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Alternativas de produção agrícola e exposição fotográfica marcam Dia Mundial do Meio Ambiente no INCA


Publicado: 06/06/2017 | 08h53
Última modificação: 07/06/2019 | 13h21
Fotografia de um rapaz de costas e uma pá em seu ombro direito

Uma das imagens da exposição fotográfica “Caminhos da Agroecologia: cultivando a vida"

Discutir as potencialidades da agroecologia e refletir sobre o desenvolvimento sustentável em suas relações com a prevenção ao câncer foram os temas no debate “Saúde, Sustentabilidade e Agroecologia – Interfaces e Desafios", promovido pelo INCA, no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. A data foi instituída em 1972 durante a Conferência de Estocolmo, a primeira em nível mundial a tratar das questões de sustentabilidade ambiental. Representando a Comissão de Sustentabilidade do INCA, Gilda Leal, destacou ser a primeira vez que a instituição comemora a data e a importância do tema à saúde pública.

Representantes de diversas instituições abordaram a importância do descarte correto do lixo, o uso indevido de agrotóxicos e as alternativas de produção. Na ocasião, o Instituto lançou a exposição fotográfica “Caminhos da Agroecologia: cultivando a vida", que ficará aberta à visitação até o dia 9 de junho, no hall do auditório do 8º andar de seu prédio-sede, no Centro do Rio de Janeiro. A exposição conta com imagens coletadas em seis áreas do estado do Rio de Janeiro e pretende auxiliar na visibilidade às iniciativas agroecológicas, sua relevância na produção de alimentos e na boa saúde dos trabalhadores do campo e da cidade, além da resistência ao agronegócio.

“Acreditamos que é possível cultivar alimentos sem uso de venenos que contaminam todo o ecossistema, incluindo os seres humanos, em especial os trabalhadores que manipulam diretamente esses agentes potencialmente cancerígenos", disse Ubirani Otero, da Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do INCA. Segundo ela, a disseminação da informação quanto ao uso dos agrotóxicos e das doenças associadas tem sido foco do Instituto desde 2012. Para Ubirani Otero, “há alternativas para o uso de venenos, cujo uso tem causado uma série de doenças, inclusive o câncer".

Eduardo Franco, coordenador da Conprev, lembrou do lançamento do posicionamento do INCA acerca dos agrotóxicos, divulgado em 2015, que deu destaque à saúde pública e ao apoio à agricultura agroecológica e à produção orgânica de alimentos como alternativa viável: “A magnitude das doenças causadas pelo uso indevido de agrotóxicos ainda é subestimada, porém os dados levantados são suficientes para a adoção dos modelos agrícolas alternativos", defendeu. “A agroecologia, além de ser uma opção viável para a produção de alimentos sem veneno, tem como base a vida ecológica, a eficiência econômica e a justiça social, fortalecendo agricultores e protegendo o meio ambiente e a sociedade".

Dona Noêmia, produtora agroecológica, parabenizou o INCA pela exposição fotográfica. “Foi um trabalho de uma delicadeza que acrescentou muito nas nossas vidas, isso faz a gente viver melhor e sonhar em ter um mundo melhor. Convido a todos a irem no 5º distrito de São João da Barra para conhecer nossa produção".

Debate

No debate “Saúde, Sustentabilidade e Agroecologia – Interfaces e Desafios",  Juliana Casemiro, da Secretaria Executiva do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, afirmou que é preciso pressionar o poder público para a construção de um sistema alimentar que seja social e culturalmente justo, economicamente viável e ambientalmente sustentável. “Se o campo não planta, a cidade não janta", definiu.

A representante da Campanha Permanente Contra Agrotóxicos e pela Vida Nívia Silva disse ser um salto importante a expertise ampliada promovida pelo INCA, que envolve responsabilidade social, ecológica e com a saúde pública. “Principalmente entendendo alimentação como um direito humano, não só do ponto de vista biológico, mas também político e cultural", explicou.

A representante da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), Carla Assad, destacou que “tudo impacta numa proposta final que é o lixo" e respondeu à pergunta sobre logística reversa de eletrônicos. “Seria interessante devolvermos itens inutilizados para as empresas na qual compramos".

Dioclécio Luz disse que o Ministério do Meio Ambiente, o qual estava representando, está preocupado em ter uma postura mais horizontal. “Ao ver isso, digo que estamos na vanguarda. Precisamos encontrar respostas para perguntas como: ‘Se o Brasil é campeão mundial em uso de agrotóxicos para produção em larga escala, como ainda tem alguém passando fome na rua?’ ".

O debate foi moderado pela jornalista e diretora da revista Plurale, Sonia Araripe.

Oficinas

A empresa Ecobé realizou as oficinas: “Atitudes sustentáveis na gestão de resíduos e reciclagem de papéis", ensinando sobre o descarte correto do lixo domiciliar e as diversas poluições ambientais. A Ecobé Projetos Pedagógicos é uma empresa de educação centrada no ensino de ciências naturais e projetos de educação ambiental.

A técnica Ikebana Sanguetsu foi ensinada na oficina de arranjo de flores. O curso teve o objetivo de trabalhar a elevação da espiritualidade por meio do contato com flores, criando um ambiente de harmonia e arte. Na mesma oficina, foi apresentado um método agrícola para o cultivo natural de alimentos, com o conceito de que a fertilização do solo consiste em fortalecer determinados nutrientes e vivificá-lo.

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