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INCA é pioneiro em procedimento de alta complexidade para câncer infantil


Publicado: 17/03/2016 | 11h11
Última modificação: 05/02/2018 | 11h16

O INCA realizou a primeira cirurgia de citorredução associada a quimiohipertermia em paciente pediátrico no Sistema Único de Saúde (SUS) no final de 2015. O procedimento consiste na retirada cirúrgica completa de um tumor agressivo da cavidade abdominal, seguida da aplicação de quimioterápico aquecido na área afetada pela doença, com o objetivo de eliminar possíveis resíduos de células cancerígenas. Isso é feito através de bomba de perfusão associada à utilização de termômetros para avaliar a temperatura durante a ação.

O equipamento de perfusão utilizado nessa cirurgia foi desenvolvido no INCA especialmente para esse tratamento. A criança operada tem apenas sete anos e passa bem. “A recuperação foi ótima e a alta foi rápida", conta o médico Odilon de Souza Filho, autor do procedimento.

Odilon afirma que as características desse tumor em crianças determinaram a opção pela utilização da técnica na cirurgia. De acordo com o médico, com o sucesso da operação e do tratamento da criança, serão possíveis novos procedimentos como esse no INCA. “Era um tumor desmoplástico de pequenas células redondas, muito raro na infância e que acomete a camada interna da cavidade abdominal. Há pouco mais de 200 casos de pacientes relatados na literatura e a mortalidade dessa doença é elevada (70%-80%)", destaca Odilon.

“Apesar da retirada completa do tumor, o paciente pode evoluir para a morte, mesmo quando tratado com quimioterapia e radioterapia associadas, devido ao fato de a doença retornar. Uma terapia mais efetiva, para atingir as células tumorais que podem permanecer na cavidade abdominal após a completa retirada do tumor, se faz necessária. A quimiohipertermia intraperitoneal já tem sido utilizada em adultos com sucesso para tratar células residuais em outros tipos de tumor, como as doenças malignas da cavidade abdominal", completa o médico.

O Instituto também foi pioneiro quando realizou o procedimento de citorredução associado à quimiohipertermia em adultos em 1998. O tratamento tem um custo alto e deve ser usado apenas em casos que exigem uma citorredução agressiva, nos quais há ressecção completa do tumor na cavidade peritoneal.

Atualmente, a citorredução associada a quimiohipertermia é indicada nos casos de Pseudomixoma Peritonei e de Mesotelioma Peritoneal Maligno do tipo Epitelioide, que são doenças que acometem a cavidade abdominal. A realização deste procedimento é feita apenas em centros de referência capacitados e com expertise na técnica.

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