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Brasileiros atingem maior índice de obesidade dos últimos treze anos, de acordo com pesquisa Vigitel

A boa notícia é que o número de fumantes continua caindo

Publicado: 25/07/2019 | 17h20
Última modificação: 26/07/2019 | 11h06

A prevalência da obesidade volta a crescer no Brasil. Essa é uma das conclusões da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde, divulgada nesta quinta-feira, 25. Nos últimos 13 anos houve aumento de 67,8% neste quesito, saindo de 11,8%, em 2006, para 19,8% em 2018. Em compensação, o percentual de fumantes acima dos 18 anos continua caindo. Nesse mesmo intervalo de tempo, o índice caiu de 15,6% para 9,3%, ou redução de 40%.

Sobrepeso, obesidade e o ganho de peso na fase adulta são fatores de risco para 13 tipos de câncer. Já o tabagismo é a principal causa de mortes evitáveis em todo o mundo. O consumo de derivados de tabaco estão na origem de diversos tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral.

Entre os homens a prevalência de fumantes acima de 18 anos foi de 12,1% e entre as mulheres, 6,9%. De 2006 até 2018, a redução foi maior entre as faixas etárias de 35 a 44 anos e de 45 a 54 (51%). Quando a análise é feita em relação à escolaridade, a redução foi maior entre os que têm 12 anos ou mais de estudos (42,6%).

O crescimento da obesidade foi maior entre os adultos de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, com 84,2% e 81,1%, respectivamente. Apesar de o excesso de peso ser mais comum entre os homens, em 2018, as mulheres apresentaram índice ligeiramente maior, com 20,7%, em relação aos homens,18,7%.

No Brasil, mais da metade da população, 55,7% tem excesso de peso. Um aumento de 30,8% quando comparado ao percentual de 2006, que era de 42,6%. O aumento da prevalência foi maior entre as faixas etárias de 18 a 24 anos, com 55,7%. Quando verificado por sexo, entre os homens o crescimento foi de 21,7% e, entre as mulheres, de 40%.

"Nós temos aumento da obesidade em decorrência do consumo muito elevado de alimentos ultraprocessados, que contêm altos teores de gordura e açúcar", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira.

Já o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 15,5% entre 2008 e 2018, passando de 20% para 23,1%. A prática de atividade física no tempo livre também aumentou 25,7% (2009 a 2018), assim como o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 53,4% (de 2007 a 2018), entre os adultos das capitais. 

A prática de pelo menos 150 minutos de atividade física na semana aumentou 25,7%, saindo de 30,3%, em 2009, para 38,1% em 2018. Os homens lideram, com 45,4% deles praticando alguma atividade física; enquanto as mulheres somam 31,8%. Em relação à inatividade física, a pesquisa apontou queda de 13,8%, em relação a 2009. O percentual de inatividade entre as mulheres foi 14,2% e entre os homens, 13%.

Uma mudança significativa entre os hábitos alimentares dos brasileiros é o aumento de 15,5% no consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde  de frutas e hortaliças (cinco porções diárias pelo menos cinco vezes na semana) em comparação com 2008. Em 2018, o percentual do consumo chegou a 23,1% em comparação com os 20% de 2008. O consumo é mais frequente entre as mulheres (27,2%) do que entre os homens (18,4%). Apesar do crescimento, apenas 23,1% dos brasileiros - um entre quatro adultos - consomem a quantidade recomendada.

Outra mudança importante é a redução de 53,4% do consumo regular de refrigerante e suco artificial entre os adultos. A diminuição foi verificada entre 2007 a 2018, em todas as faixas-etárias e em ambos os sexos. A queda foi mais expressiva na população de 55 a 64 anos (58,8% no período avaliado). O consumo dessas bebidas é maior entre os homens (17,7%) do que entre as mulheres (11,6%).

Em novembro de 2018, o Ministério da Saúde fechou acordo estabelecendo metas de redução do açúcar em produtos industrializados, como bebidas adoçadas, biscoitos, bolos e misturas para bolos, produtos lácteos e achocolatados. O acordo deve resultar na redução dos teores em mais de 50% dos produtos destas categorias. Segundo estimativas das indústrias, serão reduzidas 144 mil toneladas de açúcar nos produtos até 2022.

Confira a publicação Vigitel Brasil 2018.