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28/01/2004 - O uso de desodorantes antitranspirantes e o desenvolvimento de câncer de mama

Com relação a associação entre o uso de desodorantes antiperspirantes, que possuem em sua formulação compostos conhecidos como parabenos (derivados do ácido para- hidrobenzóico), e o desenvolvimento de câncer de mama, o Instituto Nacional de Câncer informa que:

Desde 1999, vêm circulando na Internet e na mídia, de um modo geral, suspeitas de que o uso contínuo de desodorantes com antiperspirantes podem aumentar o risco para o desenvolvimento de câncer de mama. Até que em janeiro de 2004 foi publicado na revista Journal of Applied Toxicology um artigo assinado por pesquisadores da University of Reading (UK), demonstrando a presença de altas concentrações de parabenos em tecidos retirados de tumores mamários de mulheres que usavam este tipo de desodorante.

No entanto, no Editorial da mesma revista, há um outro artigo de pesquisadores do Departamento de Toxicologia do Laboratório Covance (UK), questionando o estudo, pois o número de amostras de tecido coletado de tumores mamários teria sido pequeno (n=20). Questionou-se também a toxicidade desses compostos e a limitação de dados sobre exposição humana disponíveis na literatura.

Tendo como referência o parecer da American Cancer Society (ACS-EUA) sobre este assunto, é possível que alguns antiperspirantes possam irritar a pele e que não é raro o desenvolvimento de uma infecção chamada hidradenite supurativa, que se inicia na glândula sudorípara na axila ou região inguinal. Esta infecção pode levar a bacteremia (bactérias na corrente sanguínea) e choque se não tratado adequadamente. A depilação com lâmina pode agravar uma infecção axilar.

Ressaltamos que há inúmeros estudos epidemiológicos que descrevem os fatores de risco associados ao desenvolvimento de câncer de mama e, este estudo parece ser o primeiro que estabelece que o uso de antiperspirante aumenta o risco para câncer de mama. Portanto, devemos considerar que ainda não há estudos suficientes nem conclusivos que comprovem a associação positiva entre a exposição a parabenos e a presença de danos no DNA que poderiam levar ao câncer. Estes produtos são rigorosamente testados antes de comercializados e são utilizados pela indústria cosmética, farmacêutica e de alimentos já há bastante tempo.

Lembramos que os principais fatores de risco para câncer de mama são: história familiar, obesidade, alimentação inadequada, tabagismo e faixa etária elevada. A ação mais efetiva que as mulheres podem adotar para se protegerem é submeterem-se anualmente ao exame clínico, fazer mamografia a partir dos 50 anos e realizar o auto-exame das mamas mensalmente. Embora não previna do câncer de mama, a adoção dessas práticas certamente aumentará as chances de detectá-lo precocemente, quando é mais facilmente tratado.

 


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