Notícias

INCA apresenta estudo com o tema sobrevivência ao câncer no Dia Mundial do Câncer

Número de sobreviventes após tratamento para diferentes tipos da doença vem aumentando nas últimas três décadas

Publicado: 04/02/2019 | 17h00
Última modificação: 05/02/2019 | 15h35
Foto: 
Carlos Leite/INCA
Ana Cristina Pinho apresentou a campanha do Dia mundial do Câncer

Ana Cristina Pinho apresentou a campanha do Dia mundial do Câncer

0 Dia Mundial do Câncer, no INCA, foi marcado por apresentação de estudo e debate com o tema sobrevivência ao câncer e o lançamento da plataforma digital da Revista Brasileira de Cancerologia. A solenidade de abertura contou com a presença da chefe de gabinete da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Mariz Inez Gadelha, e do secretário estadual de Saúde, Edmar Santos.
Na fala de abertura, a diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho, também membro do conselho diretor da União Internacional para o Controle do Câncer, entidade que criou a data, apresentou a campanha deste ano, com o slogan Eu sou e Eu Vou, que visa a convocar cada pessoa a tomar atitudes no presente que venham a causar impactos futuros na redução da incidência e da mortalidade por câncer na sua própria vida, na das pessoas à sua volta e no mundo. Em relação ao trabalho Compreendendo a sobrevivência ao câncer na América Latina: os casos do Brasil, Ana Cristina destacou que o período pós-tratamento ainda é muito neglicenciado. ”O câncer precisa ser compreendido como uma jornada, durante a qual é necessário prestar suporte clínico, emocional e social de longo prazo”, observou. A diretora do INCA fez questão de frisar o quão importante é adotar hábitos de vida saudáveis para reduzir a incidência e a mortalidade pela doença. 
Edmar Santos destacou a atuação do INCA e afirmou que “o Estado não faltará ao cumprimento de seu papel na rede de atenção oncológica”, e pediu o apoio do INCA para fazê-lo adequadamente.
Maria Inez Gadelha trouxe números gerais sobre o câncer e revelou que a doença é a que, isoladamente, recebe mais investimento do Ministério da Saúde no tratamento. “Em 2018 foram R$ 5 bilhões, sendo que 37% dos gastos é com medicamentos.”
 

Estudo

A chefe da Divisão de pesquisa Populacional, Liz Almeida, fez uma introdução sobre o estudo Compreendendo  a sobrevivência ao câncer na América Latina, cujos resultados referentes ao Brasil foram apresentados pelo pesquisador principal Rildo Pereira da Silva.
Liz Almeida explicou que sobrevivência “é a experiência viver com, através e além do diagnóstico do câncer” e que essa experiência é do paciente e das pessoas próximas a ele. “O impacto do diagnóstico, as lembranças do tratamento, os efeitos tardios do tratamento, a readaptação à vida cotidiana, a revisão de valores e comportamentos e a volta ao trabalho são alguns dos aspectos enfocados no nosso estudo”, destacou.
Para a pesquisa qualitativa foram entrevistados em profundidade 47 pacientes e ex-pacientes dos seguintes tipos de câncer: mama, próstata, colo do útero e leucemia linfoblástica aguda, além de 12 familiares e cuidadores. Para inclusão no estudo, os pacientes tinham que ter mais de 18 anos e recebido o diagnóstico há pelo menos 12 meses.  Foram ouvidas pessoas em hospitais públicos e privados do Rio de Janeiro e Fortaleza.
O objetivo do estudo é compreender quais são as necessidades dos pacientes e também dos familiares, para além do tratamento da doença e, assim, fornecer subsídios para políticas públicas.  Uma das necessidades levantadas foi a falta de oferta de apoio psicológico a familiares e cuidadores. Outras demandas foram transporte e alimentação durante o tratamento, acesso a drogas modernas e, no setor privado, menos burocracia na autorização para realização de determinados procedimentos. A dificuldade de reinserção no mercado de trabalho foi muito destacada pelos entrevistados. Pacientes de câncer de próstata ou colo do útero pontuaram as restrições da atividade sexual após o tratamento.
 

Debate

O jornalista Rodolfo Schneider moderou o debate Eu Sou E Eu Vou, no qual fez perguntas a profissionais de saúde e uma paciente que recebeu o diagnóstico de câncer há dois anos. “Passamos a encarar a vida de uma forma diferente”, disse Leide Jane Gonçalves, que destacou o acolhimento dos profissionais do INCA como um diferencial.
A enfermeira Carmen Lúcia de Paula, do Ambulatório de sexualidade do HC II, contou sobre a experiência bem-sucedida no acompanhamento de pacientes com câncer ginecológico, para que elas retomem a vida sexual, o que não significa, necessariamente, retornar ao tipo de vida sexual que tinham antes da doença.
O coordenador de Assistência, Gélcio Mendes, admitiu que o seguimento do paciente de câncer, após a alta, ainda é neglicenciado. E destacou a importância da comunicação da unidade de Alta Complexidade com a Atenção Básica, porque após a alta, o paciente volta a ser atendido na Atenção Básica, que é onde ele vai cuidar da hipertensão, da diabetes, entre outras doenças.
A psicóloga Mônica Marchese opinou que a experiência do câncer não é esquecida. E destacou que um dos desafios é a garantir a integralidade do tratamento, que ultrapassa o campo da saúde. “A reinserção no mercado de trabalho nem sempre acontece, porque qual é o empregador que vai compreender que seu funcionário saia para a consulta psicológica uma vez por semana ou a cada 15 dias?”, indagou.

"A sociedade precisa se organizar para que os sobreviventes de câncer, cada um a seu tempo, possam se reinventar. Esse é o objetivo de estarmos falando de pós-tratamento no Dia Mundial do Câncer", disse o pesquisador Antonio Tadeu Cheriff, que também particiopu do estudo. 

No final do evento foi lançada a plataforma digital da Revista Brasileira de Cancerologia.

 

Lista Assuntos