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Pesquisa do INCA investiga comportamento de novas variantes do vírus da Covid-19

Estudo foi realizado a partir de pacientes e profissionais do Instituto infectados pelo vírus em 2021

Publicado: 16/07/2021 | 09h00
Última modificação: 16/07/2021 | 09h08

Uma das maiores preocupações decorrentes da pandemia da Covid-19 está na identificação e controle de variantes do SARS-CoV-2. Buscando minimizar este problema, pesquisadores do Programa de Oncovirologia do Instituto Nacional de Câncer (INCA) realizaram um estudo que investigou a prevalência das novas variantes em casos de infecções e reinfecções em pacientes e profissionais de saúde do Instituto, até mesmo pós-vacinação. No total, foram analisados 72 casos recentes, diagnosticados de janeiro a março de 2021, no decorrer da segunda onda no País, particularmente no Rio de Janeiro.

 

Segundo a pesquisa, 97% dos casos analisados se deviam às novas variantes. Na maior parte, os pesquisadores encontraram as cepas de Manaus (gama ou P.1) e do Rio de Janeiro (zeta ou P.2), além de pessoas infectadas pela variante do Reino Unido (alfa ou B.1.1.7). No grupo estudado, apenas seis pacientes e profissionais já haviam sido vacinados e apresentaram sintomas leves ou moderados da doença.

 

O chefe do Programa de Oncovirologia do INCA e coordenador do estudo, Marcelo Soares, destaca que as vacinas continuam sendo a opção mais relevante para minimizar os efeitos da pandemia. “É fundamental agilizarmos e seguirmos com a vacinação em massa da população, pois a vacina possibilita a redução da transmissibilidade e, em caso de infecção, os sintomas costumam ser mais leves”, explica Marcelo.

 

A pesquisa, publicada no dia 10 de julho, na revista Infection, Genetics and Evolution, simplifica o protocolo de identificação de variantes baseado na metodologia de Sanger, que envolve a produção de muitas cópias de uma região alvo de DNA.

 

Esse trabalho permite que as mudanças na sequência genética do vírus sejam acompanhadas, o que é primordial para o rastreamento das mutações, o prosseguimento da evolução da pandemia e a discussão das possibilidades de contenção da infecção. “Só dessa maneira conseguiremos acompanhar o comportamento do vírus e criar novas estratégias para lidar com ele, podendo nos antecipar a situações agravantes”, destaca Marcelo Soares.

 

O estudo integra a vigilância genômica ativa em tempo real que tem sido feita pelo INCA. Um desdobramento desse trabalho, a médio e longo prazos, vai investigar como se comportam as infecções por novas variantes em pacientes com câncer vacinados. “Por isso, esse tipo de vigilância é tão importante para o controle da pandemia em todo o país”, ressalta a diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho.

 

O artigo “Novas infecções por variantes de preocupação do SARS-CoV-2 após infecções naturais e pós-vacinação” teve a participação das pesquisadoras do Programa de Oncovirologia do INCA Livia Ramos Goes e Juliana Domett Siqueira, e contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), da Fundação Swiss-Bridge (Suíça) e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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