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Países em desenvolvimento perdem 46 bilhões de dólares em produtividade por câncer

Estudo avaliou perda de produtividade devido à morte prematura no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

Publicado: 29/01/2018 | 14h32
Última modificação: 07/05/2019 | 17h12

A morte precoce por câncer – e potencialmente evitável - nos países em desenvolvimento não é apenas uma tragédia humana, mas também econômica na ordem de dezenas de bilhões de dólares, revela um estudo publicado na revista Cancer Epidemiology.

A pesquisa revela que o custo total da perda de produtividade devido à mortalidade prematura de câncer no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (conhecidos como países BRICS) foi de 46,3 bilhões de dólares em 2012 (número mais recente disponível para todas essas nações).

“No Brasil, a maior perda foi devido ao câncer de pulmão", ressalta a pesquisadora da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA Marianna Camargo Cancela, que participou do estudo e interpretou os resultados dos brasileiros. No País, os cânceres que causaram as maiores perdas, após o de pulmão, foram os de mama, estômago, colorretal e cérebro/sistema nervoso central.

Em relação a perda de produtividade per capita, o câncer do testículo resultou no maior valor no Brasil (69.459 dólares). “Apesar de ter uma mortalidade baixa, o câncer de testículo atinge homens mais jovens, o que aumenta as perdas", explica Marianna. Depois do câncer de testículo, o sarcoma de Kaposi, nasofaringe, outras faringes e cavidade oral resultaram nas maiores perdas per capita.

"Avaliar a perda de produtividade dá aos políticos e aos gestores uma perspectiva adicional para identificar prioridades para prevenção e controle de câncer em seus sistemas de saúde", diz Alison Pearce, pesquisadora da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS), co-autora do artigo.

Os resultados do estudo indicam perdas anuais de produtividade de 402 milhões de dólares no Brasil devido ao tabagismo (levando em conta que 83,3% do sexo masculino e 64,8% das mortes por câncer de pulmão feminino são atribuíveis ao tabagismo no Brasil), embora as políticas recentes de redução do uso do tabaco signifiquem que, ao contrário dos outros países do BRICS, as perdas de produtividade relacionadas com o tabaco provavelmente não aumentarão no futuro.

Em relação à obesidade, as taxas crescentes no Brasil representam mais de 2% dos casos de câncer em homens e quase 4% em mulheres, o que indica uma perda de produtividade de até 126 milhões de dólares por ano.

Os cânceres de estômago e do fígado não estão associados a altas perdas de produtividade nos países desenvolvidos, mas são importantes na Índia, na China e no Brasil, onde as taxas de Helicobacter pylori, HPV e HBV são elevadas.

A China foi o país com a maior perda de produtividade (US$ 28 bilhões), enquanto a África do Sul teve o custo mais alto por morte por câncer (US$ 101,000). Além do Brasil, o câncer de pulmão ocasionou as maiores perdas na Rússia e na África do Sul. Já na China, o principal foi o câncer de fígado e na Índia, o câncer de boca.

Para os pesquisadores, o controle do tabagismo, programas de vacinação e de rastreamento do câncer, combinado com o acesso a um tratamento adequado, poderiam gerar ganhos significativos tanto para a saúde pública como para o desempenho econômico dos países BRICS.

Os pesquisadores utilizaram os números de mortes anuais de câncer em adultos (Globocan2012) para estimar os anos de vida produtiva perdidos entre a morte por câncer e a idade de aposentadoria em cada país, valorizando o uso de dados nacionais e internacionais para salários e estatísticas da força de trabalho.

O estudo foi realizado pelo Centro UTS de Economia e Avaliação da Saúde (Chere) e pelo Registro Nacional de Câncer da Irlanda, em associação com a Agência Internacional para a Pesquisa em Câncer (Iarc), o INCA e uma equipe global de pesquisadores.

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