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Hábitos e alimentos saudáveis precisam integrar dia a dia de brasileiros, sugere publicação

Dia Mundial da Alimentação é usado para alertar sobre consumo excessivo de chimarrão e importância de políticas públicas que orientem população

Publicado: 16/10/2020 | 15h37
Última modificação: 16/10/2020 | 17h55

Em meio ao crescimento do consumo de alimentos processados e ultraprocessados no Brasil, não basta apenas deter informação sobre alimentação e hábitos saudáveis: é preciso que nova atitude seja adotada pela população, e isso precisa ser incentivado por políticas públicas. A constatação é do webinar (seminário virtual) “Recomendações do INCA para prevenção de câncer pela alimentação, nutrição e atividade física”, que marca a semana do Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro). O objetivo do seminário foi incentivar a prevenção do câncer por meio da alimentação, nutrição e atividade física.

Durante o webinar, foi lançada a publicação Dieta, nutrição, atividade física e câncer: uma perspectiva global – um resumo do Terceiro relatório de especialistas com uma perspectiva brasileira, tradução adaptada do resumo do Terceiro relatório de especialistas, do Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF) e do Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR). Para adaptar as recomendações para o contexto brasileiro, foi desenvolvido o posfácio “Alimentação, nutrição, atividade física e câncer: uma análise do Brasil e as recomendações do INCA”.

O posfácio chama atenção para a necessidade de redução do consumo de chimarrão, associado à ocorrência de câncer de esôfago, principalmente na região Sul. O ideal é que, quando consumido, o chimarrão não ultrapasse os 60º. 

A nova versão do Terceiro relatório de especialistas, desta vez, atem-se mais às recomendações nacionais (e globais) voltadas para os tipos de alimentos e bebidas, e não a nutrientes e outros compostos bioativos. O livro sugere ainda que as recomendações devem estar integradas na promoção saudável de alimentação e atividade física como forma de prevenção a vários tipos de câncer.

O Instituto também criou uma série de infográficos educativos sobre a importância de bons hábitos alimentares: de maneira rápida, o público fica sabendo que não há limite mínimo seguro para o consumo de álcool e que a bebida é responsável, no Brasil, por mais de 2% dos casos de câncer em mulheres e quase 9% em homens; ou que mais de 55% da população brasileira está acima do peso e que o excesso de gordura pode causar pelo menos 12 tipos de câncer. As peças também tratam de alimentos ultraprocessados, tipos de carnes e ambientes saudáveis. Os infográficos estão disponíveis para download.

Ter a informação confiável, baseada nas melhores evidências científicas, no entanto, não é suficiente para a adesão da população. “A gente entende a necessidade de se criar um ambiente, por meio de políticas públicas e ações que possam apoiar a capacidade das pessoas de agirem em seu próprio interesse”, disse Maria Eduarda Melo, da Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do INCA.

Leandro Fórnias Machado de Rezende, professor-adjunto do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, revelou pesquisa mostrando que cerca de 27% dos casos e 34% das mortes por câncer poderiam ser evitados mediante a redução de fatores de risco relacionados ao estilo de vida. “É preciso reforçar as ações na prevenção primária [ao câncer]”, disse ele.

A titular da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Giselle Bortolini, enfatizou a importância do novo Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos, lançado no final do ano passado, que reúne recomendações destinadas diretamente à população a partir de evidências científicas. “Protegendo as crianças nos primeiros anos de vida, elas tendem a ser adolescentes e adultos menos doentes, com menos casos de obesidade, menos câncer e outras doenças”, explicou Bortolini. 

O evento foi aberto pela diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho, e pelo secretário de Atenção Especializada à Saúde (Saes) do MS, Luiz Otávio Franco Duarte. O secretário, que se disse apaixonado pelo tema, afirmou que “a pauta [da alimentação] está enraizada na nossa cultura”. Para Ana Pinho, “convivemos com um aumento acelerado e muito preocupante de excesso de peso entre adultos e, particularmente, entre nossas crianças”.

O evento foi mediado pelo diretor-executivo da organização sem fins lucrativos para promoção da saúde Vital Strategies, Pedro de Paula, e apresentado por Fabio Fortunato, da Conprev.

 

Veja a íntegra do webinar na TV INCA

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