Câncer

Cartilha - Radioterapia


Última modificação: 06/09/2021 | 14h07

Radioterapia

O Tratamento

01
O que é radioterapia?

A radioterapia é um tratamento no qual se utilizam radiações ionizantes (raios-x, por exemplo), que são um tipo de energia para destruir as células do tumor ou impedir que elas se multipliquem. Essas radiações não são vistas durante a aplicação e o paciente não sente nada durante a aplicação.


02
Quais os benefícios da radioterapia?

A maioria dos pacientes com câncer é tratada com radiações e o resultado costuma ser muito positivo. O tumor pode desaparecer e a doença ficar controlada, ou, até mesmo, curada.

Quando não é possível obter a cura, a radioterapia pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida. Isso porque as aplicações diminuem o tamanho do tumor, o que alivia a pressão, reduz hemorragias, dores e outros sintomas, proporcionando alívio aos pacientes.

Em alguns casos, a radioterapia pode ser usada em conjunto com a quimioterapia, que utiliza medicamentos específicos contra o câncer. Isso vai depender do tipo de tumor e da escolha do tratamento ideal para superar a doença.

Durante o tratamento oncológico podem surgir efeitos colaterais. Por isso, uma vez por semana o paciente terá uma consulta de revisão com seu(sua) médico(a) e também uma consulta de enfermagem.


03
Como é feita a radioterapia?

O número de aplicações necessárias pode variar de acordo com a extensão e a localização do tumor, dos resultados dos exames e do estado de saúde do paciente.

De acordo com a localização do tumor, a radioterapia pode ser feita de duas formas:

Radioterapia externa ou teleterapia
A radiação é emitida por um aparelho, que fica afastado do paciente, direcionado ao local a ser tratado, com o paciente deitado. As aplicações são, geralmente, diárias.
Braquiterapia
Aplicadores são colocados pelo médico, em contato com o local a ser tratado. A fonte de radiação sai do aparelho, percorre cateteres que são ligados aos aplicadores e irradia próximo à área a ser tratada. Depois, a fonte retorna ao aparelho fazendo o mesmo trajeto. Esse tratamento é feito no ambulatório (podendo necessitar de anestesia), geralmente uma vez por semana, durante três semanas.
Como funciona a Radioterapia Externa?

Na radioterapia externa, o paciente ficará deitado sob o aparelho, que estará direcionado para a área do corpo a ser tratada. Sendo na área de cabeça e pescoço, o paciente usa uma máscara que ajuda a manter a posição correta durante o tratamento. Se for no restante do corpo, serão feitas marcações com uma tinta especial no local para os técnicos de radioterapia posicionarem o paciente corretamente, antes de iniciar o tratamento.

Etapas do tratamento da Radioterapia Externa
1ª etapa:
Consulta médica

Um médico radio-oncologista examinará o paciente, fará uma série de perguntas para saber tudo o que está ocorrendo com sua saúde e pedirá alguns exames, se necessário. Quando os exames estiverem prontos, serão definidos o tipo e o tempo do tratamento.

2ª etapa:
Programação do tratamento

Para programar o tratamento, é utilizado um aparelho chamado simulador ou tomógrafo, que ajuda o médico a delimitar a área a ser tratada, marcando a pele com uma tinta vermelha. Essas marcações não devem ser retiradas antes do término do tratamento, por isso, o paciente deve evitar banhos prolongados e proteger as marcações.

A fim de que a radiação atinja somente a área a ser tratada, em alguns casos, um molde de plástico poderá ser feito (como uma máscara, por exemplo), para ajudar a manter a cabeça na mesma posição durante a aplicação. Nesse caso, a marcação da área a ser tratada é feita na máscara, e não na pele.

3ª etapa:
Física médica

A ficha da programação é encaminhada para a sala da Física Médica, onde são feitos os cálculos para assegurar que a dose aplicada será igual à prescrita. E os físicos são responsáveis pelo controle de qualidade dos equipamentos.

4ª etapa:
Aplicações

O paciente recebe um cartão contendo o local e o nome do aparelho no qual será tratado, o nome do seu médico, o dia e a hora da aplicação. Nos dias e horários marcados, ele entregará esse cartão para o técnico de radioterapia e aguardará ser chamado para a sala do aparelho.

Durante a aplicação, o paciente fica sozinho na sala, posicionado na mesa de tratamento. O técnico responsável estará na sala de comando, ao lado, observando tudo por um monitor de TV.

Após o paciente ser posicionado pelo técnico de radioterapia na maca do aparelho, ele deverá ficar imóvel, para que a radiação não ultrapasse os limites da área marcada para o tratamento.

A máscara ou molde de cada paciente fica guardado na sala do aparelho, para ser usado sempre que ele vier receber a aplicação. As aplicações com radiação ionizante acontecem de segunda a sexta-feira e são marcadas no cartão do paciente. É importante que ele não falte nenhum dia, para não prejudicar seu tratamento.

Como funciona a Braquiterapia?

Dependendo do tumor e da anatomia do paciente podem ser utilizados diversos dispositivos (cateteres, aplicadores) para o tratamento, sendo que alguns necessitam de sedação. A sedação é realizada para evitar desconfortos no momento da colocação desses aplicadores.

A fonte de radiação sai do aparelho, percorre cateteres que são ligados aos aplicadores e irradia próximo a área a ser tratada. Depois a fonte retorna ao aparelho, fazendo o mesmo trajeto. Não há motivo para preocupação. Quando termina o tratamento, o paciente não sai “transmitindo” radiação aos outros.

Etapas do Tratamento da Braquiterapia

Para explicar um pouco como acontece o tratamento, usaremos como exemplo o tipo mais comum, a braquiterapia para pacientes com tumores ginecológicos.

1ª etapa:
Consulta médica

Semelhante a radioterapia externa, é necessária uma consulta médica com um radio-oncologista para avaliar as condições físicas do paciente, exames prévios ou solicitar outros, caso sejam necessários.

2ª etapa:
Consulta de enfermagem

Tem por objetivo orientar o paciente sobre os cuidados que ele deve ter antes de cada sessão e ao final do tratamento. As orientações serão de acordo com o tipo de aplicador utilizado.

3ª etapa:
Consulta com Anestesista
(procedimento com sedação)

Antes do procedimento propriamente dito, um anestesista conversará com o paciente para avaliar se as condições clínicas permitem a aplicação de uma sedação. Essa avaliação ocorre por meio do risco cirúrgico e pela história clínica.

4ª etapa:
O planejamento e o
procedimento do tratamento

No dia do tratamento, o paciente que deve estar de jejum, trocará de roupa e utilizará um robe e uma touca e será encaminhado à sala de tratamento. Sendo a pelve a área tratada, o paciente ficará na posição ginecológica e será passada uma sonda vesical e posicionado o aplicador.

Após o posicionamento do aplicador, será realizado um exame de imagem para o físico calcular a dosagem necessária para o tratamento. Depois de calculada a dose, o médico confere e libera o início do tratamento. Neste momento, o paciente fica sozinho na sala, mas é observado pela equipe por um monitor de TV, e um intercomunicador, que possibilita a comunicação entre o paciente e a equipe a qualquer momento.

Ao término do tratamento é retirado o aplicador, e o paciente é encaminhado a uma sala onde será fornecido um lanche. Caso tenha feito anestesia, será avaliado pelo anestesista para liberação de retorno para casa.

Atendimentos e Consultas

Atendimento no Serviço Social

O Serviço Social atende com consulta agendada. A proposta principal é orientar sobre os direitos sociais do paciente oncológico. Exemplo: Previdência Social (auxílio-doença, aposentadoria, benefício assistencial, tratamento fora de domicílio, saques de PIS e FGTS, passe livre etc.)

Importante:
O paciente pode ter conhecimento prévio sobre os seus direitos. Basta informar-se sobre os horários e locais de atendimento do Serviço Social na sua unidade e marcar uma consulta.

Atendimento na Nutrição

O Serviço de Nutrição atende aos pacientes ambulatoriais mediante marcação de consultas. Os atendimentos são individuais e em grupo, conforme o tipo de tratamento.

O horário de atendimento é das 8h às 16h, de segunda a sexta-feira, podendo ser marcada consulta no local ou por telefone em qualquer de nossas unidades.

Revisão Médica

A partir da segunda semana de aplicação, o paciente terá uma consulta de revisão com seu médico, para passar por um exame físico e avaliar os efeitos do tratamento.

Uma vez por semana é feita a consulta de revisão pelo médico para acompanhar o paciente e verificar os efeitos que possam surgir durante a radioterapia. O paciente pode ser medicado e orientado sobre os possíveis efeitos do tratamento.

Consulta de enfermagem
da radioterapia externa

A partir da primeira semana de tratamento, o paciente participará de um grupo educativo sobre os cuidados com a pele irradiada e será acompanhado com consultas subsequentes para que sejam avaliadas as reações da pele.

Veja a seguir alguns cuidados:

É necessário que o paciente beba, no mínimo, de dois a três litros de líquido por dia (água, sucos, água de coco, chás e outros), para manter a pele hidratada. Caso tenha alguma restrição para beber líquidos, deve seguir a recomendação médica.
Após a aplicação da radiação, deve ser aplicada uma camada fina de creme hidratante indicado pelo enfermeiro, massageando o local com leveza até perceber que a pele esteja quase seca.
Antes de iniciar cada aplicação do tratamento da radioterapia, a pele deve estar limpa, sem resíduos de quaisquer cremes ou pomadas.
Banhos quentes devem ser evitados. O recomendado é tomar banho com água morna e sabonete não perfumado, de preferência neutro.
A pele deve ser seca com leves toques com a toalha, evitando-se coçar a área que está recebendo a radiação.
Não usar a força do jato d’água do chuveiro ou ducha diretamente na pele irradiada.
Não expor a área tratada ao sol e a banhos de mar ou piscina.
Ao fazer curativo na pele, não se recomenda o uso de esparadrapos ou adesivos na região irradiada. De preferência, devem ser usadas ataduras para fixação. Em caso de aparecimento de feridas na área tratada, seguir a orientação do enfermeiro ou do médico.
O fumo e o álcool fazem mal à saúde e trazem complicações durante o tratamento.


Abaixo algumas informações sobre como cuidar da pele de acordo com a região do corpo:

Região cabeça
e pescoço
  • Apare os pelos da barba com tesoura ou barbeador elétrico. Evite o uso de lâminas ou ceras para não ferir a pele.
  • Utilize bonés ou chapéus de abas largas e sombrinha para proteger sua pele do sol.
  • Use blusas de cor clara e de tecido de algodão com a gola até o início do pescoço. Evite roupa de gola alta (rolê).
  • Escove os dentes e a língua todas as vezes que você se alimentar. Pode ser realizado bochechos com enxaguatório bucal sem álcool. É importante realizar a higiene oral para diminuir o aparecimento de feridas na boca, mesmo que você use sonda nasoenteral, gastrostomia ou não tenha dentes.


Região torácica
  • Evite roupas justas e de tecido sintético. Caso a área tratada seja a mama, evitar o uso de sutiã. Ao usar, dê preferência aos de algodão e sem aro metálico na região de sustentação das mamas. À noite, se possível, ficar sem o sutiã.
  • Não depile a axila com lâminas ou ceras depilatórias, caso seja essa a área tratada.
  • Não use nenhum creme, desodorante, talco ou perfume na área tratada.
  • Evite fontes de calor nas tarefas domésticas e em seu trabalho. Por exemplo, caso necessite cozinhar, use as bocas de trás do fogão.


Região pélvica
  • Evite o uso do papel higiênico, lave o local com água e sabonete neutro. Se possível, dê preferência a sabonete líquido íntimo.
  • Evite roupas justas, jeans ou lycra. Dê preferência a calcinha ou cueca largas e de algodão. À noite, se possível ficar sem a roupa íntima.
  • Não depilar a área tratada com lâminas ou ceras depilatórias.

Lembre-se de que a consulta de enfermagem para avaliação da sua pele será uma vez por semana ou a cada 15 dias.

Efeitos colaterais

Um efeito colateral (reação indesejável) bem comum é a descamação, escurecimento e vermelhidão da pele, principalmente na região de dobras, como pescoço e virilha. Para minimizar esse efeito, o médico e o enfermeiro irão orientar o paciente sobre os cuidados de higiene e a utilização de cremes na área a ser tratada. Outro efeito bem comum é a queda de pelos na área do tratamento. Esses efeitos não ocorrem fora da área tratada, são transitórios, e a aparência da pele retornará ao normal um ou dois meses após o final do tratamento. Outros efeitos dependem da área a ser irradiada, como:

Cabeça/pescoço
dificuldade e ou dor para engolir, aftas ou feridas na boca que podem causar dificuldade para se alimentar, sapinho, boca seca (xerostomia) ou saliva grossa, alterações do paladar, alterações dentárias, trismo (diminuição da abertura da boca), sialorreia (intensa salivação), mielite (inflamação da medula espinhal), alterações da tireoide, dor no ouvido, diminuição da audição. No caso de irradiação de tumor do SNC: perda de memória, diminuição da acuidade visual, cegueira, catarata, convulsões, sangramento cerebral se irradiação do SNC; Reações na pele (pele ressecada, escurecida e/ou avermelhada, ou com feridas); perda de pelos.
Tórax
mielite (inflamação da medula espinhal), fibrose pulmonar (formação de cicatriz, espessamento), pneumonite (inflamação do pulmão), alterações cardíacas, cansaço, tosse seca ou com catarro, febre baixa (até 37,7ºC), alterações da tireoide, perda de apetite, náusea, enjoo, fratura óssea (costela), esofagite (inflamação do esôfago), gastrite (inflamação do estômago). Reações na pele (pele ressecada, escurecida e/ou avermelhada), perda de pelos no local do tratamento, coceira na área tratada.
Abdome/pelve
náusea, enjoo, cólica, secreção nas fezes e, muito raramente, presença de sangue nas fezes, irritação e ardência para urinar, alteração do ritmo intestinal (diarreia ou prisão de ventre). Mulheres poderão perder a capacidade de procriar se tiverem a pelve irradiada, e homens, impotência sexual. Reações da pele (pele ressecada, escurecida, avermelhada ou com feridas), perda de pelos no local de tratamento, coceira na área tratada.
Em crianças
as áreas que forem irradiadas poderão ter como efeito indesejável parada do crescimento e do desenvolvimento normal, ficando diferente do outro lado.
TBI (irradiação total do corpo):
náusea, vômito, fadiga, diarreia, queda de cabelo, esterilidade, pneumonite (inflamação do pulmão), catarata, diminuição do crescimento, tireoidite (inflamação da tireoide).
Braquiterapia ginecológica:
cólica, sangramento ginecológico, diarreia, dor ao urinar e efeitos tardios como cistite (inflamação da bexiga), retite (inflamação do reto, a parte final do intestino grosso) e estreitamento da vagina.

O paciente não deve faltar às consultas. A Equipe Multiprofissional do Serviço de Radioterapia está apta a ajudar cada um a lidar melhor com os efeitos colaterais.

Copyright