Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco

Dados e números do tabagismo


Última modificação: 16/11/2020 | 14h00

 

Diversos sistemas de monitoramento e pesquisas desenvolvidas no Brasil e no mundo permitem acompanhar dados que embasam muitas das medidas de controle do tabaco. Inquéritos populacionais trazem informações relativas ao percentual de experimentação, consumo e exposição aos produtos de tabaco. Estudos de carga de tabagismo permitem conhecer o percentual de doenças e mortes relacionadas ao tabagismo. Dados sobre produção e exportação de fumo estão disponíveis por associação de fumicultores e bancos de dados públicos e conduzem análises acerca da oferta dos produtos em nível nacional e global. É possível também fazer um acompanhamento do consumo per capita de cigarros e dos custos atribuíveis ao tabagismo.

Essas informações são de suma importância para acompanhar os efeitos das políticas públicas implementadas no Brasil e no mundo, bem como subsidiar avanços necessários no controle do tabaco.

As informações disponíveis apontam para o sucesso das políticas públicas empreendidas pelo governo. O percentual de fumantes no Brasil vem caindo e tem relação com as principais medidas implementadas em nível nacional e local, como proibição de fumar em ambientes fechados, adoção de advertências sanitárias em embalagens de cigarros, aumento de preços e impostos, proibição de propaganda, promoção e patrocínio, oferta de tratamento para deixar de fumar em unidades do Sistema Único de Saúde e campanhas educativas. Mesmo entre jovens, o percentual de experimentação vem se reduzindo. A exposição passiva à fumaça tóxica dos produtos de tabaco também tem sido reduzida aos longo dos mais de 10 anos de acompanhamento nas capitais brasileiras. Alguns dados apontam para o consumo de outros produtos derivados do tabaco que merecem atenção, como é o caso do narguilé (ou cachimbo d’água). De acordo com os dados, o consumo per capita de cigarros também se mostra em queda.

Apesar disso, mais de um milhão doenças e centenas de milhares de mortes ocorrem todos os anos por eventos associados ao tabagismo, como doenças cardiovasculares, pulmonares, diabetes e câncer. Isso resulta em alto custo para os cofres públicos com assistência médica e perda de produtividade por morte precoce e incapacidade devido ao tabagismo.

Mesmo que 85% da produção de tabaco do Brasil sejam destinados à exportação, e por isso sofra pouca influência da redução no percentual nacional de fumantes, o país vem registrando queda no volume produzido, bem como na área plantada e no número de famílias produtoras de tabaco. O número de cigarros produzidos no Brasil também tem registrado queda vertiginosa na última década. A exportação de fumo foi reduzida entre 2012 e 2014, mas vem se mantendo com poucas oscilações desde então. Os principais destinos da produção de tabaco são Europa, Estados Unidos e China.

Consulte no menu à esquerda para conhecer detalhadamente os dados e números relativos à prevalência do tabagismo, doenças relacionadas ao tabagismo, mortalidade, produção de fumo e derivados, exportação de fumo e seus derivados, consumo de cigarros per capita e custos atribuíveis ao tabagismo.

 

Magnitude do comércio ilícito de cigarros no Brasil

Segundo Iglesias RM, Szklo AS, Souza MCD, et al (2017)[i], o Brasil implementou um amplo conjunto de intervenções legislativas, regulatórias, educacionais e econômicas para abordar o uso do tabaco desde 1986, tornando-se um líder mundial no controle do tabaco e um dos países mais bem-sucedidos na redução do uso do tabaco (de 34,3% em 1989 para 14,7% em 2013).

Em 2016 foi produzido pelo INCA, em parceria com consultor da Organização Mundial da Saúde, um estudo científico com base no Global Adult Tobacco Survey – GATS Brasil de 2008 e 2013[ii] [iii], que estimou a magnitude do consumo de cigarros ilícitos no país. A metodologia desenvolvida para estimar o percentual do mercado ilegal de cigarros no Brasil foi derivada da pergunta sobre o valor pago pelo fumante diário na sua última compra de cigarro industrializado. A Secretaria Executiva da CONICQ elaborou um fact sheet  sobre o estudo, que pode ser acessado aqui.

Recentemente, foram apresentados resultados da estimativa do consumo de cigarros ilícitos no Brasil para o ano de 2017: “Vigitel 2017 e Estimativa de Consumo de Cigarros Ilícitos no Brasil”. O estudo foi baseado em metodologia referendada por pares (peer reviewed), publicada recentemente no American Journal of Public Health (Trends in Illicit Cigarette Use in Brazil Estimated From Legal Sales, 2012–2016).

O estudo tomou como referência o dado de consumo de cigarros de 2017 da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que é realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, e o dado de produção de cigarros da Receita Federal para o mesmo ano. O cálculo foi feito com base em metodologia referendada por pares (peer reviewed) e publicada no periódico American Journal of Public Health.

Os resultados apontaram diminuição de quatro pontos percentuais (de 42,8% para 38,5%) no consumo de cigarros ilegais entre 2016 e 2017, revelando que a  tendência de consumo de cigarros ilegais entre os fumantes que ainda não conseguiram e/ou não tentaram parar de fumar não foi de aumento, mas sim de leve redução.

É importante destacar que esse dado contradiz as estimativas de estudos encomendados por empresas de cigarros que operam no Brasil. Essas empresas vêm apontando com alarmismo um suposto crescimento do consumo de cigarros ilegais entre 2016 e 2017 (de 41% para 48%), ao mesmo tempo em que veiculam campanhas contra o aumento dos impostos sobre cigarros, a exemplo da intitulada “Imposto cresce - crime agradece”, que foi amplamente difundida na mídia nacional.

Quando se comparam as estimativas do consumo de cigarros legais e ilegais ao longo do tempo, assim como a prevalência de fumantes dos residentes das capitais brasileiras (Gráf. 1), percebe-se que, entre 2016 e 2017:

i) A tendência de consumo de cigarros ilegais entre os fumantes que ainda não conseguiram e/ou não tentaram parar de fumar foi de leve diminuição (de 42,8% em 2016, para 38,5% em 2017). Em termos de unidades, reduziu de 39,7 bilhões em 2016, para 34,9 bilhões em 2017;

ii) A quantidade de cigarros legais consumida sofreu um leve aumento: de 53,1 bilhões de unidades, para 55,8 bilhões de unidades;

iii) A prevalência de fumantes das capitais brasileiras ficou praticamente inalterada (reduziu de 10,16% para 10,11%, ou seja, reduziu apenas 0,05%).

Os resultados indicam a reversão da tendência verificada entre 2014 e 2016, quando o consumo de cigarros ilegais aumentou e o de cigarros legais diminuiu.

 


[i] Iglesias RM, Szklo AS, Souza MCD, et al Estimating the size of illicit tobacco consumption in Brazil: findings from the global adult tobacco survey Tobacco Control 2017;26:53-59.

[ii] IGLESIAS, R.M. et al. Estimating the size of illicit tobacco consumption in Brazil: findings from the global adult tobacco survey. Tobacco Control, v. 26, n.1, p53-59, jan. 2016. Disponível em: <https://tobaccocontrol.bmj.com/content/26/1/53?int_source=trendmd&int_medium=trendmd&int_campaign=trendmd>. Acesso em: 29 out. 2020.

[iii] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2013: Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas - Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. Rio de Janeiro: IBGE, 2014. Disponível em: < https://biblioteca.ibge.gov.br/pt/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2.... Acesso em: 9 abr. 2019.

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