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Estudo inédito do INCA compara alterações epigenéticas de pacientes com câncer de esôfago de diferentes países

Pesquisa identifica marcadores que contribuem para diagnóstico precoce e desenvolvimento de novas terapias

Publicado: 26/07/2021 | 09h45
Última modificação: 05/08/2021 | 09h42

 

Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA) participam de primeiro estudo multicêntrico sobre alterações epigenéticas de pacientes com câncer de esôfago de diferentes países com baixo/médio Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A pesquisa abre a possibilidade de desenvolvimento de novas terapias e avanços nos métodos de detecção precoce da doença a partir das alterações epigenéticas identificadas.

O estudo, que foi publicado na revista Cancer Research (American Association for Cancer Research Publications) e realizado pelos pesquisadores do INCA Sheila Coelho Soares e Luis Felipe Ribeiro, chefe do Programa de Carcinogênese Molecular e Coordenador de Pesquisa do Instituto, analisou 240 pacientes de diferentes países, sendo 28% do INCA, ao longo de cinco anos. O Instituto representa o Brasil nesse estudo e integra um grupo com membros de diferentes países, coordenado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês).

A partir desse estudo, foi identificado que as alterações epigenéticas estão entre as mais relevantes para o desenvolvimento do câncer de esôfago, já que o mesmo padrão é observado em pacientes de diferentes países. A pesquisadora Sheila Coelho destaca que uma das contribuições mais significativas dessa pesquisa é que, a partir da identificação desses marcadores, podem ser praticados métodos menos invasivos para o diagnóstico do câncer de esôfago. “Um exemplo é a biópsia líquida, que é pouco invasiva e com boa relação custo-efetividade, esse método permite investigar os marcadores da doença a partir do sangue do paciente”, explica Sheila Coelho.

A partir dessa pesquisa, o diagnóstico precoce dos pacientes com câncer de esôfago facilita também o acesso ao tratamento adequado. De acordo com o pesquisador Luis Felipe Ribeiro, já é possível a utilização de medicamentos capazes de reverter alterações epigenéticas dos pacientes. “Alguns remédios até mesmo já são utilizados no tratamento de outros tipos de câncer. Assim, poderemos avaliar o potencial de incorporação dessas drogas no tratamento de pacientes com câncer de esôfago”.

As alterações epigenéticas costumam ser frequentes nos pacientes oncológicos e determinam como o código genético é lido. Essa avaliação ainda não tinha sido feita de forma tão profunda em câncer de esôfago e nem mesmo em algumas das populações mais afetadas pela doença no mundo. Por isso, o estudo traz observações que permitem entender como esses tumores se formam e quais são as mudanças epigenéticas que participam do desenvolvimento e da evolução da doença. Dessa forma, será possível revelar os sinais do câncer de esôfago em estágio inicial, possibilitando um tratamento mais precoce, dando maiores chances de controle da doença para esses pacientes.

Outro diferencial do estudo é examinar essas populações pouco estudadas e em que o câncer de esôfago é mais prevalente, como a da Ásia (considerada o cinturão do câncer de esôfago), incluindo a Índia e a China, o Leste da África e, claro, a América do Sul, com os dados do Brasil. A pesquisa analisou mais de 850 mil alterações epigenéticas em câncer de esôfago. 

A pesquisadora Sheila Coelho explica que a maior dificuldade do paciente com a doença é o diagnóstico tardio. “O mais comum é que os pacientes somente procurem ajuda médica quando não conseguem mais engolir líquido ou alimentos, já estando num estágio muito avançado para que o tratamento seja eficaz. Esse estudo traz a possibilidade de um avanço da saúde para esses pacientes”, exemplifica. 

O câncer de esôfago é o sétimo mais incidente no mundo com uma estimativa de 572.000 novos casos e 509.000 mortes, em 2018. Esse tipo de câncer afeta principalmente populações mais pobres, como as do Leste da África, Ásia e América do Sul, devido a fatores ambientais e alimentares. A detecção tardia e a falta de opções de tratamento são os principais motivos da alta taxa de letalidade.

O pesquisador Luis Felipe Ribeiro destaca que esse tipo de câncer é o menos estudado entre os mais incidentes no mundo. Isso porque é uma doença que atinge, na maioria, a população de baixa e média rendas. “Essa é uma doença negligenciada. Por isso, esse estudo tem papel fundamental porque vai ajudar populações que necessitam de atenção”, completa.

No Brasil, esse câncer é o sexto mais incidente (INCA, 2020) e o quinto de maior mortalidade (INCA, 2019), entre os homens, sem considerar os tumores de pele não-melanoma. As regiões Sul e Sudeste são as de maior incidência. Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença são o uso de álcool e tabaco. Além disso, no Sul do Brasil, está associado ao consumo do chimarrão, em altíssimas temperaturas.

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