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Iarc relaciona sobrepeso e obesidade a mais oito tipos de câncer


Publicado: 25/08/2016 | 15h37
Última modificação: 19/01/2018 | 11h41

Uma nova avaliação realizada pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que o peso corporal adequado contribui para redução do risco de desenvolver 13 tipos de câncer. A avaliação anterior da IARC, de 2002, já indicava que o peso adequado diminuía o risco de desenvolver câncer de cólon e reto, esôfago, rim, mama na pós-menopausa e endométrio. Na análise divulgada hoje, a mesma associação também foi encontrada para mais oito tumores: estômago, fígado, vesícula biliar, pâncreas, ovário, tireoide, meningioma e mieloma múltiplo.

Essas conclusões tiveram como base uma revisão sistemática da literatura científica feita por um grupo de trabalho de 21 pesquisadores internacionais independentes que avaliou mais de 1000 estudos, incluindo ensaios clínicos, estudos de coorte, estudos de caso-controle, estudos experimentais em animais e sobre os mecanismos que ligam o excesso gordura corporal ao câncer. Um resumo dos resultados foi publicado hoje no The New England Journal of Medicine.

"Os resultados desse estudo corroboram as evidências que o Instituto já divulgava anteriormente e que norteiam nossas recomendações para prevenção de câncer por meio da alimentação e nutrição. Nessa atualização da IARC, também foi encontrada associação do excesso de peso com o desenvolvimento de câncer de tireoide, mieloma múltiplo e meningioma, que até então não tinham associação reconhecida com a obesidade. A confirmação da forte relação entre o excesso de peso e o risco de câncer reafirma a importância da manutenção do peso corporal adequado para a prevenção da doença", explica Luciana Grucci Maya, nutricionista da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do INCA.

Segundo o artigo publicado, no mundo, 640 milhões de adultos e 110 milhões de crianças e adolescentes são obesos (dados de 2014 e 2013, respectivamente). No Brasil, 56,9% da população apresenta excesso de peso e 20,8% é obesa, o que significa 82 milhões de brasileiros com mais de 18 anos acima do peso adequado (PNS, 2013). Mudanças no padrão de alimentação tradicional (substituição da comida de verdade por alimentos prontos) e o sedentarismo são as principais causas do excesso de peso no Brasil.

"O cenário epidemiológico atual é preocupante, mais da metade da população brasileira apresenta excesso de peso, a prevalência da prática regular de atividade física é baixa e o consumo de alimentos e bebidas ultraprocessados cresce de forma alarmante", alerta a nutricionista do INCA. "O atual estudo observou efeito dose-resposta entre o excesso de peso e o risco para alguns tipos da doença, ou seja, quanto maior o grau da obesidade maior o risco de desenvolver determinados tipos de câncer. Promover o reconhecimento social da relação entre câncer e obesidade é um passo importante para a prevenção da doença", completa.

O excesso de gordura corporal é um fator de risco para o câncer pois provoca um processo inflamatório crônico e altera o metabolismo de hormônios sexuais que podem causar danos às células, provocando ou acelerando o surgimento da doença. Uma alimentação saudável combinada com atividade física regular ajuda a controlar o peso corporal.

Uma das principais formas de avaliar se o peso corporal está adequado (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m2) à altura é o Índice de Massa Corporal (IMC). Acesse no site de alimentação do INCA as recomendações para prevenção do câncer, veja dicas para uma alimentação saudável e mitos e verdades sobre o tema. Utilize também a calculadora de IMC para conferir se o peso corporal está adequado.

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