou R$ 94 milhões, além do orçamento regular, para
aumentar a oferta de mamografias e de exames de Papanicolaou no Sistema Único de Saúde (SUS).

No caso do câncer de mama, o INCA recomenda exame clínico das mamas anualmente a partir dos 40 anos e mamografia bienal dos 50 aos 69 anos. A partir dos 40 anos, caso o exame clínico esteja alterado, é preciso realizar mamografia. O SUS realizou em 2008 2,6 milhões de mamografias, um incremento de 100% em relação ao ano de 2000. A meta é alcançar, em 2011, o número de 4,4 milhões de exames.

Mulheres de 25 a 59 anos devem fazer o exame Papanicolaou periodicamente.

Se o resultado for normal em dois exames anuais seguidos, o preventivo deve ser repetido a cada três anos. 79% das brasileiras acima dos 25 anos já realizaram pelo menos uma vez o exame preventivo. Mas a meta do Ministério da Saúde é que 80% das brasileiras, entre 25 e 59 anos, tenham realizado um exame nos últimos três anos até 2011.

O desafio que o Brasil precisa vencer é a desigualdade regional: as mulheres da região norte, onde a incidência da doença é maior, têm menos acesso aos serviços médicos do que as das outras regiões. No Brasil, há 1.101 laboratórios distribuídos entre 577 municípios do país. São realizados 12 milhões de preventivos por ano.

Já os homens a partir dos 50 anos devem procurar um posto de saúde ou um médico para realizar exames de rotina. Se o homem, apesar de não ter sintoma de tumor na próstata (dificuldade de urinar, frequência urinária alterada ou diminuição da força do jato da urina, entre outros) tiver histórico familiar da doença, precisa relatar isso ao médico para fazer os exames necessários.

Comparação
Estimativas baseiam-se em informações que se modificam ao longo do tempo e, portanto não podem ser comparadas como série histórica, porque refletem um contexto complexo: o aumento do acesso aos serviços de saúde, a melhoria da qualidade dos serviços médicos, a incorporação tecnológica e o amadurecimento dos sistemas de informação que servem de base para sua elaboração - Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e os Registros de Câncer de Base Populacional, provenientes de vinte cidades brasileiras.

Em relação ao Sistema de Informação sobre Mortalidade, o SIM, por exemplo, até 1990, as mortes por causas mal definidas representavam 40% do total das mortes não violentas de todo o país. Em 2004, este percentual caiu para valores que variam de 10% a 25% nas diferentes regiões. É provável que muitos desses óbitos por causas desconhecidas tenham migrado para câncer. Isso quer dizer que o registro melhorou em decorrência do aprimoramento do processo de diagnóstico e não necessariamente em razão do aumento da doença. Pacientes que, até 1990 morriam de causas indefinidas, hoje podem constar nas estatísticas como vítimas de câncer de mama ou de próstata, por exemplo.


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