Dia Mundial do Câncer - 2018

Fake news, saúde e câncer


Última modificação: 06/12/2018 | 15h21

A campanha do Dia Mundial do Câncer aprofundará e ampliará o tema sobre estigma social do câncer, de abordagem já iniciada no Dia Nacional de Combate ao Câncer de 2017. As equipes de áreas técnicas e da comunicação social do INCA optaram por enfatizar o tema já que se trata de um assunto ainda pouco discutido no contexto nacional, que afeta inúmeros pacientes e seus familiares e amigos, fazendo parte de nosso cotidiano e das dificuldades do enfrentamento da doença.

Sobre como as equipes do INCA chegaram ao tema para a campanha 2018, podemos apresentar um breve histórico do contexto:

Em 2007, o INCA realizou pesquisa de opinião pública, Concepção dos Brasileiros sobre o Câncer, com o objetivo de levantar o grau de conhecimento da população brasileira sobre o câncer, as formas de prevenção, controle e tratamento da doença. De acordo com dados da pesquisa, grande parte da população de sete capitais brasileiras não considerava que alimentação inadequada, falta de atividades físicas e relações sexuais sem uso de preservativos podem causar câncer. Ao mesmo tempo, a população reconhece que o fumo, o consumo de bebidas alcoólicas e o excesso de exposição ao sol estão associados ao câncer.

A pesquisa verificou a concepção dos brasileiros sobre hábitos saudáveis, prevenção e tratamento do câncer. O objetivo do trabalho foi orientar as ações de comunicação em saúde do governo. Os dados mostram que a população está bem informada sobre fatores de risco para o câncer como o fumo. Em Florianópolis, Porto Alegre, João Pessoa e Goiânia, 100% dos entrevistados consideram que o fumo pode causar câncer. Esse índice é de 98,5% no Rio de Janeiro, 97% em São Paulo e 96,2% em Belo Horizonte. Noventa por cento dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao tabagismo.

A população também reconhece os malefícios do consumo de bebidas alcoólicas. Na cidade do Rio de Janeiro, 90,9% associam o consumo ao câncer. Porto Alegre é a cidade onde esse reconhecimento é menor: 66,7% dos entrevistados acreditam que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas possa causar câncer, contra 33,3%. Também é alto o grau de informação sobre a relação entre câncer e a exposição excessiva ao sol. Em Porto Alegre e João Pessoa o índice chega a 100%. A menor associação foi em Goiânia, onde 90% dos entrevistados consideram que o excesso de sol pode causar câncer, contra 10% que não acreditam.  O câncer de pele é o tipo mais incidente no mundo. O INCA estimou, para 2017, 175.760 novos casos de câncer de pele não-melanoma, sendo 80.850 homens e 94.910 mulheres.

Para outros fatores de risco, como alimentação inadequada, falta de atividades físicas e relações sexuais sem uso de preservativos, a associação com o câncer é menor. Na cidade de São Paulo, 32,2% dos entrevistados não consideram que a alimentação inadequada possa causar câncer. Em relação à falta de atividade física, Goiânia foi a cidade que apresentou dados mais expressivos: 60% das pessoas ouvidas não acreditam que a falta de atividade física possa vir a causar câncer.

Apesar do câncer do colo do útero estar relacionado à infecção pelo vírus HPV, que é transmitido pela relação sexual, 53,8% dos entrevistados em Belo Horizonte não consideram que deixar de usar preservativo possa causar câncer. O câncer do colo do útero é o segundo mais incidente entre as mulheres brasileiras, com mais de 19.000 casos novos por ano.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos um terço dos casos de câncer poderiam ser evitados com atitudes como deixar de fumar, realizar atividades físicas, alimentar-se de forma adequada e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

 

O ESTIGMA DA DOENÇA

A mesma pesquisa confirmou que o estigma da doença permanece. Ao responder à pergunta “Quando você pensa em câncer, qual é a palavra que vem a sua cabeça?”, a maioria dos entrevistados usou termos que remetem à morte e a emoções negativas como tristeza, dor, medo e maldição.

Em Goiânia, 50% das respostas definiam o câncer como morte e doença sem cura, percentual que chegou a 43% na cidade de São Paulo. Em Porto Alegre, 53,3% dos entrevistados citaram emoções negativas, como sofrimento, perda e desespero. No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, também foi alto o percentual de entrevistados que citou palavras como pavor, amargura e desgraça – 48,5% e 48,2%, respectivamente.

 

A CAMPANHA PARA O DIA MUNDIAL DO CÂNCER EM 2018

Baseando-se nas informações obtidas nessa pesquisa, bem como, na observação das diversas mensagens que circulam nas redes sociais, identificamos um aumento no número na propagação de informações incorretas sobre o câncer, o que prejudica a prevenção da doença e o seu tratamento.

A disseminação de informações e a comunicação com diferentes públicos (incluindo a população em geral e leiga) é uma das principais metas das equipes de Comunicação Social do INCA.

A intenção da campanha do Dia Mundial do Câncer 2018 é realizar uma segunda fase de abordagem do estigma social, acrescentando e enfatizando o problema da desinformação generalizada que contribui, não só para o estigma do câncer, mas para a proliferação de mensagens falsas ou incompletas. Por exemplo, o fácil acesso a informações na internet e nas redes sociais leva muita gente a seguir “conselhos médicos”, que na maioria das vezes não têm qualquer embasamento científico, o que pode prejudicar a busca por apoio especializado.

Isso é um problema ainda maior quando o conteúdo é sobre saúde. Segundo recente pesquisa do The Independent, 90% das pessoas afirmam que confiariam em informações sobre saúde que leem nas redes sociais. A mesma pesquisa afirma que 60% dos links são compartilhados por pessoas que não leram o conteúdo da notícia. Outro estudo realizado pelo Instituto Reuters apontou que 72% dos brasileiros de grandes centros urbanos se informam apenas por redes sociais.

Sendo assim, se não promovermos o debate e a reflexão sobre o tema, é provável que cada vez mais as mensagens falsas ganhem força no imaginário popular, comprometendo o trabalho de comunicação e divulgação de informações com embasamento científico. Por isso, além da campanha, a ideia é realizar um debate no INCA, no dia 01 de fevereiro, em alusão ao Dia Mundial do Câncer (com transmissão ao vivo pelas redes sociais). 

Assim, avaliamos que, neste contexto, o tema do “estigma social” é atual e de crescente relevância para o controle do câncer no Brasil. Acreditamos que sua abordagem junto às ações interativas contribuirá para que o cidadão fique mais alerta e consciente, atingindo diferentes públicos (incluindo o jovem). É fundamental também que a campanha convoque o cidadão para conhecer os relatos sobre o câncer e divulgar a sua história, fazendo com que a campanha atinja o objetivo de trabalhar com a proposta “Compartilhar Minha História (Share My Story)” planejada pela UICC.

 

ESTIGMA SOCIAL E DESINFORMAÇÃO

A campanha do Dia Mundial do Câncer aprofundará e ampliará o tema do estigma social do câncer, já iniciado no Dia Nacional de Combate ao Câncer de 2017. Trata-se de um assunto ainda pouco discutido no contexto nacional, que afeta inúmeros pacientes, seus familiares e amigos, e pode dificultar o enfrentamento da doença.

Outra questão abordada pela campanha é a importância da informação correta para a prevenção e controle do câncer. Boatos, notícias falsas (fake news) e equivocadas veiculadas e divulgadas por diversos meios, inclusive pela Internet, trazem informações que podem prejudicar o tratamento da doença.

O INCA faz um alerta para o perigo das notícias falsas sobre câncer, que, muitas vezes, circulam nas redes sociais, são compartilhadas e “viralizam”, chegando rapidamente a milhões de pessoas.

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