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INCA promove debate sobre câncer de mama e tira dúvidas da população em tempo real

Um terço do total de casos poderia ser evitado com a redução de fatores de risco

Publicado: 19/10/2017 | 09h49
Última modificação: 14/10/2019 | 11h49
Eliana Pegorim, Liz Almeida, Maria do Espírito Santo e Rodrigo Motta sentados atrás de uma mesa

Especialistas recomendaram que as mulheres observem suas mamas e exijam seus direitos quando o assunto é saúde

O INCA e o Ministério da Saúde (MS) abriram um espaço para que mulheres de todo o País tirassem dúvidas na área oncológica diretamente com especialistas do Instituto. O debate A mulher e o câncer de mama: da prevenção ao tratamento foi transmitido ao vivo, dia 18, pelas redes sociais do MS.

Segundo chefe da Divisão de Pesquisa Populacional, a médica epidemiologista Liz Almeida, para 2017 foram estimados em média 57 mil novos casos desse tipo de câncer. Um terço dessas ocorrências seriam evitáveis com a redução dos fatores de risco. “Dezenove mil casos de câncer de mama poderiam não ocorrer se a população controlasse seu peso ao longo da vida – especificamente entre os 18 e 30 anos, evitassem bebidas alcoólicas, se mantivessem fisicamente ativas e, se possível, tendo filhos, amamentassem". A médica também reforçou: “Mulheres cuidam dos filhos, da casa e dos maridos, porém são cuidadoras que esquecem de se cuidar".

“É fundamental que as mulheres conheçam seu corpo, suas mamas. Enquanto toma seu banho, todo dia, ela deve vivenciar o momento de detecção precoce", ensinou a médica da Coordenação de Prevenção e Vigilância Maria do Espírito Santo Tavares. “Mulheres, caso encontrem qualquer carocinho, procurem um médico, pode não ser nada, mas também pode ser o início de um câncer de mama", aconselhou. Para a médica, a mulher deve viver a prevenção do câncer o ano todo e não apenas no mês de outubro.

De acordo com o mastologista do Hospital do Câncer III Rodrigo Motta, a mamografia é o único exame cuja aplicação em programas de rastreamento apresenta eficácia comprovada na redução da mortalidade pelo câncer de mama. Ela é recomendada para mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. “A mamografia é recomendada como rotina apenas nessa faixa etária, pois antes disso a mama é densa. Uma mama densa dificulta e esconde a visualização de nódulos. A partir dos 50 anos, a mama se modifica criando tecido adiposo e gordura, proporcionando um diagnóstico preciso. É bom lembrar que próteses mamárias não impedem um exame mamográfico", disse.

“A mulher não precisa de uma idade específica para observar sua mama. O tratamento, às vezes, obriga que um de seus seios seja retirado. Não é apenas perder a mama, mas também uma parte de sua sexualidade", explicou Maria do Espírito Santo. “Então, quando for ao ginecologista, exija que ele a examine, é um direito seu: use-o". Liz Almeida completou: “É preciso que sua percepção seja expandida. Há mensagens que o corpo nos envia e que valem a pena serem checadas".

A Lei nº 12.802, de 24 de abril de 2013, estabelece que a reconstrução mamária é um direito da mulher que teve a mama mutilada pelo tratamento do câncer. “A retirada da mama é um procedimento indicado e necessário, porém caso seja autorizado pelo médico e haja condições clínicas, o Sistema Único de Saúde oferece a reconstrução. O procedimento está ganhando cada vez mais força, basta calma e paciência", concluiu o mastologista.

O debate foi mediado pela jornalista do Serviço de Comunicação Social do INCA Eliana Pegorim e pode ser visto na íntegra pela página oficial de Facebook do Ministério da Saúde, na aba “vídeos".