Causas e Prevenção

Benzeno


Última modificação: 24/08/2021 | 14h53

O benzeno é uma das substâncias mais produzidas industrialmente e utilizadas em muitos setores produtivos, pois se constitui em matéria prima pra produção de muitos materiais. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, 2013), o benzeno é o quinto produto orgânico mais usado em todo o mundo e um dos sete mais utilizados como maté­ria-prima para a produção de milhares de outros produ­tos.

É altamente inflamável, pouco solúvel em água e miscível na maior parte dos solventes orgânicos (IARC, 2012), e volátil, o que pode facilmente provocar contaminação atmosférica (FERNANDES et al., 2002). Por ser uma substância altamente tóxica e cancerígena, exige maior controle e precaução, admitindo-se que não há limite seguro de exposi­ção (IARC, 2012; WHO, 2010).

Segundo a OMS, o benzeno é altamente perigosos e pode afetar negativamente a saúde da população e o meio ambiente, quando exposta a esse agente. A OMS o classifica entre os dez maiores problemas químicos para a saúde. Seu uso está restrito a indústrias e laboratórios que o produzam, bem como constituinte de combustíveis derivados de petróleo e nas análises laboratoriais nas quais não haja outra substância que o substitua (BRASIL, 1995b).


Vias de exposição

As principais vias de exposição ao benzeno para a po­pulação em geral são as vias respiratória e oral. Já para os trabalhadores, a absorção pela pele é uma via importante de contaminação. Para a saúde pública, a via de contami­nação mais importante é a respiratória. Por essa via, a quantidade de benzeno absorvida rapidamente chega à corrente sanguínea, distribuindo-se pelos tecidos (JOHNSON, 2007; COSTA, 2001).


Formas de exposição

No trabalho:

A exposição ocupacional ao benzeno ocorre em diversos setores incluindo indústrias químicas e petroquímicas, siderúrgicas e locais revendedores de derivados de petróleo, como os postos de combustíveis (GERALDINO et al., 2020). 

No ambiente:

A principal fonte de exposição ambiental ao benzeno ocorre por meio da eva­poração da gasolina. As fontes principais emissoras são as indústrias; no entanto, nos grandes centros urbanos, onde há maior concentração de veículos, a população em geral está exposta a concentrações preocupantes de benze­no no ar. Há também outras fontes de exposição ao benzeno, provenientes de há­bitos e costumes da população, como o tabagismo, por exemplo, considerando que a fumaça de cigarro é uma das principais fontes não ocupacionais ao benzeno, em ambientes fechados (HESTER et al., 1998).

Principais efeitos á saúde

No Brasil, o conjunto de sinais, sintomas e complicações, decorrentes da exposição ao benzeno, é chamado de benzenismo. As complicações podem ser agudas, quando ocorre exposição a altas concentrações em um curto período, ou crônicas, quando a exposição se dá por um longo período a baixas concentrações.

Efeitos agudos:

  • Aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldade respiratória, tremores, convulsão, irritação das mucosas oculares e respiratória, podendo causar edema (inchaço) pulmonar. Também pode ocasionar efeitos tóxicos para o sistema nervoso central, causando narcose (diminuição das atividades neuronais) e excitação, seguida de sonolência, tonturas, cefaleia, náuseas, taquicardia, dificuldade respiratória, perda da consciência e morte (ATSDR, 2007).

Efeitos crônicos:

  • Anemia, sangramento excessivo (no nariz, por exemplo) e queda do sistema imunológico, aumentando  as chances de infecções e de desenvolvimento de cânceres sanguíneos de vários tipos, como  as leucemias, além da suspeita de relações a outros tumores (INCA, 2012).
  • As alterações do estado de consciência e excitação seguida de sonolência, tem relação com a quantidade absorvida. Sintomas como alterações da atenção, percepção, memória, habilidade motora, função cognitiva, raciocínio lógico, linguagem, aprendizagem e humor também são observados durante os efeitos crônicos da exposição ao benzeno (BRASIL, 2006).
  • Alterações dermatológicas como eritema e dermatite irritativa também são relatados. Alguns estudos indicam ainda abortos espontâneos e problemas menstruais (ACURI et al., 2012).

As queixas mais comuns dos trabalhadores de postos de combustíveis são tontura, dores de cabeça, enjoos, boca seca e olhos irritados. 

 

Para saber mais sobre o assunto, acesse a nossa cartilha "você sabe o que tem no combustível?"


Referências Bibliográficas

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Global chemicals outlook: towards sound management of chemicals. [Nairobi, Kenya]: Uni­ted Nations Environment Programme, 2013.

INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER. Arsenic, me­tals, fibres and dusts: review of human carcinogens. Lyon, France: IARC, 2012. (IARC Monographs on the evaluation of carcinogenic risks, v. 100C).

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Exposure to benzene: a major public health concern. Geneva: WHO, 2010. (Preventing disease through healthy environments).

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria nº 14, de 20 de de­zembro de 1995. Altera a redação do item “Substâncias Cancerígenas’’ do Anexo XIII da Norma Regulamentadora NR-15 - Atividades e Operações Insalubres - e inclui o Anexo XIII-A “Benzeno”. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil: seção 1, Brasília, DF, ano 133, n. 245, p. 21865, 22 dez. 1995b.

JOHNSON, E. S.; LANGARD, S.; LIN, Y. A critique of benzene exposure in the general population. Science of the total environment, v. 374, n. 2-3, p.183-198, 2007.

COSTA, M. de F. B. da. Estudo da aplicabilidade do ácido trans, trans­mucônico urinário como indicador biológico de exposição ao benzeno. 2001. 126 f. Tese (Doutorado em Saúde Pública) Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2001.

GERALDINO, B. R. et al. Analysis of benzene exposure in gas station worke­rs using trans,trans-muconic acid. International Jornal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 17, n. 15, p. 5295, 2020.

HESTER. R. E. et al. Chemical carcinogens. In: HESTER, R. E.; HARRISON R. M. (org.). Air pollution and health. London: The Royal Society of Chemistry, 1998. p. 33-56.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Diretrizes para a vigilância do câncer relacionado ao trabalho. Rio de Janeiro: INCA; 2012.

AGENCY FOR TOXIC SUBSTANCES AND DISEASE REGISTRY. 2007 CER­CLA Priority list of hazardous substances. Atlanta: ATSDR, 2007.

BRASIL. Ministério da Saúde. Risco químico: atenção à saúde dos traba­lhadores expostos ao benzeno. Brasília, DF: Ed. Ministério da Saúde, 2006. (Saúde do trabalhador, 7. Protocolos de complexidade diferenciada) (Sé­rie A. Normas e manuais técnicos).

ACURI, A. S. S. et al. Efeitos da exposição ao benzeno para a saúde. São Paulo: Fundacentro, 2012. (Série benzeno, 1).

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