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Investigação diagnóstica


Última modificação: 24/09/2021 | 11h08

A produção de exames de investigação diagnóstica do câncer de mama, destacadamente a punção por agulha grossa (PAG) e a biópsia cirúrgica/exérese do nódulo (procedimentos incisionais ou excisionais), vem crescendo ao longo dos anos nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste e reduziu em 2020, em função da pandemia de Covid-19 (tabela 1).

 

Tabela 1. Número de procedimentos diagnósticos para câncer de mama (biópsia e exérese de nódulo) realizados no SUS, Brasil e Regiões, 2015-2020

Ano Procedimento Brasil Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul
2015 PAG 17.274 850 4.860 955 8.068 2.541
Biópsia / exérese 8.808 803 2.480 376 4.231 918
2016 PAG 20.283 808 6.076 959 9.190 3.250
Biópsia / exérese 10.390 766 3.097 603 4.922 1.002
2017 PAG 22.394 655 6.744 636 10.955 3.404
Biópsia / exérese 10.087 1.051 2.611 457 5.056 912
2018 PAG 26.692 720 8.289 760 12.840 4.083
Biópsia / exérese 10.389 1.122 2.249 254 5.120 1.374
2019 PAG 35.167 1.486 11.166 923 16.340 5.252
Biópsia / exérese 11.245 1.224 2.661 479 5.699 1.182
2020 PAG 32.452 1.041 9.705 581 16.147 4.978
Biópsia / exérese 8.311 988 1.447 238 4.174 1.464

Fonte: Ministério da Saúde. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS).

Nota: Quantidade apresentada (código PAG: 0201010607; código biópsia cirúrgica: 0201010569).

Acesso em: 14 junho 2021.

 

Conforme parâmetros técnicos para o rastreamento do câncer de mama, estima-se que são necessários 0,73% de procedimentos de punção por agulha grossa (PAG) e 0,11% de biópsias/exérese da lesão suspeita no seguimento de mulheres rastreadas com mamografia em determinado ano (INCA, 2020). A tabela 2 mostra que a proporção alcançada de produção desses procedimentos de investigação diagnóstica, em mulheres de 50 a 69 anos, usuárias do SUS, vem aumentando no país ao longo dos anos, porém permanece aquém da necessidade estimada para a cobertura plena da população feminina usuária exclusivamente do SUS. Os maiores déficits de PAG, procedimento padrão e menos invasivo para a abordagem de lesões suspeitas da mama, foram observados nas regiões Centro-Oeste e Norte.

Esse déficit assistencial reflete o gargalo ainda existente no acesso à atenção secundária à saúde, o que leva muitas mulheres usuárias do SUS a um tempo longo de espera (Tomazelli e Azevedo e Silva, 2017), retardando a confirmação diagnóstica. Esforços para redução desse déficit na linha de cuidado do câncer de mama vêm sendo realizados e devem ser prioridade na organização da rede assistencial. Destaca-se que a necessidade total desses procedimentos é maior do que a estimada pelos parâmetros, pois deve englobar também a investigação diagnóstica dos casos sintomáticos. Sendo assim, o déficit na oferta de biópsias é ainda maior no Brasil.

 

Tabela 2. Proporção de procedimentos diagnósticos para câncer de mama realizados em relação à necessidade estimada para a cobertura de 100% do rastreamento em mulheres de 50 a 69 anos, usuárias do SUS. Brasil e Regiões, 2015-2020

Ano Procedimento Brasil % Norte % Nordeste % Centro-Oeste % Sudeste % Sul %
2015 PAG 17 13 17 13 20 15
Biópsia / exérese 59 82 59 35 69 36
2016 PAG 19 12 21 13 21 18
Biópsia / exérese 66 76 71 53 75 38
2017 PAG 21 9 23 8 14 19
Biópsia / exérese 62 99 58 38 74 33
2018 PAG 24 10 27 9 27 22
Biópsia / exérese 61 100 48 42 73 49
2019 PAG 30 19 35 11 34 27
Biópsia / exérese 64 104 55 36 78 40
2020 PAG 27 13 29 6 33 25
Biópsia / exérese 46 81 29 17 56 49

Fontes: Ministério da Saúde. Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e dados demográficos. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Notas: Cálculo obtido utilizando os parâmetros de rastreamento para o câncer de mama (INCA, 2021) para comparar a produção realizada de procedimentos diagnósticos com a necessidade estimada para 100% de cobertura da população alvo. A população SUS dependente foi obtida subtraindo da população feminina de 50 a 69 anos o percentual de mulheres nessa faixa beneficiárias de assistência médica privada.

Produção de exames (Quantidade apresentada. Códigos: PAG, 0201010607; biópsia cirúrgica, 0201010569). Dados populacionais: tabnet do DataSus (abre em nova janela) e da ANS (abre em nova janela).

Acesso em: 16 junho 2021.

Referências

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Parâmetros Técnicos para o Rastreamento do Câncer de Mama [Internet]. Rio de Janeiro (RJ), INCA, 2021. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parametros_rastreamento_cancer_mama.pdf (abre em nova janela). Acesso em: 14 jun. 2021.

TOMAZELLI, J., AZEVEDO e SILVA, G. Rastreamento do câncer de mama no Brasil: uma avaliação Epidemiol. Serv. Saude, Brasília, 26(4):713-724, out-dez 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ress/v26n4/2237-9622-ress-26-04-00713.pdf (abre em nova janela) Acesso em: 02 jul. 2018.

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