Com relação a associação entre o uso de desodorantes
antiperspirantes, que possuem em sua formulação compostos
conhecidos como parabenos (derivados do ácido para- hidrobenzóico), e o
desenvolvimento de câncer de mama, o Instituto Nacional de Câncer informa
que:
Desde 1999, vêm
circulando na Internet e na mídia, de um modo geral, suspeitas de que o
uso contínuo de desodorantes com antiperspirantes podem aumentar o risco para o
desenvolvimento de câncer de mama. Até que em janeiro de 2004 foi publicado na
revista Journal of Applied Toxicology um artigo assinado por pesquisadores da
University of Reading (UK), demonstrando a presença de altas concentrações de
parabenos em tecidos retirados de tumores mamários de mulheres que usavam este
tipo de desodorante.
No entanto, no Editorial da mesma revista,
há um outro artigo de pesquisadores do Departamento de Toxicologia
do Laboratório Covance (UK), questionando o estudo, pois o número de amostras de
tecido coletado de tumores mamários teria sido pequeno (n=20). Questionou-se também a
toxicidade desses compostos e a limitação de dados sobre exposição humana
disponíveis na literatura.
Tendo
como referência o parecer da American Cancer Society (ACS-EUA) sobre
este assunto, é possível que alguns antiperspirantes possam irritar a pele e
que não é raro o desenvolvimento de uma infecção chamada hidradenite supurativa,
que se inicia na glândula sudorípara na axila ou região inguinal. Esta infecção
pode levar a bacteremia (bactérias na corrente sanguínea) e choque se não
tratado adequadamente. A depilação com lâmina pode agravar uma infecção axilar.
Ressaltamos que há
inúmeros estudos epidemiológicos que descrevem os fatores de risco associados ao
desenvolvimento de câncer de mama e, este estudo parece ser o primeiro que
estabelece que o uso de antiperspirante aumenta o risco para câncer de mama.
Portanto, devemos considerar que ainda não há estudos suficientes nem
conclusivos que comprovem a associação positiva entre a exposição a parabenos e
a presença de danos no DNA que poderiam levar ao câncer. Estes produtos são
rigorosamente testados antes de comercializados e são utilizados pela indústria
cosmética, farmacêutica e de alimentos já há bastante
tempo.
Lembramos que os
principais fatores de risco para câncer de mama são: história familiar,
obesidade, alimentação inadequada, tabagismo e faixa etária elevada. A ação mais
efetiva que as mulheres podem adotar para se protegerem é submeterem-se
anualmente ao exame clínico, fazer mamografia a partir dos 50 anos e realizar o
auto-exame das mamas mensalmente. Embora não previna do câncer de mama, a adoção
dessas práticas certamente aumentará as chances de detectá-lo precocemente,
quando é mais facilmente tratado.