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INCA antecipa comemoração do Dia Internacional de Não Uso de Agrotóxicos com oficinas


Publicado: 02/12/2015 | 14h13
Última modificação: 26/07/2018 | 17h12

Amanhã, 3 de dezembro, é o Dia Internacional do Não Uso de Agrotóxicos. Antecipando a data, o INCA promoveu oficinas de trabalho visando à criação da Rede de Pesquisa sobre Agrotóxicos e Saúde. Formada por universidades, centros e institutos de pesquisa, e instituições não governamentais, a Rede pretende constituir um espaço de debate para questões relacionadas aos impactos negativos dos agrotóxicos na saúde do trabalhador e do consumidor, assim como no ambiente, observados os princípios da sustentabilidade e da justiça social.

As oficinas, realizadas nos dias 24 e 25 de novembro, no INCA, reuniram pesquisadores, professores, profissionais de saúde e militantes de movimentos sociais contra o uso dos agrotóxicos de diversos estados do Brasil. O grupo discutiu estratégias e definiu metas da Rede, que será lançada oficialmente no próximo Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril. “A falta de políticas públicas que controlem o uso desses venenos no País e que incentivem modos de produção agrícolas saudáveis, induziu à criação da Rede, que tem como objetivo gerar informações com base em pesquisas", explicou Eduardo Franco, Coordenador de Prevenção e Vigilância substituto do INCA.

Atualmente, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com 19% do consumo do mercado global. Estudos epidemiológicos associam a exposição aos agrotóxicos ao desenvolvimento de vários tipos de câncer, disfunção endócrina, alterações neurológicas, hepáticas, renais e imunológicas, efeitos genotóxicos indesejáveis, comprometimento do sistema reprodutivo e ocorrência de malformações congênitas. Seu uso também compromete o solo, a água, a fauna, a flora e causa o desequilíbrio do ecossistema ao atingir organismos vivos que não são prejudiciais à lavoura.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no período entre 2002 e 2012, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190%, sendo o maior consumidor no mundo. Para o procurador Pedro Luiz Serafim, do Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE) não existe uso seguro de agrotóxico e seu impacto está longe de permanecer limitado ao campo. “Esse problema diz respeito ao campo e à cidade e está presente na mesa de cada um de nós, tornando-se um tema diretamente ligado à nossa segurança alimentar", frisou.
 

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