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INCA divulga estudo inédito sobre Covid-19 que pode auxiliar no desenvolvimento de vacinas mais eficientes

Projeções feitas por pesquisadores do INCA, da Fiocruz e UFRGS cruzam análises de bioinformática com pesquisas populacionais e dados epidemiológicos

Publicado: 02/02/2021 | 13h37
Última modificação: 02/02/2021 | 17h09

Utilizando uma abordagem populacional associada a dados epidemiológicos de Covid-19 no mundo, pesquisadores do INCA, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, identificaram que o padrão de reconhecimento dos peptídeos virais por alelos do antígeno leucocitário humano (HLA) está associada às mortes relacionadas ao novo coronavírus, e pode ajudar a definir grupos de risco.

As células do sistema imune identificam os antígenos - que são um pequeno pedaço de proteína estranhos ao corpo -, carregados pelo HLA e impede que um corpo estranho se espalhe no organismo. O HLA tem a capacidade de se ligar a uma pequena porção de uma proteína "não-própria", como a de um vírus, e sinalizar para as células do sistema imune (linfócitos T CD8) que existe um “elemento estranho” com essa célula.

Esse é o primeiro trabalho, em âmbito nacional e internacional, que investiga a associação desses fatores genéticos associados ao reconhecimento de padrões virais com o desfecho clínico da Covid-19, fruto de uma metodologia já iniciada no Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA.

“Temos investigado como os padrões de ligação das diferentes moléculas de HLA-I a peptídeos derivados de proteínas mutadas nos tumores influenciam na resposta imune anti-tumoral. Ao sermos impactados pela pandemia, nos unimos neste esforço mundial para tentar melhor compreender a biologia da infecção pelo SARS-COV-2 através da aplicação das metodologias computacionais que desenvolvemos em nosso Laboratório”, explica a líder da pesquisa e coordenadora do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA, Mariana Boroni. 

Ao utilizar as ferramentas da bioinformática, o estudo foi capaz de estimar quais, dentre os 3.723 peptídeos derivados de diferentes proteínas do SARS-COV-2, são potencialmente apresentados ao sistema imune pelos mais de 100 alelos de HLA mais frequentes em 37 países de quatro continentes.

Padrão inédito e vacina

Os pesquisadores puderam observar um padrão nunca antes descrito, a partir da correlação entre o padrão de reconhecimento viral de cada país com dados epidemiológicos, como o número de mortes associadas à Covid-19 por milhões de habitantes.

“Identificamos uma correlação positiva entre a mortalidade por Covid-19 e uma maior capacidade de apresentação de peptídeos derivados da proteína N (Nucleocapsídeo) atrelada a uma menor capacidade de reconhecer peptídeos derivados da proteína S (Spike). A utilização dessa informação é extremamente importante para gerar vacinas mais eficientes e capazes de imunizar uma maior parcela da população mundial”, detalha Mariana Boroni. 

"Vimos que países que possuem uma população com alta frequência de HLAs que apresentam muitos peptídeos da proteína N e poucos de S possuem maior mortalidade associada à Covid-19. Em seguida, investigamos como é o padrão de apresentação dessas proteínas pelos HLAs mais frequentes em diferentes etnias dentro de um mesmo país, nesse caso os EUA", detalhou a pesquisadora. "Percebemos que a população de etnia afro-descendente possui HLAs que apresentam mais peptídeos de N e menos de S, o que, em tese, indicaria uma maior mortalidade para essa população; e que poderia, por exemplo, ser uma das razões (dentre vários outros fatores, como os sócio-econômicos) pelas quais notamos isso de fato acontecendo nos EUA".

Além de liderado pela coordenadora do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional do INCA, Mariana Boroni, o trabalho é desenvolvido por Marco Pretti e Rômulo Galvani, em parceria com Martin Bonamino, do INCA; e Adriana Bonomo da FioCruz, e Gustavo Fioravanti, da UFRGS.
 

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