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Cigarro eletrônico é porta de entrada para o tabagismo, mostra pesquisa do INCA

Análise de mais de 20 pesquisas em diferentes países atesta que adeptos do cigarro eletrônico têm mais chances de migrarem para fumo de tabaco

Publicado: 24/05/2021 | 13h40
Última modificação: 31/05/2021 | 18h36

O risco de iniciação ao tabagismo é significativamente maior entre usuários de cigarro eletrônico, e a liberação da comercialização desses dispositivos pode representar uma ameaça para as políticas de saúde pública no Brasil. Essa é a conclusão do estudo Risco de iniciação ao tabagismo com o uso de cigarros eletrônicos: revisão sistemática e meta-análise, elaborado por pesquisadores do INCA e publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva. A pesquisa fez uma revisão sistemática com meta-análise (síntese estatística) de estudos longitudinais (técnica que permite aos pesquisadores estabelecer uma sequência coerente dos dados) em 25 estudos desenvolvidos em vários países para avaliar a associação entre uso de cigarros eletrônicos e iniciação ao tabagismo.

O trabalho foi detalhado em webinar promovido pelo INCA e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) hoje, quando se comemora o Dia Mundial sem Tabaco, data oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem na frase “Comprometa-se a parar de fumar” o tema deste ano.

“O estudo mostrou que o uso de cigarros eletrônicos aumentou em quase três vezes e meia o risco de o indivíduo experimentar o cigarro convencional, e em mais de quatro o risco de passar a utilizar, posteriormente, cigarro convencional”, explica a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Instituto, Liz Almeida.  “Isso mostra que o cigarro eletrônico oferece um grande risco de facilitar a iniciação do cigarro convencional, entre aqueles que nunca fumaram, contribuindo para a desaceleração da queda no número de fumantes no Brasil.”

Desde o final da década de 1980, sob a ótica da promoção da saúde, a gestão e governança do controle do tabagismo no Brasil vêm sendo articuladas pelo Ministério da Saúde por meio do INCA, o que inclui um conjunto de ações nacionais que compõem o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. O Programa tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes e a consequente morbimortalidade relacionada ao consumo de derivados de tabaco no Brasil, potencializando ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, junto com o apoio à adoção ou cumprimento de medidas legislativas e econômicas para prevenir a iniciação do tabagismo, principalmente entre crianças, adolescentes e jovens.

Este ano, a OMS listou mais de 100 razões para deixar de fumar. Trata-se de uma maneira de mobilizar, motivar, sensibilizar e encorajar os tabagistas a largarem o tabaco. As ações motivacionais continuam sendo extremamente importantes: de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (2019), entre os adultos, a prevalência de usuários atuais de produtos de tabaco, fumado ou não fumado, de uso diário ou ocasional, foi de 12,8% (20,4 milhões de pessoas). Segundo a situação do domicílio, a parcela de usuários foi maior na área rural (14,3%) que na urbana (12,6%). Entre as grandes regiões, a prevalência variou de 10,7%, na Região Norte, a 14,7%, na Região Sul.

O webinar "Comprometa-se a parar de fumar" foi transmitido ao vivo pela TV INCA. O debate “Abordagem mínima ao fumante: uma estratégia ao alcance de todos”, que faz parte do evento virtual, também foi transmitido pela página no Facebook da rádio BandNewsFM e mediado pela jornalista Luanna Bernnades.

Covid, Tabagismo e reforma tributária são temas de encontro no INCA

Ainda dentro das comemorações pelo Dia Mundial sem Tabacao, o encontro “Tabagismo, Covid-19 e reforma tributária" vai, dia 2, reunir especialistas para debater  a redução das iniquidades sanitárias, sociais e econômicas geradas pelo tabagismo, incluindo seu impacto na pandemia.

Organizado pela  Secretaria-Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção Quadro para Controle do Tabaco (SE-CONICQ/INCA), o evento também buscará desmitificar a relação entre aumento de tributos sobre tabaco e aumento de mercado ilegal, argumento que tem sido usado reiteradamente  pela indústria do tabaco e seus aliados para obstruir medidas de controle do tabaco, principalmente as de caráter tributário.

Os convidados do evento são a diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho; o diretor-executivo do Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária, Andrés Pichon-Riviere; o consultor tributário, ex-secretário da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid; o economista, especialista em tributação de tabaco e alimentos não saudáveis e de temas de comércio ilícito de tabaco e consultor da Aliança de Controle do Tabagismo e Promoção da Saúde, Roberto Iglesias; e o deputado federal Roberto Sebastião Peternelli Júnior (General Peternelli), do PSL-SP.

O encontro, que terá transmissão pela TV INCA, será moderado pela secretária executiva da Conicq, Tânia Maria Cavalcante; e pela assessora técnica de Controle do Tabaco da The Union no Brasil, Cristiane Vianna.
 

Programação Dia Mundial sem Tabaco

14h    ABERTURA SOLENE

    Ana Cristina Pinho Mendes Pereira, Diretora-Geral do INCA
    Patrícia Oliveira, Coordenadora-Geral de Vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis - Secretaria de Vigilância em Saúde
    Sergio Akutagawa, Coordenador-Geral da Ouvidoria-Geral do Sistema Único de Saúde do Sistema Único de Saúde - Ministério da Saúde
    Diogo Alves, consultor nacional da Unidade Técnica de  Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil 

14h15    PRONUNCIAMENTO

    Tania Cavalcante, Secretária Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco no Brasil
14h25    APRESENTAÇÃO ll CAMPANHA “COMPROMETA-SE A PARAR DE FUMAR”
    Andrea Reis, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA
    
14h40    APRESENTAÇÃO ll RISCO DE INICIAÇÃO AO TABAGISMO COM O USO DE CIGARROS ELETRÔNICOS: REVISÃO SISTEMÁTICA E META-ANÁLISE

    Liz Maria de Almeida, Coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA
    
14h55    EXIBIÇÃO DEPOIMENTOS 

15h  DEBATE ll ABORDAGEM MÍNIMA AO FUMANTE: UMA ESTRATÉGIA AO ALCANCE DE TODOS”
    

Moderadora:
    - Luanna Bernardes, Rádio Band News FM
    
    Debatedores 
    - Liz Maria de Almeida, Coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA
    - Vera Borges, Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA
    - Jetro Medeiros Pereira, Programa Estratégia de Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes
    
16h    ENCERRAMENTO
 

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