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Estudos avaliam custos globais, consequências e como reverter os males da inatividade física


Publicado: 04/08/2016 | 12h39
Última modificação: 19/01/2018 | 12h41

O alto custo da inatividade física no mundo, as consequências do comportamento sedentário e as possibilidades de anular seus maléficos efeitos para a saúde são os destaques da série de estudos sobre atividade física que acaba de ser lançada pela revista The Lancet, às vésperas do início dos Jogos Olímpicos no Rio.  A primeira edição da série, lançada pela revista em 2012, classificou a inatividade física como pandemia e indicou que 31% dos adultos e 80% dos adolescentes eram inativos.

Um estudo da série de 2016 calculou que a epidemia global de inatividade física custa 67,5 bilhões de dólares só no ano de 2013, somados os custos diretos, com a assistência dos pacientes, e os indiretos, relacionados à perda de produtividade por morte prematura. O estudo analisou 142 países com abrangência de mais de 90% da população mundial. No Brasil, a estimativa é de cerca de 3,3 bilhões de reais em 2013 com gastos diretos e indiretos atribuídos à inatividade física.

“A inatividade física é fator de risco para treze tumores, como câncer de mama, intestino, endométrio, esôfago de origem glandular, pulmão e fígado”, aponta o pesquisador visitante do Programa de Carcinogênese Molecular do INCA Fernando Frajacomo. “A atividade física atua em pelo menos três mecanismos para prevenção do câncer: na modulação do nível de açúcar no sangue, no nível hormonal e no controle do processo inflamatório”, explica.

O comportamento sedentário, caracterizado por longos períodos em que o indivíduo fica sentado no horário de trabalho e durante o tempo livre, por exemplo assistindo TV, é preocupante. “Ficar oito horas sentado é uma ameaça à saúde. A boa notícia é que um comportamento ativo no tempo livre, com prática de 60 a 75 minutos diários de atividade física moderada a intensa pode anular esses malefícios”, explica Fernando. “Temos que levar em conta o aspecto metabólico do comportamento sedentário. Quando estamos sentados por longo período, o corpo entende que não precisa gastar energia. É importante quebrarmos esses ciclos de inatividade”, alerta.

Fernando explica que a atividade física é importante não somente para a prevenção, mas também após o diagnóstico de câncer, pois auxilia o tratamento, diminui a mortalidade e melhora a qualidade de vida. “Já há estudos que indicam que para alguns tipos específicos de câncer de mama, o risco de morte é reduzido em 50% com a atividade física. No INCA, temos estudos em andamento nas diferentes fases. Temos estudos pré-clínicos, em camundongos, nos quais podemos perceber a relação do exercício com fármacos em diferentes fases do tumor, temos estudos observacionais com pacientes para avaliar a sobrevida e qualidade de vida em relação ao nível de atividade física e estamos planejando estudos de intervenção, para combinar exercícios com o tratamento”, afirma.

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