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27/11/2007 - Tratamento do câncer fica mais caro no Brasil e no mundo

Custos do SUS aumentaram mais de 400% nos últimos anos

Os especialistas em câncer chegaram a uma conta simples: o aumento e o envelhecimento da população ampliarão os casos de câncer nos próximos anos, doença cujo tratamento se tornará cada vez mais dispendioso diante da chegada de novas terapias. Nenhum país fugirá dessa tendência, seja rico ou pobre. Até os Estados Unidos já calcularam: o número de novos casos de câncer naquele país deve pular de 1.3 milhão em 2005 para 1.8 milhão em 2020, trazendo consigo custos que certamente abalarão as finanças dos serviços de saúde. O que dizer, então, dos países em desenvolvimento? Será possível pagar a conta do tratamento de câncer de tanta gente nos próximos anos?

Estudo que será apresentado no 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer (ICCC 2007/INCA), agora em novembro no Rio de Janeiro, indica como essa situação afeta o Brasil. Segundo o trabalho, os custos dos tratamentos à base de quimioterapias realizadas pelo SUS aumentaram 450% nos últimos anos, pulando R$ 18 milhões para R$ 82 milhões, como resultado do envelhecimento da população brasileira e da chegada de novas drogas e tratamentos. Com isso, houve crescimento de ações judiciais movidas por pacientes que exigem dos governos o custeio do tratamento do câncer. A impossibilidade técnica dos tribunais julgarem a eficácia dos tratamentos exigidos, sejam eles convencionais ou novos, tem garantido o ganho de causa para a maioria das ações. A pesquisa avaliou os impactos dos custos para o sistema público de saúde com a compra de drogas prescritas a partir das decisões judiciais.

O objetivo central do 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer é reforçar a ótica mundial do câncer como problema de saúde pública e fomentar a criação de políticas globais que ampliem a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, racionalizem os gastos públicos, reduzam a incidência de novos casos e melhorarem a qualidade de vida de milhões de pacientes.

Programação científica vai abordar relação câncer e impacto econômico

"NOVAS ABORDAGENS E TECNOLOGIAS" - ADEQUANDO ESFORÇOS RENOVADOS ÀS REALIDADES CULTURAL E FINANCEIRA

Aborda a adequação dos esforços renovados no controle do câncer às diferentes realidades financeira e cultural, a partir das seguintes questões: (a) Que novas abordagens e/ou tecnologias atendem ao "investimento" através da estratégia de controle do câncer voltada para a população; (b) Como economias distintas podem adaptar suas tecnologias à incidência da doença na população, com custo-efetividade, avaliação tecnológica etc.

Painéis:

  • Avaliação de novas tecnologias e terapêuticas: o papel fundamental de teses clínicos financiados publicamente – Dr. Edward Trimble (EUA)

  • Recentes avanços na prevenção do câncer cervical: implicações de contextos de baixos e altos recursos – Dr. Rolando Herrero (Costa Rica)
  • PACT: usando radioterapia como âncora para construir programas de controle de câncer auto-sustentáveis em países de baixa e média renda – Dr. Massoud Samiei (Austria)

"CONTROLE DO CÂNCER E RESULTADOS" – USO DE INDICADORES EM SISTEMAS DE SAÚDE PÚBLICOS E PRIVADOS -

Trata das seguintes questões: (a) Qual o valor dos indicadores de saúde em câncer no monitoramento das tendências apontadas pelos sistemas de informação em saúde (b) Como os resultados podem ser usados para comparar as atividades de prevenção, diagnóstico precoce, reabilitação e cuidados paliativos em diferentes sistemas de saúde (c) Como resultados explicam diferenças na taxa de sobrevivência da população acometida por câncer.

Painéis:

  • A primeira comparação global da sobrevivência de pacientes de câncer: o estudo CONCORD - Dr. Michel Coleman (Reino Unido)
  • Desdobramentos do controle do câncer e qualidade das informações sobre incidência do câncer na América Latina - Dr. Peter Boyle (França)
  • Mérito dos indicadores do câncer no monitoramento de tendências no Brasil - Dr. Claudio Noronha (Brasil)

"O VALOR DA PROPOSTA" EM INVESTIR NO CONTROLE DO CÂNCER VOLTADO À POPULAÇÃO

Trata das seguintes questões: (a) Como expressar a "proposta de valor" para investimento nos planos de controle do câncer voltados para a população (b) Qual a base para a tomada de decisões para determinar quais propostas de valor são importantes e a quem elas estão relacionadas para otimizar o controle do câncer (c) Qual a base racional para alocar decisões que otimizem os resultados do controle do câncer/saúde.

Painéis:

  • O programa do INCA para cuidado de suporte para pacientes terminais de câncer - Dr. Luiz Antonio Santini, presidente do Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  • Construindo um serviço nacional de câncer economicamente viável - Prof. Michael Richards (Reino Unido)
  • Usando informação economicamente viável no planejamento de serviços de câncer - Dr. Stuart Peacock (Canadá)
  • Usos apropriados de recursos na vigilância sobre câncer de mama - Dra. Marilana Lima (Brasil)

"O CUSTOS DE TRATAMENTO PARA CÂNCER"

Estudo baseado em dados de usuários de um plano de saúde privado estimou que, entre 2008 e 2010, o tratamento do câncer em estágios avançados será quase oito vezes mais caro do que se esses mesmos pacientes tivessem detectado a doença na fase inicial. Para o mesmo período, as projeções indicam que os custos de tratamento serão sete vezes maiores do que as despesas com ações de prevenção. Por conta disso, algumas operadoras de saúde começaram a adotar programas de educação para a saúde e para detecção nos estágios iniciais de alguns tipos de câncer.


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