Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco

Produção de fumo e derivados


Última modificação: 02/04/2019 | 11h14

Produção de fumo em folha no Brasil

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)1, nas décadas de 1990 a 1999 e de 2000 a 2009, a produção de fumo no Brasil cresceu 41% e 49%, respectivamente. A comparação entre esses dois períodos indica que a média anual da produção de tabaco em folha cresceu 48%. Para toda a série (1990 a 2009), o volume da produção de fumo no Brasil cresceu 94%. Os dados do IBGE têm origem na Produção Agropecuária Municipal (PAM), onde os dados são coletados via empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e Prefeituras.

A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra)2 aponta um declínio de 16,26% (Gráfico 1) na produção de fumo na região sul do Brasil entre os anos de 2005 e 2017, sendo que esta queda se comparada a safra de 2016, representou 37%. A Afubra registra os dados somente dos fumicultores do Sul do Brasil integrados a ela, não representando o todo, apesar de perfazer a grande maioria.

Gráfico com dados da produção de fumo em folha entre os anos de 2005 a 2016.

Gráfico 1 - Produção de fumo em folha (toneladas)
Fonte: Afubra e IBGE

Ainda segundo dados do IBGE, entre os anos de 1990 e 2003, o Brasil produzia em média 554 mil toneladas de fumo ao ano. A partir de 2004, o Brasil alcançou um patamar de produção mais elevado em relação ao observado nos anos anteriores, mantendo um volume entre 800-900 mil toneladas ao ano.

Entre os anos de 2006 e 2014, a produção oscilou e apresentou discreto declínio. A produção brasileira de 2010 foi a menor desde o ano de 2006 e as perspectivas, conforme orientação da própria Associação dos Fumicultores do Brasil-Afubra, são de queda para os próximos anos, como pode ser observado para o ano de 2015 no Gráfico 1:

 

Quadro com informações da redução da safra brasileira de tabaco para 2015/2016.

O aumento de produção, registrado entre 2016 e 2017, se deu em função do ingresso de 5.000 famílias na produção, pela falta de acesso às chamadas de assistência técnica à diversificação da Secretaria Especial de Agricultura Familiar da Casa Civil do PR e pelo leve aumento de demanda apresentado pelos Estados Unidos da América.

 

Área plantada de fumo em folha no Brasil

Segundo dados do IBGE/Sidra1, a média da área plantada registrada entre 1990 e 2003 foi de 329 mil hectares. Em 2004, observou-se um crescimento para 462 mil hectares, que representou um aumento de 40% em relação à média do período anterior. Desde então, a área plantada de fumo em folha vem mantendo-se estável, alcançando uma média anual de 451 mil hectares. Entre 1990 e 1999, a área plantada cresceu 24% e, entre 2000 e 2009, a expansão foi de 43%, porém de 2010 a 2015, identifica-se queda de 10%.

A redução de área plantada nos últimos anos comparada ao leve aumento da produção em toneladas, indica que há uma concentração da produção nas propriedades de possuem alta produtividade por hectare e também uma tendência de mecanização, por isso há uma tendência de irem em direção às grandes propriedades ou terras mais planas.

Os dados da Afubra também indicam redução da área plantada com fumo na região sul do Brasil até o ano de 2016, corroborando com as previsões assumidas pela Afubra para os próximos anos (Gráfico 2). O reingresso de 5.000 famílias em 2017 impactou em leve aumento de área plantada, contudo em 2018 já indica uma nova redução.

 

Gráfico com dados das áreas plantadas de fumo entre os anos de 2006 a 2016 (por hectares).

Gráfico 2 - Área plantada de fumo – 2006-2017 – Hectares
Fonte: AFUBRA e IBGE

Famílias envolvidas no cultivo de fumo na região sul do Brasil

Conforme dados da Associação dos Fumicultores do Brasil-Afubra3, entre os anos de 2009 e 2018, o número de famílias produtoras de fumo no Rio Grande do Sul caiu 20%. No mesmo período a área plantada, em hectares, também reduziu 20% e a produção, em toneladas, 7,8%. Ao compararmos a safra de 2011 com a de 2018, a produtividade aumentou 3,26%, porém com menos 20% de famílias dedicadas à fumicultura, o que realmente indica um incremento produtivo, ou um melhor aproveitamento das folhas de fumo, com redução de mão-de-obra.

Quadro com dados da evolução da fumicultura sul-brasileira.

Quadro 1 - Evolução da Fumicultura Sul-Brasileira
Fonte: Afubra

 

Ainda segundo a Afubra, os agricultores têm seguido à risca a orientação da indústria: plantar só o indicado. Apesar da reclamação dos fumicultores de que a classificação do produto na indústria é o maior entrave, Romeu Schneider, presidente Câmara Setorial do Tabaco e secretário da Afubra, afirma que tem sido equilibrada. “Tem dependido muito da qualidade do produto. Na safra de 2016 houve uma valorização muito grande sem nenhum parâmetro para a classificação conforme a instrução normativa porque havia uma oferta muito baixa de produto”.

Diminuir a área de fumo, para investir em hortifrúti é uma tendência cada vez maior entre os fumicultores. A produção de frutas e verduras tem trazido maior garantia de rentabilidade. O agricultor Flávio Stumm, explica que na área onde produzia tabaco, agora recebe sementes de melancia. Nesse ano, o agricultor dobrou a produção de morangos. Ele também plantou mais tomates e a estufa de pepinos tem ido bem: de quinhentas mudas em 2016, agora chega a mil. Toda essa produção tem destino e preço certos3.

 
Financiamento da cadeia produtiva de fumo no Brasil

Durante muitos anos grandes empresas de fumo foram beneficiadas pelo crédito do Pronaf, porém através da Resolução 2.833 de 2001, o Banco Central proibiu a concessão de tal crédito para produção de fumo, quando em regime de parceria ou integrado à indústria do tabaco4.

 

Desde o ano de 1991 grandes indústrias de tabaco vinham tendo acesso à linhas de crédito junto ao BNDES para produção de fumo, porém, após o ano de 2002 quando foi implementada a primeira resolução do Bacen restringindo o acesso ao  Pronaf para produção de fumo, houve um crescimento substantivo do acesso de recursos do BNDES para a produção de  fumo. Entre 2002 e 2010 o acesso cresceu em 93% passando de 8 milhões para 116 milhões, conforme Tabela 1. Após o ano de 2010, o desembolso do BNDES com a cadeia do fumo aparece agregada ao desembolso com as cadeias de alimentos e bebidas, nos informes setoriais.

 

 

Tabela 1 - Desembolso BNDES com a cadeia do fumo

Ano

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Milhões de reais

1

8

53

214

175

53

15

20

53

93

116

 

Fonte: Elaborado pela SE-Conicq com base nos Informes Setoriais BNDES e Agroindústria

               

Em 2004, o valor disponibilizado pelo BNDES a 28 mil pequenos produtores rurais dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul chegou a R$ 321 milhões tendo como destino a construção de 15.742 estufas, 11.113 paióis e 6.537 galpões, além de obras de reforma e ampliação nas estruturas já existentes nas pequenas propriedades rurais5. Este incentivo na produção visava atender a demanda crescente internacional do produto.

 

Produção do fumo em folha no mundo
Segundo o relatório de 2016 da Organização das Nações Unidades para Agricultura e Alimentação (Faostat) 7, o Brasil aparece em segundo lugar no ranking dos cinco maiores produtores mundiais de fumo em folha. A China lidera a produção de fumo em folha com 86% de vantagem em relação ao Brasil (Gráfico 3).

O Gráfico também apresenta a evolução da produção onde pode ser notado uma leve queda na produção Chinesa após o ano de 2012. Também já se nota ligeira queda na soma dos 125 países restantes com produções abaixo de 151.000 toneladas/ano, neste mesmo período.

 

Gráfico com dados da produção mundial de fumo em folha entre os anos de 2005 e 2014.

Gráfico 3 - Produção mundial de fumo em folha – 2006-2016
Fonte: Faostat, 2016

Produção de cigarros no Brasil

Segundo dados da Receita Federal6, entre 2000 e 2011, a produção de cigarros (embalagens com vinte unidades) não variou muito e se manteve na média dos 5.267.670.822 de embalagens produzidas. Após 2012 registram-se quedas sucessivas, representando um declínio de 40% na produção de 2015 comparada à média do período mencionado (Gráfico 4).

Nestes últimos anos passaram a vigorar novas alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que impactaram diretamente na elevação do preço unitário da embalagem com 20 unidades, como resultado positivo da implementação do artigo 6 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS.

Do volume produzido no ano de 2015, apenas 9.901.651 embalagens com vinte unidades de cigarros foram exportadas, conforme dados da Receita Federal, representando uma queda de 75% se comparado ao ano 2000, contudo em 2017 foram identificadas expressivas exportações para Argentina, o que elevou a quantidade de cigarros exportados.

 

Gráfico com dados da produção de cigarros no Brasil.

Gráfico 4 - Embalagens com 20 unidades
Fonte: Receita Federal do Brasil/MF

 

Leitura sugerida:

  • Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco - Status da Política - Alternativas à fumicultura .
  • Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco - Dados e Números - Consumo per capita.

 

Referências:

1 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tabela 1612. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?c=1612&z=t&o=11

2 Associação dos Produtores de Fumo do Brasil (Afubra). Disponível em: http://www.afubra.com.br/fumicultura-brasil.html

3  Produtores de fumo do Rio Grande do Sul reduzem área plantada. Disponível em: https://canalrural.uol.com.br/programas/produtores-fumo-rio-grande-sul-r...

4  Departamento de Estudos Sócio econômicos Rurais. Deser Boletim Julho 2012.  Pronaf quer apoiar os Agricultores Produtores de Fumo que apostam na Diversificação http://www.deser.org.br/adm/ver.asp?id=54

5 Banco Nacional do Desenvolvimento. BNDES. Disponível em: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Sala_de_I...

6  Receita Federal. Programa Nacional de Combate ao Cigarro Ilegal. Disponível em: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/regimes-e-controles-especiais/producao-de-cigarros-no-brasil-2017

7  Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: http://www.fao.org/faostat/en/#home

 

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