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Dia Mundial do HTLV alerta para vírus pouco conhecido e que pode ser fatal

O vírus HTLV-1 está relacionado à leucemia e à degeneração neurológica e pode ser transmitido como o HIV

Publicado: 09/11/2018 | 11h59
Última modificação: 30/04/2019 | 11h38

Palestras, chats, lives, e videoconferências, passeatas e iluminação de monumentos em todo o mundo vão marcar o Dia Mundial do HTLV (10 de Novembro). A data foi instituída pela Associação Internacional de Retrovirologia (IRVA, na sigla em inglês) para dar visibilidade ao vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1 (HTLV-1), que é responsável por pelo menos duas doenças: a leucemia/linfoma de células T do adulto, de alta letalidade; e a mielopatia associada ao HTLV-1, doença neurológica semelhante a esclerose múltipla e de elevada morbidade. Não há cura para essas doenças. O objetivo do Dia Mundial do HTLV é esclarecer a população sobre o vírus que atinge cerca de 750 mil pessoas apenas no Brasil.

O HTLV pode ser transmitido de maneira semelhante ao HIV: transfusão de sangue, aleitamento materno (transmissão vertical), ato sexual, compartilhamento de seringas e agulhas infectadas e acidente com material contaminado perfuro-cortante.

A testagem para esse vírus em todas as doações de sangue foi introduzida no Serviço de Hemoterapia do INCA em 1997. No período de 2013 a 2017, foram registradas 64.659 doações de sangue. Observou-se um percentual de reatividade para HTLV nesse período de 0,27%, ou seja, 175 novos casos diagnosticados.

A sorologia para HTLV não é obrigatória durante o pré-natal das gestantes. Como o Brasil é o país da América Latina com o maior número absoluto de infectados por HTLV-1, a obrigatoriedade poderia resultar na diminuição de casos de transmissão por essa via e na erradicação futura do HTLV-1, como ocorreu no Japão, onde, em Nagasaki, havia 20,3% de transmissão vertical do HTLV-1 na década de 1980, e, em 2010, diminuiu para 2,5%.

“Apesar das grandes limitações enfrentadas pelos pesquisadores e profissionais de saúde que cuidam das pessoas que vivem com HTLV, continuamos os esforços para descobrir e implementar novas formas de prevenção de tratamento da infecção e de suas consequências, especialmente a grave leucemia de células T (LTA) do adulto", diz Fabio Leal, do Programa de Oncovirologia do INCA.

O Instituto, aliás, é um dos centros nacionais de referência para o tratamento de pacientes com LTA. Apesar de o acesso à quimioterapia e à possibilidade de transplante de medula óssea como parte do tratamento, mais de 80% dos pacientes com a forma aguda da leucemia morrem nos cinco anos seguintes ao diagnóstico.

No dia de 10 de novembro, sábado, haverá caminhadas e iluminação especial em vários monumentos do Brasil, como no Cristo Redentor e Castelo Mourisco da Fiocruz, no Rio de Janeiro; Ponte Otávio Frias de Oliveira, Monumento às Bandeiras e Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Estão sendo programados eventos em universidades, institutos de pesquisa e ONGs no Brasil e no exterior.

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