Estimativa 2020

Tabelas, Gráficos e Mapas

Síntese de Resultados e Comentários


Última modificação: 22/01/2020 | 10h12

Apresenta-se uma síntese das estimativas de incidência, para cada ano do triênio de 2020-2022 no Brasil, assim como breves comentários sobre cada tipos de câncer incluído nesta estimativa.

Câncer de próstata

No Brasil, estimam-se 65.840 casos novos de câncer de próstata para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata ocupa a primeira posição no país em todas as Regiões brasileiras, com um risco estimado de 72,35/100 mil na Região Nordeste; de 65,29/100 mil na Região Centro-Oeste; de 63,94/100 mil na Região Sudeste; de 62,00/100 mil na Região Sul; e de 29,39/100 mil na Região Norte (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

A estimativa mundial aponta o câncer de próstata como o segundo câncer mais frequente em homens no mundo. Foram estimados 1.280 mil casos novos, o equivalente a 7,1% de todos os valores de cânceres considerados. Esse valor corresponde a um risco estimado de 33,1/100 mil. As maiores taxas de incidência de câncer de próstata encontram-se na Austrália e Nova Zelândia e nos países europeus (Norte e Leste) (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Enquanto nos países como Reino Unido, Japão, Costa Rica e Tailândia ainda se observa a influência do teste do exame de sangue do PSA, na tendência das taxas de incidência do câncer de próstata, nos Estados Unidos, verifica-se um declínio, a partir dos anos 2000, em virtude da redução do rastreamento na triagem do exame de PSA. Nos anos de 2011 a 2015, a taxa diminuiu em torno de 7% ao ano (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, ocorreram, em 2017, 15.391 óbitos de câncer de próstata, o equivalente ao risco de 15,25/100 mil homens (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

O principal fator de risco é a idade e sua incidência aumenta significativamente a partir dos 50 anos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Em relação à etiologia, apesar de ser um câncer muito comum, é relativamente pouco conhecida (STEWART, WILD, 2014; GERSTEN, WILMOTH, 2002).

Outros fatores de riscos conhecidos que aumentam o risco da doença são: história familiar, fatores genéticos hereditários (por exemplo a síndrome de Lynch e mutações no BRCA1 e BRCA2) (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a), tabagismo e excesso de gordura corporal (MAULE; MERLETTI, 2012) e exposições a aminas aromáticas, arsênio e produtos de petróleo (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de mama

Para o Brasil, estimam-se que 66.280 casos novos de câncer de mama, para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminina ocupa a primeira posição mais frequente em todas as Regiões brasileiras, com um risco estimado de 81,06 por 100 mil na Região Sudeste; de 71,16 por 100 mil na Região Sul; de 45,24 por 100 mil na Região Centro-Oeste; de 44,29 por 100 mil na Região Nordeste; e de 21,34 por 100 mil na Região Norte (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O tipo histológico mais comum para o câncer de mama feminina é o carcinoma de células epiteliais, que se divide em lesões in situ e invasoras. Os carcinomas mais frequentes são os ductais ou lobulares (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018; STEWART, WILD, 2014).

No mundo, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres. Em 2018, ocorreram 2,1 milhões de casos novos, o equivalente a 11,6% de todos os cânceres estimados. Esse valor corresponde a um risco estimado de 55,2/100 mil. As maiores taxas de incidência esperadas foram na Austrália e Nova Zelândia, nos países do Norte da Europa e na Europa Ocidental (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

Independentemente da condição socioeconômica do país, a incidência desse câncer se configura entre as primeiras posições das neoplasias malignas femininas. Observou-se um declínio na tendência das taxas de incidência em alguns países desenvolvidos, parte atribuída à diminuição do tratamento da reposição hormonal em mulheres pósmenopausa (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, ocorreram, em 2017, 16.724 óbitos por câncer de mama feminina, o equivalente a um risco de 16,16 por 100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Não existe somente um fator de risco para câncer de mama, no entanto a idade acima dos 50 anos é considerado o mais importante (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Outros fatores que contribuem para o aumento do risco de desenvolver a doença são fatores genéticos (mutações dos genes BRCA1 e BRC2) e fatores hereditários (câncer de ovário na família) (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018), além da menopausa tardia (fatores da história reprodutiva e hormonal), obesidade, sedentarismo e exposições frequentes a radiações ionizantes (fatores ambientais e comportamentais) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de cólon e reto

Para o Brasil, estimam-se, para cada ano do triênio de 2020-2022, 20.520 casos de câncer de cólon e reto em homens e 20.470 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 19,63 casos novos a cada 100 mil homens e 19,03 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de cólon e reto em homens é o segundo mais incidente nas Regiões Sudeste (28,62/100 mil) e Centro-Oeste (15,40/100 mil). Na Região Sul (25,11/100 mil), é terceiro tumor mais frequente. Enquanto nas Regiões Nordeste (8,91/100 mil) e Norte (5,27/100 mil), ocupa a quarta posição. Para as mulheres, é o segundo mais frequente nas Regiões Sudeste (26,18/100 mil) e Sul (23,65/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (15,24/100 mil), Nordeste (10,79/100 mil) e Norte (6,48/100 mil) é o terceiro mais incidente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O câncer de cólon e reto abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso (chamada cólon) e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e ânus. Também é conhecido como câncer colorretal. É passível de tratamento e, na maioria dos casos, é curável, quando detectado precocemente e ainda não atingiu outros órgãos. Grande parte desses tumores inicia-se a partir de pólipos, que são lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

A mais recente estimativa mundial aponta que, nos homens, ocorreu 1 milhão de casos novos de câncer do cólon e reto, sendo o terceiro tumor mais incidente entre todos os cânceres, com um risco estimado de 26,6/100 mil. Para as mulheres, foram 800 mil casos novos, sendo o segundo tumor mais frequente com taxa de incidência de 21,8/100 mil. As maiores taxas de incidência por câncer de cólon e reto foram encontradas nos países da Europa (por exemplo, na Hungria – primeiro lugar entre os homens; Eslovênia, Eslováquia, Holanda e Noruega – primeiro lugar entre as mulheres), Austrália/Nova Zelândia, América do Norte e Leste da Ásia (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 9.207 óbitos por câncer de cólon e reto (9,12/100 mil) em homens e 9.660 (9,33/100 mil) em mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer de cólon e reto são: idade igual ou acima de 50 anos, obesidade, inatividade física, tabagismo prolongado, alto consumo de carne vermelha ou processada, baixa ingestão de cálcio, consumo excessivo de álcool e alimentação pobre em frutas e fibras. Existem fatores de origem hereditária que aumentam o risco, os quais incluem histórico familiar de câncer colorretal e/ou pólipos adenomatosos, algumas condições genéticas como a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário sem polipose, histórico de doença inflamatória intestinal crônica (colite ulcerativa ou doença de Crohn) e diabetes tipo 2; e ainda fatores como a exposição ocupacional à radiação ionizante (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de pulmão

Para o Brasil, estimam-se, para cada ano do triênio 2020-2022, 17.760 casos novos de câncer de pulmão em homens e 12.440 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 16,99 casos novos a cada 100 mil homens e 11,56 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pulmão em homens ocupa a segunda posição mais frequente nas Regiões Sul (31,07/100 mil) e Nordeste (11,01/100 mil). Nas Regiões Sudeste (18,10/100 mil), Centro-Oeste 15,11/100 mil) e Norte (9,24/100 mil), ocupa a terceira posição. Para as mulheres, é o terceiro mais frequente nas Regiões Sul (18,66/100 mil) e Sudeste (12,09/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (10,87/100 mil), Nordeste (8,86/100 mil) e Norte (6,47/100 mil), ocupa a quarta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

Historicamente, os tipos histológicos mais comuns são os carcinomas de células não pequenas, de células grandes, de células escamosas, os adenocarcinomas, e os carcinomas oat-cell (STEWART; WILD, 2014).

No mundo, o câncer de pulmão configura-se entre os principais em incidência, ocupando a primeira posição entre os homens e terceira posição entre as mulheres. O total de casos novos estimados para essa doença, em 2018, no mundo, representou 1,37 milhão de casos novos em homens e 725 mil casos novos em mulheres, correspondendo a um risco estimado de 35,5/100 mil homens e 19,2/100 mil mulheres. As maiores taxas de incidência de câncer de pulmão foram observadas na Micronésia, Polinésia, e em países do Leste Europeu em homens e na América do Norte e nos países do Oeste Europeu nas mulheres (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Observa-se, no mundo, um declínio na tendência das taxas de incidência para esse câncer nos homens, ao contrário do que vem sendo observado com relação às taxas de incidência nas mulheres. Essa diferença é reflexo dos padrões de adesão e cessação do tabagismo (LORTET-TIEULENT et al., 2015; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Para o Brasil, em 2017, ocorreram 16.137 óbitos de câncer de pulmão em homens e 11.792 óbitos em mulheres, esses valores correspondem a um risco estimado de 15,98/100 mil homens e de 11,39/100 mil mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

O tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Oitenta e cinco por cento dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados de tabaco (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Outros fatores de risco são exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos (asbesto, sílica, urânio, cromo e radônio) e altas doses de suplementos de betacaroteno em fumantes e ex-fumantes (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de estômago

Para o Brasil, estimam-se, para cada ano do triênio 2020-2022, 13.360 casos novos de câncer de estômago entre homens e 7.870 nas mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 12,81 a cada 100 mil homens e 7,34 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago em homens é o segundo mais frequente na Região Norte (11,75/100 mil), seguido pela Região Nordeste (10,63/100 mil) ocupando a terceira posição. Nas Regiões Sul (16,02/100 mil), Sudeste (13,99/100 mil) e Centro-Oeste (9,38/100 mil) é o quarto mais frequente. Para as mulheres, é o quinto mais frequente nas Regiões Sul (9,15/100 mil) e Norte (6,03/100 mil). Nas demais Regiões, Centro-Oeste (6,71/100 mil) e Nordeste (7,03/100 mil), ocupa a sexta posição. Seguido pela Região Sudeste (7,30/100 mil) ocupando a sétima posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O câncer de estômago mais frequente é o do tipo adenocarcinoma, responsável por 95% dos casos. O adenocarcinoma de estômago atinge, na maioria dos casos, homens com idade entre 60 e 70 anos. Outros tipos de tumores, como linfomas e sarcomas, também podem ocorrer no estômago (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

No mundo, foram estimados 684 mil casos novos em homens, sendo o quarto mais frequente entre todos os cânceres, com um risco estimado de 17,8/100 mil homens. Para as mulheres, em torno de 350 mil casos novos, ocupando a sétima posição, com um risco estimado de 9,3/100 mil. As taxas de incidência são quase duas vezes maiores nos homens do que nas mulheres (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Entre os homens, é o câncer mais comumente diagnosticado e a principal causa de morte em vários países do Oeste da Ásia (como por exemplo, Irã, Turcomenistão e Quirguistão). As taxas de incidência são acentuadamente elevadas na Ásia Oriental (como Mongólia, Japão e República da Coreia – para ambos os sexos, foram as mais altas), enquanto as taxas na América do Norte e Norte da Europa são geralmente baixas (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, em 2017, ocorreram 9.206 óbitos de câncer de estômago em homens e 5.107 óbitos em mulheres, esses valores corresponderam ao risco de 9,12/100 mil e de 4,93/100 mil, respectivamente (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

A infecção pela bactéria Helicobacter Pylori é o principal fator de risco para o câncer de estômago (INFECTION WITH HELICOBACTER PYLORI..., 1994; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019; PLUMMER et al., 2015).

Outros fatores risco relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago são: excesso de peso e obesidade; consumo de alimentos preservados no sal; alimentação com baixa ingestão de frutas, vegetais e fibra integral, o consumo excessivo de álcool e tabaco, algumas exposições ocupacionais, como, por exemplo, a exposição de trabalhadores rurais a agrotóxicos; e a exposição para a produção da borracha. Existem também os fatores hereditários que contribuem para o desenvolvimento desse câncer como: o câncer hereditário difuso gástrico, o adenocarcinoma gástrico e a polipose proximal do estômago (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer do colo do útero

O número de casos novos de câncer do colo do útero esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 16.590, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas Regiões Norte (21,20/100 mil), Nordeste (17,62/100 mil) e Centro-Oeste (15,92/100 mil). Já na Região Sul (17,48/100 mil), ocupa a quarta posição e, na Região Sudeste (12,01/100 mil), a quinta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O câncer do colo do útero é um dos mais frequentes tumores na população feminina e é causado pela infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano (HPV). A infecção genital por esse vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Essas alterações são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou) e são curáveis na quase totalidade dos casos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

A estimativa mundial aponta que o câncer do colo do útero foi o quarto mais frequente em todo o mundo, com uma estimativa de 570 mil casos novos, representando 3,2% de todos os cânceres. Esse valor corresponde a um risco estimado de 15,1/100 mil mulheres. Sendo que as taxas de incidência mais elevadas foram estimadas para os países do Continente Africano (Essuatíni ou Suazilândia – 51,2/100 mil e África do Sul – 43,9/100 mil) (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 6.385 óbitos, e a taxa de mortalidade bruta por câncer do colo do útero foi de 6,17/100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Outros fatores que aumentam o risco de desenvolver esse tipo de câncer são: início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros; tabagismo (a doença está diretamente relacionada à quantidade de cigarros fumados); e uso prolongado de pílulas anticoncepcionais (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer da cavidade oral

O número de casos novos de câncer da cavidade oral esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 11.180 casos em homens e de 4.010 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,69 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição. Para as mulheres, corresponde a 3,71 para cada 100 mil mulheres, sendo a décima terceira mais frequente entre todos os cânceres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens é o quinto mais frequente nas Regiões Sudeste (13,58/100 mil), Centro-Oeste (8,94/100 mil) e Nordeste (7,65/100 mil). Nas Regiões Sul (13,32/100 mil) e Norte (3,80/100 mil), ocupa a sexta posição. Para as mulheres, é o décimo primeiro mais frequente na Região Nordeste (3,75/100 mil) e o décimo segundo na Região Norte (1,69/100 mil). Já nas Regiões Sudeste (4,12/100 mil) e Centro-Oeste (2,90/100 mil), ocupa a décima terceira posição. Na Região Sul (4,08/100 mil), ocupa a décima quarta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O câncer da boca pode afetar várias estruturas anatômicas como: lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). Como não há um consenso nas literaturas nacional e internacional sobre quais localizações compõem a sua definição, foram consideradas como câncer da cavidade oral aquelas que tenham como localização primária lábios, cavidade oral, glândulas salivares e orofaringe (C00-C10) (INFORMATIVO DETECÇÃO PRECOCE, 2016).

Segundo as informações do Globocan, no mundo, em 2018 foram estimados 246 mil casos novos de cânceres de língua e cavidade oral (C00-C06) em homens e 108 mil em mulheres, sendo mais comum em homens acima dos 40 anos do que em mulheres. O risco estimado para essa neoplasia foi de 6,4/100 mil em homens e 2,9/100 mil em mulheres. Essas neoplasias são mais frequentes nos países do Sul da Ásia (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, em 2017, ocorreram 4.923 óbitos por câncer da cavidade oral em homens e 1.372 óbitos em mulheres, esses valores correspondem ao risco de 4,88/100 mil homens e 1,33/100 mil mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os fatores de risco mais conhecidos incluem o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, sendo que o risco é 30 vezes maior para os indivíduos que fumam e bebem do que para aquelas pessoas que não o fazem (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). Entre outros fatores de risco, encontra-se a exposição ao sol sem proteção (importante risco para o câncer de lábio), o excesso de gordura corporal, a infecção pelo HPV (relacionada ao câncer de orofaringe) e fatores relacionados à exposição ocupacional (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer do Sistema Nervoso Central

Para o Brasil, estimam-se 5.870 casos novos de câncer do sistema nervoso central em homens e 5.220 em mulheres, para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 5,61 casos novos a cada 100 mil homens e de 4,85 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do sistema nervoso central em homens ocupa a sétima posição nas Regiões Norte (3,20/100 mil) e Centro-Oeste (6,05/100 mil). Na Região Sul, ocupa a oitava posição (8,63/100 mil); a nona posição na Região Nordeste (4,72/100 mil); e a décima segunda posição na Região Sudeste (5,59/100 mil). Para as mulheres, é o sétimo mais frequente na Região Sul (7,64/100 mil); oitavo na Região Norte (3,03/100 mil); corresponde à nona posição nas Regiões Centro-Oeste (4,95/100 mil) e Nordeste (4,21/100 mil) e ocupa a décima primeira posição na Região Sudeste (4,69/100 mil) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

Os tumores do sistema nervoso central são formados pelo crescimento de células anormais nos tecidos localizados no cérebro e na medula espinal, sendo que a maior concentração dos casos novos ocorre no cérebro (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). Apesar de ser um tumor predominantemente adulto (gliomas), podem ser encontrados em crianças (meduloblastoma e neuroblastoma) (STEWART; WILD, 2014).

No mundo, em termos de incidência, o câncer do sistema nervoso central ocupa a décima terceira posição em homens e a décima sexta posição entre as mulheres. Em 2018, foram estimados 162 mil casos novos em homens e 134 mil em mulheres. Esse valor corresponde a um risco estimado de 4,2/100 mil homens e 3,6/100 mil mulheres (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018). As maiores taxas de incidência de câncer do sistema nervoso central estão nos países do Centro-Norte Europeu, em homens, e nos países do Sul da Europa e na América do Norte, em mulheres (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, ocorreram, em 2017, 4.795 óbitos em homens, correspondendo ao risco de 4,75/100 mil e 4.401 óbitos em mulheres com risco de 4,25/100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Essa doença é causada pelo somatório de alterações adquiridas ao longo do tempo por predisposição genética ou por exposição (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). Os fatores de risco conhecidos são a exposição à radiação ionizante, deficiência do sistema imunológico, exposições ambientais (arsênio, chumbo e mercúrio), exposições ocupacionais (trabalhadores na indústria petroquímica, de borracha, plástico e gráfica) e obesidade (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Leucemia

O número de casos novos de leucemia esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 5.920 casos em homens e de 4.890 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,67 casos novos a cada 100 mil homens e 4,56 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia em homens é a quinta mais frequente na Região Norte (4,45/100 mil). Na Região Nordeste (5,02/100 mil), ocupa a sétima posição, seguida pela Região Sul (8,34/100 mil) com a décima posição. Nas demais Regiões, Sudeste (5,70/100 mil) e Centro-Oeste (4,29/100 mil), é a décima primeira mais frequente. Para as mulheres, é a sexta mais frequente nas Regiões Sul (7,76/100 mil) e Norte (3,55/100 mil). Na Região Nordeste (4,06/100 mil), ocupa a décima posição. Na Região Centro-Oeste (3,85/100 mil), é a décima primeira e, na Região Sudeste (4,15/100 mil), é a décima segunda posição mais frequente (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

A leucemia é uma doença que atinge as células do sangue cuja principal característica é o acúmulo de células doentes na medula óssea que substituem as células sanguíneas normais. O tipo da leucemia depende do tipo de célula sanguínea que se torna cancerosa; e, se cresce rápido ou lentamente, o que caracteriza a doença em aguda ou crônica. A leucemia ocorre mais frequentemente em adultos com mais de 55 anos, mas também é o câncer mais comum em crianças menores de 15 anos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo as quatro principais: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (LLC).

A estimativa mundial mostra que ocorreram 249 mil casos novos de leucemia, sendo o décimo tumor mais incidente entre todos os cânceres, com um risco estimado de 6,5/100 mil homens. Para as mulheres, foram estimados 187 mil casos novos com taxa de incidência de 5,0/100 mil, ocupando a décima segunda posição (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

As maiores taxas de incidência de leucemia para ambos os sexos são encontradas em países que apresentam altos níveis de desenvolvimento humano, como: Austrália e Nova Zelândia, América do Norte e grande parte da Europa (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Em relação à mortalidade, em 2017, ocorreram no Brasil 4.795 óbitos por leucemia com uma taxa de bruta mortalidade de 4,75/100 mil homens e 4.401 óbitos com uma taxa bruta de 4,25/100 mil em mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os fatores de risco para leucemia ainda não estão bem estabelecidos, mas existe a suspeita de associação entre determinados fatores de risco com uma maior chance de desenvolver alguns tipos específicos da doença: tabagismo (LMA); benzeno – encontrado na gasolina e largamente usado na indústria química (LMA e LMC, LLA); radiação ionizante (raios-X e gama); quimioterapia – algumas classes de medicamentos usados no tratamento do câncer e doenças autoimunes (LMA e LLA); exposição ocupacional ao formaldeído em indústrias (química, têxtil, entre outras); produção de borracha (leucemias); síndrome de Down e outras doenças hereditárias (LMA); síndrome mielodisplásica e outras desordens sanguíneas (LMA); história familiar; e, por fim, exposição a agrotóxicos, solventes e infecção por vírus das hepatites B e C (leucemias) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de esôfago

O número de casos novos de câncer de esôfago estimados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 8.690 casos em homens e de 2.700 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 8,32 casos novos a cada 100 mil homens e 2,49 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de esôfago em homens é o quinto mais frequente na Região Sul (14,48/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (6,64/100 mil) e Nordeste (5,58/100 mil), ocupa a sexta posição, seguido pela Região Sudeste (9,53/100 mil) ocupando a sétima posição. Na Região Norte (2,69/100 mil), é a oitava mais incidente. Para as mulheres, é a décima terceira mais frequente nas Regiões Sul (4,52/100 mil) e Nordeste (2,30/100 mil); enquanto, na Região Norte (0,73/100 mil), ocupa a décima quarta posição. Já nas Regiões Sudeste (2,39/100 mil) e Centro-Oeste (1,96/100 mil), ocupa a décima quinta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O esôfago é um órgão do sistema digestório que faz parte do trato gastrointestinal (tubo que liga a garganta ao estômago), o câncer mais frequente nessa localização é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos. Outro tipo de câncer que vem aumentando significativamente é o adenocarcinoma (CANADIAN CANCER SOCIETY, c2019; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

A estimativa mundial apontou 572 mil casos novos de câncer de esôfago no mundo, sendo a incidência duas vezes maior nos homens do que nas mulheres. Assim, nos homens, foram registrados 400 mil casos novos, ocupando a sétima posição entre todos os cânceres, com um risco estimado de 10,4/100 mil homens. Para as mulheres, ocorreram 172 mil casos novos, sendo o décimo terceiro tumor mais incidente, com taxa de 4,6/100 mil mulheres. As maiores taxas de incidência de câncer de esôfago são encontradas em países como China, Japão e Reino Unido para ambos os sexos. Aproximadamente 70% dos casos ocorrem em homens, e há uma diferença de duas a três vezes maior nas taxas de incidência entre os sexos em todo o mundo e entre as regiões (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 6.647 óbitos por câncer de esôfago com uma taxa de bruta de mortalidade de 6,58/100 mil em homens e 1.907 óbitos com uma taxa bruta de 1,84/100 mil em mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo são os principais fatores de risco para o câncer de esôfago. Na América do Sul (por exemplo, no Uruguai, Brasil e Argentina), consumir frequentemente bebidas muito quentes como chimarrão, chá e café, em temperatura de 65ºC ou mais, pode aumentar o risco de câncer de esôfago (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019; THUN et al., 2017).

Entre os fatores de risco que estão associados ao desenvolvimento dessa doença, encontram-se a obesidade, síndrome de Barret (decorrente da doença do refluxo gastroesofagiano), síndrome da tilose hereditária (espessamento da pele nas palmas das mãos e na planta dos pés), acalasia (falta de relaxamento do esfíncter entre o esôfago e o estômago), lesões cáusticas (queimaduras) no esôfago e Síndrome de Plummer-Vinson (deficiência de ferro). Demais fatores de risco que são também de relevante importância: alimentação com baixa ingestão de frutas, vegetais e fibra integral, consumo de carnes processadas e os fatores de risco associados à exposição ocupacional como poeiras da construção civil, de carvão e de metal, vapores de combustíveis fósseis, óleo mineral, herbicidas, ácido sulfúrico e negro de fumo (BRAY et al., 2018; DOMPER ARNAL, FERRÁNDEZ ARENAS, LANAS ARBELOA, 2015; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Linfoma não Hodgkin

O número de casos novos de linfoma não Hodgkin esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2020, será de 6.580 casos em homens e de 5.450 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,31 casos novos a cada 100 mil homens e de 5,07 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o linfoma não Hodgkin em homens é o oitavo mais frequente na Região Sudeste (8,18/100 mil); enquanto, nas Regiões Sul (8,52/100 mil) e Centro-Oeste (5,20/100 mil), ocupa a nona posição. Nas demais Regiões, é o décimo mais frequente nas Regiões Nordeste (3,96/100 mil) e Norte (2,23/100 mil). Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na Região Sul (7,29/100 mil); ocupa a nona posição na Região Sudeste (6,33/100 mil); é o décimo na Região Centro-Oeste (3,93/100 mil); décimo primeiro na Região Norte (1,95/100 mil); e décimo segundo na Região Nordeste (3,29/100 mil) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático. Existem mais de 20 tipos diferentes desse câncer. De modo geral, o risco da doença aumenta à medida que se envelhece (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). Nos Estados Unidos, esse fato fica bem evidente quando se observa o percentual da doença por faixa etária; o risco de desenvolver a doença aumenta em até seis vezes em homens, e sete vezes em mulheres em idade acima dos 70 anos (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a).

Estimativas mundiais mostram que ocorreram aproximadamente 510 mil casos novos de linfoma não Hodgkin, o equivalente a 3% do total dos casos novos estimados. Destes, 285 mil casos novos ocorreram em homens com um risco estimado de 7,4 por 100 mil e, nas mulheres, houve 225 mil casos novos com um risco estimado de 5,9 por 100 mil. Em homens, ocupa a oitava posição entre todos os cânceres estimados e, nas mulheres, ocupa a décima posição. As maiores taxas de incidência encontram-se na Austrália e Nova Zelândia, América do Norte e nos países do Norte da Europa em ambos os sexos (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 2.498 óbitos de linfoma não Hodgkin em homens, com o risco de 2,47/100 mil e, nas mulheres, 2.016 óbitos, com o risco de 1,95/100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Entre os principais fatores de risco, estão pessoas com sistema imunocomprometido, em consequência de doenças genéticas hereditárias ou portadores de infecção pelo o vírus da imunodeficiência humana (do inglês, human immunodeficiency vírus - HIV); pacientes que fazem uso de drogas imunossupressoras, portadores do vírus Epstein-Barr e vírus Linfotrópico de Células T Humana do Tipo 1 (HTLV1), da bactéria Helicobacter pylori, bem como algumas substâncias químicas (agrotóxicos, radiação ionizante e ultravioleta) (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de tireoide

O número de casos novos de câncer de tireoide estimados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 1.830 casos novos em homens e de 11.950 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,72 casos novos a cada 100 mil homens e 11,15 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide em homens ocupa a décima segunda posição mais frequente na Região Nordeste (1,93/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (1,93/100 mil) e Sul (1,79/100 mil), ocupa a décima terceira posição e, nas Regiões Sudeste (1,89/100 mil) e Norte (0,50/100 mil), ocupa a décima quarta posição. Para as mulheres, é a terceira posição mais frequente na Região Sudeste (17,21/100 mil), nas Regiões Centro-Oeste (8,12/100 mil) e Nordeste (7,98/100 mil), é a quinta posição. Na Região Norte, é a nona mais frequente (2,84/100 mil) e na Região Sul (6,12/100 mil), a décima segunda (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

Os tipos histológicos mais comuns para o câncer de tireoide são os carcinomas diferenciados. Entre eles, estão o papilífero, o folicular e o de células de Hürthle. Existem ainda os carcinomas pouco diferenciados e os indiferenciados (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Em 2018, ocorreram 567 mil de casos novos de câncer de tireoide, o equivalente a 3% de todos os cânceres estimados ocupando a nona posição no mundo. Predominantemente, os casos são do sexo feminino com 436 mil casos novos (11,5 por 100 mil), nos quais a incidência é maior do que no sexo masculino com 131 mil casos novos (3,4 por 100 mil) e em países com alto IDH (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

As maiores taxas de incidência foram observadas na América do Norte, principalmente no Canadá, Austrália e Nova Zelândia, e no Leste Asiático, sobretudo na Coreia do Sul e na Polinésia (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

A incidência do câncer de tireoide tem aumentado em muitos países, desde a década de 1980, causada pelo sobrediagnóstico, particularmente após a introdução de novas técnicas de diagnóstico (ultrassonografia) (VACCARELLA et. al., 2016).

No Brasil, ocorreram, em 2017, 279 óbitos por câncer de tireoide em homens, esse valor corresponde ao risco de 0,28/100 mil. Em mulheres, ocorreram 526 óbitos, com risco de 0,51/100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

História de irradiação do pescoço, radioterapia em baixas doses (principalmente na infância), história familiar de câncer de tireoide e dieta pobre em iodo são principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019; STEWART, WILD, 2014). Outros fatores de risco de desenvolver a doença são: obesidade, tabagismo, exposições hormonais e poluentes ambientais (THUN, et al. 2017).

Câncer de bexiga

O número de casos novos de câncer de bexiga estimados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 7.590 casos em homens e de 3.050 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 7,23 casos novos a cada 100 mil homens e 2,80 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga em homens ocupa a sexta posição na Região Sudeste (10,54/100 mil). Na Região Sul (9,50/100 mil), ocupa a sétima posição. Na Região Centro-Oeste (4,84/100 mil), é o décimo mais frequente. E nas demais Regiões, Nordeste (3,45/100 mil) e Norte (1,81/100 mil), ocupa a décima primeira posição. Para as mulheres, é a décima quarta mais frequente nas Regiões Sudeste (3,80/100 mil) e Centro-Oeste (2,30/100 mil). Nas Regiões Sul (3,31/100 mil), Nordeste (1,81/100 mil) e Norte (0,69/100 mil), ocupa a décima quinta posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário, sendo mais comum nos homens do que nas mulheres, e possui três tipos: carcinoma de células de transição, carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma, podendo ser classificado como superficial (não invasivo) ou invasivo. Noventa e cinco por cento dos carcinomas de células uroteliais ou carcinomas de células de transição se desenvolvem no interior do trato urinário (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019; ROUPRÊT et al., 2011; TYLER, 2012).

A mais recente estimativa mundial aponta que o câncer de bexiga foi o sexto mais frequente, com uma estimativa de 424 mil casos novos, com um risco estimado de 11,0/100 mil homens. Nas mulheres, ocupou a décima sétima posição e um risco estimado foi de 3,3/100 mil. Esse tipo de câncer é mais comum nos homens do que nas mulheres. As maiores taxas de incidência por câncer de bexiga para ambos os sexos ocorreram em países no Sul da Europa, Europa Ocidental e América do Norte (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, ocorreram, em 2017, 3.021 óbitos por câncer de bexiga (2,99/100 mil) em homens e 1.334 (1,29/100 mil) em mulheres ((INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

O principal fator de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo e está associado à doença em 50% a 70% dos casos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019; THUN, et al. 2017). Assim, o risco de desenvolver essa doença entre os fumantes foi duas a seis vezes maior em comparação aos não fumantes (STEWART; WILD, 2014). Outros fatores que também aumentam o risco de desenvolver a doença são: exposição a diversos compostos químicos (como por exemplo: aminas aromáticas, azocorantes, benzeno, benzidina, cromo/cromatos, fumo e poeira de metais, agrotóxico, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, óleos, petróleo, droga antineoplásica, tintas, 2-naftalina e 4-aminobifenil). Os trabalhadores da agricultura, construção, fundição, extração de óleos e gorduras animais e vegetais, sapatos, manufatura de eletroeletrônicos, mineração, siderurgia; indústria têxtil, de alimentos, alumínio, borracha e plásticos, sintéticos, tinturas, corantes, couro, gráfica, de metais, petróleo, química e farmacêutica, tabaco, cabeleireiros e barbeiros, maquinistas, motorista de caminhão e de locomotiva, pintor, trabalhador de ferrovias, trabalho no forno de coque e tecelão podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de laringe

O número de casos novos de câncer de laringe esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 6.470 em homens e de 1.180 em mulheres. O risco estimado será de 6,20 casos novos a cada 100 mil homens e de 1,06 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, em homens, o câncer de laringe ocupa a oitava posição nas Regiões Centro-Oeste (5,47/100 mil) e Nordeste (5,02/100 mil); nona posição nas Regiões Sudeste (7,20/100 mil) e Norte (2,68/100 mil). Já na Região Sul (8,13/100 mil), é a décima primeira mais frequente. Entre as mulheres, ocupa a décima sexta posição em todas as Regiões brasileiras, Sul (1,37/100 mil), Centro-Oeste (1,30/100 mil), Nordeste (1,06/100 mil) e Norte (0,54/100 mil), exceto na Região Sudeste (1,03/100 mil) que ocupa a décima sétima posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O câncer de laringe ocorre principalmente em homens com idade acima dos 40 anos. O tipo histológico mais comum é o carcinoma de células escamosas (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

A estimativa mundial mostra que essa doença representou 1% do total de casos novos de câncer. É a décima quarta mais incidente entre todos cânceres nos homens e a vigésima quinta mais frequente nas mulheres. Ocorreram 155 mil casos novos em homens e 22 mil casos novos em mulheres, com um risco estimado de 4,0 a cada 100 mil homens e de 0,59 a cada 100 mil mulheres. As maiores taxas de incidência de câncer de laringe foram observadas nos países do Caribe em ambos os sexos, em grande parte dos países da Europa em homens e na América do Norte em mulheres (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, ocorreram, em 2017, 3.899 óbitos por câncer de laringe, com o risco de 3,86/100 mil em homens e 602 óbitos, e de 0,58/100 mil em mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os principais fatores de risco, já estabelecidos pela literatura, são tabaco (cigarros, charutos, cachimbos, narguilés e produtos feitos por rolos) e bebidas alcoólicas, potencializando o desenvolvimento dessa doença na sua combinação (BAKER et al. 2000; BALLESTEROS, HEROS, 2002; SHAPIRO et al., 2000; AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a). Outros fatores com possível associação para o aumento do risco são: o excesso de gordura corporal e a exposição ocupacional de alguns elementos como pó de madeira, produtos químicos utilizados na metalurgia, petróleo, plásticos, indústrias têxteis e o amianto (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer do corpo do útero

No Brasil, o número de casos novos de câncer do corpo do útero esperados, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 6.540 casos novos em mulheres. Esse valor corresponde a um risco estimado de 6,07 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do corpo do útero ocupa a oitava posição mais frequente no país. Quanto à distribuição geográfica, na Região Sudeste (7,45/100 mil), ocupa a sexta posição. Na Região Centro-Oeste (5,27/100 mil), ocupa a sétima posição; na Região Nordeste (5,10/100 mil), a oitava posição; na Região Norte (2,41/100 mil), a décima posição; e na Região Sul (6,53/100 mil), ocupa a décima primeira posição (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

O tipo mais comum do câncer do corpo do útero se origina no revestimento interno do útero chamado de câncer de endométrio (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

O câncer do corpo do útero é o sexto câncer entre as mulheres no mundo. Em 2018, foram esperados 370 mil casos novos com um risco estimado de 9,9/100 mil mulheres (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018). A maior concentração de casos novos, dois terços, ocorreu em países com alto IDH. As maiores taxas de incidência estimadas foram observadas na América do Norte, na Europa (Central e Oriental) e no Norte. E as menores taxas de incidência encontram-se no continente Africano, variando de 2,6 a 4,5/100 mil, e no Centro-Sul da Ásia (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018; STEWART, WILD, 2014).

Com relação à mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 1.827 óbitos e a taxa bruta de mortalidade por câncer do corpo do útero foi de 1,77/100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

O principal fator de risco associado ao câncer do corpo uterino é obesidade, principalmente em mulheres acima dos 50 anos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). A American Cancer Society, em recente estudo (2019a), estima que 70% dos casos de câncer do corpo uterino são associados ao excesso do peso corporal e à falta de atividade física, corroborado pela publicação da Iarc, que concluiu que o excesso de gordura corporal estava associado ao aumento do risco de 13 tipos de câncer, entre eles, o câncer do corpo uterino (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; ISLAMI et al., 2018; LEE et al., 2010; SONG et al., 2016).

Outros fatores de risco são: predisposição genética, diabetes mellitus, hiperplasia (crescimento) endometrial, falta de ovulação crônica, uso de radiação anterior para tratamento de tumores de ovário, uso de estrogênio para reposição hormonal após a entrada na menopausa, menarca (primeira menstruação) precoce, menopausa (quando a mulher deixa de menstruar) tardia, nuliparidade (nunca ter engravidado ou ter tido filhos), síndrome do ovário policístico e síndrome de Lynch (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer do ovário

No Brasil, esperam-se 6.650 casos novos de câncer de ovário, para o triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 6,18 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de ovário ocupa a sétima posição mais frequente nas Regiões Nordeste e Norte, com um risco estimado de 5,67/100 mil e de 3,28/100 mil, respectivamente. Nas Regiões Sudeste (7,01/100 mil) e Centro-Oeste (5,09/100 mil), ocupa a oitava posição e, na Região Sul (7,06/100 mil), a nona (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

A maioria dos casos novos de câncer de ovário se forma por células epiteliais, o restante por células germinativas e células estromais (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019). O câncer de ovário é o oitavo câncer mais incidente entre as mulheres no mundo. Em 2018, foram estimados 295 mil casos novos, representando 1,6% de todos os cânceres. Esse valor corresponde a um risco estimado de 7,8/100 mil mulheres. As maiores taxas de incidência estimadas foram observadas nos países europeus (centro e norte) e na América do Norte (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, ocorreram, em 2017, 3.879 óbitos de câncer de ovário, risco equivalente a 3,75/100 mil mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os principais fatores de risco associados ao câncer de ovário são: idade (carcinoma epitelial) e histórico familiar de cânceres de ovário e de mama (mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2). Outros fatores de risco também importantes são: reprodutivos e hormonais, menarca precoce, menopausa tardia, obesidade e tabagismo (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Linfoma de Hodgkin

O número de casos novos de linfoma de Hodgkin esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 1.590 casos em homens e de 1.050 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,52 casos novos a cada 100 mil homens e, para as mulheres, o risco estimado foi de 0,95 para cada 100 mil (Tabela 1).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o linfoma de Hodgkin em homens é o décimo segundo mais frequente na Região Norte (1,05/100 mil), enquanto, na Região Sudeste (1,93/100 mil), ocupa a décima terceira posição. Nas demais Regiões, é o décimo quarto mais frequente nas Regiões Sul (1,74/100 mil), Centro-Oeste (1,32/100 mil) e Nordeste (0,98/100 mil). Para as mulheres, é a décima sexta mais frequente na Região Sudeste (1,11/100 mil). Nas demais Regiões, ocupa a décima sétima posição, sendo 1,23/100 mil no Centro-Oeste, 1,12/100 mil no Sul, 0,76/100 mil no Nordeste e 0,28/100 mil na Região Norte (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

Linfoma ou doença de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático (linfonodos ou gânglios) e tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade (defesa do organismo) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Essa doença pode ocorrer em qualquer idade, entretanto, é mais comum entre adolescentes e adultos de 15 a 39 anos, e idosos a partir dos 75 anos. Os homens são mais acometidos do que as mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Em 2018, no mundo, foram esperados 46 mil casos novos de linfoma de Hodgkin nos homens com um risco estimado de 1,2/100 mil homens. Para as mulheres, foram 33 mil casos novos, com taxa de incidência de 0,88/100 mil mulheres. Tanto para os homens quanto para as mulheres, o linfoma de Hodgkin ocupou a vigésima terceira posição entre todos os cânceres. As maiores taxas de incidência em ambos os sexos foram encontradas nos países da Europa (Ocidental, Norte e Sul), Austrália e Nova Zelândia, e América do Norte (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

Em termos de mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 355 óbitos por linfoma de Hodgkin com taxa bruta de mortalidade de 0,35/100 mil em homens e 254 óbitos (0,25/100 mil) em mulheres (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os fatores de risco para linfoma de Hodgkin, bem como para todos os linfomas, ainda não estão bem estabelecidos, mas pesquisadores sugerem algumas associações para risco aumentado de desenvolvimento da doença: pessoas com sistema imunocomprometido, presença do HIV e pacientes que fazem uso de drogas imunossupressoras. Com relação ao histórico familiar, apesar de ser muito raro, deve-se considerar o fato de uma ou mais pessoas da mesma família apresentarem o diagnóstico da doença (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer de pele

No Brasil, o número de casos novos de câncer de pele não melanoma esperados, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 83.770 em homens e de 93.160 em mulheres, correspondendo a um risco estimado de 80,12 casos novos a cada 100 mil homens e 86,65 casos novos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).

O câncer de pele não melanoma em homens é mais incidente nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, com um risco estimado de 123,67/100 mil, 89,68/100 mil e 85,55/100 mil, respectivamente. Nas Regiões Nordeste e Norte, ocupa a segunda posição, com um risco estimado de 65,59/100 mil e 21,28/100 mil, respectivamente. No que diz respeito às mulheres, o câncer de pele não melanoma é mais incidente em todas as Regiões brasileiras, com um risco estimado de 125,13/100 mil (Centro-Oeste), 100,85/100 mil (Sudeste), 98,49/100 mil (Sul), 63,02/100 mil (Nordeste) e 39,24/100 mil (Norte) (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Quanto ao câncer de pele melanoma, o número de casos novos estimados será de 4.200 em homens e de 4.250 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 4,03 casos novos a cada 100 mil homens e 3,94 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1). Na Região Sul, o câncer de pele melanoma é mais incidente quando comparado com as demais Regiões, para ambos os sexos (Tabelas 4, 12, 22, 27 e 32).

Comentários

De todos as neoplasias malignas diagnosticadas no mundo, o câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente em ambos os sexos (BRAY et al. 2018; FERLAY et al., 2018).

São mais comuns em pessoas de pele clara acima dos 40 anos com exceção daquelas já portadores de doenças cutâneas. Porém, esse perfil de idade vem se modificando com a constante exposição dos jovens aos raios solares (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Os principais tipos de câncer de pele não melanoma são: o carcinoma de células escamosas; o carcinoma basocelular – que são a maioria dos casos –; e o câncer de pele melanoma (que se forma nos melanócitos), que cresce e se espalha mais rapidamente, apesar de ser menos comum (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; NATIONAL CANCER INSTITUTE, [20--]).

Em 2018, no mundo, foi estimado 1,04 milhão (5,8%) de casos novos de pele não melanoma, com 640 mil casos novos em homens (16,6/100 mil) e 400 mil casos novos em mulheres (10,7/100 mil). Duzentos e noventa mil (1,6%) casos de pele melanoma foram estimados para 2018 com 150 mil casos novos em homens (3,9/100 mil) e 140 mil em mulheres (3,6/100 mil). As maiores taxas de incidência do câncer de pele não melanoma estão na Austrália e Nova Zelândia, América do Norte e nos países da Europa Ocidental tanto para homens quanto para as mulheres. Para o câncer de pele melanoma, as maiores incidências estão na Austrália e Nova Zelândia e nos países do Norte, Centro e Leste Europeu (BRAY et al., 2018; FERLAY et al., 2018).

No Brasil, ocorreram, em 2017, 1.301 óbitos de câncer de pele não melanoma em homens; esse valor corresponde ao risco de 0,92/100 mil, e 949 óbitos em mulheres, com risco de 0,92/100 mil. Para o câncer de pele melanoma, foram 1.031 óbitos em homens, com risco de 1,02/100 mil e de 804 óbitos em mulheres, com risco de 0,78/100 mil (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Os principais fatores de risco para o câncer de pele são a exposição prolongada ao sol (raios ultravioleta - UV), principalmente na infância e adolescência, exposição a câmeras de bronzeamento artificial e história familiar de câncer de pele (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2019a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Câncer infantojuvenil

O número de casos novos de câncer infantojuvenis esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 4.310 casos novos no sexo masculino e de 4.150 para o sexo feminino. Esses valores correspondem a um risco estimado de 137,87 casos novos por milhão no sexo masculino e de 139,04 por milhão para o sexo feminino (Tabela 36).

O câncer infantojuvenil no sexo masculino será mais frequente na Região Sudeste (158,15/milhão), seguido pelas Regiões Sul (157,35/milhão), Centro-Oeste (121,69/milhão), Nordeste (121,70/milhão) e Norte (101,19/milhão). Para o sexo feminino, será na Região Sul (173,55/milhão), seguido pelas Regiões Sudeste (160,51/milhão), Centro-Oeste (149,26/milhão), Nordeste (114,30/milhão) e Norte (85,89/milhão) (Tabela 36).

Comentários

O câncer na criança e no adolescente (entre 0 e 19 anos) ou infantojuvenil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infantojuvenil é predominantemente de natureza embrionária e, geralmente, afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

O câncer infantojuvenil consiste em um conjunto de doenças que apresentam características próprias, em relação à histopatologia e ao comportamento clínico (LITTLE, 1999). Na maioria da população, esse tipo de câncer corresponde de 1% a 4% de todas as neoplasias (AMERICAN CANCER SOCIETY, 2014). Os tipos predominantes de cânceres pediátricos (entre 0 a 19 anos) são leucemia (28%), sistema nervoso central (26%) e linfomas (8%) (AMERICAN CANCER SOCIETY, c2019b).

A incidência global de câncer infantil está aumentando. Em 2014, foram estimados 300 mil casos novos entre crianças e adolescentes de até 19 anos em todo o mundo (CHILDHOOD CANCER INTERNATIONAL, [2018]).

No Brasil, em 2017, ocorreram, para o sexo masculino, 1.467 óbitos por câncer de infantojuvenil para todas as neoplasias, com um risco estimado de 44,46/milhão. No sexo feminino, houve 1.086 óbitos (34,30/milhão) (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, c2014).

Ao contrário da maioria dos cânceres de adultos, os fatores de risco relacionados com o estilo de vida não influenciam o risco de uma criança e adolescente desenvolver câncer. Muito raramente uma criança pode apresentar alterações genéticas que as tornem propensas a ter um certo tipo de câncer (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

Alguns fatores ambientais, como a exposição à radiação o tabagismo passivo, podem aumentar o risco da criança para alguns tipos de câncer; no entanto, são necessários mais estudos para melhor entendimento do processo de causa e efeito (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2019).

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