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Esporte sem tabaco marca os 30 anos do Dia Nacional de Combate ao Fumo


Publicado: 30/08/2016 | 16h17
Última modificação: 18/06/2019 | 11h42
Seis pessoas, entre mulheres e homens, estão sentados em cadeiras na cor branca, em cima de um palco preto. À frente deles, uma plateia presta atenção ao que está sendo discutido. Atrás, um painel nas cores do Brasil, com a projeção de um slide e ao lado do palco uma letra 'B' grande na cor amarela.

Esportistas e profissionais da saúde debateram os malefícios do cigarro

Mostre atitude: sem o cigarro, sua vida ganha mais saúde. Esse foi o tema escolhido pelo INCA para comemorar os 30 anos do Dia Nacional de Combate ao Fumo, primeira legislação federal para controle do tabaco, celebrado em 29 de agosto. A campanha, lançada ontem pelo Instituto, aproveita os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para mostrar como o esporte pode ser um aliado tanto na prevenção da iniciação quanto no apoio para quem quer deixar de fumar.

"A ideia é mostrar aos jovens que uma atitude positiva, a de não fumar, traz uma série de benefícios, como mais disposição para a prática de atividade física e de esportes, estimulando outras formas de socialização", explicou o diretor-geral do INCA, Luis Fernando Bouzas, no evento realizado na Casa Brasil, no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro. No Brasil, cerca de 80% dos fumantes começam a fumar diariamente antes dos 19 anos, sendo 20% com menos de 15 anos (PNS, 2013).

Estudo inédito do INCA divulgado ontem aponta que a taxa padronizada (que elimina os efeitos do envelhecimento populacional) de mortalidade por câncer de pulmão entre homens caiu de 18,5 por 100 mil em 2005 para 16,3 por 100 mil em 2014. Já entre as mulheres, no mesmo período, a taxa aumentou de 7,7 para 8,8. "A curva de mortalidade nas mulheres ainda sobe, pois a epidemia do tabagismo nas mulheres começou depois que nos homens", esclareceu Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA.

O evento contou com a presença de esportistas e profissionais de saúde, que deram depoimentos e participaram de um debate. Vinícius Pontes Matos, atleta paralímpico de surf, rugby e tênis adaptado, contou que ao parar de fumar ganhou disposição e conseguiu fortalecer a prática esportiva. "Os benefícios são muito maiores", comemora Vinícius. Já Saulo Ferreira, goleiro do Botafogo, destacou como o esporte foi importante para ele se manter longe do tabaco. Integrantes da Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde (RAP da Saúde), da Prefeitura do Rio, fizeram uma apresentação e ressaltaram a importância de se aproximar dos jovens de forma dinâmica. Houve ainda uma apresentação da Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais.

No debate, "Mostre Atitude", mediado pela jornalista Daniella Daher, a médica Cristina Cantarino, responsável pela área de Tratamento de Tabagismo do INCA, enfatizou que o esporte facilita a inclusão do jovem e a sua aceitação no grupo. Segundo a psicóloga Vera Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA, o primeiro contato com o cigarro acontece na adolescência, fase de insegurança, medos e necessidade de pertencimento.

A atleta olímpica do levantamento de peso Jaqueline Ferreira contou que teve experiências ruins com o cigarro desde a infância, pois um dia, seu pai adormeceu com o cigarro na boca o que acabou por iniciar um incêndio no colchão em que dormia a família e só recentemente o pai conseguiu parar de fumar.
Para o ultramaratonista Márcio Villar, que trocou a vida sedentária pelo esporte e hoje corre provas acima de 400 Km, é importante acreditar. "Treino imaginando cruzar a linha de chegada", contou Márcio.

"Quando a pessoa para de fumar, em três meses o risco de infarto diminui 30%. Em cinco anos, o risco é o mesmo de uma pessoa que não fuma", disse o pneumologista Alberto Araújo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O pneumologista alertou ainda para o cigarro de palha e o cigarro eletrônico, que têm aumentado presença entre os jovens. "É cigarro, tem nicotina. E se tem nicotina, causa dependência", explicou Alberto.

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