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Relatório da Iarc sobre epidemia global de obesidade alerta para aumento de risco de doenças crônicas


Publicado: 27/09/2017 | 09h15
Última modificação: 05/06/2019 | 17h35

 

A epidemia de obesidade tornou-se um problema de saúde pública em todo o mundo, incluindo países em desenvolvimento, como o Brasil, levando ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Em 2014, mais de 1,9 bilhão de adultos (cerca de 40% dos adultos do planeta) tinham sobrepeso; e destes, 600 milhões estavam obesos. As informações constam no relatório Energy Balance and Obesity, publicado nesta quarta-feira, 27, pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) da Organização Mundial da Saúde. O documento foi produzido por um grupo de trabalho composto por 17 especialistas internacionais que, em 2015, reuniram as últimas evidências científicas.

O grupo reviu os fatores causadores da epidemia de obesidade, como o papel da ingestão excessiva de calorias em relação ao gasto energético e o de alimentos e nutrientes específicos. O relatório também traça um panorama global das tendências em obesidade, uma análise do impacto de fatores genéticos e de estilos de vida, além de uma discussão dos mecanismos potenciais da obesidade das opções disponíveis para prevenir e controlar a epidemia.

Avaliação científica recente, citada pelo relatório, mostra o peso da obesidade ligada ao câncer: em 2012, de todos os novos casos de câncer em adultos, 3,6% foram atribuídos ao aumento da massa corporal. Os problemas em crianças também vêm impressionando: o número de crianças com sobrepeso em países com renda média (a exemplo do Brasil) mais que dobrou desde 1990 – de 7,5 milhões para 15,5 milhões.

“Tem havido muitos equívocos e debates acerca dos fatores que causam a epidemia de obesidade", diz a doutora Isabelle Romieu, cientista-visitante sênior da Seção de Nutrição e Metabolismo da Iarc e uma das editoras do documento. “O relatório mostra que o excesso de ingestão de calorias é o principal fator responsável. Apesar dos fatores genéticos terem seu papel, eles não podem explicar as tendências no aumento das taxas de obesidade. E, de outro lado, o relatório revela que o aumento da atividade física sozinha não pode resolver o problema".

O relatório diz que a luta contra a obesidade envolve mudança nos padrões alimentares e que, por ser uma alteração nos hábitos culturais de consumo, precisa envolver a sociedade, governos e a mídia, entre outros importantes atores sociais.

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