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OMS e Iarc lançam relatórios globais sobre o câncer

Documentos abordam prioridades nas políticas de controle da doença e revelam pesquisas mais relevantes até agora

Publicado: 06/02/2020 | 13h20
Última modificação: 07/02/2020 | 14h02

Em resposta aos pedidos de governos de todo o mundo por mais pesquisas que auxiliem principalmente países de média e baixa rendas na elaboração de políticas e programas de aperfeiçoamento do controle do câncer, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) lançaram dois estudos no Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro): Report on cancer: setting priorities, investing wisely and providing care for all, da OMS; e World Cancer Report: Cancer research for cancer prevention, da Iarc.

O primeiro visa definir a agenda global sobre o câncer, mobilizar parceiros e auxiliar países a estabelecerem prioridades no investimento de controle do câncer e na cobertura universal de saúde. A publicação introduz os princípios, oportunidades, ferramentas e as intervenções contemporâneas prioritárias para o controle do câncer pensando na carga da doença agora e no futuro.

O segundo relatório centra-se na prevenção e oferece ampla visão das pesquisas mais relevantes disponíveis até agora, reunindo desde etiologia descritiva, biologia celular e molecular, toxicologia e patologia através das ciências sociais e comportamentais. Capítulos-chave incluem discussões sobre o impacto das desigualdades em câncer, vacinação e triagem, suscetibilidade individual genômica ao câncer e identificação mais acurada das pessoas em risco, o que pode permitir “prevenção precisa do câncer”.

A OMS destaca a necessidade de intensificar os serviços de câncer em países de baixa e média rendas. Segundo a Organização, se as tendências atuais continuarem, o mundo verá um aumento de 60% nos casos de câncer nas próximas duas décadas. O maior aumento (estimado em 81%) de casos novos ocorrerá em países de baixa e média rendas, nos quais as taxas de sobrevivência são atualmente mais baixas.

Isso ocorre principalmente porque esses países tiveram que concentrar recursos limitados de saúde no combate a doenças infecciosas e na melhoria da saúde materna e infantil. Hoje, os serviços de saúde não estão equipados para prevenir, diagnosticar e tratar cânceres. Em 2019, mais de 90% dos países de alta renda relataram que serviços abrangentes de tratamento para câncer estavam disponíveis no sistema público de saúde, em comparação com menos de 15% dos países de baixa renda.

O INCA teve participação direta na produção dos relatórios: “Como centro colaborador da Iarc e da OMS, participamos diretamente desses trabalhos, que são de fundamental importância para quem atua na área oncológica em todo o mundo. O INCA acabou de lançar as estimativas para câncer 2020, mas também um tem um grande significado para nos participar desses relatórios internacionais, que apresentam informações que  guiam as políticas de saúde da OMS”, explica o pesquisador do INCA João Viola.

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