Estimativa 2020

Tabelas, Gráficos e Mapas

Metodologia


Última modificação: 10/12/2019 | 09h54

A incidência de câncer foi estimada para as 26 Unidades da Federação (UF), suas capitais e o Distrito Federal. A metodologia é análoga à utilizada para o cálculo das estimativas realizadas para o Globocan (FERLAY et al., 2019) e foi desenvolvida com base em modelos de predição de curto prazo (até cinco anos) ou pela utilização da razão de incidência/mortalidade (I/M) (BLACK et al., 1997). Os métodos estão resumidos abaixo na ordem descendente da precisão das estimativas derivadas:

  1. Quando as informações de incidência estavam disponíveis em uma série histórica, com no mínimo seis e até no máximo 15 anos de informação e, pelo menos 50 casos de câncer por ano, as estimativas foram realizadas utilizando-se o programa Depreed – desenvolvido pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (do inglês, International Agency for Research on Cancer – Iarc), baseado em modelos de predição tempo-linear (DYBA, HAKULINEN, 2000; FERLAY et al., 2007).

E(taxa(i,t)) = αi + βi x t
Log(E(taxa(i,t))) = αi + βi x t
Log(E(taxa(i,t))) = αi + β x t

Onde:

E(taxa(i, t)) = Taxa de incidência esperada na idade i, no ano t, onde αi, β e βi parâmetros.

O primeiro modelo assume mudanças lineares diferentes ao longo do tempo e entre diferentes grupos de idade. O segundo é o mesmo modelo em escala logarítmica no qual é geralmente escolhido o câncer que apresenta tendências decrescentes, de modo a evitar a estimativa de valores negativos. O terceiro modelo assume as mesmas mudanças log-lineares proporcionais ao longo do tempo dentro dos grupos de idade.

Esse método, quando aplicável, foi escolhido para estimar as informações das capitais que possuem informações consolidadas dos RCBP. Para cada capital, foi definido o banco de dados e executada a rotina do programa Depreed. O programa seleciona o melhor modelo de predição tempo-linear para estimar o número de casos, taxas bruta e ajustada. A base de dados correspondeu ao respectivo período de cada registro em um limite máximo de 15 anos.

  1. Nas situações em que a incidência não pode ser estimada pelo método citado, as estimativas foram realizadas utilizando-se a razão I/M (BLACK et al., 1997). Nas capitais e Estados, utilizou-se a razão I/M do próprio RCBP ou da mediana da Região. Essa razão foi aplicada às taxas brutas e ajustadas de mortalidade estimadas por regressão linear para o ano de 2020, por UF, respectivas capitais e Distrito Federal. Quando o modelo linear não se mostrou adequado, usou-se como alternativa a taxa média (bruta e ajustada) dos últimos cinco anos disponíveis (2012 a 2016) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Ou seja:

Onde:

TIL = Taxa de incidência (bruta ou ajustada) estimada para a UF, Distrito Federal ou capital.

TML = Taxa de mortalidade (bruta ou ajustada) estimada pela série histórica de mortalidade para UF, Distrito Federal ou capital.

IR = Quociente entre o número de casos novos (incidência) nas localidades dos RCBP
(período entre 2001 e 2017) e a raiz quadrada da população.

MO = Quociente entre o número de óbitos nas localidades dos RCBP (período entre
2001 e 2017) e a raiz quadrada da população, obtidos do SIM.

A razão I/M foi obtida dividindo-se o número de casos novos de câncer dos últimos cinco anos do RCBP pelo número de óbitos do mesmo período e local. A fim de prevenir a flutuação das informações em razão do tamanho da população, utilizou-se como denominador em ambos a raiz quadrada da população (FERLAY et al., 2013).

Nas capitais onde a informação do RCBP ainda não se encontrava disponível, utilizou-se a mediana da razão I/M dos RCBP existentes naquela Região. Nas capitais onde não foi possível aplicar o método 1, utilizou-se a razão I/M do próprio RCBP.

Para os Estados, a mesma lógica foi adotada: onde não existe informação disponível, a mediana da região foi utilizada; nas situações em que existe informação do RCBP, a razão I/M do próprio foi utilizada para calcular a estimativa do Estado. Para o Distrito Federal, os métodos 1 e 2 foram utilizados segundo os critérios acima citados.

A disponibilidade das informações e o método utilizado para Estados, capitais e Distrito Federal encontram-se no Anexo A.

Estratégias para detecção precoce, aumento da capacidade diagnóstica e mudanças na atenção oncológica podem resultar no aumento transitório das taxas de incidência como resultado da descoberta de casos de câncer subclínicos. Esse aumento, entretanto, só será mantido se parte dos casos detectáveis representar um superdiagnóstico. Como exemplos desse fenômeno, podem ser citados o câncer de próstata, pelo advento do teste de antígeno prostático específico (PSA); o câncer de tireoide, após a introdução de novas técnicas diagnósticas; e a ultrassonografia e o câncer de mama com a utilização da ultrassonografia e da mamografia como estratégias de rastreamento em mulheres jovens (abaixo de 50 anos). Esse fenômeno foi observado na maior parte das informações dos RCBP, utilizadas para calcular esta estimativa, especialmente nos casos de câncer de próstata e de tireoide. A fim de evitar ou minimizar que esse padrão se reflita na estimativa de casos novos, conduzindo à interpretação falaciosa do resultado, optou-se por utilizar a mediana da Região da localidade onde tais situações foram identificadas.

Os métodos para estimativa da incidência citados anteriormente foram obtidos das informações dos RCBP e do SIM e, portanto, seu resultado reflete a representatividade dos indicadores de qualidade (cobertura, validade e atualidade) da fonte de informação de cada localidade. O fato de se utilizar a informação do próprio registro para a estimativa dos casos novos fez com que tal informação refletisse melhor o perfil de incidência de câncer da localidade. Entretanto, para algumas localidades, não foi possível utilizar o último ano consolidado, em razão de o número de casos não corresponder ao padrão observado nos outros anos da série histórica daquele RCBP.

Para tornar mais fidedigna a informação sobre a mortalidade por câncer do colo do útero e, consequentemente, a estimativa de casos novos, os óbitos classificados como câncer do útero sem especificação foram redistribuídos para câncer do colo do útero ou corpo do útero segundo a sua proporção após a redistribuição dos óbitos de câncer de corpo do útero ponderados pela faixa etária. Essa reclassificação foi realizada para toda a série histórica da mortalidade (1979 a 2017), para as 26 UF, respectivas capitais e Distrito Federal (LOOS et al., 2004).

Apresenta-se ainda, para o país como um todo, a estimativa corrigida para subnotificação segundo método proposto por Mathers et al. (2003), redistribuindo os óbitos registrados como causa mal definida para a série histórica da mortalidade, por UF, Distrito Federal e sexo, entre 1979 e 2016 (MATHERS et al., 2003).

A estimativa de casos novos para as cinco Regiões geográficas e para o Brasil foi obtida pela soma dos valores absolutos por UF. As taxas brutas correspondentes foram obtidas dividindo-se os valores de casos novos das Regiões geográficas ou do Brasil pelas suas respectivas populações. A taxa ajustada para as Regiões e para o Brasil foi obtida pela mediana das taxas das UF da respectiva Região.

Todos os valores absolutos estimados foram arredondados para dez ou múltiplos de dez. As taxas de incidência apresentadas referem-se aos valores obtidos antes do arredondamento.

Para descrever o padrão geográfico da ocorrência de câncer, as taxas ajustadas de incidência obtidas para as UF e Distrito Federal foram representadas espacialmente, baseadas nas distribuições das taxas por quartil.

Para esta publicação, utilizaram-se, como denominador para o cálculo das taxas, as estimativas populacionais, censitárias (1980, 1991, 1996, 2000 e 2010) e intercensitárias (1979 a 1999), obtidas por meio do DATASUS e fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (BRASIL, c2008a). As estimativas de população intercensitárias para o período de 2001 a 2013 referem-se a estimativas preliminares efetuadas por estudo patrocinado pela Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa). As estimativas de população intercensitárias para os anos de 2014 e 2015 dizem respeito a estimativas preliminares elaboradas pelo Ministério da Saúde (MS)/Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)/Coordenação-Geral de Informações e Análises Epidemiológicas (CGIAE) (BRASIL, [20--]). Para o ano 2020, a população utilizada foi a da projeção populacional para 2020 obtida do IBGE (2013). A estimativa populacional para as capitais foi alcançada tomando-se como base a distribuição proporcional das capitais da população do Censo Demográfico 2010 (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2011) (Anexo B e Anexo C).

Os critérios gerais para a seleção das localizações de câncer que constam na publicação incluíram a magnitude da mortalidade ou da incidência (ex.: câncer de próstata, pulmão e pele não melanoma), assim como aspectos ligados ao custo e à efetividade de programas de prevenção (ex.: câncer de mama feminina, colo do útero e cavidade oral).

Nesta publicação, apresenta-se a estimativa, para cada ano do triênio 2020-2022, do número de casos novos e respectivas taxas brutas e ajustadas por idade para câncer em geral com 19 localizações selecionadas.

Os tumores escolhidos basearam-se na Classificação Internacional de Doenças para Oncologia – Segunda Edição – CID-O 2 (para o período entre 2001 e 2004) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1978) e a Terceira Edição – CID-O 3 (período entre 2005 e 2017) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2005) e convertidos para Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde - Décima Revisão – CID 10 (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1997a; 1997b).

Foram incluídos os cânceres cuja localização primária encontra-se abaixo descrita:

  • Todas as neoplasias (C00 a C97; D46).
  • Cavidade oral (C00-C10).
  • Esôfago (C15).
  • Estômago (C16).
  • Cólon e reto (C18-C21).
  • Laringe (C32).
  • Traqueia, brônquio e pulmão (C33-C34).
  • Melanoma maligno da pele (C43).
  • Outras neoplasias malignas da pele (C44).
  • Mama feminina (C50).
  • Colo do útero (C53).
  • Corpo do útero (C54).
  • Ovário (C56).
  • Próstata (C61).
  • Bexiga (C67).
  • Sistema nervoso central (C70-C72).
  • Glândula tireoide (C73).
  • Linfoma Hodgkin (C81).
  • Linfoma não Hodgkin (C82-C85; C96).
  • Leucemias (C91-C95).

Uma vez que o cálculo das estimativas guarda estreita dependência com as informações de mortalidade, quanto melhor a qualidade da informação sobre mortalidade melhor será a informação estimada para a incidência. A partir do ano de 2005, observou-se uma melhoria na informação sobre mortalidade no Brasil, refletida pela qualidade dessa informação na causa básica da morte na Declaração de Óbito. Outro fator a ser considerado é a progressiva expansão da população coberta pelos RCBP, bem como a constante busca pela melhoria da qualidade das informações, fazendo com que, a cada ano, a validade e a precisão das estimativas anuais aumentem.

Como foi antecipadamente ressaltado, recomenda-se cautela na interpretação e na utilização das estimativas para analisar as tendências temporais. Tal cuidado justifica-se em virtude das mudanças ocorridas na metodologia e principalmente na melhoria da qualidade das informações ao longo do tempo.

A base de dados utilizada para mortalidade, embora de qualidade, possui uma defasagem de aproximadamente três anos; portanto, o efeito de uma mudança no quadro da mortalidade no período entre 2017, 2018 e 2019 não será captado pelas projeções atuais.

A base de dados de incidência obedece à estrutura e à dinâmica de cada RCBP. Atualmente, o período de informações disponível varia desde 1987 até 2017. A qualidade das informações difere de registro para registro e varia de ano para ano, uma vez que os RCBP modificam sua série de casos, melhorando a qualidade e a atualidade das informações.

Embora haja limitações, acredita-se que as estimativas sejam capazes de descrever padrões atuais de incidência de câncer, possibilitando o dimensionamento da magnitude e do impacto dessa doença no Brasil.

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