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INCA e Sesc incentivam escolhas saudáveis para prevenir o câncer

Outros temas do debate foram a proteção contra a radiação solar, causa do câncer de pele, e a prática regular de atividades físicas

Publicado: 04/02/2015 | 12h39
Última modificação: 25/04/2019 | 14h03

Um encontro informal, mas com muita informação, marcou a comemoração pelo Dia Mundial do Câncer, hoje, no Rio. Profissionais do INCA, do Sesc e convidados participaram de um debate no qual as escolhas saudáveis para prevenir o câncer foram o foco. Antes do debate, o diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini, deu um panorama da doença no mundo e no Brasil, destacando que 30% dos casos da doença estão relacionados à alimentação inadequada e outros 30%, ao tabagismo. Daí a importância das escolhas saudáveis para a prevenção. Outros temas do debate foram a proteção contra a radiação solar, causa do câncer de pele, o mais incidente entre os brasileiros, e a prática regular de atividades físicas.
De acordo com o nutricionista Fabio Gomes, da Área de Alimentação, Nutrição e Câncer do INCA, muitos produtos comestíveis anunciados como saudáveis sequer podem ser considerados alimentos. “Há produtos que são uma mistura de farinha, gorduras e açúcares que são anunciados como se fossem saudáveis e têm seu consumo estimulado, mas que nem devem ser chamados de alimentos", alertou.

A também nutricionista Gabriela Kapim, que apresenta o programa Meu filho come mal, no canal pago GNT, frisou que para educarmos as crianças a comerem bem, a mudança tem que começar pelos pais. “Se eu quero que o meu filho coma alface todo dia, mas ele não me vê comendo alface, como vou convencê-lo de que comer alface é bom?" Gabriela disse que os pais não devem recompensar os filhos com doces ou guloseimas. Ela sugeriu dar opções para as crianças, mas sempre de comidas saudáveis. “O máximo de negociação que eu recomendo é: 'Você vai comer o brócolis, a cenoura ou a abobrinha?’ Não tem essa de: ‘Não gosto’. Se não gostar, vai comer do mesmo jeito."

Em relação ao câncer de pele, o médico Dolival Lobão, chefe do serviço de Dermatologia do INCA, destacou que os raios UVB (ultravioleta B) são os grandes vilões. E esses raios são mais incidentes das 10 às 16h, daí a recomendação de nunca nos expormos ao sol neste horário. Já em relação aos raios UVA, responsáveis pelo envelhecimento precoce, eles estão presentes na mesma intensidade das 7h às 19h, ou seja, sem proteção, tomar sol em qualquer horário faz mal para a pele. Além das diversas versões de filtros solares disponíveis, o médico lembrou que já existem roupas com a capacidade de filtrar a radiação. E como as áreas mais afetadas pelo câncer de pele são a cabeça e o pescoço, Lobão recomendou o uso de chapéus ou bonés. E lembrou: “Não existe bronzeamento saudável".

A prática de atividade física é importante fator de proteção contra o câncer, pois previne a obesidade, esta, por sua vez, relacionada ao surgimento de diversos tipos de câncer. O gerente de Esportes e Recreação do Sesc, Fernando Silva recomendou que a atividade física seja incorporada à rotina desde a infância, tornando-se um hábito, assim como se escova os dentes todos os dias. “A atividade física precisa ser uma prioridade. Os pais devem incentivar os filhos a fazerem atividades físicas, dizer a eles que eles vão se divertir, fazer amizades", observou.

Para os adultos, Fernando lembrou que a atividade física dá mais disposição, reduz o estresse e previne dores. “As pessoas passam muitas horas no trabalho, com posturas erradas. Gastam muito tempo no trânsito. E justificam não praticar atividade física porque estão cansadas, estressadas ou sentido dores. A atividade física é indicada justamente para eliminar o cansaço, aliviar o estresse e prevenir as dores. Só não dá para pensar que esse ganho é imediato. No início, o corpo precisa se adaptar. Os benefícios virão no médio prazo."

Mudança de vida - Principal causa evitável de câncer, o tabagismo exige esforço para ser vencido. E, às vezes, a atitude de parar de fumar só vem depois de um grande susto. Foi o que aconteceu com a paciente Lúcia Soutelinho, de 63 anos, que há 18 foi diagnosticada com um câncer de pulmão. Lúcia fez questão de dar seu depoimento ao vivo durante o encontro no Sesc.

“Quando a gente fuma e está passando por um problema, a gente pensa que o cigarro vai nos ajudar a passar por aquele problema. Na verdade, ele é o problema. Eu tirei um pulmão e só aí parei de fumar. Eu me alimentava muito mal. Era só cigarro e um cafezinho. Depois do câncer descobri o que é o sabor de uma fruta. Hoje eu me alimento muito bem. Não posso fazer muito esforço físico, mas dou minhas caminhadas e de vez em quando ando de bicicleta. E uma coisa eu afirmo: Não fumem, não vale a pena", recomendou.

A médica Cristina Cantarino, responsável pela área de tratamento do fumante no INCA lembrou que em apenas 24 horas sem fumar a saúde já começa a melhorar, pois a nicotina do cigarro compete com o oxigênio dentro do organismo. “O oxigênio e a nicotina são transportados no sangue pelos mesmos receptores. É como se fosse um trem, e a nicotina e o oxigênio são os passageiros. Se tem muita nicotina, o oxigênio não pode entrar. Sem nicotina, o oxigênio ocupa todos os lugares do trem, melhorando a oxigenação. Com o passar das semanas, o olfato e o paladar melhorar e os hipertensos, muitas vezes, podem até reduzir a dosagem dos remédios, pois a nicotina, por ser vasoconstritora (contrai os vasos sanguíneos) eleva a pressão", explicou a especialista.

Uma dica prática da médica para quem quer parar de fumar é deixar o maço de cigarro, o isqueiro e o cinzeiro distantes. “A preguiça de levantar para pegar o cigarro ou o isqueiro vence a fissura (vontade muito forte) de fumar. Essa fissura dura apenas cinco minutos", revelou.

O debate, mediado pela jornalista Rosângela Fernandes, da Ong Criar Brasil, foi transmitido ao vivo para todas as unidade do Sesc e contou com aproximadamente 150 internautas logados. No final, os debatedores responderam a perguntas da plateia.

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